Entrevista com Mauro Beting (final)

Seguimos com o papo via e-mail com o jornalista Mauro Beting. Abaixo, a linha atacante de raça, digo, as três últimas perguntas. Ele fala do pai, Joelmir Beting, de música -brinca de DJ!-e futebol, claro.

9 – Fut Pop Clube – Seu pai trabalhou no jornalismo esportivo antes de mudar para as páginas de economia. O estilo do Joelmir influenciou seu texto?beting

Mauro Beting – Muito. Por DNA, não por cópia. Mas, claro, sem a mesma qualidade. O que é bom é que sempre soube que eu não estava à altura dele. Nunca pretendi chegar perto. Mas, de fato, tem alguma coisa. No início de carreira, até fiz alguns textos que ele assinou. Uma baita honra. E sei que, desde o início, até sempre, as pessoas vão comparar, vão achar que ele me botou nos lugares em que trabalhei… sou tão burro que só fui trabalhar com ele depois de 17 anos de ofício. Ele é o pior nepotista que existe, embora nós façamos há 5 anos o programa mais nepotista da história da TV brasileira: “Beting & Beting” [canal Band Sports].

10 – Fut Pop ClubeVocê escrevia sobre música pop no começo dos anos 90, no jornal FT, do grupo Folha, que depois virou Agora. Que som você gosta de ouvir hoje? Que show te tiraria de casa?

Mauro Beting – Gosto desde música napolitana até rock bem alternativo. radioheadNão pude ir ao Radiohead, mas é um show que me tiraria de casa. Como Oasis[NdaR: site reformulado!]. Como REM. Como Pink Floyd. U2. Travis. Stevie Ray Vaughan (in memorian). Beatles. Kinks. João Gilberto. Tom Jobim. 10.000 Maniacs. Cowboy Junkies. Ih… tanta gente e tanto gênero. Menos breganejo e pagode, tudo eu escuto. Discothèque, blues, chorinho, hinos de clubes e de países. Nos últimos tempos, tenho até brincado de DJ, numa festa do Simoninha de MPB, e de rock lá na Funhouse, em São Paulo. É o meu maior prazer depois do futebol. por mim, tocaria todas as noites, vendo jogos antigos no telão.

11 – Fut Pop Clube -Pra terminar, uma pegadinha. Qual é o maior Palmeiras da história? O da Arrancada Heróica de 1942? O campeão da Copa Rio, em 1951? A primeira Academia que disputava com o Santos de Pelé? A segunda Academia, bicampeã brasileira? O time que saiu da fila em 93/93 e também foi bi brasileiro? O do ataque de 100 gols? Ou o campeão da América? Difícil, hein?

Mauro Beting – o que mais marcou é o de 12 de junho de 1993. Por culpa de tudo que não fizeram desde 18 de agosto de 1976, excetuando 9 de dezembro de 1979 [Nota do blog: ficou curioso? veja que jogo foi esse no Futpédia]. O futebol mais lindo que vi de verde, e dos mais lindos que vi na vida, é o do primeiro semestre de 1996. O que mais prendeu a respiração foi o de 16 de junho de 1999. Mas aquele que vi em 20 de fevereiro de 1974 ser bi brasileiro é uma rima que foi uma seleção do Brasil em 1974. Enfim, todos esses, e muito mais. Pelo futebol, o de 1996, mas durou pouco. Pela bola, fico com a segunda academia. Técnica, tática e física. E tinha Ademir. Tinha Luisão Pereira. Tinha Leivinha. Tinha Leão. Tinha Dudu. Tinha César Maluco. E tinha um moleque de seis anos que curtia o primeiro e último amor além da família. E, entre nós, tem família melhor que a do nosso time?

Fut Pop Clube -Valeu, Mauro Beting. Muito obrigado!

3 comentários sobre “Entrevista com Mauro Beting (final)

  1. P.S.
    9 de dezembro de 1979 é a data de um Flamengo x Palmeiras histórico. O Palmeiras do Mestre Telê Santana goleou o Fla de Cláudio Coutinho por 4 a 1, em pleno Maracanã, diante de 112 mil pagantes! Eu morava em BH nessa época e me lembro de ter assistido a transmissão ao vivo pela TV.
    Gilmar, Rosemiro, Beto Fuscão, Polozzi e Pedrinho; Pires, Mococa, Jorginho Putinatti (depois Carlos Alberto Seixas)e Jorge Mendonça; César Maluco (Zé Mário)e Baroninho. Esse era o alviverde de Telê.
    O Mengo tinha Cantarelli, Toninho, Dequinha, Manguito, Adílio (depois Beijoca), Paulo César Carpegiani, ZICO, Tita; na ponta-direita, o louro Reinaldo (depois Carlos Alberto), Cláudio Adão na área e, na ponta-esquerda, Júlio César, o “Uri Gheller”. Formação bastante ofensiva, impensável nos dias de hoje.
    O Palmeiras não era tão galático mas também tinha jogadores de grande valor, não? A minha recordação é que o Baroninho deu um show. Tinha Telê Santana, o melhor técnico de todos os tempos. Uma pena que não tenha chegado à finalíssima. Deu Inter, invicto, naquele Brasileirão 79.

  2. Esse jogo de 79 foi mesmo historico. Pena que o Verde parou em Falcao em pleno Palestra…

    Quanto ao melhor Palmeiras, fica dificil mesmo escolher. Aquele primeiro semestre de 96 teria sido mais imortalizado se nao houvesse a derrota pro xara Palestra de Minas na final da Copa do Brasil. O time humilhou todo mundo ate a final, quando Dida parou aquela maquina.

    O bienio 93-94 fica dificil de ser batido devido ao plantel riquissimo e a presenca da dupla que ficaria na memoria : Evair e Edmundo. Alem disso, foram 3 decisoes avassaladoras sobre o rival do outro Parque.

  3. Alias , hoje eh o aniversario do 4×0 de 93. Edmundo fez chover naquele campeonato. Faltou o gol na final. Mas ficou na lembranca a provocacao no fim do jogo, devolvendo a imitacao do porquinho do Viola e o desabafo no fim do massacre contra a imprensa que falou um monte a semana toda.

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