“1958 – O Ano em que o Mundo Descobriu o Brasil”

Já saiu em DVD o filme sobre a 1ª Copa do Mundo que a Seleção conquistou
Já saiu em DVD o filme sobre a 1ª Copa do Mundo que a Seleção conquistou

“Você sabia?”… O lateral-direito Djalma Santos, bicampeão do mundo pela Seleção – que chegou bem aos 80 anos, no último sábado – só jogou uma partida na Copa de 1958 (o são-paulino De Sordi sentiu uma contusão antes da final, contra os suecos, donos da casa). Djalma, então atleta da Portuguesa (jogaria ainda no Palmeiras e Atlético Paranaense), teria que marcar o ótimo ponta sueco Skoglund. Entrou e deu conta do recado tão bem que acabou escolhido para a seleção da Copa. Essa é uma das histórias contadas no documentário “1958 – O Ano em que o Mundo Descobriu o Brasil”, de José Carlos Asbeg, que estreou nos cinemas no ano passado (cinquentenário da conquista) e já saiu em DVD. O filme usa usa cenas oficiais da Copa, cedidas pela Fifa, e ouve depoimentos dos campeões mundiais Djalma, Nílton Santos, Dino Sani, Moacir, Zito, Mazzola, Zagallo e Pepe, mais o preparador Paulo Amaral. Didi, em material de arquivo. Estão no filme  suecos, vice-campeões, como os que marcaram na final, Simonsson e Liedholm (o dele foi um golaço). Franceses, como Just Fontaine, artilheiro recordista, e russos. Jornalistas como Luiz Mendes, Paulo Planet Buarque (que fala a frase que dá título ao filme) e João Máximo. Peraí, não ouviu Pelé? Essa foi uma crítica feita ao filme de Asbeg. Mas quer saber? Pelé já teve um filme inteiro pra ele. E é bom ouvir um pouco mais os outros monstros da bola. Todos salientam a importância para a conquista da Taça do Mundo não só de Pelé, mas de campeões que não estão mais entre nós: Garrincha, Vavá e o vice da CBD, Paulo Machado de Carvalho, que chefiou a delegação. A produção é cuidadosa, no acabamento de artes, nos cenários de entrevistas, na qualidade das imagens, no uso de históricas gravações de rádio em cima das cenas dos jogos –  vozes de locutores esportivos clássicos como Pedro Luiz, Edson Leite e Jorge Cury (a seca narração do gol de Gigghia que deu a Copa de 50 ao Uruguai, em pleno Maracanazzo). O que ficou um pouco confuso foi amarrar o filme todo em torno da decisão – os 5×2 contra a Suécia. E no meio desse momento glorioso ir contando a história: as tristes lembranças de 1950, a folha seca de Didi que classificou o Brasil pra Copa 58 e a campanha vitoriosa na Suécia. CLIQUE AQUI

 

  • Na estreia, em Udevalla, o Brasil goleou a Áustria. 2 de Mazzola (então do Palmeiras) e um de Nílton Santos (a vida toda Botafogo).
  • Em Gotemburgo, o Brasil empatou com a Inglaterra. 0x0. Os mais experientes do elenco convenceram o treinador Vicente Feola a escalar Pelé (Santos), Garrincha (Bota) e Zito (Santos) no próximo jogo, contra a URSS.
  • No começo do jogo, Garrincha já atormentava os soviéticos. O Brasil fez  2×0 na URSS do mítico goleiro Yashin. Dois gols de Vavá (jogador do Vasco).
  • Nas quartas-de-final, o Brasil sofreu para furar a retranca do País de Gales, que eliminara a Hungria, vice em 54. Pepe brinca no filme de Asbeg: “Eram 10 atrás e um recuado”. Pelé fez o único gol, aliás, golaço, que o “Rei” considera o mais importante de sua carreira. E classificou a Seleção para a semifinal. Mazzola ainda acertou uma bicicleta, mas o juiz anulou o tento.
  • Semifinal em Estocolmo, contra a França, de Fontaine e Kopa – o jogo mais difícil, diz no filme o volante Zito. A artilharia francesa foi a primeira a marcar em Gilmar (goleiro do Corinthians) na Copa. E duas vezes. Mas com um de Vavá, um golão de Didi (outro cracaço do Botafogo) e 3 de Pelé, o Brasil deu show e se  garantiu em mais uma final. Os franceses reclamam até hoje que um jogador (Jonquet) se machucou seriamente. Naquele tempo, não havia substituição. O chororô é livre…
  • 29 de junho de 1958. O Brasil decide a Copa contra a Suécia, que atropelara mexicanos, húngaros, soviéticos e eliminara os alemães ocidentais, então campeões mundiais. O filme conta a história da camisa azul, “como o manto de Nossa Senhora Aparecida”, comprada no varejo de Estocolmo. Os suecos saem na frente. Golão de Liedholm logo aos 3 minutos. O fantasma de 1950 assombra. Qual o quê? O líder Didi (considerado o melhor do Mundial) pega a bola na rede e motiva o jovem escrete. Na nova saída, aciona Garrincha, que quase empata. “Na rede pelo lado de fora”. Jogada do ponta das pernas tortas, mais um gol de Vavá, o “Peito-de-Aço”. Pelé faz um golaço, mais um, e Zagallo fecha a conta. Simonsson ainda desconta. 5×2. O capitão Bellini (então Vasco) ergue a Taça do Mundo. Acabava o tal do “complexo de vira-latas”, diagnosticado por Nelson Rodrigues, um torcedor fanático – do Flu e do bom futebol.
  • Vale a pena ter “1958…”, o filme, de José Carlos Asbeg, para ver e rever essa grande conquista. É quase uma versão caseira de um Museu do Futebol se ele só tratasse da Copa da Suécia.

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