A mesma produtora que fez os ótimos “Senna” e “Amy” (veja post anterior) prepara-se para lançar um documentário sobre o avançadoCristiano Ronaldo, que nesta rodada da Liga dos Campeões chegou a 501golos – 323 com a camisola do Real Madrid (empatou com Raúl como maior artilheiro da história do Madrid, marca que CR7 vai superar logo logo). Ronaldo – The Film estreia lá fora em 9 de novembro.
Duas dicas sobre música no cinema para esta semana.
“Amy”, sobre a ascensão e o triste fim da talentosa cantora inglesa, já passou em alguns cinemas brasileiros e tem novas sessões nesta terça. Perturbador.
Já o concerto Roger Waters The Walltem estreia mundial nesta terça-feira. Novas sessões sábado e domingo. O trailer está sensacional.
O Notthingam Forest, que comemora 150 anos em 2015, anunciou a pré-estreia mundial do filme “I Believe in Miracles”, sobre o time treinado por Brian Clough, que conquistou a Copa dos Campeões (hoje Liga dos Campeões), na temporada 1978-79 (1-0 sobre o Malmö, no estádio Olímpico de Munique) e um ano depois foi bicampeão europeu (outro 1 a 0, sobre o Hamburgo, no Bernabéu). A “avant premiere” do filme – que está sendo muito elogiado por quem viu, segundo relatos que chegam de Nottingham – vai ser num domingo, 11 de outubro, no estádio do Forest (hoje na segunda divisão inglesa), o City Ground (foto abaixo).
Quinze mil pessoas são esperadas no estádio pra ver o documentário produzido por Jonny Owen. Depois, “I Believe In Miracles”vai passar em alguns cinemas ingleses (entra em circuito em 13 de outubro). Sai em DVD e Blu-Ray na terra da rainha em novembro.
Saiu diretamente em vídeo no Brasil, pela ST2, o filme “The Love We Make“, que documenta a grande ajuda que Paul McCartney deu para os amigos de Nova York depois do 11 de setembro de 2001. Macca estava na cidade, prestes a cruzar o Atlântico, quando os aeroportos foram fechados e seu avião teve que dar meia volta. Resolveu fazer a sua parte para melhorar o astral dos moradores. E foi um dos organizadores do Concert for New York City, um showzão cheio de convidados bacanas em benefício de bombeiros e policiais que caíram nos atentados.
Aqui, Maysles e Bradley Kaplan fizeram um doc no estilo cinema-verdade, que mostra os bastidores do concerto beneficente – McCartney com artistas, outros astros do rock, com Ozzy Osbourne, jornalistas, apresentadores de rádio e TV. E mostra McCartney interagindo com as pessoas nas ruas da Grande Maçã. Um Sir.
Para quem gosta de classic rock, pra quem gosta de Paul McCartney, pra quem gosta de NY, pra quem gosta de linguagem de documentários, “The Love We Make” vale muito a pena, por tudo isso.
Veja o trailer:
No começo deste mês em que a bola voltou a rolar nos principais campeonatos da Europa, entrou em campo Club de Cuervos, de Gary Alazraki, a primeira série latina da Netflix. Na primeira temporada, 13 episódios contam a sucessão do fictício time mexicano Cuervos de Nuevo Toledo, depois da morte do dono e presidente, Salvador Iglesias. O filho baladeiro e marqueteiro, Salvador Iglesias Junior, o Chava (Luis Gerardo Méndez, bem na fita), vence a briga com a irmã Isabel (Mariana Treviño) pela cadeira de presidente. O objetivo de Chava Iglesias é transformar o Cuervos no “Real Madrid da América Latina” e encurta o prazo do plano de gestão oito anos para apenas um. Redesenha o uniforme tradicional (aliás, feito pela Under Armour), nem aí pros patrocinadores, faz contratação galática, não obedece conselhos do cartola mais experiente, atrapalha o velho treinador e briga, briga muito com a irmã, filha de casamento anterior do patrono dos Cuervos de Nuevo Toledo.
Time e cidade são de mentirinha, mas o Cuervos enfrenta times mexicanos reais, como Pachuca e Atlante. A série cresce no decorrer dessa primeira temporada, que já está toda no Netflix, e pode ser vista de uma sentada só. É uma comédia, e toca em questões de bastidores como a corrupção, o ambiente dos vestiários, o estrelismo, e, sobretudo, a divisão interna entre cartolas.
Não posso deixar de lembrar de uma ótima série brasileira da HBO sobre a vida de um juiz de futebol, (fdp), recomendada aqui no blog três temporadas atrás. Também era uma comédia, em 13 capítulos. Talvez estivesse um ou mais furos acima de Cuervos, mas essa primeira empreitada da Netflix no mercado latino e “futbolero” também tem seu valor. Diverte, pode arrancar risos à medida em que os capítulos evoluem e você mergulha no universo dos Cuervos, e aborda problemas reais do futebol latino-americano. Vale procurar assistir, sim, nem que seja num mês em que você teste a assinatura de Netflix.
Poucas vezes vi futebol profissional tão bem tratado pelas câmeras do cinema como a final de campeonato anual de favelas, entre o Esporte Clube Juventude e o Geração Futebol Clube, neste “Campo de Jogo”, documentário de Eryk Rocha (filho de Glauber Rocha, diretor de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, “Terra em Transe” etc etct etc).
O Juventude, que tem um escudo semelhante ao xará de Caxias do Sul, é do bairro Sampaio, e recebe no seu campo – não muito distante do Maracanã – o Geração, da comunidade da Matriz. Decisão do campeonato anual de favelas, que reúne 14 times. E mais não posso falar, pra não ser #spoiler.
O tratamento a times amadores como Juventude e Geração, seus jogadores, seus técnicos e seus torcedores é semelhante ao que as lentes do Canal 100 davam ao futebol campeão do mundo, num palco sagrado como o Maracanã, e personagens como os jogadores da seleção (e claro, os “geraldinos”)
Os heróis e vilões aqui são todos anônimos, pelo menos para o grande público. Certamente são ídolos nas comunidades que defemdem. “Campo de Jogo” tem 71 minutos sem narração, sem voz em off, sem entrevistas. Só um balé de imagens (preste atenção na cena do juiz cercado), outro show de captação de som ambiente (com direito a vários #VTNC, #FDP e #PQP de qualquer estádio de futebol) e ótima trilha sonora. O resultado é um filme que daqui a muitos anos certamente será lembrado como um marco. Como um clássico.
“O Dia do Galo”: 4 de novembro de 2016, às 22h, Canal Brasil. facebook.com/odiadogalo
Estreou em BH, Contagem, Sete Lagoas, Uberlândia e Montes Claros, o filmeO Dia do Galo, sobre a rotina de 10 atleticanos na conquista da Copa Libertadores atleticana. A de 2013. A do “Eu Acredito”. A do “caiu no Horto, tá morto”, embora no terreiro do Mineirão, o Galo também tenha feito milagres.
Confira o trailer dentro do post. Continuar lendo ““O Dia do Galo”. Em cinemas de Minas Gerais – e estádios da América.”→
Alguns posts atrás, falamos do filme sobre a Juve, Black and White Stripes. Uma pequena prévia foi revelada na edição nova-iorquina do festival Kicking + Screening, só com filmes sobre soccer, ou melhor, futebol! Em Nova York, o festival K + S também passou a biopic sobre Kurt Landauer, ex-presidente do Bayern de Munique. Antes de ser o todo poderoso Bayern das últimas cinco décadas, o Super Bayerndos anos 2010 sob Heynckes e Guardiola, o clube vermelho de Munique sofreu um bocado. Era considerado um clube de judeus. O alemão Kurt Landauer, que era judeu, foi presidente do Bayern por três vezes. No segundo mandato, foi deposto pelos nazistas, enviado a Dachau em 1938. Conseguiu sair do campo de concentração um mês depois porque tinha lutado na Primeira Guerra. Saiba mais sobre o filme Landauer – Der Präsidente confira o trailer em inglês, dentro do post. Continuar lendo “Kurt Landauer. Uma vida pelo futebol. E pelo Bayern.”→
Na época das festas juninas aqui, lá em Nova York rolou mais uma edição do festival de cinema Kicking + Screening, especializado em futebol. Entre as atrações, uma prévia de um documentário sobre a Vecchia Signora. Black and White Stripes | The Juventus Story. Veja um pedacinho do trailer.
A comédia ficou um bom tempo em cartaz no cine Callao, centro de Madri
O comediante espanhol Dani Rovira (malagueño e malaguista como Antonio Banderas) estreou no cinema na pele de Rafa Quirós, torcedor de carteirinha do Real Betis(sócio nº 14.430), que tem 3 autógrafos do ídolo bético Gordillo (jogou dos 70 aos 90, foi lateral de seleção da Espanha), a canção “Sevilla Tiene Un Color Especial” (Los del Rio) como som do toque do celular e nunca tinha saído da Andaluzia. Até que conhece a basca Amaia (interpretada pela guapísimaClaro Lago (perdão, Rovira). Na vida real, Dani e Clara formam uma “pareja” desde 2014, ano de lançamento de “Ocho Apellidos Vascos”, que bateu um bolão na bilheteria – recorde do cinema do espanhol.
O ‘pegador’ andaluz se apaixona e vai atrás da bela basca, que tinha levado um fora do noivo Antxon- casamento e vestido já preparados – e resiste ao charme andaluz. Mas ela bola um plano pra iludir o pai (show do ator Karra Elejalde), fazendo Rafaz passar por Antxon. Carmen Machi também arrebenta se passando por mãe do falso noivo Antxon-Rafa. Aí que entram os oito “apellidos” (sobrenomes) do título. Alguns relacionados ao esporte. A saber:
Gabilondo – meio-campo que jogou na Real Sociedad e no Athletic.
Urdangarín – ex-jogador de handebol, ídolo do Barça (tem uma camiseta 7 no ginásio do Barça) que se casou com Cristina, filha do rei Juan Carlos, e virou pivô do maior escândalo de corrupção da monarquia
Zubizarreta – ex-goleiro do Athletic, Barça, Valencia e seleção espanhola. Foi diretor do Barcelona até pouco.
Arguiñano – sobrenome do cozinheiro e apresentador Karlos Arguiñano.
Igartiburu – sobrenome da apresentadora Anne Igartiburu.
Erentxun – cantor Mikel Erentxun
Otegi – sobrenome de um político independentista basco, militante do ETA, que está preso.
Clemente. Pressionado, Rafa olha para um poster do Athletic campeão do começo dos anos 80, com o treinador Javier Clemente junto com o elenco, na gabarra.
Outra referência ao futebol é o refrão “Illa, illa, illa, Euskadi maravilla”. Que Rafa improvisa lembrando da musiquinha do atacante David Villa. O Athletic e Betis apoiaram o filme. E com a volta dos béticos à primeira divisão, voltaremos a ver esse confronto em La Liga. Os atores que fazem os chapas de Rafa/Dani Rovira na película são Alberto López (torcedor do Sevilla) e Alfonso Sánchez (que é Betis).
O filme tem direção de Emilio Martínez-Lázaro – de “Las Palabras de Max” (1977), Urso de Ouro em Berlim, e “El otro lado de la cama” (2002), entre outros. Roteiro: Borja Cobeaga y Diego San José.
Bem que “Ocho Apellidos Bascos” poderia passar por aqui. Claro, é uma comédia que pra arrancar mais risadas requer algum conhecimento da vida na Espanha, das questões regionais, da cultura pop. Mas acredito que teria bom público num festival ou em cinemas como o Caixa Belas Artes e o Reserva Cultural. [já está no Netflix, usando também o título americano, “Spanish Affair”]
Vai ter uma continuação, “Nueve Apellidos Vascos”. Que vai se chamar… “Ocho Apellidos Catalanes”… estreou lá em novembro.
Dani Rovira (que também faz comédia stand-up e TV) já estreou seu segundo filme, “Ahora o Nunca”. Clara Lago – nova namoradinha da Espanha – também está na fita. Seria bom vê-la como chica Almodóvar. Aliás, todos desse elenco formidável. Continuar lendo ““Oito Sobrenomes Bascos”. #8ApellidosVascos.”→