O frevo do bi (final). Há 50 anos, o “primeiro-ministro” Mauro Ramos erguia a Taça Jules Rimet.

“Não há, em toda a história das Copas, uma equipe tão bicampeã como aquela nossa. Tão gloriosa. E provo o que digo, Porque a Itália, bi em 1934 e 1938, repetiu apenas dois jogadores. Já o Brasil foi praticamente o mesmo”. Didi, bicampeão em 1958 e 1962, no livro “Didi – O Gênio da Folha-Seca”, de Péris Ribeiro.

A seleção brasileira foi bicampeã do mundo em 17 de junho de 1962 com 8 titulares da final de 1958 (“O Ano em que o Mundo Descobriu o Brasil”, belo documentário). As novidades eram: Amarildo, o “Possesso”, que substituiu Pelé a partir da terceira partida, contra a Espanha. Zózimo, reserva do zagueiro Orlando na Suécia. E seu companheiro de zaga, Mauro Ramos, reserva do capitão Bellini quatro anos antes, em 1962 virou titular na marra – e capitão do time.
Capitão, nada, primeiro-ministro, como Carlos Drummond “propôs” na deliciosa crônica “Seleção de Ouro”, publicada no extinto jornal carioca “Correio da Manhã”, em 20 de junho de 1962 (três dias depois do bicampeonato), um dos gols de letra compilados por dois netos do poeta no livro “Quando É Dia de Futebol”, editado em 2002 pela Record. Drummond também “escalou” o “velhinho sabido” Nilton Santos (o craque “enciclopédia do futebol tinha 37 anos em 1962) no ministério da Justiça. Na Fazenda, Gylmar (“defendeu a meta como o Tesouro”, justificou CDA). Carlos Drummond de Andrade definiu Zagallo como “ministro para várias pastas… dada a sua capacidade de estar em todas”. Para Garrincha, Drummond lembrou o ministério da Aeronáutica, “pois com suas fintas, dribles e arrancadas impossíveis, atravessar o mundo campo entupido de adversários é o mesmo que voar em céu desimpedido, qual passarinho”. Gol como os de Pelé, Drummond!

Brasil 3 x 1 Tchecoslováquia
Estádio Nacional – Santiago,  Chile, 17/06/1962
Público: 69.000 pessoas
Brasil – Gylmar, Djalma Santos, Mauro Ramos, Zózimo e Nilton Santos; Zito, Didi e Zagallo; Garrincha, Vavá e Amarildo.
Tchecoslováquia – Schroiff, Tichy, Popluhar, Pluskal e Novak; Masopust e Pospichal; Scherer, Kvasnak, Kadabra e Jelinek.
Gols: Masopust abriu o placar para os tcheco-eslovacos; Amarildo empatou para o Brasil logo depois; no segundo tempo, o volante Zito subiu, literalmente, e marcou de cabeça; Vavá aproveitou a bobeada de Schroiff para definir a volta olímpica.
Dentro do post, a numeração dos 22 bicampeões do mundo e o clube que defendiam em 1962. 
Estão grifados os nomes dos que entraram em campo durante as seis partidas do Mundial. O Brasil usou apenas 12 atletas – os 11 da final e Pelé, que se machucou no segundo jogo. Amarildo entrou e não saiu. Aymoré não mexeu mais no time.

  1. Gylmar – Santos
  2. Djalma Santos – Palmeiras
  3. Mauro Ramos – Santos
  4. Zito – Santos
  5. Zózimo – Bangu
  6. Nilton Santos – Botafogo
  7. Garrincha – Botafogo
  8. Didi – Botafogo
  9. Coutinho – Santos
  10. Pelé – Santos
  11. Pepe – Santos
  12. Jair Marinho – zagueiro do Fluminense
  13. Bellini – São Paulo
  14. Jurandir – zagueiro do São Paulo
  15. Altair – zagueiro do Fluminense
  16. Zequinha – meio de campo do Palmeiras
  17. Mengálvio – Santos
  18. Jair da Costa, atacante da Portuguesa
  19. Vavá – Palmeiras
  20. Amarildo – Botafogo
  21. Zagallo – Botafogo
  22. Castilho – goleiro do Fluminense
  • Técnico: Aymoré Moreira

A campanha:

  1. Brasil 2×0 México
  2. Brasil 0x0 Tchecoslováquia
  3. Brasil 2×1 Espanha
  4. Brasil 3×1 Inglaterra
  5. Brasil 4×2 Chile
  6. Brasil 3×1 Tchecoslováquia

Fontes:


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