Rolê por Sarrià com Wilmar Cabrera

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Gullit? Quase! É o jornalista colombiano Wilmar Cabrera, autor do livro “Los Fantasmas de Sarrià Visten de Chandal”

O jornalista colombiano Wilmar Cabrera guiou o Rolê do Fut Pop Clube pelo quarteirão onde até 1997 estava o estádio que recebeu uma das maiores partidas da história das Copas. 5 de julho de 1982. O Sarrià, que pertencia ao Espanyol, de Barcelona, viu Brasil 2×3 Itália. O ex-boleiro vive há 5 anos em Barcelona, onde cursou um Master de Criação Literária na Universidade Pompeu Fabra. E seu livro “Los Fantasmas de Sarrià Visten de Chándal” (Editorial Milenio), tema do post anterior, mostra a qualidade do texto deste “futbolero” apaixonado pelo Millonarios, de seu país natal, simpatizante do Espanyol e do Europa, ambos de Barcelona – todos blanquiazules. E pela Squadra Azzurra.

Sarrià, 19/04/1988 http://www.facebook.com/photo.php?fbid=10151564454859834&set=pb.322865159833.-2207520000.1369353063.&type=3&theater
Sarrià, 19/04/1988. O Espanyol vence o Brugge na prorrogação na semifinais da Copa da Uefa (equivalente à Europa League de hoje). Nas finais, o RCDE perdeu do Bayer Leverkusen.
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Sarrià, *1923 + 1997

Wilmar Cabrera sabe de cor e salteado onde aconteceu cada um dos cinco gols daquele “partidazo” – pra ele, uma obra-prima. O jornalista colombiano – @WcGullit no Twitter – estudou praticamente cada “take” do vídeo daquele Brasil x Itália, que nós brasileiros chamamos de “tragédia do Sarriá” (grafia do nome do bairro em castelhano). Para os torcedores do Espanyol, tragédia do Sarrià (aí em catalão) certamente foi a demolição do estádio – bem no coração de Barcelona! – por causa das dívidas do clube. O estádio foi demolido… o terreno vendido para incorporadoras imobiliárias que construíram belos prédios (foto abaixo). O clube andou pelas montanhas de Montjuic (estádio olímpico de Barcelona) até a temporada 2008/09 e finalmente inaugurou uma nova e moderna arena, na cidade vizinha de Cornellà-El Prat (confira rolê do blog num dia de Espanyol x Valladolid, com direito aos torcedores “pericos” cantando uma adaptação de um grande sucesso de Gal Costa). Mas o RCDE continua endividado…

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No lugar da emoção do futebol – e como teve emoção em 5/7/82 – um condomínio tranquilo.

Do velho estádio Sarrià, sobraram as imagens do You Tube e arquivos da Copa 82 na TV, as memórias de torcedores do Espanyol e de fissurados por bom futebol como Wilmar Cabrera, você e eu… e pouco mais. Uma placa no meio do jardim entre os edifícios residenciais…
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Praças com os nomes do goleiro Zamora, ícone da história do Espanyol e de La Roja, a seleção espanhola… e do fundador do clube, Angel Rodríguez.
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No bar inaugurado pouco antes do Mundial disputado na Espanha, já com o nome Sarriá 82, o gentil Basilio lembra com saudade da farra que os torcedores brasileiros fizeram antes da “tragédia”. Ele nunca viu tanta alegria antes… mas em compensação, depois do apito final… Pena que o bar Sarriá 82 não tenha uma flâmula, uma foto, um pedacinho de grama… Receio de provocar desavenças entre os torcedores dos rivais catalães.

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Bar Sarriá 82, no bairro Sarrià

Foi no bar que o Fut Pop Clube bateu um agradável papo sobre 1982, o futebol de hoje e o jornalismo esportivo com Wilmar Cabrera, craque das letras. Mais fotos dentro do post.
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Livro: “Los Fantasmas de Sarrià Visten de Chándal”

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Pela revista espanhola Mediapunta (ver post anterior), fiquei sabendo do livro do jornalista colombiano Wilmar Cabrera: Los Fantasmas de Sarrià Visten de Chándal (lançado em castelhano pela Editorial Milenio, da Catalunha, em junho 2012). É uma elaborada mistura de ficção e realidade, memória e fatos, bolada pelo jornalista colombiano radicado em Barcelona há 5 anos. E como o nome sugere, o futebol brasileiro é um dos personagens principais, já que a derrota da seleção de Telê Santana para a Itália de Bearzot, Zoff, Gentile e Rossi (três vezes Paolo Rossi…) no Mundial de 1982 está em todo o livro. É o que chamamos aqui de a “tragédia do Sarrià” – para Wilmar Cabrera, guardadas as proporções o “11 de setembro do futebol brasileiro”.  Sarrià é o nome do bairro de classe média alta de Barcelona, que emprestou seu nome para o estádio do RCD Espanyol, entre 1923 e 1997. Em 21 de junho daquele ano, o Espanyol jogou sua última partida no Sarrià, Dá para imaginar a dor dos torcedores blaquiazules ao testemunhar a demolição de seu estádio. Comparável talvez à dor do torcedor brasileiro, depois da derrota para a Squadra Azzurra. Torcer para a Seleção Brasileira nunca mais foi a mesma coisa. O que o brasileiro precisa entender é que a Itália também tinha um timaço – e contava com a preferência – surpresa!- do autor, Wilmar Cabrera, por razões sentimentais. Na Colômbia, ele é torcedor dos Millonarios. No álbum da Copa de 78, escolheu uma seleção com as cores do seu time de coração. Deu Itália. Preferência mantida em 1982. Se o Brasil de Telê jogava por samba – como o “Voa Canarinho” cantado por Júnior -, para Wilmar Cabrera a Itália era uma orquestra de jazz.
Alguma editora tem a manha de lançar Los Fantasmas de Sarrià Visten de Chándal no Brasil?
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“Sangue, Swingue e Cintura” / “Milagre da Alegria”

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“Sangue, Swingue e Cintura” / “Milagre da Alegria” são os lados A e B de um compacto de vinil, que o flamenguista Moraes Moreira lançou pouco antes da Copa de 1982, pela gravadora Ariola. “Sangue, Swingue e Cintura” fala da seleção de Telê, o “fio de esperança”, canta os craques Zico e Sócrates (“só craque doutor!”), lembra de Pelé e Garrincha. A canção citada em livros como o do Beto Xavier e do Marcelo Mora é uma das muitas de Moraes sobre futebol – confira comigo no replay como foi o show Jogando por Música, feito muito por conta do Mundial de 2010. Continuar lendo ““Sangue, Swingue e Cintura” / “Milagre da Alegria””

O garoto da capa

Neymar está na capa da revista “Time”, edição para Europa, Oriente Médio e Europa.

(C) Santosfc.com.br
(C) Santosfc.com.br

A gente fica sabendo disso menos de 24 depois do bafafá criado pelas declarações de Pelé sobre o dia a dia do garoto…

Neymar deve ter muito a ver com o bolão que o canal do Santos no You Tube está batendo (a página Santos TV é a campeã entre os clubes brasileirs). Claro, além de um trabalho muito bem feito pelo pessoal, como Fut Pop Clube aqui é testemunha.
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A nova família Scolari

Saiu a 1ª convocação da nova fase de Felipão no comando do escrete canarinho. Primeiro teste de fogo: Inglaterra, 6 de fevereiro, Wembley, 150 anos da FA.
Goleiros: Diego Alves (Valencia), Julio César (Queens Park Rangers)
Laterais: Adriano, Daniel Alves, Filipe Luís (Atlético de Madrid)
Zagueiros: Dante (Bayern), David Luiz, Leandro Castán (Roma), Miranda (Atlético de Madrid)
Volantes: Arouca, Hernanes, Paulinho, Ramires
Meias: Lucas (agora no PSG), Oscar, Ronaldinho Gaúcho
Atacantes: Fred, Hulk, Luís Fabiano, Neymar. Continuar lendo “A nova família Scolari”

Football Association. 150 anos da federação inglesa.

theFA.com
theFA.com

Agora em 2013 a federação inglesa – The Football Association – completa 150 anos! A F.A. foi fundada em 1863. E como você sabe, o Brasil vai fazer parte da festa.

Em 6 de fevereiro, o English Team recebe a Seleção Brasileira no estádio de Wembley. Será a (re)estreia de Luiz Felipe Scolari como técnico do Brasil.

As duas seleções voltam a se enfrentar em 2 de junho. Data marcada para a primeira partida da seleção brasileira no novo Maracanã. Continuar lendo “Football Association. 150 anos da federação inglesa.”

“Veneno Remédio – O Futebol e o Brasil”

Logo cedo, recebi a dica de seu Domingos D´Angelo, do Memofut, grupo que discute literatura e memória do futebol: o belíssimo texto de José Miguel Wisnik sobre as opções do futebol brasileiro, em especial da seleção, numa edição especial do caderno “Aliás”, “Travessia 2012/2013”, no “Estadão” deste domingo.

Assino embaixo a recomendação do amigo do Memofut. Vale a pena ler “Um espectro à procura da bola”, de José Miguel Wisnik – compositor, ensaísta e professor de Literatura Brasileira (clique aqui para ir à página no “Estadão”, acesso livre).

Pra quem gostar do toque de bola refinado de Wisnik, posso recomendar a leitura do livro  “Veneno Remédio – O Futebol e o Brasil” (Companhia das Letras, 2008).

companhiadasletras.com.br/
Companhia das Letras

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“Memórias do Chumbo – O Futebol nos Tempos do Condor”

Memórias do Chumbo – O Futebol nos Tempos do Condor. IMAGEM : Flickr.com/photos/Cinefoot
 Flickr.com/photos/Cinefoot

Em janeiro fez 31 anos que o Uruguai organizou a Copa de Ouro, mais conhecida como Mundialito. A Copa de Oro reuniu em 1981, no estádio Centenário de Montevidéu, as seleções até então campeãs mundiais de futebol. A Celeste, dona da casa, a Alemanha, a Argentina, o Brasil, a Itália e no lugar da Inglaterra, a Holanda. O Mundialito foi organizado pelo governo militar uruguaio para promover o regime, num período de plebiscito. Está num dos quatro episódios da excelente série de Lúcio de Castro, “Memórias do Chumbo – O Futebol nos Tempos do Condor”, que a ESPN Brasil estreou no final de 2012. E foi selecionado para a mostra competitiva do festival CINEfoot, no Rio e São Paulo.

E o episódio sobre o Uruguai é um dos melhores da série. Falando em bom português, o escritor uruguaio Eduardo Galeano – que é apaixonado por futebol – diz que, ao organizar o Mundialito com fins políticos, o governo uruguaio viu o tiro sair pela culatra. Durante a final (Uruguai 2×1, sobre o Brasil de Telê), no Centenário, o povo vaiou bandas militares e gritou o refrão:

“Se va a acabar, se va a acabar, la dictadura militar”

O episódio que mostra o uso do futebol pelo poder político-militar no Uruguai ainda tem depoimentos como os de

  • Lilian Ceriberti, sequestrada pela Operação Condor, orquestração repressiva coordenada pelas ditaduras de países como Argentina, Brasil, Chile e Uruguai. Entre os torturadores de Lilian, estava (pasmem!) um ex-jogador de futebol brasileiro (Didi Pedalada);

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  • Gerardo Caetano, historiador, ex-jogador do Defensor Sporting, que conta como os jogos do Defensor viraram uma espécie de catalisadores dos protestos políticos, incluindo até volta olímpica pela esquerda. Parênteses: no mínimo curioso e digno de aplauso que um país tenha entre seus intelectuais um ex-jogador como Gerardo Caetano e um fã, como Eduardo Galeano!

O episódio sobre o Brasil fala, por exemplo, da derrocada de João Saldanha do comando da seleção brasileira. O da Argentina, dos gritos dos torturados na ESMA enquanto a torcida vibrava com as vitórias da seleção alviceleste no Monumental de Nuñez, na Copa de 78. E o do Chile, do centro de prisão e tortura que virou o estádio Nacional e da coragem do jogador Carlos Caszely, que se recusou a apertar a mão do ditador Pinochet. E muito mais, como a omissão de cartolas dos mais poderosos do mundo do futebol.

Vale a pena ficar de olho em novas reprises. São 4 episódios. Veja o trailer aqui. O blog do Lúcio de Castro tem extenso material sobre a série.  Confira aqui as sessões de “Memórias do Chumbo” na edição carioca do CINefoot e na versão paulista do festival. Continuar lendo ““Memórias do Chumbo – O Futebol nos Tempos do Condor””

João Sem Medo

Saiu em vídeo o excelente documentário “João Saldanha”, de André Iki Siqueira e Beto Macedo sobre “o comentarista que o Brasil inteiro consagrou”. Na revisão, chamaram minha atenção alguns depoimentos sobre a participações de Saldanha no rádio. José Carlos Araújo conta que João costumava escolher um ou outro “geraldino” na (hoje extinta) geral do Maracanã, para fazer seu comentário no rádio, como que batendo um papo imaginário com os torcedores.
Outro jornalista, Pedro Costa, conta que tinha técnico que fazia substituição com base nos comentários de Saldanha. O DVD tem o selo Coleção Canal Brasil.

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