São Paulo e Libertadores

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Os Libertadores da América Raí e Telê, segundo traço de Baptistão.

O São Paulo disputou 5 Libertadores antes da Taça de 92. Bateu na trave em 74, como bateria em 94 e 2006. Curiosamente, a campanha do bicampeonato 92/93 começou com uma derrota. Campeão Brasileiro, o Tricolor de Telê Santana foi a Santa Catarina e tomou um 3×0 do campeão da Copa do Brasil, o Criciúma  de Jairo Lenzi e de um treinador chamado… Luiz Felipe Scolari! Lembro-me que quem passou essa partida para SP foi a TV Jovem Pan, que ficava no canal 16 UHF, e tinha como narrador o Milton Leite (hoje no Sportv). Da Bolívia, o São Paulo voltou com um 3×0 sobre o San José de Oruro e um empate com o Bolívar. No Morumbi, devolveu a goleada ao time de Felipão com juros e correção: 4×0. Empatou com o San José e dobrou o Bolívar. Nas oitavas, contra o Nacional, no Uruguai, o São Paulo perdeu o jogo e Zetti, expulso. No Morumbi, os zagueiros Antonio Carlos e Ronaldão fizeram 2 gols e o goleiro reserva Alexandre não tomou nenhum (Alexandre morreria em acidente de carro). Nas quartas, de novo o Criciúma pela frente. 1×0 no Morumbi e 1×1 no Heriberto Hulse levaram o Tricolor para a semifinal contra o Barcelona do Equador. 3×0 no Morumbi e 2×0 em Guaiaquil. Aos trancos e barrancos, o São Paulo chegou à final contra o Newell´s Old Boys, da Argentina. Em Rosario, 0x1. Segunda e última partida no Morumbi: tentei ir ao estádio com um amigo, mas sem ingresso, desistimos no caminho totalmente congestionado e acabamos vendo pela TV. Foi o jogo do “Zetti! Zetti! Zetti” (imagine Galvão Bueno gritando). Muito sofrimento até um pênalti meio mandrake, convertido por Raí. Na decisão por pênaltis, baixou o São Waldir Peres em Zetti. Telê acabava de vez com a pecha de pé-frio. São Paulo, enfim, campeão da Libertadores da América! O gramado do Morumbi foi tomado pela festa. Taça levantada pelo capitão Raí, num timaço que ainda tinha Cafu, Palhinha, Muller, Macedo…

Na campanha do bi, o Tricolor entrou direto nas oitavas. Pela frente, de novo os argentinos do Newell´s. O 0x2 em Rosario foi compensado com um 4×0 no Morumbi. Mais mata-mata de arrepiar o coração: Flamengo. 1×1 no Maraca. Gols de Muller e Cafu no Morumbi classificaram o São Paulo para a semifinal contra o Cerro Porteño. Um a zerinho aqui e 0x0 no Paraguai. Segunda final seguida, agora contra os chilenos da Universidad Católica. Na primeira partida, em São Paulo, o Tricolou demorou um pouco para furar a retranca da Católica. Depois, foi um show: 5×1. E o grito de “bicampeão!” tomou conta do Morumbi. Mas que são-paulino não sentiu um frio na espinha quando os chilenos fizeram 2×0 em Santiago? Ainda bem que ficaram nisso.  Raí levantou mais uma Taça antes de seguir para o PSG, da França. Mestre Telê era bicampeão das Américas!

O São Paulo só perdeu nos pênaltis (e nos acréscimos não dados) o inédito tri em 94, contra o Vélez do goleiro Chilavert e do treinador Carlos Bianchi, um copeiro danado. A maldição de uma das noites mais tristes da história do Morumbi demorou pra ser quebrada. O São Paulo só voltou à competição em 2004. Vacilou no finzinho da semifinal contra o Once Caldas.

Rogério Ceni, Fabão, Lugano e Alex; Cicinho (Souza), Mineiro, Josué, Danilo e Júnior; Amoroso (Tardelli) e Luizão. Este é o bom time da terceira Libertadores tricolor, num 3-5-2 sacramentado por Leão, que abandonou o navio no meio da competição, e mantido por Paulo Autuori, que já tinha a Copa de 97 pelo Cruzeiro. Contra o Stongest da Bolívia, Universidad de Chile e Quilmes, o São Paulo sempre venceu em casa e empatou fora (lembram-se daquele mal explicado episódio da prisão do argentino Desábato?) . Emoção mesmo nas oitavas, clássico contra o Palmeiras. No Palestra, Tricolor 1×0, uma booomba de Cicinho. No Morumbi, 2×0: Cicinho de novo e Rogério, de pênalti. Aliás,  Rogério Ceni fez cinco gols na campanha. Dois na goleada contra o Tigres, do México, no Morumbi. No jogo de volta, a única derrota, por 2×1. Passo decisivo para conquista foi dado na semifinais contra o River Plate. Duas vitórias. Show de Danilo e Amoroso, contratado pouco antes, para o lugar de Grafite, machucado. Grafite que também foi importante na campanha, enquanto jogou. Na grande final contra o Atlético Paranaense, a primeira entre brasileiros, polêmica: o São Paulo usou o regulamento que não permitia decisão em estádio com a capacidade da Arena da Baixada. Levou o 1º jogo pra Porto Alegre, voltou com um empate. Numa noite iluminada no Morumbi, Amoroso fez 1×0. Pênalti para o Atlético no finzinho do primeiro tempo. Fora! No segundo tempo, marcaram Fabão, Luizão (seu 14º gol em Libertadores) e o reserva Diego Tardelli (golaço). Enfim, Rogério, esta Taça é sua.

Em 2006, o Tricolor bateu na trave de novo. Perdeu as finais para o Inter de Fernandão, Tinga, Alex, Jorge Wagner, Rafael Sóbis e do técnico Abel.

Seis finais, com três conquistas e três vices. Será que o tetra vem em 2009?

JOGOS DO SÃO PAULO NA LIBERTADORES 2009
(p.s.: atualizo resultados após as partidas)

18/02 – São Paulo 1×1 Independiente de Medellin (Morumbi)

05/03 – América 1×3 São Paulo (Cáli, Colômbia)

18/03 – Defensor 0x1 São Paulo (Montevidéu)

09/04 – São Paulo 2×1 Defensor  (Morumbi)

15/04 – Independiente 2×1 São Paulo (Medellin)

22/04 – São Paulo 2×1 América (Morumbi)

3 comentários sobre “São Paulo e Libertadores

  1. Boas recordações, hein Jota? Alguns dos momentos que teremos a obrigação de narrar a netos, bisnetos e a qualquer bom são- paulino que busque ainda mais motivos para valorizar o passado desse nosso tão glorioso clube!!!

  2. Daniel, aquele time de 2005 dá para lembrar de cor e salteado, não? Alas que jogavam como alas, se bem que o Cicinho ainda poderia ter ido mais ainda à linha de fundo. Em seus poucos jogos com a camisa Tricolor, Amoroso jogou bola e teve raça. Danilo, tão criticado, faz falta…
    A defesa não era tão técnica como as formadas de 2006 para cá, mas tinha o comando e a garra do Lugano, não?

  3. Tempos que o São Paulo dominava o futebol Brasileiro e o Continente Americano. Tempos em que esbanjava categoria, raça, bom futebol, equilíbrio em todos os setores, jogadores que não tinham tanta estrela mas que cresciam em todos os sentidos dentro de campo. Saudades.

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