A ERA DO RÁDIO esportivo brasileiro

Ouvir emocionantes transmissões de rádio é o jeito de acompanhar uma rodada se você está na estrada. Sempre que isso acontece, lembro dos meus tempos de garoto louquinho for futebol, tentando ouvir rádios de outros estados em AM ou ondas curtas, numa era sem internet, muito menos PPV. Até vi o primeiro gol do Flamengo. Emerson, o sheik. Deu para ver ainda o segundo, também do Emerson. Mandei até torpedo para amigo flamenguista: “dá-lhe Sheik”. Depois, peguei meu caminho e segui ouvindo as rádios Globo-CBN, que no Rio agora transmitem futebol em dobradinha, ou melhor, em três frequências (AM 1220 e 860 Khz e FM 92,5 Mhz). O que eu não esperava era que o excelente locutor Evaldo José narraria QUE LINDOOO! -o grito de gol dele- seis vezes em 34 minutos de jogo. Quatro gols do Sport em 8 minutos. Quem poderia imaginar que o Sport viraria esse jogo? E assim terminou: 4 a 2 pro novo time treinado por Emerson Leão – alguém aí se lembra da blitz são-paulina contra o São Caetano, na continuação do jogo que parou por causa da morte do zagueiro Serginho, lá se vão quase 5 anos? Os sinais de emissoras paulistanas como Pan, Band, Globo, CBN… ainda estava fracos na estrada, mas deu para saber que o Palmeiras ganhou de virada do Vitória no Palestra Itália. Seis e meia da tarde.

Magrão abriu o placar em BH. FOTO: divulgação: VIPCOMM
Magrão abriu o placar em BH. FOTO: divulgação: VIPCOMM

Hora de acompanhar o grande clássico da rodada, entre o Cruzeiro e o líder Internacional, até então 100% no Brasileiro. Pela rádio Gaúcha (impressionante como dá para ouvir a 600 Khz de POA à noite na cidade de S.Paulo!), ouvi o primeiro gol do Inter (Magrão). Também fiquei sabendo que Lauro, goleiro do Inter, e Kléber, esquentado atacante cruzeirense brigaram e foram expulsos (será que vem punição?). Depois, mudei para a Globo-CBN do Rio, onde José Carlos Araújo transmitiu o clássico-vovô. Não sabia que agora a rádio apresenta os hinos cariocas como o do Flu e Bota em versão para guitarra. Demais. No segundo tempo, Wellington Paulista empatou pro Cruzeiro. 1×1.

Wellington Paulista empatou. FOTO: Washington Alves VIPCOMM
Wellington Paulista empatou. FOTO: Washington Alves VIPCOMM

O Colorado não é mais 100%, mas segue invicto e lidera com 2 pontos mais que o Galo! Que goleou o Furacão no clássico atleticano da Baixada: 4×0 (o que custou o emprego de Geninho). Enquanto isso, no Maraca, Fred marcou no finalzinho e deu a vitória pro Flu. Tudo isso -e resgate de mais corpos do voo 447 – fiquei sabendo via AM ou FM. Longa vida ao rádio esportivo brasileiro!

UMA DICA PARA QUEM SE AMARRA EM NARRAÇÃO DE RÁDIO. A SALA DE GOLS DO Museu do Futebol (clique), em São Paulo, TEM UMA PENCA DE ÁUDIOS DE LOCUTORES CLÁSSICOS, COM GRAFISMOS MANEIRÍSSIMOS ANIMANDO AINDA MAIS AS GRANDES JOGADAS DESCRITAS.

Leia também: CURIOSAS CANÇÕES COM NARRAÇÕES DE GOLS.

De volta à expo Mania de Colecionar.

Bela dica de passeio para um domingo sem bola rolando no Pacaembu é visitar o Museu do Futebol. O ingresso não é caro. O cidadão paulistano, acostumado com filas, e o turista louco por fut só devem ter um pouquinho de paciência nos jogos interativos que atraem a criançada. Em cartaz, a segunda exposição temporária: Mania de Colecionar (eu guardo até o canhoto da mostra…). De cara, chamam a atenção os 119 exóticos uniformes que representam todos os estados brasileiros (leia post anterior). Proponho um joguinho de memória contigo, caro internauta que visita o blog Fut Pop Clube. De que clube são estas três camisas aí embaixo? Tá fácil! Fotos são de celular.

Da coleção de José Cássio Erbist, que ficou na expo Mania de Colecionar, no Museu do Futebol, em 2011.

20-05-09_164025Leia aqui textos anteriores sobre o Museu.

Se você gosta do assunto, recomendo a leitura do texto sobre o programa Loucos por Futebol. 20-05-09_163426


Mais da MANIA DE COLECIONAR: botões

A expo Mania de Colecionar, no Museu do Futebol, também tem centenas de times de botões. Conta até com binóculos para o visitante ver os que estão lá no alto. 20-05-09_163023Em  destaque, um botão em homenagem ao Zico. Atrás, um do Clube do Remo. Pelo que me recordo, ambos são feitos de PVC.

Abaixo, botão do Prado, atacante que jogou pelo São Paulo entre 1961 e 67. Segundo o Almanaque do São Paulo, marcou 122 gols em 242 jogos. Ou seja, marcava em média partida sim, partida não. 20-05-09_162800As fotos são via telefone celular.

“Futebol Musical Brasileiro Social Clube”

capaCDPara saudar o chocolate canarinho (4×0) em pleno estádio Centenário, um disco que saiu na época da última Copa do Mundo, creio. Futebol Musical Brasileiro Social Clube, terceiro disco-solo do botafoguense Pedro Lima. O vocalista escala 11 golaços da MPB que celebra o futebol-arte. Um a um é o rojão de Edgar Ferreira arretado por Jackson do Pandeiro. Em Meio de Campo, de Gilberto Gil, também conhecido na voz de Elis, Pedro faz dupla com Nilze de Carvalho. Um a zero é o choro campeão de Pixinguinha e Benedito Lacerda com a letra artilheira do Nelson Angelo. Na vez de O que é… O que é (Moraes Moreira), Pedro tabela com Zezé Motta. Mais clássicos da MPB boleira: Geraldinos e Arquibaldos, de Gonzaguinha, Camisa 10 (Hélio Matheus e Luis Wagner) e O Campeão (Meu Time), sambão de estádio com canja do próprio Neguinho da Beija-Flor. Gol de placa do rubro-negro Benjor, a versão Pedro Lima para Ponta de Lança Africano (Umbarauma)  ganhou clip (veja). Com a camisa 9, vem a regravação de Aqui é o País do Futebol, samba de Milton Nascimento e Brant, neste jogão com passe de Roberto Menescal. A 10, Pedro Lima deixa para a cover de O Futebol, do tricolor Chico Buarque. E na ponta-esquerda, com a 11, claro, o cantor/treinador convoca  Canhoteiro, sensacional balada gravada primeiro por Fágner (fã do Fortaleza) e Zeca Baleiro, que é Peixe. As 11 músicas não são inéditas, mas os arranjos ficaram bem diferentes e interessantes.Dá para ouvir trechinhos dos 11 clássicos no site da gravadora Sala de Som (clique aqui). Ou algumas faixas na página do Pedro Lima no My Space.

Chama a atenção o projeto gráfico bacana, com referências a futebol de botão e totó, ou pebolim, ou fla-flu etc. Vale a pena ouvir a reportagem sobre o disco Futebol Musical Brasileiro Social Clube no blog O Gol de Letra, de Jana e Nanda. Quer saber mais sobre a MPB artilheira? Leia textos do Fut Pop Clube sobre a pesquisa do Beto Xavier, que resultou no livro Futebol no País da Música.