“Meninos de Kichute” e uma chuva de gols, na rodada dupla do CINEfoot.

O goleiro Beto (Lucas Alexandre), em "Meninos de Kichute"
O goleiro Beto (Lucas Alexandre), em “Meninos de Kichute”

(x) Gol de placa
( ) Gol bonito
( ) Bateu na trave
( ) Bola murcha
O espectador do festival CINEfoot recebe na entrada das sessões um cupom com essas opções para marcar em cada um dos filmes da mostra competitiva. E bola pro mato que o jogo é de campeonato e vale a Taça CINEfoot. “Meninos de Kichute”, longa-metragem de Luca Amberg que fechou a rodada dupla da penúltima jornada do festival em São Paulo, ganha fácil a cotação (x) Gol de placa.

O filme inspirado no livro de mesmo nome de Márcio Américo se passa nos anos do “Eu te amo meu Brasil” e parece até feito nos anos 70, de tão cuidada a reconstituição de época. Quem está na faixa dos 40 anos vai se lembrar dos tempos de aulas de Moral e Cívica, álbuns de figurinhas, revistas de mulher pelada, Magiclik, carros Brasília, Kharman Ghia, Dodge Dart, futebol, Canal 100, sonorizado com a versão instrumental de”Na Cadência do Samba (Que Bonito É)”, e claro, a chuteira Kichute do título – e antes que alguém identifique a primeira música do trailer e do filme com o ufanismo do “Brasil gigante”, noto que é possível identificar no papel do pai o Estado violento, repressor e mentiroso. Mesmo para uma criança criada em apartamento como este que vos bloga, é impossível não se identificar com as desventuras desses “guris”.  Ótimos diálogos, factíveis, ótimas atuações (especialmente de Werner Schünemann, Vivianne Pasmanter, Arlete Salles e o protagonista Lucas Alexandre, bem dirigido como todo o elenco “juvenil), boa trilha sonora da época, a cargo de Netinho, dos Incríveis. É certamente um dos nossos melhores filmes sobre futebol – e sobre amizade e descobertas. Referências fora do Brasil: “Conta Comigo”, clássica sessão da tarde, e a nostalgia de “Adeus Lênin”.

Veja aqui o trailer de “Meninos de Kichute”. Vida longa a este filme.

cartaz-divunet

    • “Que belo time/que belo esquadrão. Juventus amigo/do meu coração”, canta a torcida Ju-Jovem do clube grená da Mooca, presente na segunda sessão desta noite. Que belo filme, digo eu, sobre o curta “Juventus Rumo a Tóquio”, que assisti na telona pela segunda vez. E mesmo tendo visto outras vezes na internet, sinto o suspense do documentário, mesmo sabendo o resultado. Muito bom!
    • Ah, sim: o CINEfoot convidou o Divino camisa 10 Ademir da Guia para receber uma placa em homenagem aos 100 anos de nascimento do pai dele, Domingos da Guia, o Divino Mestre. Bacana!

  • Na “preliminar” da rodada dupla desta segunda, o festival mostro o longa de ficção ucraniano “Rock e Bola” (“Rock´n´Ball”), que também tem uma criança como personagem principal. Vale como sessão da tarde pré-Eurocopa na Ucrânia e Polônia e pela curta cena de Shakhtar Donetsk x Dínamo de Kiev com Shevchenko e tudo. Mas fica a dever quando comparado com o filme brasileiro.
  • Bom humor é a marca de dois curtas do país campeão do mundo e da Europa. “Tiro Livre Direto” (“Libre Directo”) vem da região de Madrid, embora a cena de estádio seja no Molinón de Gijón. Fala de uma dona de casa maltratada pelo marido que tem num concurso de chute a gol a chance de ganhar uma bolada. Bom confronto com fofo “O Pequeno Time” (“L´Equip Petit”), produção da Catalunha sobre outro time de guris, o Margatània FC, em busca do primeiro gol! Boa trilha sonora também. Clássico Madrid x Barcelona no cinema! Veja o trailer de “O Pequeno Time” (clique em ‘contenidos’) aqui e o de  “Tiro Livre Direto” neste link (abaixo, o cartaz).

    • A animação brasileira “Zimbu”, de uma escola com o nome de George Méliès, abriu a rodada. Assim que possível. atualizo o blog com os pitacos sobre as sessões do fim de semana, gostei muito dos docs “Vai pro Gol” e “Futebol é Deus”.
    • O CINEfoot termina nesta terça-feira, 5 de junho, com a premiação dos melhores filmes e duas raridades do Canal 100: “Santos FC Bicampeão Mundial”, um filme de 1963. E “Brasil Bom de Bola”, de 1970, homenagem ao tri. Começa às 21 h no cinema Reserva Cultural (Metrô Brigadeiro ou Trianon Masp). Valeu!


8 comentários sobre ““Meninos de Kichute” e uma chuva de gols, na rodada dupla do CINEfoot.

  1. Este livro é muito bom e familiar. É ambientado em Londrina, cidade onde me criei. Golaço do Márcio Américo. Abraço!

  2. Que blog sofisticado. Nem parece as coisas que eu tenho visto por aí…

  3. Obrigado, Pedro. Este poste se refere ao CINEfoot 2012.
    Abraços

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