Nelson Rodrigues | “Brasil em Campo”

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Amigos, no finalzinho deste ano do centenário de nascimento de Nelson Rodrigues (1912-1980), dramaturgo, cronista e -podemos dizer- antes de tudo, um torcedor apaixonado do Fluminense e da seleção brasileira, gostaria de dar mais uma dica, pra quem já curte ou quer conhecer o estilo do “profeta tricolor”, do “anjo pornográfico”. É a coletânea “Brasil em Campo” (editora Nova Fronteira, 2012), organizada por sua filha, Sonia Rodrigues. Trata-se de uma antologia de crônicas publicadas em jornais como o “O Globo”, “Última Hora” e “Jornal dos Sports”, o tradicional ‘cor de rosa’, e também na revista “Manchete Esportiva”.

Ótimo para saber mais sobre a alma do brasileiro, do torcedor brasileiro em particular, de Garrincha, de João Saldanha, da Copa de 1962, essa Copa tão pouco lembrada… Nelson também admite, numa crônica de 1966:

“O videoteipe é muito menos burro do que parece”.

O criador de frases marcantes (que a gente vai ver também no próximo post, sobre a exposição temporária na Sala de Troféus do Fluminense), como “Só os profetas enxergam o óbvio” e “O brasileiro não gosta de admirar e paga para não admirar” se surpreende com uma grande tirada de Nelson Motta (também Fluminense), que escreve na dedicatória do livro (“Música Humana Música”):

“A Nelson Rodrigues, meu deus de estimação”.  Continuar lendo “Nelson Rodrigues | “Brasil em Campo””

Minuto de silêncio para Luiz Noriega

“Taí o primeiro gol!”

Era assim que o locutor Luiz Noriega narrava os gols na TV Cultura de São Paulo – o canal 2 passava muitos e muitos VTs, nos anos 70, alguns logo depois das rodadas, numa época com bem menos futebol ao vivo na TV. Era ouro puro.

Por intermédio de um de seus filhos – o cronista e comentarista Maurício Noriega, o Nori, do Sportv – acabei de saber da morte de Luiz Noriega. Partiu hoje, 26 de dezembro, aos 82 anos.

Taí uma grande perda para a história da narração esportiva na TV e no rádio brasileiros, especialmente de São Paulo e de Pernambuco (onde Noriega trabalhou na rádio Tamandaré, então uma das Emissoras Associadas de Assis Chateaubriand). Continuar lendo “Minuto de silêncio para Luiz Noriega”

“Memórias do Chumbo – O Futebol nos Tempos do Condor”

Memórias do Chumbo – O Futebol nos Tempos do Condor. IMAGEM : Flickr.com/photos/Cinefoot
 Flickr.com/photos/Cinefoot

Em janeiro fez 31 anos que o Uruguai organizou a Copa de Ouro, mais conhecida como Mundialito. A Copa de Oro reuniu em 1981, no estádio Centenário de Montevidéu, as seleções até então campeãs mundiais de futebol. A Celeste, dona da casa, a Alemanha, a Argentina, o Brasil, a Itália e no lugar da Inglaterra, a Holanda. O Mundialito foi organizado pelo governo militar uruguaio para promover o regime, num período de plebiscito. Está num dos quatro episódios da excelente série de Lúcio de Castro, “Memórias do Chumbo – O Futebol nos Tempos do Condor”, que a ESPN Brasil estreou no final de 2012. E foi selecionado para a mostra competitiva do festival CINEfoot, no Rio e São Paulo.

E o episódio sobre o Uruguai é um dos melhores da série. Falando em bom português, o escritor uruguaio Eduardo Galeano – que é apaixonado por futebol – diz que, ao organizar o Mundialito com fins políticos, o governo uruguaio viu o tiro sair pela culatra. Durante a final (Uruguai 2×1, sobre o Brasil de Telê), no Centenário, o povo vaiou bandas militares e gritou o refrão:

“Se va a acabar, se va a acabar, la dictadura militar”

O episódio que mostra o uso do futebol pelo poder político-militar no Uruguai ainda tem depoimentos como os de

  • Lilian Ceriberti, sequestrada pela Operação Condor, orquestração repressiva coordenada pelas ditaduras de países como Argentina, Brasil, Chile e Uruguai. Entre os torturadores de Lilian, estava (pasmem!) um ex-jogador de futebol brasileiro (Didi Pedalada);

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  • Gerardo Caetano, historiador, ex-jogador do Defensor Sporting, que conta como os jogos do Defensor viraram uma espécie de catalisadores dos protestos políticos, incluindo até volta olímpica pela esquerda. Parênteses: no mínimo curioso e digno de aplauso que um país tenha entre seus intelectuais um ex-jogador como Gerardo Caetano e um fã, como Eduardo Galeano!

O episódio sobre o Brasil fala, por exemplo, da derrocada de João Saldanha do comando da seleção brasileira. O da Argentina, dos gritos dos torturados na ESMA enquanto a torcida vibrava com as vitórias da seleção alviceleste no Monumental de Nuñez, na Copa de 78. E o do Chile, do centro de prisão e tortura que virou o estádio Nacional e da coragem do jogador Carlos Caszely, que se recusou a apertar a mão do ditador Pinochet. E muito mais, como a omissão de cartolas dos mais poderosos do mundo do futebol.

Vale a pena ficar de olho em novas reprises. São 4 episódios. Veja o trailer aqui. O blog do Lúcio de Castro tem extenso material sobre a série.  Confira aqui as sessões de “Memórias do Chumbo” na edição carioca do CINefoot e na versão paulista do festival. Continuar lendo ““Memórias do Chumbo – O Futebol nos Tempos do Condor””

Eduardo Galeano de uma bela entrevista à série “Memórias do Chumbo – O Futebol nos Tempos do Condor”, do Lúcio de Castro.

Fut Pop Clube

Publicado em 5 de julho de 2010

Gostaria de indicar um livro que é (literalmente) um barato. “Futebol ao Sol e à Sombra” (coleção pocket da L&PM Editores), do escritor uruguaio Eduardo Galeano, um apaixonado por futebol. Durante o Mundial 2010, li no caderno ‘Copa 2010’ do Estadão que Diego Maradona incluiu obras de Galeano, autor de “As Veias Abertas da América Latina“, na bagagem da seleção argentina. Então, o repórter Jamil Chade bateu um fio para o autor também de “Futebol ao Sol e à Sombra” – disponível em edição de bolso. Modestamente, Galeano disse ao jornalista do Estadão que “o melhor livro de futebol é o que os jogadores escrevem com os pés”.
Gol de letra!

Pelo sim, pelo não, dá para ler um trechinho de “Futebol ao Sol e à Sombra”, livro do uruguaio no site da L&PM.

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João Sem Medo

Saiu em vídeo o excelente documentário “João Saldanha”, de André Iki Siqueira e Beto Macedo sobre “o comentarista que o Brasil inteiro consagrou”. Na revisão, chamaram minha atenção alguns depoimentos sobre a participações de Saldanha no rádio. José Carlos Araújo conta que João costumava escolher um ou outro “geraldino” na (hoje extinta) geral do Maracanã, para fazer seu comentário no rádio, como que batendo um papo imaginário com os torcedores.
Outro jornalista, Pedro Costa, conta que tinha técnico que fazia substituição com base nos comentários de Saldanha. O DVD tem o selo Coleção Canal Brasil.

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História da camiseta da “banda roja”

wpid-2012-12-25-12.02.34.jpgUniforme retrô do River Plate, réplica de uma camiseta (assim mesmo, com botões) de 1932. Com ela, os “millonarios” foram campeões em 1937, numa formação que incluía Moreno e Pedernera, do time que ficou conhecido como La Máquina – e Bernabé Ferreyra, e recebe homenagem no Museo River. Repare que o distintivo ainda era um círculo, com as iniciais CARP. Como já blogamos por aqui, o River foi fundado no bairro La Boca -como seu arquirrival- em 25 de maio de 1901, com um uniforme branco. O clássico uniforme da “banda roja”, a faixa diagonal vermelha, é coisa de 1905. Cinco moleques roubaram um fita vermelha de seda de um veículo, numa noite de Carnaval. O objetivo era colorir a camiseta do River. O hoje tradicional uniforme estreou numa partida contra o Maldonado, do bairro de Palermo. Continuar lendo “História da camiseta da “banda roja””

Ânimo, Tito

Xavi... FOTO Miguel Ruiz @ FCB FCBarcelona.cat
FOTO Miguel Ruiz @ FCB FCBarcelona.cat

Xavi e todo os jogadores do Barcelona entraram em campo no fim de semana com uma camiseta em homenagem ao técnico Tito Vilanova, que teve uma recaída no câncer (um tumor na glândula parótida, já extraído). Os atletas do Real Valladolid também entraram em campo com mensagens de ânimo para Tito, em castelhano. A recaída do técnico blaugrana provocou uma comoção no futebol espanhol. Continuar lendo “Ânimo, Tito”

Nada especial

Devo dizer que não tenho nenhuma simpatia pelo treinador apelidado de “especial”. Reconheço sua competência em títulos europeus e nacionais, mas não me agrada o jeito pouco gentil com que lida com os arquirrivais. Vamos combinar que dérbis como “El Clásico” não precisam de mais combustível. Condenar jogadores do Real Madrid porque se dão bem com atletas do Barcelona, colegas de seleção que são, é algo que nem os barras mais bravas, ou melhor, os mais ultras deveriam fazer.
Barrar o capitão dessa seleção espanhola, o goleiro Iker Casillas, jogador da base, ídolo natural, tem toda pinta de revanchismo.
E não adiantou nada. O Málaga venceu pela primeira vez o Real Madrid, que ficou 16 pontos atrás do líder, o maior rival.
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Libertadores 2013

A Pré-Libertadores promete ser uma parada dura para Grêmio e São Paulo, em janeiro.
O tricolor gaúcho joga contra a LDU (primeira partida em Quito; a segunda, na Arena do Grêmio).
O tricolor paulista decide contra o Bolívar – primeiro no Morumbi e depois em La Paz.
Se os gremistas passarem, entram no grupo do Fluminense. Se o São Paulo seguir adiante, jogará com Galo, Arsenal e Strongest. Confira os grupos da primeira fase. Continuar lendo “Libertadores 2013”

#ChampionsLeague: as oitavas de final da Liga dos Campeões.

(C) Uefa.com
(C) Uefa.com

Que jogões, hein? Barça x Milan! Man United x Real!
Camisa e tradição podem tornar esses duelos equilibrados, como de maneira geral, me parecem quase todos os confrontos de oitavas da Champions – talvez com um favoritismo maior para PSG e Porto contra Valencia e Málaga.
Na tabela acima, do site da Uefa, quem aparece em segundo lugar decide em casa – manda a segunda partida. Ida em fevereiro (dias 12, 13, 19 e 20. Volta em março (dias 5,6, 12 e 13).