Para Mané

Neste 20 de janeiro, Fut Pop Clube lembra livro, filmes e algumas músicas sobre o anjo de pernas tortas. O livro, escolha óbvia, é um clássico das biografias sobre ídolos populares. Estrela Solitária – Um Brasileiro Chamado Garrincha, de Ruy Castro, pela Companhia das Letras. Que inspirou um filme romanceado, Garrincha, Estrela Solitária, de Milton Alencar, com o ator André Gonçalves no papel de Mané; a bela Thaís Araújo interpreta Elza Soares . Pena que não bateu um bolão nem de crítica nem de bilheteria. Há ainda o documentário Garrincha, Alegria do Povo, do diretor cinema-novista Joaquim Pedro de Andrade, lançado em 1963, pouco depois do bi mundial da Seleção e do bi carioca do Botafogo (leia mais aqui).

Tem frevo para Garrincha
Tem frevo para Garrincha

Gostaria de lembrar de um sensacional frevo de Antonio Nóbrega que descobri por acaso. Garrincha não é a faixa 7, mas a 12 do primeiro volume do CD “Nove de Frevereiro“. Fala com encanto de “um bobo da corte, um herói brasileiro”… que “deixou pátria órfã, sem circo a nação”. Também presente no DVD do show de Nóbrega – capinha reproduzida ao lado.
O livro que o jornalista Beto Xavier lançou pela Panda cita um mambo que entrou na trilha sonora do filme Garrincha, Alegria do Povo. E muitas outras canções sobre o herói da estrela solitária (para Beto, Garrincha só perde de Pelé em nº de músicas). Mané mereceu um capítulo inteiro do livro Futebol no País da Música – páginas divididas com Elza Soares, que casou com o camisa 7  e gravou sambas do craque das pernas tortas.

Em abril de 2009, Fut Pop Clube publicou uma série de posts, graças ao Beto Xavier, “Futebol em 11 Ritmos“. Pedi ao Beto para indicar uma balada nota 10. A resposta dele está abaixo: Continuar lendo “Para Mané”

A semifinal de Manchester

Derby dramático na partida de ida por uma das semifinais da Copa da Liga Inglesa, a Carling Cup, 50 anos de tradição na terra da rainha. O Manchester City (flâmula ao lado esquerdo, tem a lista de todas as conquistas do clube, sensacional!) recebeu no seu estádio o arquirrival, o poderoso Manchester United (flâmula à esquerda). Os vermelhos saíram na frente: passe de Evra para Valência, cruzamento para Rooney, mas foi o eterno camisa 11 Giggs, livre livre, , quem abriu o placar. Passe de  Carlitos Tévez na esquerda para o rápido Bellamy, derrubado pelo brasileiro Rafael. Os red devils reclamaram, mas o juiz do pênalti. Que Tévez bateu. Indefensável para Van der Sar. Virou 1×1. No segundo tempo, Zabaleta deu um grande passe de cabeça para JKompany na direita, que cruzou e … quem mais se não Carlitos Tévez? Com uma cabeçada do argentino, o Manchester City virou o derby no seu estádio (City of Manchester) e segurou a vitória apesar da pressão total do United. Semana que vem, o jogo de volta, no estádio do Man Utd. Amanhã, a segunda partida da outra semifinal: Aston Villa x Blackburn Robers, em Birmingham. O time da cidade do Black Sabbath venceu a primeira: um a zero. A final da Carling Cup (a cinquentenária Copa da Liga Inglesa é patrocinada por essa cerveja) será no novo estádio de Wembley, em 28 de fevereiro.

Na Inglaterra, além do nome do patrocinador, a Copa da Liga é conhecida também como Football League Cup (veja o site aqui).  Não confundir com a mais-que-centenária Copa da Inglaterra, lá chamada FA Cup (aqui o link, no site da Football Association).

Começou o futebol

Não, este post não é para falar da rodada. Das vitórias de Grêmio, Internacional, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco, das goleadas do Palmeiras e do Santos (quanta novidade os grandes vencerem nos estaduais!), do vira que o São Paulo dançou diante da Portuguesa no Morumbi, do empate do Corinthians contra o Monte Azul. Blogar menos sobre resultados de partidas é uma das minhas promessas para 2010.

Este texto tem a ver com o começo do futebol no Brasil, que está diretamente ligado aos campeonatos estaduais, a partir de 1902!

Na verdade, gostaria de reproduzir uma indicação do seu Domingos D´Angelo, do grupo MemoFut, que discute literatura e memória do futebol. O artigo “O high society, o football e a galera agradecida”, do historiador e professor Sílvio Pêra, publicado na edição 75 da revista História Viva, de janeiro 2010, que está nas bancas. Oito páginas muito interessantes que mostram como o esporte importado da Inglaterra, no começo limitado à elite, se popularizou com a fundação de clubes ligados a fábricas e comunidades de imigrantes. Se você se interessa pela origem de grandes times brasileiros ou de simpáticos e tradicionais clubes como Juventus e Bangu, vale a pena comprar ou pelo menos ir até a banca e dar uma lida. O melhor é que o professor Sílvio Pêra prepara um livro sobre a história do futebol no país. Vem coisa boa por aí.

“O Dia em que o Brasil Esteve Aqui”

Pouco depois do Brasil assumir o comando da força de paz no Haiti, em 2004, o governo começou a agitar com a CBF um amistoso no país caribenho, então devastado apenas pela miséria, por golpes de estado, pelas consequências de cerca de 30 anos de ditadura dos Duvalier – “Baby Doc, Papa Doc”, como diz a letra de “Nome aos Bois“, paulada dos Titãs em certos tiranossauros.

O amistoso acabou rolando em agosto de 2004. A Seleção Brasileira levou suas feras ao Haiti. A goleada (6×0, fácil) foi o de menos. O que ficou na retina de quem acompanhou a cobertura do Jogo da Paz foi o desfile dos craques brasileiros (com os dois Ronaldos e tudo!) pelas ruas de Porto Príncipe, num blindado das Nações Unidas, para delírio do povo – sofrido é pouco. A passagem da Seleção em 2004 pela capital do Haiti – agora destruída pelo terremoto – virou documentário, O Dia em que o Brasil Esteve Aqui, de Caíto Ortiz e João Dornelas (dá para ver um trailer neste link).

Foi o segundo amistoso entre Brasil e Haiti, segundo o site da CBF.

O terror no continente da Copa

Os Bafana Bafana não se classificaram, mas com certeza a África do Sul está com dois olhos na 27ª Copa Africana de Nações, que começa hoje em Angola. Um, claro, para avaliar possíveis adversários, se é que a seleção treinada por Parreira passará da primeira fase. Costa do Marfim, Gana, Argélia, Camarões e Nigéria também estarão na Copa do Mundo.

O outro é para a questão da (in)segurança. Como sabemos, o ônibus da delegação de Togo foi metralhado por um grupo separatista da província angolana de Cabinda (Forças de Libertação do Estado de Cabinda-Posição Militar). O ataque provocou a morte de três pessoas. Togo tem todo direito de abandonar a competição – e espero que nenhuma entidade puna o futebol do país por isso. Mas o show, digo, a bola não vai parar. Aí é o dilema. Suspender as disputas seria dar o braço a torcer e fortalecer os terroristas.Manter os jogos da Copa Africana em Cabinda pode parecer um desrepeito às vítimas de Togo e representar uma ameaça aos elencos da Costa do Marfim, Gana e Burkina Faso, que devem jogar na província. Que a África do Sul e o Brasil abram os olhos para esse tipo de ameça nos próximos Mundiais. A segurança de jogadores, torcedores e jornalistas não pode ser negligenciada.

Maiores médias de público na Europa

O excelente sítio português Futebol Finance publicou hoje uma tabela com a média de espectadores e de ocupação dos estádios em 15 ligas europeias, temporada 2009/2010, até dezembro. E como alemães e ingleses gostam de futebol! A Bundesliga alemã lidera na média de público, assombrosa: 42.833 torcedores/jogo, contra 34.082 da Premier League inglesa. La Liga espanhola aparece em 3º: 28.568 espectadores. A Serie A italiana tem 23.877 tifosi/partite. Só que na média de ocupação das arenas, os ingleses são campeões: 92% contra 90% nas imensas e modernas arenas da Alemanha.

E se cabe aqui a comparação com o Brasileirão 2009, lá vai. Com média de 17.801 pagantes(a maior em 22 anos), o  Campeonato Brasileiro que terminou em dezembro ficaria em oitavo lugar na tabela apresentada pelo Futebol Finance. Atrás das médias de público nas primeiras divisões da Alemanha, Inglaterra, Espanha, Itália, França, Holanda e ainda da segunda divisão inglesa (a Championship, que leva em média 18.114 fãs/partida). Pouco acima da segunda divisão alemã (a 2.Bundesliga: 15.129). Um pouco mais de investimento em talentos, organização, conforto e marketing… e acho que o Brasileirão pode chegar perto da média italiana, em alguns anos.

Quanto aos patrícios, a liga portuguesa tem apenas a 12ª média: 10.141 adeptos por encontro. A taxa de ocupação daqueles maravilhosos estádios construídos para a Euro 2004 (apenas 45,3% por cento) é a lanterninha da tabela de 15 ligas nacionais europeias, apresentada por Futebol Finance(link para a tabela completa aqui).

O Futebol Musical Brasileiro de Pedro Lima

capaCDEstamos a 155 dias da Copa do Mundo. Será que este ano vamos ter uma ola de músicas sobre futebol? Tomara! Aproveito a participação do cantor Pedro Lima no capítulo 2 da minissérie Dalva e Herivelto – fez o papel do Ataulfo Alves cantando “Ai, que Saudades da Amélia”(repare no começo do vídeo) para republicar um post anterior, sobre “Futebol Musical Brasileiro Social Clube“. É o terceiro disco-solo de Pedro Lima. O vocalista escala 11 golaços da MPB que celebra o futebol-arte. Continuar lendo “O Futebol Musical Brasileiro de Pedro Lima”

Febre de Bola

Não para, não para, não para. A bola não para no futebol inglês. Fim de semana de terceira fase da FA Cup, a Copa da Inglaterra, competição mais antiga do mundo (desde 1871!).

O Leeds United, que atualmente disputa a League One, equivalente à 3ª divisão inglesa, acaba de eliminar o poderoso Manchester United, maior vencedor da competição. O Leeds fez um golzinho e segurou a pressão dos Red Devils – e em Manchester, hein? Lances emocionantes!

Jogo entre times de Londres, um da zona norte e outro da leste. O Arsenal – do coração do escritor Nick Hornby, autor do livro-que-deu-origem-ao filme Febre de Bola/Fever Pitch – eliminou o West Ham do coração do baixista Steve Harris. 2 a 1, de virada, na casa do West Ham, Upton Park. O brazuca/croata Eduardo Silva definiu a classificação do Arsenal, segue lutando pela sua 11ª copa (se faturar, empata com o Manchester).

Já o Chelsea – atual campeão – goleou o Watford, tão querido pelo Elton John: 5 a 0.
PREMIER LEAGUE

No penúltimo dia de 2009, Manchester United e Arsenal entraram em campo – e golearam. Continuar lendo “Febre de Bola”

Quanto vale o $eu time? (2009)

Publicado em 28/12/2009

Deu no esporte do Estadão deste domingo. A reportagem Marcas que valem uma fortuna (link aqui) mostra um estudo da Crowe Horwath RCS sobre o valor da marca de cada um dos 12 maiores clubes do país. Segundo a reportagem, a Crowe Horwath RCS leva em consideração torcida, receitas, marketing, estádio, bilheteria e mídia. Flamengo, Corinthians e São Paulo lideram o ranking, com valores acima de 500 milhões de reais. O Palmeiras vem em quarto, com 420 milhões. Inter e Grêmio disputam mais um Gre-Nal- no entanto, com cifras bem abaixo dos 4 líderes desse ranking. Colorado, 231 milhões; tricolor, 214. Num patamar abaixo, Cruzeiro (139) , Santos (135), Vasco (122). Depois, Fluminense, 109. Botafogo, 97. E supresa, o Atlético Mineiro (clube de massa, sempre liderando rankings de público nos campeonatos) aparece apenas em 12º, com 92 milhões de reais, segundo o estudo.

Esse ranking e os valores dos novos patrocínios de camisas que circulam por aí (Flamengo, R$28 milhões; Corinthians, até R$60 milhões, somando todos os patrocínios) me fez lembrar uma conversa de jornalistas-torcedores semana passada. Será que com essa concentração de renda, o Brasileirão (que já teve 14 campeões diferentes desde 1971) tende a ser dominado por três, quatro, cinco grandes clubes? Será que a lista dos campeões ficará mais restrita ao fechado clube dos que hoje são hexa (São Paulo, Flamengo), tetra (Corinthians, Palmeiras, Vasco) ou tri (Inter)? Com um Cruzeiro, Grêmio ou Santos beliscando de quando em vez? De maneira geral -e vamos ver como o Vasco vai se comportar em 2010-, são esses 8 ou 9 times que estão sempre brigando pelas vagas para a Libertadores. O que você acha?
Continuar lendo “Quanto vale o $eu time? (2009)”