
Há 50 anos, Garrincha fez um gol de cabeça, cobrou a falta que terminou com o gol de Vavá e fez um golaço de folha-seca. Só não conseguiu pegar o cachorrinho que entrou em campo e deu baile em quase todo o mundo. O Brasil ganhou da Inglaterra por 3 a 1 em 10 de junho de 1962, pelas quartas de final do Mundial disputado no Chile. A seleção de Ouro, comandada por Mané, se despedia de Viña del Mar e se classificava para as semifinais contra os donos da casa.

Foi uma das maiores partidas da vida do camisa 7, afiança Ruy Castro, no clássico “Estrela Solitária – Um Brasileiro Chamado Garrincha” (Companhia das Letras). Um dos motivos para Mané mostrar tudo que sabia (e que sabia tudo) era a presença de Elza Soares no Chile. Garrincha prometeu ganhar a Copa para a amada, conta Ruy Castro na premiada biografia. E cumpriu, como a gente vai ver nos dias 13 e 17 de junho. Continuar lendo “O frevo do bi (IV). O dia em que Garrincha só não fez chover.”
Tag: Seleção Brasileira
Jogaço em Nova Jersey. À altura do “maior clássico do futebol mundial”.

Se é verdade que a Eurocopa é uma Copa do Mundo sem Brasil e Argentina, então, o melhor jogo internacional deste fim de semana foi ‘off-cup’, por enquanto. Quem foi ao Metlife Stadium, contruído no lugar do Giants Stadium, em Nova Jersey, se deu muito bem. Brasil e Argentina fizeram um excelente jogo, com três viradas, sete gols – três do melhor jogador do mundo, Lionel Messi (hat-trick contra o Brasil!). No final, 4 a 3 para eles, mas valeu pelo espetáculo. Melhor do que os quatro jogos da Eurocopa até agora (mesmo sabendo amistoso é difrente de copa, ainda mais numa fase de grupos de 4 times, 6 jogos, apenas 2 classificados, o futebol tende a ser mais comedido do que num amistoso).
Canarinhos e alvicelestes fazem o que os autores do livraço “Brasil x Argentina” chamam de “o maior clássico do futebol mundial“. No excelente blog “Literatura na Arquibancada”, o professor Newton César de Oliveira Santos justifica o subtítulo do volume e conta os bastidores de sua pesquisa e produção. Deu vontade de comprar o livro (lançado pela Scortecci), que ainda falta na minha coleção.
Brasil e Argentina voltam a se enfrentar em setembro e outubro, pelo Superclássico das Américas, novo nome da Copa Roca. As datas:
Continuar lendo “Jogaço em Nova Jersey. À altura do “maior clássico do futebol mundial”.”
O frevo do bi (III). A dupla Mané e “Possesso” funcionou.

Naquele 6 de junho, o Brasil entrou com a campeã camisa Canarinho, de mangas longas, calção e meiões brancos, contra La Roja, a Espanha, numa partida crucial do grupo 3 da Copa do Mundo de 1962, no Sausalito, em Viña del Mar. Por causa do empate contra os tcheco-eslovacos, a Seleção Brasileira não podia perder para continuar a luta pelo bi. Aymoré Moreira mandou o escrete a campo com Gylmar, Djalma, Mauro Ramos, Zózimo e Nilton Santos; Zito, Didi e Zagallo; Garrincha, Vavá e a novidade: Amarildo, “o possesso”. O jovem jogador do Botafogo, de 21 anos, entrou no lugar de outro jovem. Um jovem que já era Rei Pelé – que sentiu uma contusão n0 0x0 contra a Tchecoeslováquia. Continuar lendo “O frevo do bi (III). A dupla Mané e “Possesso” funcionou.”
Que bonito é…

A terceira edição do CINEfoot terminou em São Paulo com uma sessão em homenagem ao Canal 100, à conquista da Jules Rimet e ao bi mundial do Santos em 1962 e 63 e a premiação aos vencedores do festival (mantendo o mistério neste começo do post, um filme sobre o Bahia, um sobre a democracia corintiana e outro sobre um pequeno time da Catalunha).
A primeira atração foi um curta do clássico acervo do Canal 100 sobre o Santos bicampeão do mundo, com as imagens dos jogões contra o Benfica em 1962, da final da Libertadores de 1963, contra o Boca, em plena Bombonera (os boquenses já comemoravam com avalanche, atrás do gol), e das duas partidas realizadas no Maracanã, contra o Milan em 1963 (o Santos perdeu em Milão, venceu a partida de volta no Maracanã -sem Pelé-e também o jogo-desempate, 48 horas depois). Sempre bom ver e rever os gols geniais de Pelé, em jogadas cheias de força, arte e raça (como ele vibrava, com cada gol, pulando e dando o soco no ar), e todo o timaço do Santos. E dá-lhe “Que Bonito É (Na Cadência do Samba)”. O segundo filme da noite também foi uma produção do Canal 100, o longa “Brasil Bom de Bola”, que conta a história do futebol tricampeão em 70. Continuar lendo “Que bonito é…”
O frevo do bi (II): o Rei deixa a Copa.
Eta frevo pé quente! Uma das regravações do “Frevo do Bi” (composição de Bráz Marques e Diógenes Bezerra celebrizada por Jackson do Pandeiro em 1962) foi a que Silvério Pessoa lançou no disco “Batidas Urbanas”. Um “Frevo do Bi” hardcore, a tempo da Copa de 2002. Frevo Penta!
O Brasil voltou ao estádio Sausalito, em Viña del Mar, em 2 de junho de 1962 para seu segundo jogo no Grupo 3, contra a Tchecoslováquia. Foi a primeira das duas partidas da seleção contra os tchecos no Mundial. Nesta, um empate sem gols. Pior do que o 0x0, foi a contusão de Pelé. O Rei sentiu uma distensão depois de um chute na trave do goleiro Schroif, aos 27 minutos do primeiro. Naquela Copa, ainda não era permitido fazer substituições durante as partidas. Pelé ficou na ponta, fazendo número em campo. Fim da Copa para o Rei. Amarildo, “o possesso”, entrou na partida seguinte e segurou o rojão. E tínhamos Mané. Continuar lendo “O frevo do bi (II): o Rei deixa a Copa.”
O frevo do bi. Há 50 anos, o Brasil começava a campanha do bi mundial, no Chile.
Sob a inspiração do “Frevo do Bi“, de Braz Marques e Diógenes Bezerra, consagrado por Jackson do Pandeiro, começo hoje uma série que pretende fazer uma pequena homenagem aos bicampeões mundiais, na Copa de 62, no Chile – um Mundial estranha e infelizmente meio esquecido. “Vocês vão ver como é Didi/Garrincha/Pelé dando seu baile de bola”. Bem, Pelé se machucou logo. Garrincha é que deu o baile de bola e ainda ganhou de vez, no Chile, o coração da cantora Elza Soares.

Em 30 de maio de 1962, o Brasil começou sua luta pelo bicampeonato, no estádio Sausalito, em Viña Del Mar, no Chile. No primeiro jogo, encarou o México, e venceu por 2 a 0. Os gols saíram apenas no segundo tempo. Zagallo (belo mergulho do velho Lobo) e Pelé (na raça!).
O Brasil jogou com Gylmar, Djalma Santos, Mauro Ramos (capitão; Bellini ficou no banco), Zózimo e Nílton Santos; Zito, Didi, Zagallo; Garrincha, Pelé e Vavá (Coutinho se machucou pouco antes). Técnico: Aymoré Moreira, substituindo Vicente Feola, campeão em 1984.
Uma dica para quem estiver no Centro do Rio nesta quinta-feira, 31 de maio: na Mostra Prorrogação, o festival CINEfoot exibirá o documentário “Viva Brasil! Bicampeão Mundial 1962” (Viva Brazil), de Albert Saedler. Começa às 19h, no CCJF (Centro Cultural Justiça Federal), na avenida Rio Branco, 241. Entrada grátis, sujeita à lotação da sala. Confira a programação da Mostra Prorrogação do CINEfoot e a seleção paulista do festival. Continuar lendo “O frevo do bi. Há 50 anos, o Brasil começava a campanha do bi mundial, no Chile.”
Voa Canarinho. Saiu o livro “Sarriá-82 – O que Faltou ao Futebol-Arte?”.
27 de maio de 2012
Waldir Peres (depois Paulo Sérgio), Leandro, Oscar, Luizinho (Edinho) e Júnior; Falcão, Sócrates, Zico e Paulo Isidoro (Toninho Cerezo); Careca (Serginho Chulapa) e Éder (Dirceu). Com esse time, a Seleção Brasileira treinada por Telê Santana goleou o Eire (República da Irlanda) por 7 a 0, há exatos 30 anos, em 27 de maio de 1982, no Parque do Sabiá, em Uberlândia. Marcaram: Falcão, Sócrates (duas vezes), Serginho (também 2 gols), Luizinho e Zico!
A seleção se despedia do seu povo feliz, diante de 72.733 pagantes, para tentar buscar o tetra. Foi o último amistoso antes do voo do escrete canarinho para disputar a Copa do Mundo de 1982, na Espanha. Você viu aí o nome do Careca na escalação. Infelizmente, o goleador do Guarani se machucou pouco antes do Mundial. Serginho Chulapa, “o artilheiro indomável”, polêmico dentro e fora do campo, ficou com a 9. O Brasil chegou como favorito, encantou o mundo com seu quadrado mágico formado por Falcão, Cerezo, Sócrates e Zico. Deu show na primeira fase. No grupo com Argentina e Itália que decidia uma vaga na final, venceu bem os hermanos, num jogo em que Maradona perdeu a cabeça: 3×1. Contra a Itália, poderia empatar,saiu atrás, nunca esteve na frente do placar, e perdeu. 3×2. 5 de julho de 1982. O sonho do tetra foi adiado, logo com a melhor seleção que nosso futebol montou desde o tri no México 70. A falada “tragédia do Sarrià”, nome do estádio do Real Club Deportivo Espanyol de Barcelona na época (foi demolido 15 anos depois; o Espanyol usou por anos o Olímpico de Montjuic e hoje joga num moderno estádio entre Cornellà e El Prat).
A tragédia do Sarrià é o tema do livro de Gustavo Roman, futuro jornalista, colecionador de jogos de futebol (isso mesmo, ele coleciona partidas inteiras em vídeo: 5.350 partidas, de 1950 em diante!) e Renato Zanata Arnos, professor de História, pesquisador do futebol argentino (coautor do blog Futebol Argentino). “Sarriá 82 – O Que Faltou ao Futebol-Arte?”, que está para ser lançado pela Maquinária Editora. O livro já está em fase de revisão e a capa você pode ver abaixo.

Renato Zanata e Gustavo Roman assistiram, analisaram, esmiuçaram 25 dos 38 jogos (29 vitórias, 6 empates e apenas 3 derrotas) disputados pela Seleção de Telê, na primeira passagem do mestre pelo escrete canarinho. Mais os vídeos de 21 partidas da Seleção com o antecessor, Cláudio Coutinho. Total: 46 VTs. Alguns vistos e revistos.
Os autores entrevistaram Zico, os laterais Júnior e Leandro,o zagueiro Oscar, os meio-campistas Batista, Paulo Isidoro e Adílio e os jornalistas Mauro Beting, Mário Marra, André Rocha e Ariel Judas (argentino).
Parece leitura obrigatória para todos nós que sonhamos junto com os “Pachecos” em 1982 e nunca mais choramos por derrotas de nenhuma Seleção Brasileira. Por aquela, valia a pena chorar. Como o garoto da capa (inesquecível foto, histórica primeira página) do “Jornal da Tarde”, de 6 de julho de 1982.
- “Sarriá 82 – O Que Faltou ao Futebol-Arte?” já tem data para a noite de lançamento no Rio: 2 de julho, às 19h, na Livraria Travessa, shopping Leblon. Voltaremos ao assunto.
- Ouça o samba que marcou aquela seleção e inspira o título este post, “Povo Feliz (Voa Canarinho)”, na voz do lateral titular Júnior. Aqui, um trecho do clip. O compacto vendeu 500 mil cópias!
“Heleno”, o filme. Golão do cinema brasileiro.

Estreou um grande filme brasileiro sobre futebol, ou mais exatamente sobre a fama e a decadência de Heleno de Freitas, badalado jogador dos anos 40. “Heleno”, dirigid0 por José Henrique Fonseca, é uma cinebiografia livre, inspirada no livro “Nunca Houve um Homem como Heleno“, de Marcos Eduardo Neves – embora com algumas licenças poéticas. Continuar lendo ““Heleno”, o filme. Golão do cinema brasileiro.”
“Heleno” – 30 de março nos cinemas

O que o Rodrigo Santoro está fazendo num blog de futebol? Para quem ainda não sabe, o eclético ator brasileiro “é” Heleno de Freitas, no esperadíssimo filme “Heleno”, de José Henrique Fonseca. Filme e performance de Santoro no papel do craque de Botafogo, Vasco, Boca etc foram elogiados nos festivais onde a “pelí” passou. Estreia prevista para 30 de março.

FOTO: ROGERIO FAISSAL
O filme foi inpirado pela biografia do craque que a torcida adversária chamava de “Gilda”: “Nunca Houve um Homem como Heleno”, de Marcos Eduardo Neves (post anterior). Abaixo, imagem do cartaz do filme “Heleno” recentemente divulgada na internet.
Continuar lendo ““Heleno” – 30 de março nos cinemas”
“Nunca Houve Um Homem Como Heleno”
A base do filme “Heleno” foi a biografia escrita pelo jornalista Marcos Eduardo Neves: “Nunca Houve um Homem Como Heleno” (agora pela Jorge Zahar), que descreve muito bem não só a glamourosa, atribulada e curta vida do temperamental craque, como o Rio de Janeiro dos anos 40, então capital federal. Continuar lendo ““Nunca Houve Um Homem Como Heleno””