# Maradona 50

amando a maradona No supersábado de futebol no Brasil, Espanha, Inglaterra… dobradinhas de Cristiano Ronaldo, Messi, Villa, gol e assistência de Loco Abreu, parabéns para um nota 10 nos gramados. Diego Armando Maradona. Coletei dicas de filmes, músicas e livros sobre o segundo maior jogador dos últimos tempos.
Não, não dá para ficar indiferente à Maradona, El Diego de La Gente como diz o título de sua autobiografia, cuja capinha ilustra o post. O cara está sempre no fio da navalha. Gosta de viver perigosamente. Quando mergulhou nas drogas, quando pulava alucinadamente quase pra fora do camarote na Bombonera, quando escalou uma Argentina super ofensiva e se descuidou da defesa no Mundial 2010. Deu no que deu. Por mais amado pelo povo que seja, Maradona caiu do comando da albiceleste. Lembro de pelo menos mais um livro sobre Don Diego: Hand of God – The Life of Diego Maradona, Soccer’s Fallen Star, do Jimmy Burns (que também fez um livro sobre o Barcelona, “A Paixão de um Povo”). Dá para ler um trechinho aqui.

Quem pode garantir que o Brasil ganharia mesmo o tetra na Copa de 94 SE Maradona não tivesse sido pego no exame antidoping?

maradona-por-kusturica1Maradona se despediu do Nápoli em 1991. No nada convencional documentário de Emir Kusturica sobre “el diez”, exibido na Mostra de SP, há uma cena na cidade do sul da Itália. Autêntica beatlemania, digo, diegomania. Os tifosi batem nos vidros, chacoalham… quase viram o veículo que leva o ídolo que deu as maiores glórias ao Nápoli. São cenas de 2005 – 14 anos depois da última partida do parceiro de Careca com aquela camisa celeste napolitana.
Maradona, o filme (classificação: 14 anos), acompanha Kusturica tentando entrevistar o mito. O craque dá uma canseira no cineasta – Kusturica, ele mesmo um movie/rock star, cabelos compridos, aparece tocando guitarra com sua banda. Quando finalmente senta para o fuça-a-fuça ao diretor, Maradona se pergunta: “que jogador eu teria sido se não fossem as drogas?”.  Humilde, quase nada arrogante, o gênio brinca até que é mais bonito que Cláudia – esposa que segurou todas as barras.
É claro que quem não gosta dessa peça rara dificilmente deve passar na porta do cinema. Para quem se interessa pelo pibeMaradona traz um belíssimo arquivo sobre a vida, glória, queda e parte da recuperação do craque. Um festival de gols sensacionais, dividido em blocos, que sempre terminam com o “gol do século” – e animações que tiram sarro de Margaret Tatcher, Blair, Bush, ao som de “God Save the Queen”, hino anarco-punk dos Sex Pistols.
Música? O filme de Kusturica tem bastante. Manu Chao e seu guitarrista emocionam Diego com uma versão à capela, nas ruas de Buenos Aires, de “La Vida Tombola”. Mas acho que o momento mais emocionante é a cena de Maradona num palco, cantando a música “La Mano de Dios”, composta por Rodrigo, amigo dele (veja aqui).
Maradona bate uma bola, literalmente, com Kusturica, no estádio do Estrela Vermelha, em Belgrado.
Já as cenas da maluquíssima Iglesia Maradoniana (casamento no gramado do estádio Diego Armando Maradona, do Argentinos Juniors, onde o 10 começou; noivos juram fidelidade à crença que Maradona é o maior futebolista de todos os tempos) me lembraram o material do documentário Amando a Maradona, exibido na Mostra de Cinema em 2006.
O quase tão louco (ou mais?) Kusturica ainda dá um jeitinho criativo de inserir cenas de seus filmes anteriores no seu Maradona.

  • P.S.: O filme de Kusturica sobre Maradona foi lançado em DVD pela Europa Filmes.

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