Sarrià, 5 de julho de 1982

Poster do Mundial de 1982

Há 30 anos, o Brasil enfrentou a Itália no estádio Sarrià, que era o campo do RCD Espanyol de Barcelona. A seleção Canarinho treinada pelo mestre Telê Santana poderia empatar, para garantir a vaga na semifinal. Mas acabou voltando para casa. A Itália de Enzo Bearzot não ficou atrás no placar. O bambino Paolo Rossi abriu o marcador aos 5. Sócrates empatou sete minutos depois.  Paolo Rossi desempatou aos 25. No segundo tempo, o Brasil empatou novamente com um golaço de Falcão. O resultado classificaria o Brasil. Mas o camisa 20 da Squadra Azzura marcou seu terceiro gol a 11 minutos do apito final.

A chamada ‘tragédia do Sarrià’ foi retratada numa foto de Reginaldo Manente, que captou o choro de um menino com a camisa amarelinha, nas arquibancadas do estádio do Espanyol. A foto ocupou quase toda a primeira página do Jornal da Tarde, do grupo Estadão, no “day after” – o dia seguinte da tragédia. Uma capa histórica (veja aqui).

Sarriá-82 – O Que Faltou ao Futebol-Arte?” é o nome de um livro lançado esta semana pela Maquinária Editora, em que Gustavo Roman e Renato Zanata Arnos tentam explicar o que aconteceu com o escrete que encantou o mundo. Continuar lendo “Sarrià, 5 de julho de 1982”

Algumas coincidências entre os campeões da Libertadores e da Champions League em 2012

A de 2012 é do Corinthians

No ano 102 de sua história, o Sport Club Corinthians Paulista entrou para o clube dos campeões da Libertadores (agora são 23 integrantes). Campeão invicto, com todos os méritos, logo contra o bicho-papão Boca, que jogou pouco e bateu muito (especialmente Santiago Silva e Ervitti) na segunda partida da final, no Pacaembu. Curioso é que o Corinthians já teve times muito mais galáticos do que este, mas só conseguiu o título tão cobiçado com um time de operários, de guerreiros. Um Timão de muita obediência tática e marcação. Um Timão com espírito de Libertadores. Parabéns, Tite -que também entrou de vez no rol dos grandes técnicos brasileiros. Parabéns à diretoria, que de boba não tem nada. Em cinco anos, saiu de um pesadelo para toda a glória da Libertadores. E colhe agora os frutos da manutenção do treinador. Parabéns ao bando de loucos. Em resumo: título esperado, brigado, merecido.

Nesta reta final, 1×1 arrancado em plena Bombonera e 2×0 no Pacaembu, notei algumas coincidências entre o Corinthians, agora campeão da Libertadores, e o Chelsea, vencedor da Champions League – clubes que podem se encontrar em dezembro -se não houver nenhuma zebra na semifinal- no Mundial de Clubes, que será disputado no Japão entre 8 e 18 de dezembro.

  •  Corinthians e Chelsea são dois times de tradição, torcida, muita grana, donos de títulos nacionais, mas até 2012 não tinham o maior título de seus continentes: Libertadores e Liga/Copa dos Campeões.
  •  Nas semifinais, ambos derrotaram os atuais campeões de seus continentes, algo favoritos: o Corinthians eliminou o Santos de Neymar e o Chelsea eliminou o Barcelona de Messi e cia ilimitada.
  • Nas finais, Corinthians e Chelsea derrotaram grandes colecionadores das copas: o Boca Juniors, seis Libertadores, e o Bayern de Munique, quatro Ligas/Copas dos Campeões.
  • Ambos tinham poucos jogadores “feitos em casa”, nenhum entre os titulares que entraram jogando as finais. O que em nada diminui a conquista.Pelo contrário, dadas as adversidades, o tamanhos dos rivais que foram caindo nas fases de mata-mata (o Corinthians derrubou Vasco, Santos, Boca; o Chelsea derrotou Napoli, Barça, Bayern).

Bom, em nome da emoção, tomara que tenhamos Corinthians x Chelsea na final da Copa do Mundo de Clubes.  Imagine só a invasão corintiana no Japão…

Pacaembu

O estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, sede de mais uma final da Libertadores, em fotos do site World Stadiums.

http://www.WorldStadiums.com
http://www.WorldStadiums.com
Capa do livro do professor João Fernando Ferreira

O estádio municipal Paulo Machado de Carvalho foi inaugurado em 27 de abril de 1940, com a presença de Getúlio Vargas (ditador, no período do Estado Novo, 37-45), Adhemar de Barros (interventor federal em SP) e Prestes Maia (prefeito), mas a bola só rolou no dia seguinte. Rodada dupla. O Palmeiras ainda se chamava Palestra Itália. Na primeira partida, goleou o Coritiba, então campeão paranaense, por 6×2. Mas coube ao ponta Zequinha, do Coxa, a honra de marcar o 1º gol do estádio. A partida de fundo reuniu os campeões paulistas e mineiros: Corinthians 4×2 Atlético. São informações que estão no livro “A Construção do Pacaembu”, de João Fernando Ferreira (mestre em História que pesquisa futebol), lançado na Coleção São Paulo no Bolso da editora Paz e Terra. O pocket-book do professor contextualiza o nascimento do Pacaembu na história do futebol na cidade de São Paulo, com jesuítas, Charles Miller, clubes de elite x clubes populares, amadorismo x profissionalismo, uso do esporte por políticos. Para chegar à rodada dupla que inaugurou o estádio municipal. João Fernando Ferreira também dedica algumas páginas à estreia no São Paulo de Leônidas da Silva, o diamante negro, homem de borracha da Copa de 38. Foi num Majestoso contra o Corinthians, em 1942, que terminou em 3×3 e tem até hoje o recorde de público do Pacaembu: 72.018 pagantes. E olha que no lugar do horroroso tobogã de hoje, havia uma lindíssima concha acústica. Continuar lendo “Pacaembu”

“Sarriá 82 – O Que Faltou ao Futebol-Arte?”

imageGustavo Roman e Renato Zanata Arnos estão lançando pela Maquinária Editora o livro sobre a seleção de Telê e o que aconteceu no antigo estádio do Espanyol de Barcelona – a chamada tragédia do Sarrià. Hoje, a segunda noite de autógrafos, a partir de 18h, no CCBB, centro do Rio.
Um pouco mais sobre os autores de  “Sarriá 82 – O Que Faltou ao Futebol-Arte?”Gustavo Roman, futuro jornalista, colecionador de jogos de futebol (isso mesmo, ele coleciona partidas inteiras em vídeo: 5.350 partidas, de 1950 em diante!) e Renato Zanata Arnos, professor de História, pesquisador do futebol argentino (coautor do blog Futebol Argentino), comentarista e ainda músico de blues.
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Banderín: San Lorenzo de Almagro

DSC02283Flâmula do CA San Lorenzo de Almagro, um dos grandes do futebol argentino. O “Ciclón” balançou, balançou, mas não caiu para a segundona. Foi salvo no “rebolo”, a “promoción”, um mata-mata onde jogou a permanência na elite. O San Lorenzo tem como um torcedor ilustre o ator Viggo Mortensen – ele mesmo, o Aragorn de “O Senhor dos Anéis”. O astro dinamarquês da saga dos hobbits passou a infância na Argentina, daí a paixão pelo San Lorenzo. E sempre que está em Buenos Aires, dá um jeito de ver uma partida em Nuevo Gasômetro. Lembro-me inclusive de ter visto Mortensen no meio da torcida, durante a transmissão do emocionante triangular extra que decidiu o torneio Apertura 2008 – que o “Ciclón” disputou com o Tigre e o Boca Juniors, que acabou se sagrando campeão. Hoje, o Viggo tem até coluna no site do clube azulgrana. Continuar lendo “Banderín: San Lorenzo de Almagro”

Só dá Espanha!


Pé-quente a canção do Estopa, “Showtime 2.0”, música oficial da seleção da Espanha, neste bicampeonato consecutivo da Europa – terceiro título de La Roja na Eurocopa (1964 + 2008 + 2012). O Estopa, grupo de Cornellà (Catalunha) formado pelos irmãos David e José Muñoz, lançou pouco antes da Euro 2012 a versão “futbolera” de “Showtime”, que foi hino da seleção espanhola de basquete, também composto e gravado pela dupla. O dinheiro será revertido para projetos de apoio a jogadores desempregados e em situação de risco social, da associação espanhola dos futebolistas. A letra do Estopa fala do futebol ´tiki-taka’ – aquele toque de bola envolvente e eficiente, que torra a paciência de certos torcedores – do Barça e da seleção La Roja, que depois de ganhar a Euro 2008, levantou a Copa do Mundo 2010 e agora a Euro 2012. Um feito inédito.

Se bem que nos acachapantes 4×0 da final sobre a Itália, o torcedor cantou mesmo o “ôôôôô” de “Seven Nation Army”, do White Stripes, o ‘rock das torcidas’.

Iniesta, Villa e Busquets no estúdio com os irmãos Muñoz, do Estopa | http://www.estopa.com

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“Sobre Futebol e Barreiras”

http://www.facebook.com/pages/Sobre-Futebol-e-Barreiras/150247975020376
http://www.footballandbarriers.com/

Está em cartaz em Sampa o interessante “Sobre Futebol e Barreiras” (“Football and Barriers“),filme de Arturo Hartmann, Lucas Justiniano, José Menezes e João Carlos Assumpção. Os quatro brasileiros lançam um olhar sobre o conflito Israel/Palestina, durante o período da Copa do Mundo de 2010.

Sinopse: No momento em que israelenses e palestinos torcem por times durante a Copa do Mundo de 2010, são discutidas questões-chave da história e da sociedade daquele território. Entre os personagens, um judeu israelense que torce pela Alemanha, um árabe que foi um dos principais jogadores da história do futebol de Israel e um palestino que mistura futebol e política na visão que tem de seu povo. Um filme que mostra os sentimentos de inconformismo e de esperança dos participantes, que reflete o que os distancia e ao mesmo tempo, aproxima.

“Sobre Futebol e Barreiras” já passou na Mostra de Cinema, no CINEfoot e na Mostra de Cinema Árabe. Aqui, o futebol é o pano de fundo para as histórias de vida de palestinos e israelenses. Bons personagens, boa música, boa fotografia, boa conversa. Vale conferir para tentar entender um pouco mais esse conflito.  Veja um pedacinho do documentário.