A mais triste das jornadas esportivas

15241190_1503083466387401_7400566272436966969_n(Não é) uma quarta-feira qualquer. A esta hora, a Associação Chapecoense de Futebol estaria começando a decidir a Copa Sul-Americana 2016 contra o Atlético Nacional. Uma partida na Colômbia, outra no Brasil, na semana que vem.

O time de guerreiros (como o índio Condá que batiza o estádio municipal de Chapecó) comandado por Caio Júnior, estaria tentando jogar de igual para igual com o atual campeão da Libertadores.

Será que um de seus atacantes, como o cabeludo Kempes, o Ananias ou o ídolo Bruno Rangel, maior artilheiro da história da Chape, autor do tento que confirmou o acesso à primeira divisão do Brasileirão, apenas três anos atrás, dariam motivos para o Deva soltar seu inacreditável grito de gol? Ou que de repente o experiente Cleber Santana, com passagens por grandes clubes do Brasil e da Europa, faria o gol decisivo? Será que o goleiro Danilo faria mais um milagre, como fez muitas vezes este ano, no Brasileirão e na campanha da Sul-Americana?

Ganhando ou perdendo a Chape, os jornalistas e radialistas da Fox Sports, do grupo Globo, da RBS, das rádios catarinenses estariam lá contando uma história emocionante, o polêmico Mário Sérgio daria suas opiniões, o Ari Júnior nos brindaria com cada imagem de cinema…

Não importa mais o resultado.

Não importa nenhum resultado. Estamos diante da rodada mais triste da história do futebol brasileiro. Que Maracanazo, que tragédia do Sarrià, que 7 a 1 o quê! Perder é do jogo, ainda mais perder de um Uruguai já campeão do mundo, de uma squadra como a Azzurra de 1982, de uma Alemanha mais forte e muito mais organizada.

O que não é do jogo é perder de uma vez tantos dribles, tantos cruzamentos, tantos toques, tantos arremates, tantas defesas, tantas imagens, tantas pautas, tantos reportagens, tantos gritos de ….

Gooooooooooooollllllllllllll!!!!

Domingo ainda todos estavam aqui, no Allianz Parque, na transmissão da televisão, no jogo em que outro Verdão, o  Palmeiras, fez a sua maior festa em muitos anos. E agora… a Chape estava nas divisões nacionais do futebol há tão pouco tempo, mas para quem acompanha futebol parecia que estava desde sempre, gigante que era em Santa Catarina, cinco vezes campeã estadual em 43 anos de vida!

Que os que ficam nos vestiários, gramados e arquibancadas da Arena Condá, nas cabines de rádio e TV e nas redações saibam onde arrancar forças para tocar o barco – e poder contar para as próximas gerações a brava história deste lindo Verdão do Oeste.

Vamos, vamos Chape!

Continuar lendo “A mais triste das jornadas esportivas”

Uma paixão pela metade não é Real. O vídeo da Real Sociedad pela fidelidade a um time só.

Antes da partida deste domingo contra o Barcelona (que terminou empatada, um a um – jogar em Anoeta tem sido mesmo uma via crucis pro Barça), a Real Sociedad divulgou um criativo vídeo sobre a fidelidade a times de futebol.

Continuar lendo “Uma paixão pela metade não é Real. O vídeo da Real Sociedad pela fidelidade a um time só.”

“Barba, Cabelo & Bigode”: 24 de janeiro, 13h30, Canal Brasil.

“Barba, Cabelo & Bigode”: 24 de janeiro, 13h30, Canal Brasil.

Afonsinho, Paulo César Caju e Nei Conceição começaram as suas carreiras em meados dos anos 1960, num momento histórico de forte repressão política no país. Originalmente na condição de companheiros de uma consagrada geração de craques do Botafogo, não abriram mão da liberdade, justo quando a ditadura militar decidiu convocar a si própria para também entrar em campo. “Barba, Cabelo & Bigode”, vencedor da Taça CineFoot no Rio, abriu a edição paulista do festival Cinefoot 2016 e passa no Canal Brasil nesta terça, 24 de janeiro, 13h30, no Canal Brasil.

14991391_1460011347377255_7275535782103572982_o
BARBA, CABELO & BIGODE. O filme de Lucio Branco abre o Cinefoot 2016 em Sampa, nesta terça, 20h, auditório do Museu do Futebol.

Deixa falar! Como pede o clássico samba de Nelson Petersen eternizado por Carmen Miranda, o documentário “Barba, Cabelo & Bigode”, de Lucio Branco, deixa Afonsinho, Paulo César Caju e Nei Conceição falarem à vontade. Deixa o trio falar e também deixa jogar… em preciosas imagens de arquivo, muitas fotos e até batendo uma bola.  Eram anos gloriosos para o Botafogo, embora Afonsinho e Caju nem sempre tenham sido tratados como deveriam pelo clube. Acabaram saindo.

O filme de Lucio Branco é mais uma produção a demonstrar a amorosa relação entre música e futebol. Por exemplo, ficamos sabendo da paixão de Paulo César Caju pela música negra e pelo discos – chegou a ter mais de 2 mil LPs de vinil. Tem Gilberto Gil e sua “Meio de Campo”, em forma de carta a Afonsinho… Bob Marley louco para jogar bola com os craques brasileiros… e os Novos Baianos que jogaram muitas peladas ao lado de Afonsinho e Nei Conceição. Inclusive o Moraes Moreira se define como uma mistura de Dario (Dadá Maravilha, Dadá Peito de Aço) e Roberto Dinamite !!! Veja o trailer:  Continuar lendo ““Barba, Cabelo & Bigode”: 24 de janeiro, 13h30, Canal Brasil.”

Tanti auguri!

img_20161127_193340
Flâmula do Palmeiras

Saudamos o Palmeiras, grande campeão brasileiro de 2016, depois de 22 anos do último título do campeonato nacional. Foram 29 rodadas com o time de Cuca na liderança. O palmeirense pode saborear o gostinho de ir ganhando o campeonato rodada a rodada pela primeira vez desde que foi implantado o sistema de pontos corridos no Brasileirão (2003). Segunda grande conquista no Allianz Parque, em dois anos de casa nova (a primeira foi a Copa do Brasil 2015).  O parque está sempre cheião!

O Verdão tem nove títulos do Campeonato Brasileiro, e pode se considerar eneacampeão, de acordo com a unificação de Taça Brasil, Robertão e Brasileirão feita pela CBF, para alegria de palmeirenses e santistas: Continuar lendo “Tanti auguri!”

Dos oceanos para os gramados: uma camisa feita com 28 garrafas plásticas recicladas.

facebook.com/RealMadrid/
facebook.com/RealMadrid/

Na vitória deste sábado contra o Sporting de Gijón (2×1), o Real Madrid usou uma variação do seu atual uniforme 1, feito com material reciclado pela Adidas numa parceria com a Parley for the Oceans. Também reciclada foi a camisa vermelha que o Bayern de Munique usou no empate (1×1) contra o Hoffenheim, em 5 de novembro.
453492

Os uniformes, usados apenas nessas únicas partidas, são produzidos a partir de detritos de plástico marinho, e já podem ser encontrados em lojas brasileiras. Segundo o Facebook do Real Madrid, cada camiseta usou 28 garrafas de plástico. Sustentável, mas nas lojas, para o torcedor, o preço é aquele mesmo. Alto.
Os distintivos dos clubes, as três listras da Adidas e as marcas dos patrocinadores – impressos à base de água – ficaram na mesma cor das camisas. Continuar lendo “Dos oceanos para os gramados: uma camisa feita com 28 garrafas plásticas recicladas.”

Rogério Ceni no banco

Ao som de “Hell’s Bells”, clássico do AC/DC (a música com que o São Paulo entrava em campo no Morumbi puxado pelo camisa 01), o tricolor paulista anunciou hoje seu novo técnico.


Até as máquinas rotativas dos jornais já sabiam. Rogério Ceni vai ser o técnico do São Paulo em 2017. Não fez nem um ano que o goleiro-artilheiro pendurou luvas e chuteiras, numa bela festa no Morumbi (11 de dezembro de 2015).fb_img_1449869451880-1

Quando o jovem Ceni chegou ao clube, em setembro de 1990, o mestre Telê Santana era o treinador do São Paulo. Ao longo de seus 25 anos no tricolor, Rogério trabalhou com treinadores como (entre outros) Muricy, Paulo Autuori, Levir Culpi, Juan Carlos Osorio, Bauza – na seleção, esteve com Felipão e Luxemburgo.  Algo deve ter aprendido, somando a sua experiência como goleiro tricampeão brasileiro, campeão da Libertadores e Mundial de Clubes. Suas entrevistas antes e depois dos jogos continham análises realistas de sua equipe e do adversário. Em 2016, pouco se ouviu falar dele, quase nenhum pitaco sobre a campanha do semifinalista na Libertadores, nem a péssima trajetória no Brasileirão. Ceni estava em outra, se preparando para assumir o cargo almejado mesmo antes da aposentadoria como atleta. Fez curso, visitas importantes.

O argentino Jorge Sampaoli, que levou o Chile ao título de Copa América, o alemão Jürgen Klopp (hoje no Liverpool), e o ex-chefe, o colombiano Osório (técnico do México), são citados como referências. Leio aqui e ali sobre o estilo de jogo desejado, ofensivo, com muita posse de bola, marcação desde o atacante. Resta saber os recursos humanos que Ceni terá. Hoje o elenco do São Paulo é fraco.

É cedo? Talvez. Mas futebol brasileiro está mesmo precisando de ideias novas, de novos nomes. Toda vez que um grande clube fica sem técnico, os nomes ventilados são quase sempre os mesmos. Abel, Luxa, Autuori, Levir, Marcelo Oliveira, Carpegiani, Oswaldo, Dunga, até Joel.  Continuar lendo “Rogério Ceni no banco”