Personagem da Semana: Nelson Rodrigues


Meu personagem da semana poderia ser perfeitamente o bandeirinha Emerson de Carvalho, que não reparou no triplo impedimento no segundo gol do Santos no quentíssimo clássico alvinegro de domingo na Vila Belmiro, fazendo jus ao nome do livro de Celso Unzelte e Odair Cunha: “O Grande Jogo”. Hoje ele foi afastado.

Meu personagem da semana também poderia ser o Atlético Mineiro, melhor do primeiro turno do Brasileirão, a julgar pela bela campanha e pelo histórico do certame, dono de gigantesca chance de botar mais uma estrela dourada nesta flâmula aqui, olha.

Meu personagem da semana poderia ser o meia-atacante Lucas, que depois de ser deixado de lado – ou melhor, no banco – durante quase toda a campanha de prata da seleção olímpica voltou pro São Paulo e comeu a bola na goleada contra a Ponte Preta, no horário do “jogo da balada”, sábado à noite no estádio. Parecia querer dar no campo uma respoata ao técnico Mano Menezes e ao polêmico futuro colega de PSG, o falastrão Ibrahimovic. Tomara que Lucas continue assim, entortando defensores, rumo ao gol, no tricolor, na seleção, no PSG.

Meu personagem da semana era o nome da coluna de Nelson Rodrigues na primeira grande fase da revista “Manchete Esportiva“, sugestão do próprio patrão, Adolpho Bloch, explica Marcos Pedrosa de Souza, no posfácio da sensacional coletânea “O Berro Impresso das Manchetes” (editora Agir).

Meu personagem da semana é Nelson Rodrigues, o cronista da vida como ela é e do sobrenatural de almeida: 100 anos nesta semana. No sábado, dia 25/08/12, o Museu do Futebol de SP promove a palestra “Nelson Rodrigues – O Cronista e A Bola“, a partir de 10h, com o  professor José Carlos Marques, autor do livro “O Futebol em Nelson Rodrigues”. Aqui, um bate-bola do site do Museu com o professor. A entrada da palestra é de graça!

Pelezinho, um craque que (não) está no gibi.

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Atualizado em 20 de agosto de 2012
Por falar no estádio Råsunda, o cartunista Mauricio de Sousa divulgou no seu Twitter pessoal e no Facebook da Turma da Mônica uma homenagem do seu estúdio ao local da final da Copa de 1958. A arte foi criada por Flávio Teixeira de Jesus, roteirista da Mauricio de Sousa Produções, e nela volta a brilhar a estrela do Pelezinho, simpático personagem de saborosas histórias em quadrinhos, que no final dos anos 70, começo dos 80, divertiram boleirinhos como este que vos bloga.
Depois da notícia triste (a demolição do Råsunda), a boa nova: Pelezinho vai voltar aos gramados, digo, às bancas.
Segundo a página da Turma da Mônica no Face, o personagem inspirado na infância do rei do futebol retorna aos gibis pelo time da editora Panini Comics Brasil, e reestreia em plena Bienal do Livro.

Pelezinhosubiu pro time de cima em 1976, quando surgiu tirinhas diárias nos jornais. “As Tiras Clássicas do Pelezinho – Volume 1” é um dos primeiros (re)lançamentos da Panini Comis, confira a capa.

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Em 1977, pintou na área a revista Pelezinho, que circulou até 1982, pela editora Abril (fonte: site da Mônica), fora dois almanaques especiais das Copas de 1982 e 1986. A Panini Comics já (re)lançou o primeiro título, “Coleção Histórica Pelezinho” – veja a capa.

PaniniComics.com.br

As historinhas e os outros personagens eram inspirados nas memórias da infância de Pelé. Como a japinha Neusinha, a primeira namoradinha real. Você se lembra de outros personagens da HQ? Escreva para o Fut Pop Clube, na página de comentários. Eu começo…

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Portuguesa de Desportos, 92 anos

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A torcida rubro-verde comemora hoje os 92 anos da Associação Portuguesa de Desportos. A querida Lusa foi fundada em 14 de agosto de 1920, com a fusão de cinco clubes da comunidade portuguesa em São Paulo: Portugal Marinhense, A.A. Marquês de Pombal, E.C. Lusitano,  A.A. 5 de Outubro e Lusíadas F.C . Depois, haveria uma fusão com a Associação  Atlética do Mackenzie College e por um tempo o time foi conhecido como Portuguesa-Mackenzie (fonte: site oficial). Continuar lendo “Portuguesa de Desportos, 92 anos”

A Bola e o Goleiro. Jorge Amado e o futebol.

Capa de “A Bola e o Goleiro”: Jorge Amado para as “categorias de base”, na edição da Companhia das Letrinhas


Nesta sexta-feira, 10 de agosto, o Fut Pop Clube começa a festejar o centenário de nascimento de Jorge Amado com o distintivo do Esporte Clube Ypiranga, de Salvador, o time de coração do escritor baiano. O Ypiranga, herdeiro do Sport Clube Sete de Setembro, foi fundado em 7 de setembro de 1906. “O Mais Querido” é o terceiro time com mais títulos no futebol baiano, atrás apenas do Bahia e do Vitória: o canário  aurinegro ganhou 10 campeonatos da primeira divisão estadual, o último em 1951. Sob nova direção, hoje o Ypiranga (de) Amado tenta reencontrar o seu caminho.
Como todo mundo que conhece um pouquinho da vida do escritor sabe, Jorge Amado era comunista. E no futebol, sua predileção eram os times de origem operária. Também era torcedor do Bangu Atlético Clube.
O autor de “Jubiabá”, “Capitães da Areia”, “Gabriela, Cravo e Canela”, “Dona Flor e seus Dois Maridos”, “Tieta do Agreste” etc etc etc escreveu um livro sobre futebol destinado ao público infanto-juvenil. É o delicioso “A Bola e o Goleiro”, de 1984, que curti na edição da Companhia das Letrinhas, ilustrada pelo traço colorido de Kiko Farkas. No livro, uma foto feita por Zélia Gattai mostra o escritor Amado ao lado do excelente artista plástico Carybé, no velho estádio da Fonte Nova, em Salvador. Continuar lendo “A Bola e o Goleiro. Jorge Amado e o futebol.”

“Nunca Fui Santo”, o livro oficial do Marcos.

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Impressionantes as fotos, as imagens e os sons ambientes do lançamento da biografia oficial de “São” Marcos”, assinada pelo “mago das palavras”, o jornalista Mauro Beting! A torcida do Palmeiras prestigiou pra valer a noite de autógrafos do grande ídolo do alviverde depois de Ademir da Guia. Um amigo do blog, o Fernando Nakajato, tirou as fotos que mostram a “muvuca” no shopping Eldorado.

FOTO : Fernando Nakajato

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Gorduchinha 2014: Oooosmar Santos!


“É fogo no boné do guarda/Ripa na chulipa/ Pimba na Gorduchinha/Tiruli, tirulilá/Eee queee goooool!”.

Que bonito é /as bandeiras tremulando /a torcida delirando/ vendo a rede balançar! A campanha para que a bola da Copa do Mundo de 2014 receba o carinhoso nome de Gorduchinha é “uma jogada do do do peru” do ataque formado por amigos e fãs do locutor Osmar Santos (veja as páginas da campanha Gorduchinha 2014 no Twitter e no Face). Aproveito o aniversário de Osmar Santos, o “pai da matéria”, 63 anos neste 28 de julho, para dar meu total apoio à essa campanha. Que tal eleições Diretas Já para escolher o nome da bola da Copa, hein? Alias, Diretas Já para presidente do São Paulo também!
Adoro rádio. Gosto muito de inúmeros locutores. Mas na minha opinião, Osmar Santos foi, é e sempre será o maior locutor esportivo de todos os tempos. O cara revolucionou o rádio esportivo brasileiro, nos anos 70, com transmissões cheias de humor, vinhetas e música. A escalação do trio de arbitragem, por exemplo, vinha depois de uma vinheta com um trecho de “Camisa Molhada”, clássico do tricolor Carlinhos Vergueiro e do corintiano Toquinho sobre o futebol de várzea. E os apelidos que Osmar dava? Edmundo, o “animal”. Serginho Chulapa, o “tamanduá-bandeira do futebol brasileiro”. Jorge Mendonça era o “Jojô Beleza” (há uma narração de gol do palmeirense numa das salas do Museu do Futebol’.
Sua narração “discoteque”, “livre, leve e solta” exerce influência até hoje – os que eu mais gosto de ouvir são locutores que seguem claramente a escola Osmar Santos. Vejo que o site Gorduchinha 2014 disponibiliza algumas narrações clássicas do pai da matéria para baixar no celular (confira aqui).
Na voz de Osmar, os 90 minutos eram como um gol. E o gol, então, era uma festa. Que me lembra a vinheta usada durante muitos anos pela rádio em que explodiu, a jovem rádio Jovem Pan de São Paulo.

“É gol, que felicidade! É gol, o meu time é alegria da cidade”” – “Replay”, sucesso do Trio Esperança, depois regravada pelo Trio Mocotó.


“Osmar Santos – O Milagre da Vida” é a biografia muito bem escrita por Paulo Matiussi, tema de post anterior.

By the way, o Troféu Osmar Santos (dado pelo jornal “Lance” ao melhor do 1º turno) desse ano parece que tem um favorito: o Atlético Mineiro. Bela campanha do Galo.

Um locutor que me lembrou a originalidade de Osmar Santos foi a de um xará meu português, o João Ricardo Pateiro. Dá uma olhada só no post anterior, “Golo do rádio esportivo português”.

Da Fúria à La Roja

Capa da edição inglesa do novo livro de Jimmy Burns

Fiquei sabendo via caderno de Esportes do ‘Estadão’ de um livro que pode interessar a todos os “futboleros” que se interessam pelo futebol espanhol ou se interessam por ler e pesquisar sobre história desse esporte. O jornalista e escritor Jimmy Burns, especialista em cultura, futebol e história da Espanha, lançou “La Roja – A Journey Through Spanish Football” (título da edição inglesa). A edição americana em ‘paperback’, mencionada pelo Estadão, tem o título “La Roja – How Soccer Conquered Spain and How Spanish Soccer Conquered the World“, editada pela Nation Books.
O autor nasceu em Madri, de mãe espanhola e pai inglês (jornalista, escritor, editor). Cresceu curtindo o Real Madrid de Di Stéfano no Bernabéu. Mas o Barça de Cruyff o conquistou. Jimmy Burns tem livros sobre o Barcelona (Barça – La Pasión de Un Pueblo/A People´s Passion), Maradona (La Mano de Diós/ The Hand of God), que passou como um vulcão por Barcelona antes de ser ídolo em Nápoles e, mais recentemente, sobre David Beckham e o Real galático (Cuando Beckham llegó a España: El Poder, La Galáxia y el Real Madrid).

No novo livro, La Roja, Jimmy Burns conta a história do futebol espanhol, desde que os ingleses levaram bolas para Bilbao, contextualiza a peculiar reunião de povos, culturas e línguas diferentes que é a Espanha, a vitória de Franco e sua relação com o futebol, os estrangeiros que fortaleceram os dois maiores clubes (Di Stéfano, Kubala, os holandeses do Barça), a democratização do país, Beckham e cia galática, Guardiola e, enfim, o título da Copa do Mundo.  Fúria era o apelido da seleção espanhola na era Franco. Recentemente, só leio referências à seleção como La Roja, cor da camisa. Nos tempos de Franco, que derrotou os comunistas, isso seria inimaginável. Faz sentido. Continuar lendo “Da Fúria à La Roja”

“Telê e a Seleção de 82, da Arte à Tragédia”

Em 2012, o jornalista Marcelo Mora lançou o livro “Telê e a Seleção de 82, da Arte à Tragédia” (editora Publisher Brasil). A noite de autógrafos  foi na véspera do 30º aniversário da final do Mundial da Espanha- a partir das 19h, entre as flâmulas, as fotos, os posters e os cachecóis de futebol no bar São Cristóvão, na Vila Madalena.


Sarrià, 5 de julho de 1982

Poster do Mundial de 1982

Há 30 anos, o Brasil enfrentou a Itália no estádio Sarrià, que era o campo do RCD Espanyol de Barcelona. A seleção Canarinho treinada pelo mestre Telê Santana poderia empatar, para garantir a vaga na semifinal. Mas acabou voltando para casa. A Itália de Enzo Bearzot não ficou atrás no placar. O bambino Paolo Rossi abriu o marcador aos 5. Sócrates empatou sete minutos depois.  Paolo Rossi desempatou aos 25. No segundo tempo, o Brasil empatou novamente com um golaço de Falcão. O resultado classificaria o Brasil. Mas o camisa 20 da Squadra Azzura marcou seu terceiro gol a 11 minutos do apito final.

A chamada ‘tragédia do Sarrià’ foi retratada numa foto de Reginaldo Manente, que captou o choro de um menino com a camisa amarelinha, nas arquibancadas do estádio do Espanyol. A foto ocupou quase toda a primeira página do Jornal da Tarde, do grupo Estadão, no “day after” – o dia seguinte da tragédia. Uma capa histórica (veja aqui).

Sarriá-82 – O Que Faltou ao Futebol-Arte?” é o nome de um livro lançado esta semana pela Maquinária Editora, em que Gustavo Roman e Renato Zanata Arnos tentam explicar o que aconteceu com o escrete que encantou o mundo. Continuar lendo “Sarrià, 5 de julho de 1982”