Maracanã, 62 anos de “praia”

O post é de 2012.

Reprodução de parte da capa do livro de João Máximo: “Maracanã, Meio Século de Paixão”, que saiu em 2000, pela editora DBA

Principal cenário do Mundial de 1950, local da decisão da Copa 2014, o Maracanã abriu as portas em 16 de junho de 1950. Dias antes da Copa 50, a primeira partida: Seleção Carioca x Seleção Paulista. Você consegue imaginar o frisson que esse jogo deve ter provocado? Gol inaugural de Didi, o gênio da folha-seca. Mas os paulistas ganharam por 3×1, de virada. O resto é história. História do futebol do Rio, do Brasil e do mundo.
O Maracanazo. A conquista da Copa Rio de 1951 pelo Palmeiras. A visita do mágico time do Honved, de Puskas. Santos campeão mundial de clubes. O recorde de público em 1969, na vitória suada contra o Paraguai, pelas Eliminatórias, que classificou a Seleção para o Mundial, o do tri, em 70. Romário 2×0 Uruguai, outra classificação sofrida para Copa, a do tetra, em 94. Tantos Fla-Flus, Clássicos dos Milhões, Clássicos da Paz, Clássicos Vovôs. As despedidas de Pelé e de Garrincha da Seleção são momentos lembrados pelo excelente livro do jornalista João Máximo, “Maracanã, Meio Século de Paixão“, editado 12 anos atrás pela DBA. Continuar lendo “Maracanã, 62 anos de “praia””

Que bonito é…


A terceira edição do CINEfoot terminou em São Paulo com uma sessão em homenagem ao Canal 100, à conquista da Jules Rimet e ao bi mundial do Santos em 1962 e 63 e a premiação aos vencedores do festival (mantendo o mistério neste começo do post, um filme sobre o Bahia, um sobre a democracia corintiana e outro sobre um pequeno time da Catalunha).

A primeira atração foi um curta do clássico acervo do Canal 100 sobre o Santos bicampeão do mundo, com as imagens dos jogões contra o Benfica em 1962, da final da Libertadores de 1963, contra o Boca, em plena Bombonera (os boquenses já comemoravam com avalanche, atrás do gol), e das duas partidas realizadas no Maracanã, contra o Milan em 1963 (o Santos perdeu em Milão, venceu a partida de volta no Maracanã -sem Pelé-e também o jogo-desempate, 48 horas depois). Sempre bom ver e rever os gols geniais de Pelé, em jogadas cheias de força, arte e raça (como ele vibrava, com cada gol, pulando e dando o soco no ar), e todo o timaço do Santos. E dá-lhe “Que Bonito É (Na Cadência do Samba)”.  O segundo filme da noite também foi uma produção do Canal 100, o longa “Brasil Bom de Bola”, que conta a história do futebol tricampeão em 70. Continuar lendo “Que bonito é…”

Luz, câmera… gol! É o CINEfoot em Sampa.


É o festival de cinema que a gente esperava desde a infância: tem filme sobre futebol de botão, kichute… só faltou um sobre pebolim, mas isso o Juan José Campanella está se encarregando de produzir. Também tem papo sério: conflito Israel-Palestina. Neste sábado, 2 de junho, o CINEfoot exibe a partir das 16h, no auditório do Museu do Futebol, o curta “Vai pro Gol” (na trilha sonora, tem música das meninas do Choro das 3, excelente grupo) e o longa “Sobre Futebol e Barreiras” – um olhar sobre o conflito Israel-Palestina em meio à última Copa do Mundo. Confira um teaser no site oficial.

  • Texto anterior, do primeiro dia de festival em SP:

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Voa Canarinho. Saiu o livro “Sarriá-82 – O que Faltou ao Futebol-Arte?”.

27 de maio de 2012
Waldir Peres (depois Paulo Sérgio), Leandro, Oscar, Luizinho (Edinho) e Júnior; Falcão, Sócrates, Zico e Paulo Isidoro (Toninho Cerezo); Careca (Serginho Chulapa) e Éder (Dirceu). Com esse time, a Seleção Brasileira treinada por Telê Santana goleou o Eire (República da Irlanda) por 7 a 0, há exatos 30 anos, em 27 de maio de 1982, no Parque do Sabiá, em Uberlândia. Marcaram: Falcão, Sócrates (duas vezes), Serginho (também 2 gols), Luizinho e Zico!
A seleção se despedia do seu povo feliz, diante de 72.733 pagantes, para tentar buscar o tetra. Foi o último amistoso antes do voo do escrete canarinho para disputar a Copa do Mundo de 1982, na Espanha. Você viu aí o nome do Careca na escalação. Infelizmente, o goleador do Guarani se machucou pouco antes do Mundial. Serginho Chulapa, “o artilheiro indomável”, polêmico dentro e fora do campo, ficou com a 9. O Brasil chegou como favorito, encantou o mundo com seu quadrado mágico formado por Falcão, Cerezo, Sócrates e Zico. Deu show na primeira fase. No grupo com Argentina e Itália que decidia uma vaga na final, venceu bem os hermanos, num jogo em que Maradona perdeu a cabeça: 3×1.  Contra a Itália, poderia empatar,saiu atrás, nunca esteve na frente do placar, e perdeu. 3×2. 5 de julho de 1982. O sonho do tetra foi adiado, logo com a melhor seleção que nosso futebol montou desde o tri no México 70. A falada “tragédia do Sarrià”, nome do estádio do Real Club Deportivo Espanyol de Barcelona na época (foi demolido 15 anos depois; o Espanyol usou por anos o Olímpico de Montjuic e hoje joga num moderno estádio entre Cornellà e El Prat).
A tragédia do Sarrià é o tema do livro de Gustavo Roman, futuro jornalista, colecionador de jogos de futebol (isso mesmo, ele coleciona partidas inteiras em vídeo: 5.350 partidas, de 1950 em diante!) e Renato Zanata Arnos, professor de História, pesquisador do futebol argentino (coautor do blog Futebol Argentino). “Sarriá 82 – O Que Faltou ao Futebol-Arte?”, que está para ser lançado pela Maquinária Editora. O livro já está em fase de revisão e a capa você pode ver abaixo.


Renato Zanata e Gustavo Roman assistiram, analisaram, esmiuçaram 25 dos 38 jogos (29 vitórias, 6 empates e apenas 3 derrotas) disputados pela Seleção de Telê, na primeira passagem do mestre pelo escrete canarinho. Mais os vídeos de 21 partidas da Seleção com o antecessor, Cláudio Coutinho. Total: 46 VTs. Alguns vistos e revistos.

Os autores entrevistaram Zico, os laterais Júnior e Leandro,o zagueiro Oscar, os meio-campistas Batista, Paulo Isidoro e Adílio e os jornalistas Mauro Beting, Mário Marra, André Rocha e Ariel Judas (argentino).

Parece leitura obrigatória para todos nós que sonhamos  junto com os “Pachecos” em 1982 e nunca mais choramos por derrotas de nenhuma Seleção Brasileira. Por aquela, valia a pena chorar. Como o garoto da capa (inesquecível foto, histórica primeira página) do “Jornal da Tarde”, de 6 de julho de 1982.


Sessão de abertura do CINEfoot, o Festival de Cinema de Futebol, no Rio

http://www.imdb.com

Um curta sobre o São Cristóvão de Futebol e Regatas e uma longa russo de ficção que tem como personagem um goleiro do Dínamo de Kiev  abrem amanhã a seleção carioca do terceiro CINEfoot – Festival de Cinema de Futebol. A sessão começa às 20h30, com “Meu Glorioso São Cristóvão“, um doc de Ney Costa Santos de 1978 sobre o simpático São Cri-Cri, campeão carioca de 1926, clube onde começou o Fenômeno. Em seguida, o CINEfoot exibe o filme russo “Match”. O diretor Andrei Malyukov conta a relação atribulada entre o goleiro do Dínamo e uma grande paixão. A Segunda Guerra interfere no romance e o destino de muitas pessoas depende de uma partida de futebol. A sinopse me deixou com muita vontade de ver (abaixo, publico o trailer; a produção parece bacana). Então, “Meu Glorioso São Cristóvão” e “Match” abrem o CINEfoot no Rio, nesta quinta-feira, 24 de maio, a partir de 20h30, no Espaço Itaú de Cinema – praia de Botafogo, 316. A entrada é grátis, e por isso mesmo, é bom chegar um tempo antes para garantir um lugar.


Bem que poderia passar na seleção paulista do festival… Ou entrar logo em cartaz!
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Saiu a seleção do 3º CINEfoot – Festival de Cinema de Futebol


O CINEfoot – Festival de Cinema de Futebol – anunciou na sua página os filmes convocados para a copa, digo, para mostra competitiva, no Rio de Janeiro (entre 24 e 29 de maio no Arteplex da praia de Botafogo) e em São Paulo (de 31 de maio a 5 junho no Museu do Futebol e Reserva Cultural). Vale a Taça CINEfoot.
Bola pro mato que o jogo é de campeonato, então. Confira a lista dos longas que participam da mostra competitiva no Rio:

Longa-metragens que participam da mostra competitiva em São Paulo: Continuar lendo “Saiu a seleção do 3º CINEfoot – Festival de Cinema de Futebol”

Messi x Altafini “Mazzola”. E o livro “Os 11 Maiores Centroavantes do Futebol Brasileiro”.

Aprendi no livro “Os 11 Maiores Centroavantes do Futebol Brasileiro” – de Milton Leite (locutor do canal campeão), editora Contexto – que o brasileiro Altafini, “o nosso Mazzola”, é o maior artilheiro, recordista de gols, numa só edição da Copa dos Campeões, a atual Champions League. José João Altafini – o Mazzola camisa 18 do Brasil na conquista da Copa do Mundo de 1958 – mudou para o “calcio”, se naturalizou italiano, jogou a Copa de 1962 pela Azzurra… Pois bem. Altafini (como é conhecido na Itália) marcou 14 gols na Copa dos Clubes Campeões da Europa 1962/63. Justamente pelo Milan, contra quem Lionel Messi igualou hoje o recorde. Só Altafini e Messi marcaram 14 gols numa só Copa/Liga dos Campeões.

Bom, José Altafini (no Brasil chamado Mazzola pela semelhança com um craque italiano dos anos 40, Valentino Mazzola) é um dos 11 centroavantes selecionados pelo livro de Milton Leite, Continuar lendo “Messi x Altafini “Mazzola”. E o livro “Os 11 Maiores Centroavantes do Futebol Brasileiro”.”

Ah, é Edmundo!

FOTO Marcelo Sadio / http://www.vasco.com.br

Quarta-feira, 28 de março de 2012. Edmundo, o “animal” (copyright: Osmar Santos), se despediu oficialmente do futebol, num amistoso em que o Vasco -que o revelou e onde parou- goleou o Barcelona de Guayaquil (9×1, 2 gols de Edmundo, fora a reboladinha), num “remake da final da Libertadores de 1998. Não faltaram títulos -e confusões – na carreira do genial e genioso camisa 7, que hoje foi nota 10:

  1. Campeão invicto do estadual do Rio em 1992
  2.  Campeão do Torneio Rio-São Paulo 1993, já pelo Palmeiras
  3. Campeão paulista 1993
  4. Campeão brasileiro 1993
  5. Bicampeão paulista em 1994
  6. Bicampeão brasileiro 1994
  7. Copa América 1997 – pela Seleção Brasileira
  8. Campeão Brasileiro 1997 – pelo Vasco. Edmundo fez 29 gols, recorde do campeonato que só foi batido em 2003 (Dimba, do Goiás, 31 gols)

Todo mundo tem seus defeitos. Dentro do campo -que é o que interessa aqui-, com a bola no pé, no período entre 1992 e 1997, o “animal” foi um dos melhores do mundo. Boa sorte e felicidades para Edmundo, na continuidade de sua vida.

Dentro do post, republico as lembranças de um torcedor do Vasco e do Palmeiras, e consequentemente, um superfã de Edmundo: Luiz Reginaldo Lima, “irmão do blog”. O texto de Reginaldo sobre o “animal” foi publicado no meu blog anterior, em 2008: Continuar lendo “Ah, é Edmundo!”

7×1, 6×3, 5×1, 5×4… “A Renascença do Futebol”

O Bayern de Munique quebrou o ferolho suíço e aplicou 7×0 no Basel num jogo de oitavas da Champions League! Dias depois de enfiar 7×1 no Hoffenhein, pela liga alemã.
Mesmo placar do Barça contra o Bayer Leverkusen, na Liga dos Campeões. Com direito ao “repoker” – cinco gols – de Messi (poker seriam quatro gols). Na mesma Champions,  o Arsenal chegou a 3×0 no Milan – faltou um pra devolver o 4×0 de San Siro e tentar uma classificação heroica.
Na Espanha, o Espanyol de Barcelona deu uma “manita” (5×1) no Rayo Vallecano, uma semana depois de levar ele mesmo, Espanyol, uma “manita” do Real Madrid.
Na Itália, na rodada do fim de semana, tivemos Napoli 6 x 3 Cagliari. Na Argentina, Independiente 5×4 Boca dentro da Bombonera! Triplete de Ernesto Farías.
Em São Paulo, semanas depois de um emocionante Choque-Rei que terminou 3×3, o Palmeiras fez 6×2 no Botafogo de Ribeirão Preto.
Deu a louca no show (da bola)? Os deuses (dos estádios) devem estar loucos? Nesse festival de gols, são normais as goleadas aplicadas por times com orçamento muito maior do que o adversário. Mas e esses placares elásticos envolvendo grandes clubes, e em clássicos, como Independiente x Boca? Não faz muito tempo – segundo semestre de 2011 – tivemos Manchester United 8×2 Arsenal, depois Manchester City 6 x 1 Manchester United, sem esquecer do inesquecível Santos 4×5 Flamengo – no dia do supergol de Neymar – e na final do Mundial, de triste recordação para a torcida santista, o 0x4 para o Barcelona. Aliás, olha o Neymar aí de novo, fazendo gols como o 2º, especialmente, e o 3ª do hat-trick contra o Internacional, que já poderiam ser considerados candidatos a gol mais bonito do ano.
Impressão minha ou não podemos mais falar que são exclusivos dos arquivos, almanaques e memórias jogaços como o Santos x Palmeiras de 1958? Virou 5×2 pro Santos, depois o Palmeiras reagiu e virou para 6×5, antes de nova virada – santista – para 7×6.
Procurei a palavra de alguém que cobre o futebol do Brasil e do mundo há mais de 20 anos. O jornalista Décio Lopes, do programa + blog Expresso do Esporte.
Perguntei: o futebol voltou a ser ofensivo e não devemos mais ficar só lembrando do passado? Pelo seu twitter, Décio Lopes respondeu: “Acho que sim. A guinada mais recente é para o ataque. E o Barça é tão lindo  que faz o futebol do futuro lembrar em muitos aspectos o do passado. É a releitura. A Renascença do futebol”.
Amém, Décio, amém. Gostei. Tanto que esse termo “Renascença do futebol” foi para o título do post. Perfeito! Obrigado!

“E novamente ele chegou com inspiração…”

Ubirajara Alcântara, Aloísio, Fred, Reyes, Paulo Henrique, Liminha, Rodrigues Neto, Rogério, Caio (depois Samarone), Paulo César e Arilson (depois Fio). Com esse time, citado pelo excelente site Fla Estatística.com, em 15 de janeiro de 1972 o mais querido derrotou o glorioso Benfica por um a zero, em partida do Torneio Internacional de Verão do RJ, disputado no Maracanã. Esse Fio, que entrou no lugar de Arilson e fez o gol da vitória rubro-negra sobre os encarnados de Lisboa, é o Fio Maravilha, imortalizado no samba-rock superclássico do homem-gol da MPB, sucesso de público até hoje nos shows de Jorge Ben Jor, como o que Fut Pop Clube curtiu sábado, no Circo Voador. “Foi um gol de anjo/Um verdadeiro gol de placa”, escreveu Jorge Ben Jor, torcedor do Flamengo que chegou a jogar no clube de coração.
Como bem lembrou o Memória EC no mês passado, em janeiro fez 40 anos da “jogada celestial” que inspirou o “gol de classe” da música brasileira que fala de futebol. Jorge Ben Jor lançou “Fio Maravilha” pela primeira vez no discão “Ben” (capinha ao lado), no mesmo ano: 1972. Continuar lendo ““E novamente ele chegou com inspiração…””