Luiz Mendes, o comentarista da palavra fácil

Minha gente, o rádio esportivo brasileiro está mais triste, assim como todo torcedor fissurado nas emocionantes transmissões radiofônicas de futebol, como este que vos bloga.
Morreu Luiz Mendes, o comentarista da palavra fácil.
Mas pode chamar também de Senhor Copa do Mundo. O gaúcho radicado no Rio de Janeiro trabalhou em todos os Mundiais desde o de 1950, no Brasil. Foi o único a transmitir para o Brasil a final da Copa de 1954, na Suíça. Era torcedor do Grêmio e do Botafogo, que decretou luto oficial de três dias. Que carreira! Que bela história a do casamento com Daisy Lúcidi – por quem se interessou quando ela era atriz de rádio, e ele, ouvinte.
A capinha que ilustra o post é a da biografia “Minha Gente – Luiz Mendes – O Mestre da Crônica Esportiva do Brasil”, de Ana Maria Pires (editora 7 Letras/Fuperf). Dica do colecionador Domingos D´Angelo, que listou quatro livros escritos por Luiz Mendes: Continuar lendo “Luiz Mendes, o comentarista da palavra fácil”

“Montevidéu – O Gosto do Sonho” no CINEfoot

http://www.flickr.com/photos/cinefoot
MONTEVIDEO, BOG TE VIDEO: http://www.flickr.com/photos/cinefoot

30 de julho de 1930: o Uruguai bate a rival Argentina por 4 a 2 e vence o primeiro Mundial, no estádio Centenário.
Tive a oportunidade de ver o filme sérvio Montevideo, God Bless You (ou Taste of a Dream). Ficção que conta a história da preparação da Iugoslávia, uma das quatro seleções europeias a cruzar o Atlântico para disputar a Copa no Uruguai (eram duas semanas de viagem para vir, outras duas pra voltar…).

O filme de Dragan Bjelogrlic escolhe os atacantes Tirnanic e Marjanovic como principais personagens e tem muitas cenas de treinos e amistosos lá na Iugoslávia. Gostou do brasileiro O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias? Recomendo que fique de olho quando Montevideo passar num cinema perto de você – na 35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, foi exibido como “Montevideo – O Sonho da Copa“. E agora está de volta, no festival CINEfoot, no Rio (domingo, 26 de maio, 21h15, Espaço Itaú de Cinema – Praia de Botafogo). Tem o tema da amizade, romance, um pouco de política… e bola na rede!

Continuar lendo ““Montevidéu – O Gosto do Sonho” no CINEfoot”

Museu do Futebol: 2 anos

Na grande área do Museu
Na grande área do Museu

Um passeio no Museu do Futebol (mais de 820 mil visitantes) é um programa muito interessante para torcedores de todas as idades, bandeiras e estados. Já entrou até nos pacotes de turismo cultural por São Paulo.
O museu está acima de clubismos e bairrismos. Um clube da série C tem ficha do mesmo tamanho dos grandes campeões nacionais. Pode ser lembrado de igual para igual na primeira sala, Na Grande Área que lembra visual de bar temático. Destaque para os jogos interativos (motivos de alegria da criançada e muita fila), tributos a Pelé, Garrincha e Copas do Mundo. Confira algumas lembranças de minhas muitas visitas. Continuar lendo “Museu do Futebol: 2 anos”

Vuvuzela, Jabulani, Larissa, polvo…

No último suspiro das vuvuzelas (pelo menos no Mundial 2010), um rápido balanço da Copa.

Troféu E que golaços para golões, surpresas e jogaços da Copa:

  • o futebol coletivo e a linha de passe da Espanha campeã (veja a campanha no post anterior), de Casillas (Luva de Ouro) a Villa, um dos artilheiros, sem esquecer dos monstros sagrados do meio-campo em nosso tempo, Xavi e Iniesta (que calcanhar no começo da jogada do gol!)
  • o jovem time da Alemanha e sua linda camisa preta, uniforme 2 que fez sucesso de público e bilheteria. Thomas Müller, melhor jogador jovem e Chuteira de Ouro. Sem esquecer de Khedira, Scheinsteiger, Özil etc.
  • a campanha do Uruguai, 4º colocado, melhor seleção sul-americana da Copa, jogando bola, sem apelar tanto para a violência, mas com raça de sobra – e sorte, como no último lance da prorrogação contra Gana. Diego Forlán, o 10, Bola de Ouro. Fez golaços e deu assistências.  O bom atacante Suárez virou goleiro na seleção semanal feita pelo caderno Outlook do jornal Brasil Econômico
  • Sneijder, o que joga boa bola na Holanda tri vice-campeã.
  • o espírito de festa e a alegria dos sul-africanos, donos da casa.
  • o show de Maradona à beira do campo, porque como técnico, desperdiçou uma excelente geração.
  • Candidatos a jogos para sempre, ou que sejam lembrados pela emoção ao menos: Estados Unidos 2×2 Eslovênia; Eslováquia 3×2 Itália, na 1ª fase. Alemanha 4×1 Inglaterra, apesar do maior erro de arbitragem desde 1966… A decisão por pênaltis entre Paraguai e Japão. Gana 1x 1 Uruguai. Alemanha 4×0 Argentina. Paraguai 0x1 Espanha, outro jogo de arbitragem confusa. Holanda 3×2 Uruguai. Espanha 1×0 Alemanha. Alemanha 3×2 Uruguai. Espanha 1×0 Holanda, apesar da violência dos laranjas.
  • and last but not the least, as musas (holandesas, dinamarquesas – pena que voltaram para casa tão cedo! – Larissa Riquelme, Sara Carbonero – Casillas, você está de parabéns!)

Lances duvidosos: vuvuzela e Jabulani.

Gols contras:

  • os inúmeros erros de arbitragem.
  • a economia de cartões vermelhos.
  • a violência dos holandeses, especialmente na final.
  • a classificação da França para a Copa com gol de mão, a participação ridícula na África do Sul,  o barraco na delegação e a grosseria de Domenech com Parreira, que é um gentleman.
  • Wayne Rooney, Cristiano Ronaldo, Squadra Azzurra.

Espanha campeã do mundo!

Publicado em 11 de julho de 2010

Capa do MARCA, de Madri
Da Espanha ao céu – manchete do AS.
Na Argentina, o OLÉ pediu que os campeões sigam tocando a bola.

¡Campeones!
Casillas (Real Madrid) – capitão, eleito “O” goleiro da Copa. Sérgio Ramos (Real Madrid). PuyolPiqué (Barcelona). Capdevilla (Villarreal). Xabi Alonso (Real Madrid). Busquets Xavi (Barcelona). Villa (ex-Valencia, já apresentado pelo Barça). Pedro (Barcelona). Navas (Sevilla). Torres (Liverpool). Fàbregas (Arsenal). Albiol e Arbeloa (Real), Marchena, Mata e David Silva (Valencia), Valdés (Barça), Llorente e Martinez (Athletic Bilbao), Reina (Liverpool) e, claro, Iniesta (Barcelona) e o bonachão Vicente Del Bosque são os legítimos campeões do mundo em 2010, depois de faturar também a Euro 2008.

Andrés Iniesta, nascido em Fuentealbilla, na província de Albacete, na comunidade de Castilla-La Mancha, ídolo do Barcelona, autor do único gol da nervosa decisão contra a Holanda, já no 2º tempo da prorrogação, foi eleito o melhor em campo. A segunda final europeia seguida em Copas foi amarrada, pegada, violenta demais. Ganhou quem jogou mais. A Espanha, que abusou um pouco do direito de perder chances. Nas duas maiores oportunidades holandesas, Robben esbarrou em Casillas, gigante.

E essa Holanda, hein? Só mesmo o excesso de nervosismo, talvez uma mistura de já-ganhou com revanchismo e vocês-vão-ter-que-me-engolir antes da hora pode explicar a derrota de uma seleção brasileira com uma defesa considerada excelente e jogadores como Kaká e Robinho para esse time laranja, que dá saudade dos tempos de Gullit, Van Basten e Rikjaard e da Laranja Mecânica de 78, para não falar do Carrossel Holandês de Cruyff. Bate demais da conta essa Holanda. Ainda bem que a Espanha ficou com a taça.

Flâmula do “Jabuca” fabricada por AMW, em Santos

Inspirado por uma reportagem de André Argolo na ESPN Brasil, também publico a maneiríssima flâmula do Jabaquara Atlético Clube, o Jabuca, que nasceu Hespanha Foot Ball Club em 15/11/1914 – foi um dos fundadores da Federação Paulista de Futebol. Durante a Segunda Guerra, o Hespanha passou a se chamar Jabaquara, nome do bairro de Santos onde o clube foi criado. E o estádio do Jabuca chama-se Espanha até hoje.

Aqui dentro do post, as manchetes onlines da hora do título e a campanha da Roja desde as Eliminatórias. Continuar lendo “Espanha campeã do mundo!”

Copa de Filmes: Sérgio Duarte, do Rock Flu.

Mais uma lista de filmes sobre futebol, nesta copa virtual de cinema: agora, dicas de Sérgio Duarte, do programa Rock Flu (que nestes 30 dias de Mundial 2010 botou no ar, na internet, duas edições especiais). Vai mais Serginho!
Documentário nacional: Pelé Eterno.

Ficção nacional: O Casamento de Romeu e Julieta [direção de Bruno Barreto. Comédia romântica sobre o relacionamento do corintiano Romeu com a palmeirense Julieta (Julinho + Echevarrieta, dois grandes nomes que passaram pelo Palestra, sacou?). A donzela tem um pai que fica uma fera ao descobrir o que o Romeu fez para conquistar a simpatia do candidato a sogrão, em plena viagem de volta do Mundial de Clubes de 1999 em Tóquio. Mario Prata – que escreveu Palmeiras um Caso de Amor para a coleção Camisa 13, da DBA – participou do roteiro. Rara oportunidade para ver os tricolores Luiz Gustavo e Luana Piovani com a camisa do Palmeiras, não é, Serginho? ]

Ficção estrangeira: O Milagre de Berna [de Sönke Wortmann. Drama ambientado no pós-guerra, que se desenvolve numa família alemã e na Copa do Mundo da Suíça, 1954. Cenas de jogos muito bem encenadas. A final daquele Mundial, em que a Alemanha de Rahn e Fritz Walter derrotou a Hungria de Puskas, empresta o rótulo – O Milagre de Berna – à película. Com certeza, é um dos melhores filmes em que o futebol tem papel importante].
Curta-metragem nacional/ficção: Ernesto no País do Futebol, de André Queiróz, Thaís Bologna [um menino argentino e seus coleguinhas… brasileiros! Dá para ver o filme no Porta Curtas].
Curta-metragem nacional/documentário: Geral, de Anna Azevedo [o show dos geraldinhos no Maraca].

Valeu Serginho!

Copa de Filmes: as escolhas de Ricardo Drago, do site “Meu Time de Botão”.

A cena do pênalti “mandrake” do “juizão” vivido por Otávio Augusto está entre as melhores do filme “Boleiros”

Trila o apito o árbrito. “Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo, torcida brasileira” [(C) Fiori Gigliotti]. Terceira jornada desta copa virtual de cinema. Agora, quem dá a bola -digo, as dicas de filmes de futebol- é o são-paulino Ricardo Drago, do democrático site Meu Time de Botão. No site Canelada, escreve sobre Futebol Europeu.

Documentário nacional: “Inacreditável -A Batalha dos Aflitos e Pelé Eterno, de Anibal Massaini Neto”.
[N da R: em Inacreditável – A Batalha dos Aflitos, o diretor Beto Souza mostra a trajetória do Grêmio na série B do Brasileirão 2005, que culminou com o célebre jogo contra o Náutico, nos Aflitos. Dá pra ver o trailer aqui também.]


Documentário estrangeiro: “Argentina e sua Fábrica de Futebol, de Sergio Iglesias” [dá para ver um trailerzinho aqui. Numa pesquisada no You Tube, percebo que os hermanos fazem muitos “documentales” sobre “fútbol”].

Ficção nacional: “Boleiros – Era Uma Vez o Futebol, de Ugo Giorgetti” [que elenco! Otávio Agusto, no hilário papel de juiz ladrão, Lima Duarte, o técnico linha dura, Rogério Cardoso, Cássio Gabus Mendes, Adriano Stuart, Flávio Migliaccio, Marisa Orth, Denise Fraga. Disponível em DVD da Paris Filmes. Há uma edição que inclui Boleiros 2 – Vencedores e Vencidos]

Ficção estrangeira: “A Copa, de Khyentse Norbu” [boa lembrança, Ricardo. É uma produção do Butão. O diretor, um lama budista, conta o esforço de um jovem monge fanático por futebol para ver a Copa do Mundo de 1998. Passou nos cinemas, saiu em vídeo, DVD, mas não sei se está em catálogo.]

Curta-metragem nacional/ficção: “Uma História de Futebol, de Paulo Machline [Antonio Fagundes é o narrador, o menino Zuza, companheiro de pelada do rei do futebol, que lembra as façanhas do menino Pelé (então Dico, como é chamado até hoje em família) nos campos de terra de Bauru. Sensível roteiro de José Roberto Torero, Paulo Machline e Maurício Arruda. Bela fotografia de Lito Mendes da Rocha. Veja Uma História de Futebol e a lista de prêmios no site Porta Curtas]

Curta-metragem nacional/documentário: “Loucos de Futebol, de Halder Gomes” [documentário sobre futebol cearense, com ênfase nas torcidas e na rivalidade entre Leão e Vovô, Fortaleza e Ceará, que fazem o Clássico Rei].

Taí a excelente lista de filmes de futebol preferidos do Ricardo Drago, do site Meu Time de Botão.

Ainda hoje, as dicas cinematográficas/boleiras de Sérgio Duarte, do programa Rock Flu. No fim de semana, os favoritos de Mário Marra, comentarista da rádio CBN, do Blog do Marra.

Confira nos posts anteriores as escolhas do crítico Luiz Zanin, do Estadão, e as dicas do Fut Pop Clube. Bola na Tela é aqui!

Copa de Filmes: os favoritos de Luiz Zanin.

Segunda rodada da Copa de Filmes, aqui no Fut Pop Clube. Neste post, os escolhidos pelo jornalista Luiz Zanin, crítico de cinema do jornal O Estado de S.Paulotambém é um dos colunistas da seção “Boleiros” no caderno de esportes do Estadão. No portal do grupo, assina um blog sobre Cinema, Cultura e Afins. Vamos aos votos do Zanin?

Documentários: “Futebol, de Arthur Fontes e João Moreira Salles [coprodução GNT/VideoFilmes]. Há um documentário argentino excelente sobre o êxodo de craques, mas não me lembro do nome.”


Ficção nacional: “Boleiros – Era Uma Vez o Futebol, de Ugo Giorgetti“.
Ficção estrangeira: “Meu Nome é Joe, de Ken Loach” [N da R: cartaz maior que ilustra o post, lá embaixo. Produção inglesa do mesmo diretor de À Procura de Eric, que foi a escolha deste blogueiro, no post anterior. Joe é um ex-alcoólatra que começa a treinar um time amador de Glasgow. O futebol é um pano de fundo para a história de um relacionamento, mas com a conhecida preocupação social do diretor – e claro, referências a Pelé, Jairzinho, Carlos Alberto, Rivelino, Tostão e Gérson. Preciso rever esse, Zanin].

Curta-metragem nacional ficção: “Cartão Vermelho, de Lais Bodanzky”. [conta a história de uma menina que bate bola muito bem. Dá para ver aqui, no site Porta Curtas].

Curta-metragem nacional/documentário: “Geral, de Anna Azevedo” [N da R: exibido no recente CineFoot, tem como personagens os Geraldinos, que faziam a alegria da extinta geral do Maracanã].

Meus filmes favoritos sobre futebol

Publicado em 8/7/2010

À Procura de Eric/Looking for Eric (Sixteen Films/californiafilmes.com.br)

Os filmes sobre futebol são um dos assuntos preferidos do Fut Pop Clube. Lamentavelmente essas produções não conseguem fazer grande sucesso de bilheteria no Brasil. Bom, depois da mostra Cinema e Futebol, que rolou em fevereiro, no cinema da USP, mais recentemente do CineFoot, Festival de Cinema de Futebol, no Rio, SP e POA, que teve até taças, e da extensa programação especial do Canal Brasil, também chamada Mostra Cinema e Futebol, depois da Coleção Copa, da Abril, chegou a vez de o Fut Pop Clube lançar sua “Copa de Filmes”. Uma série de posts, com indicações de bom cinema boleiro. Convidei algumas pessoas para dar dicas de documentários e  ficções, nacionais ou estrangeiros, longas ou curtas – mas sempre sobre futebol! Eu começo!
Documentário nacional: “João”, doc de André Iki Siqueira e Beto Macedo sobre João Saldanha, “o comentarista que o Brasil consagrou”, que nunca escondeu que era comunista, mas mesmo assim foi escolhido pela CBD técnico da Seleção Brasileira durante a ditadura. Classificou o Brasil para a Copa de 70, mas foi trocado por Zagallo antes do Mundial. Vi “Joao” na sessão de abertura do CineFoot e achei espetacular. Informativo, divertido e muito bem editado.

Já saiu em DVD o filme sobre a 1ª Copa do Mundo que a Seleção conquistou
"1958 - O Ano em que o Mundo Descobriu o Brasil"

Também gostaria de citar nessa categoria de documentários nacionais “1958 – O Ano em que o Mundo Descobriu o Brasil”, filme de José Carlos Asbeg sobre a a nossa primeira taça do mundo. Passa neste sábado, 10 de julho, véspera da final da Copa do Mundo 2010, na sessão É tudo Verdade do Canal Brasil. “1958…” saiu em DVD e já foi assunto do blog.

  • Ainda gostaria de mencionar a excelente minissérie “Futebol”, de Arthur Fontes e João Moreira Salles, que passou anos atrás no canal GNT, em coprodução com Videofilmes. Em três programas com qualidade de cinema, “Futebol” acompanhava meninos que sonhavam com a bola, as dificuldades de jogadores então em começo de carreira como Lúcio e Iranildo e um dia na vida de um ex-craque, Paulo César Caju, figura. Uma pena que não esteja em circulação em DVD ou na TV, pelo menos não que eu saiba.
  • Mais recentemente, “Um Artilheiro no Meu Coração”, sobre Ademir Menezes.

Documentário internacional: maradona-por-kusturica1Excelente opção poderia ser o “Maradona” de Kusturica, recentemente lançado em DVD pela Europa Filmes. Mas voto em “Comunismo e Futebol” (“Communism and Football”, produção da rede de TV BBC que vi em 2008/2009 no Sportv). Fala de Streltsov, jogador que poderia ser o “Pelé russo”, em 1958, mas foi mandado para campos de trabalho forçado, Grocsis, e do estranho jogo entre Alemanha Ocidental x Alemanha Oriental). E outra produção semelhante da BBC, “Football and Fascism“:”Fascismo e Futebol”, também, exibido tempos atrás pelo Sportv, mostra como Mussolini, Hitler e Franco usavam o esporte.
ano-em-que-meus-pais-poster011Ficção nacional: são excelentes as opções. A minha preferida é “O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias”, de Cao Hamburger, que se passa na época da Copa de 70. Ditadura, descobertas infantis, futebol tricampeão, de rua, de várzea e de botão são panos de fundo para uma história sobre amizades. Entre um pequeno aprendiz de goleiro (o filme quase se chamou “Vida de Goleiro”) e o homem que o acolhe, a vizinha espevitada, o jovem que foge da polícia. Quase que o equivalente ao oscarizado “O Segredo dos Seus Olhos” no cinema brasileiro. Atuações nota 10.
Outro filme em que o elenco dá banho de bola é “Linha de Passe”, de Walter Salles Jr e Daniella Thomas. Uma mãe batalhadora, corintiana praticante, vai junto com a Fiel e tudo, e as peripécias de seus quatro filhos por São Paulo. Por outro lado, tem algo de linguagem de documentário e cenas de futebol espetacularmente filmadas. Um jogo real, um clássico Majestoso: São Paulo 0x1 Corinthians. Campeonato Brasileiro de 2008.

Também gosto muito dos dois “Boleiros”, de Ugo Giorgetti. Especialmente o primeiro, com o subtítulo “Era uma vez o Futebol“.

"Eric", o carteiro, com Eric, o Cantona. www.californiafilmes.com.br
"Eric" e Eric. http://www.californiafilmes.com.br

Ficção internacional: agora não tem para ninguém. Ken Loach e Eric Cantona, o bad boy do futebol francês e do Manchester United, na cabeça. O engraçadíssimo “À Procura de Eric” abriu a Mostra de Cinema de São Paulo em 2009 – e não é que o Cantona não se sai mal, no papel dele mesmo? Uma pena que não ficou muito tempo em cartaz. Também é muito interessante e bem feito “O Milagre de Berna”, que reconta a final da Copa de 1954.

Curta-metragem nacional/ficção: “Barbosa”, de Ana Luiza Azevedo e Jorge Furtado, baseado no livro Anatomia de uma Derrota, de Paulo Perdigão. O personagem de Antônio Fagundes volta na tempo até o Maracanazo da Copa de 50. Veja ou reveja Barbosa no site Porta Curtas.
Curta-metragem nacional/documentário: atualmente o meu favorito é o curta “Juventus Rumo a Tóquio”. Guardo ainda na memória a emoção da primeira sessão, numa sala de cinema que parecia quase a rua Javari.

Nos próximos dias, os favoritos dos convidados do blog… Continuar lendo “Meus filmes favoritos sobre futebol”

La Roja histórica! Espanha na final!

São Paulo, 7 de julho de 2010

Querido tio Pepe
Escrevo assim que acabou essa apertada semifinal de Copa do Mundo. E não é que a sua Espanha, com a base do seu FC Barcelona, da sua querida Catalunha, venceu uma jovem e poderosa Alemanha? Eurocampeã dois anos atrás, La Roja -ou a Fúria, como ainda chamamos aqui no Brasil- está numa final de Copa do Mundo pela primeira vez!
A parada era duríssima, contra uma Alemanha multicolorida – cheia de poloneses, descendentes de tunisianos, turcos, ganeses, até centroavante nascido em Santo André. Multicultural, como a França campeã do mundo em 1998.
Especialmente no segundo tempo, a Espanha conseguiu impor seu espetacular toque de bola… Impressionante como trocam passes perfeitos Xavi e Iniesta, nossos velhos conhecidos do meio de campo do Barcelona. Curioso: os números da camisetas se invertem. No Barça, Xavi é o 6; Iniesta, o 8. Na selección,  é o contrário.
Os madridistas Casillas, Sérgio Ramos (avançando à beça) e Xabi Alonso também jogaram muito bem.
Córner batido por Xavi. Puyol, defensor raçudo que é símbolo do Barcelona e da Catalunha, cabeceia livre pro gol. 1×0.
Pedro, jovem atacante do Barcelona, foi um pouco fominha, perdeu a chance de ampliar.
Acho que a Alemanha sentiu falta daquele camisa 13 bom de bola, não o Ballack, mas o jovem Thomas Müller. Vai ter que disputar o 3º lugar como em 2006, agora contra o Uruguai – espero que com a volta de Lugano e Suárez. Mas desde já esse jovem time da Alemanha é candidatíssimo a disputar o título em 2014, aqui no Brasil. Já imaginou uma final Brasil x Alemanha, no Maracanã?
E depois de tantas “finais antecipadas” (Alemanha x Inglaterra, Alemanha x Argentina, Brasil x Holanda, Alemanha x Espanha),  Holanda e Espanha farão a grande decisão. Xavi, Iniesta, Puyol, Piqué, Busquets, Pedro, Victor Valdés (a armada “blaugrana” na seleção espanhola, sem falar no artilheiro David Villa, recém-contratado pelo Barça) terão oportunidade de –além de conquistar o sonhado Mundial – dar uma vingadinha da derrota para a Internazionale do carrasco holandês Sneijder nas semifinais da Champions League. Desta vez, Sneijder não terá a companhia de Júlio, Lúcio, Milito, Eto´o, Mourinho etc. Mas de Robben, Kuyt, Van Persie, Van Bommel, Van Bronckhorst (momento José Simão: só falta o Van Halen! hahaha!). Que vontade de estar no Soccer City domingo!
Este Mundial 2010 na África do Sul, que ameaçou se tornar uma “Copa América”, virou quase uma “Euro 2010”. Chato não ter Brasil e/ou Argentina nas semifinais. Mas esta Copa – que levantou tantas dúvidas e críticas – até que foi bem legal, com muita emoção. Teremos um campeão inédito, que se juntará ao restrito clube dos donos de taças do mundo, frequentado por Brasil, Itália, Alemanha, Argentina, Uruguai, Inglaterra e França. E que venha 2014.

Grande abraço

João Ricardo Lima Continuar lendo “La Roja histórica! Espanha na final!”