Casa Babylon

Quarto e último disco de estúdio da superbanda que explodiu em Paris: Mano Negra. Na guitarra e voz principal, um certo Manu Chao. Na bateria, seu primo, Santi. No trompete, o mano, Antonio Chao. A formação incluía ainda um guitarrista, baixista, trombonista, tecladista e um percussionista, Phil, ainda hoje com Manu, na Radio Bemba Sound System. “Casa Babylon” é aquele que tem “Santa Maradona” (com samplers de narrações de gol, até voz de locutor brasileiro). E muito mais:  uma vitaminada paella de rock, pop, punk, reggae, funk, ska.  “Casa Babylon”, “The Monkey”, os sensacionais suíngues de “Señor Matanza” e “Machine Gun”, “Hamburger Fields” podem pintar até hoje em shows de Manu Chao (leia meus pitacos sobre Baionarena). Entra fácil para a categoria Discão.

LINKS: Página da Mano Negra no MySpace.

Texto sobre canções com narrações de gols.

Amando a Maradona

maradona-por-kusturica1Maradona se despediu do Nápoli em 1991. No nada convencional documentário de Emir Kusturica sobre “el diez”, exibido aqui pela 1ª vez na Mostra de SP de 2009, há uma cena na cidade do sul da Itália. Autêntica beatlemania, digo, diegomania. Os tifosi batem nos vidros, chacoalham… quase viram o veículo que leva o ídolo que deu as maiores glórias ao Nápoli. São cenas de 2005 – 14 anos depois da última partida do parceiro de Careca com aquela camisa celeste napolitana.
Maradona”, o filme (classificação: 14 anos), acompanha Kusturica tentando entrevistar o mito. O craque dá uma canseira no cineasta – Kusturica, ele mesmo um movie/rock star, cabelos compridos, aparece tocando guitarra com sua banda. Quando finalmente senta para o fuça-a-fuça ao diretor, Maradona se pergunta: “que jogador eu teria sido se não fossem as drogas?”.  Humilde, quase nada arrogante, o gênio brinca até que é mais bonito que Cláudia – esposa que segurou todas as barras.
É claro que quem não gosta dessa peça rara dificilmente deve passar na porta do cinema. Para quem se interessa pelo pibeMaradona traz um belíssimo arquivo sobre a vida, glória, queda e parte da recuperação do craque. Um festival de gols sensacionais, dividido em blocos, que sempre terminam com o “gol do século” – e animações que tiram sarro de Margaret Tatcher, Blair, Bush, ao som de “God Save the Queen”, hino anarco-punk dos Sex Pistols.
Música? O filme de Kusturica tem bastante. Manu Chao e seu guitarrista emocionam Diego com uma versão à capela, nas ruas de Buenos Aires, de “La Vida Tombola”. Mas acho que o momento mais emocionante é a cena de Maradona num palco, cantando a música “La Mano de Dios”, composta por Rodrigo, amigo dele (veja aqui). Continuar lendo “Amando a Maradona”

Cantona e Maradona na tela

maradona por kusturicaCargo de treinador da Argentina na gangorra nos próximos dias, que decidem as últimas vagas sul-americanas pra a Copa do Mundo  (diretas ou via repescagem). Como a vida de Maradona, personagem do filme de Emir Kusturica que passou no Festival do Rio e chega a outros cinemas em 20 de novembro, via Europa Filmes.

E se o Festival do Rio teve “Maradona”, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo começa com uma comédia dramática que tem o polêmico ex-jogador francês Looking for EricEric Cantona no papel dele mesmo. “À Procura de Eric (Looking for Eric)”, de Ken Loach. Será o filme de abertura da Mostra, daqui a duas semanas: 22 de outubro, no Auditório Ibirapuera. É uma ficção, onde um carteiro chamado Eric está com a vida toda ferrada e passa a receber conselhos do amigo imaginário: o xará Cantona, que vestiu a camisa 7 do Manchester United 184 vezes (a 1ª numa vitória contra o Manchester City em 92) e marcou 82 gols. O francês deve aparecer por aqui para a Mostra. Continuar lendo “Cantona e Maradona na tela”

“Maradona” e craques da música no Festival do Rio

maradona por kusturicaDepois d Festival do Rio, a Mostra de São Paulo traz o filme de Emir Kusturica sobre don Diego. O Maradona de Kusturica tem participação de Messi e Manu Chao, que cedeu sua canção La Vida Tombola para o filme.

Uma excelente notícia: a distribuidora Europa Filmes vai lançar o Maradona de Kusturica nos demais cinemas em 20 de novembro.

Para quem gosta de documentários musicais, a Mostra segue o Festival do Rio e também tem atrações como A Todo Volume/It Might Get Loud(leia mais), doc que reúne Jimmy Page do Led, The Edge do U2 e Jack White dos White Stripes e The Dead Weather. Ou O Poder do Soul/Soul Power, com James Brown, Miriam Makeba e BB King.

P.S: E o sempre esperado novo de Almodóvar, Abraços Partidos, com La Penélope Cruz.

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Top 10 dos 6 meses de Fut Pop Clube

logotipo-fpc1 (1)A banda curitibana Copacabana Club; o brasileiro artilheiro do campeonato alemão 08/09, Grafite; Manu Chao & Maradona; o livro sobre a história das camisas dos maiores times; os locutores esportivos do rádio; a semifinal do “eu sou você amanhã” da Copa do Brasil 09; a exposição Mania de Colecionar (flâmulas); o conjunto DNA do Samba;  o Memorial do São Paulo F.C. e um comentário sobre um clássico do Iron Maiden… esses são os 10 temas mais lidos do blog neste semestre. Há um certo equilíbrio entre música e futebol, duas paixões do Fut Pop Clube e do blogueiro aqui, João Ricardo. Clique em MANTENHA A LEITURA para os links dos textos mais lidos. Continuar lendo “Top 10 dos 6 meses de Fut Pop Clube”

Museu da paixão pelo Boca

Publicado em 31 de julho de 2009

O Museo de la Pasión Boquense tem uma parede de uniformes... FOTO: Fut Pop Clube
O Museo de la Pasión Boquense tem uma parede de uniformes…  FOTO: Fut Pop Clube

A força do Boca e sua torcida, “a metade mais um” da Argentina, faz do Museo de la Pasión Boquense mais visitado que todos os outros museus argentinos juntos, segundo texto de Elias Perugino em Placar de julho de 2009.
O museu do Boca fica dentro da caixa de bombons, digo, do alcapão que é o mítico estádio Alberto J.Armando. La Bombonera. Continuar lendo “Museu da paixão pelo Boca”

Nas bancas

Como vocês sabem, Luxemburgo caiu no Palmeiras. Muricy e Abel são os nomes mais cogitados. Curiosamente, um dia antes da demissão do treinador campeão paulista de 2008, saiu a edição de julho da revista Placar, que chegou às bancas paulistas com pergunta na capa: “Trio de Ferro?” e fotos de Muricy, Mano Menezes e Luxemburgo. A reportagem de Ricardo Perrone e Arnaldo Ribeiro convida o leitor a descobrir “por que nem os três melhores treinadores do país têm estabilidade de emprego”.

Na sua 4ª passagem pelo Palestra Itália, Luxemburgo venceu 60 partidas, empatou 25 e perdeu 25. Somando as quatro passagens – 93/94, 196, 2002 e 2008/09 – são 221 vitórias, 81 empates e 65 derrotas (aproveitamento de 67,5% – infos do Palmeiras.)

Foto Divulgação/VIPCOMM
Foto Divulgação/VIPCOMM

Pelos lados do Morumbi, em tarde fria e chuvosa, Ricardo Gomes estreou com vitória: 2×0 sobre o Náutico. Em Barueri, o Galo mineiro perdeu a invencibilidade -4×2 para o Barueri- mas segue na ponta. De olho na final da Copa do Brasil, o Corinthians perdeu na Arena da Baixada. Furacão 1×0. E de olho na semifinal da Libertadores, o Cruzeiro fez 1×0 no Avaí no Mineirão. Surpresa do sábado: a goleada do Goiás sobre o Bota, em pleno Engenhão: 4×1. Na série B, o Guarani permanece invicto e lidera. Completam o G4: Brasiliense, Atlético Goianiense (3 vitórias seguidas) e a grande rival do Bugre, a Ponte Preta – seguida de muito perto por Lusa e Vasco (6º lugar).

Para saber mais sobre as revistas de futebol, clique aqui. Continuar lendo “Nas bancas”

Dois vira, quatro acaba – com o tabu.

fifa world cup logoUm chutaço de Daniel Alves que o goleiro aceitou. O Juan que defende também faz gol. Um golaço de Luís Fabiano. Uma cobrança de pênalti de Kaká. E se o Uruguai tem Diego Forlán, Chuteira de Ouro na Europa, o Brasil tem Júlio César, que deveria ganhar a Luva de Ouro. Assim, o Brasil goleou o Uruguai em pleno Centenário: 4×0. Acabou com um tabu de 33 anos sem vitória no estádio erguido para a Copa de 1930. E com a ajudinha do Chile, que dobrou o Paraguai em Assunção, a Seleção de Dunga passa o fim de semana na liderança das Eliminatórias Sul-Americanas. No segundo jogo da Argentina em Buenos Aires com Maradona no comando, a alviceleste passou apertado pela Colômbia. 1×0, gol do zagueiro Díaz.  E olha que os colombianos deram um calor no começo. Depois, meio que se perderam no nervosismo ou na tentativa de serem mais malandros (hahaha!). Na quarta-feira, no Recife, Brasil e Paraguai jogam a liderança. Vamos torcer para que a Seleção consiga dar bis de bom futebol. Terceiro colocado, o Chile recebe a Bolívia. A Argentina (4º lugar)vai ao Equador. No limite, a Celeste Olímpica tem um jogo de seis pontos na Venezuela, que hoje ganhou na Bolívia. Te cuida, Uruguai… até a vaga para a repescagem está ameaçada.

Por outro lado, tem seleção carimbando o passaporte para África do Sul. Neste sabadão Fifa, garantiram vaga no Mundial 2010: Japão, Coreia do Sul, Austrália e Holanda! Ainda bem. Copa sem a Laranja Mecânica não tem graça.

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10 perguntas para Beto Xavier

Beto Xavier
Beto Xavier

Jornalista, radialista, gremista, apaixonado por música, por futebol – e colecionador de canções sobre o “esporte bretão”. Beto Xavier acaba de lançar seu primeiro livro, Futebol no País da Música (pela Panda Books). Resultado de garimpo esportivo-musical durante 15 anos! Gentilmente, ele respondeu por e-mail a 10 perguntas do Fut Pop Clube.

1) FUT POP CLUBE – Beto, no seu livro, você fala em casamento entre futebol e música brasileira. Quando eles começaram a namorar e quando casaram pra valer?

BETO XAVIER –  Futebol e música começaram a namorar muito cedo. Como falo no meu livro, o pai do futebol brasileiro, CHARLES MILLER, era casado com uma grande pianista, igualmente pioneira na sua arte.Mas há vários casamentos, não só um. Mas acho que a primeira grande festa de casamento foi quando o BRASIL ganhou o primeiro título mundial. Aí a festa entre música e futebol foi de arrombar. Quem não se lembra de “A taça do mundo é nossa”? (ouça aqui a versão de Ivo Meirelles e Funk´n Lata)

2) FUT POP CLUBE  – Na sua opinião, que gol  merece uma música?

BETO XAVIER– Difícil, hein? Mas acho que o primeiro gol do Pelé contra a Itália na final da COPA DE 70 merecia uma música.  Aquela cabeçada foi magistral. Aquele do Marcelinho Carioca contra o Santos também foi divino. Pessoalmente, o segundo gol do RENATO PORTALUPPI contra o HAMBURGO, na final do Mundial Interclubes de 83 também merecia. Um rock!

3) FUT POP CLUBE – Você viu o golaço do Grafite, na goleada do Wolfsburg contra o Bayern de Munique? Se ele tivesse marcado um gol assim com a camisa do Flamengo, alguém já estaria pensando numa música?

BETO XAVIER – Talvez. Depende muito da inspiração, nem tanto da importância.  O gol que deu origem ao clássico “Fio Maravilha!” [ou “Filho Maravilha”,disco “Ben”;ouça um trechinho no site de Jorge Benjor;] saiu num simples amistoso. Quer dizer, é muito relativo. ben

4) FUT POP CLUBE – Além de Jorge Benjor, que músico brasileiro pode lançar ao menos uma coletânea só de boas músicas sobre futebol?

BETO XAVIER – Sem nenhuma dúvida, MORAES MOREIRA. Lembrando que o CARLINHOS VERGUEIRO lançou 1999 um disco só com temas futebolísticos chamado “CONTRA-ATAQUE”.

Carlinhos Vergueiro
Carlinhos Vergueiro

5) FUT POP CLUBE – Em 1982, o Júnior, então lateral da Seleção, vendeu 700 mil cópias do compacto “Povo Feliz (Voa Canarinho”) / “Pagode da Seleção”. Algum outro jogador-cantor se deu tão bem assim,?

BETO XAVIER – Também não há dúvida. JÚNIOR foi o que melhor soube aproveitar, digamos, o talento musical. Lançou um compacto que vendeu 700 mil cópias e dois LPs com sambas, alguns muito bons.

O PELÉ também gravou bastante, mas não vendeu tanto quanto o LÉO.

6) FUT POP CLUBE Na sua opinião, que outro jogador mostrou muito talento como compositor, cantor ou músico e merecia mais sucesso comercial?

BETO XAVIER: Acho que o ESCURINHO,  atacante colorado dos anos 70,  merecia ser mais conhecido pelo lado musical. Canta, compõe e toca. Alguns sambas dele são muito bons..

7) FUT POP CLUBE – E na música popular brasileira, quais são os melhores boleiros? Quem bate a melhor bola?

BETO XAVIER – Tem vários, mas destaco alguns: CHICO BUARQUE, MORAES MOREIRA,  FAGNER, CARLINHOS VERGUEIRO, DJAVAN, GUINGA, PEPEU GOMES.

FUT POP CLUBE – No livro, você compara os Novos Baianos com o carrossel holandês, a Laranja Mecânica da Copa de 74. Por quê?

BETO XAVIER – O conceito é parecido. OS NOVOS BAIANOS eram uma verdadeira comunidade. Todos moravam juntos, todos tocavam, cantavam e compunham. A HOLANDA era mais ou menos isso. Me lembro que os jogadores holandeses foram os primeiros a levarem as mulheres para uma competição tão importante como uma  Copa do Mundo. Além disso, tanto os NB como o “Carrossel Holandês” deram ares de renovação em suas áreas. Há uma foto emblemática num daqueles fascículos da coleção “HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA”. Todos os NOVOS BAIANOS  reunidos numa varanda vendo um jogo pela TV. A partida é HOLANDA 2×0 URUGUAI  pela COPA de 74.

9) FUT POP CLUBE – Sabe de algum outro país de fanáticos pela bola com uma tradição semelhante de músicas sobre futebol?

BETO XAVIER – Não com a música popular. Mas os ingleses sempre  foram muito musicais em relação ao futebol.

10) Pelé x Maradona… quem recebeu mais homenagens musicais? Só o Manu Chao fez duas sobre Diego:”Santa Maradona” no tempo da banda Mano Nega e “La Vida Tombola” no último disco, “Radiolina”…

BETO XAVIER – Por incrível que pareça o MARADONA é mais cantado na ARGENTINA do que o PELÉ no BRASIL, que também é muito citado em músicas aqui em nosso país. Continuar lendo “10 perguntas para Beto Xavier”

Um olé histórico a 3.600 m

Terminou há instantes Bolívia x Argentina, em La Paz. Foi 6 a 1. Seis a um para a Bolívia! Não é primeiro de abril. Uma das grandes favoritas à Copa do Mundo 2010 caiu feio diante da seleção que era lanterna nas Eliminatórias da América do Sul. Um camisa 9 com sobrenome de artista plástico fez 3 gols: Botero. Marcelo Moreno, ex-ídolo cruzeirense, Alex da Rosa, brazuca naturalizado boliviano, e Torrico infernizaram o frágil sistema defensivo montado por Maradona.  O elástico placar (pior derrota da Argentina na história, ao lado do 1×6 para Tchecoslováquia em 58) poderia ter sido ainda mais largo se não fossem defesas de Carrizo – e o frango do goleiro boliviano no chte de longe de Lucho González. Clique em leia mais para saber as manchetes dos sites argentinos. Continuar lendo “Um olé histórico a 3.600 m”