Ora, bolas! O futebol pelo mundo

Anfiteatro de El Jem, Mahdia, Tunísia FOTO Caio Vilela

Jogar bola no anfiteatro da foto acima, na Muralha da China, nas ilhas Galápagos… Onde o fotógrafo Caio Vilela encontrava gente batendo bola, clicava. São dele 37 das 51 fotos expostas na exposição Ora, Bolas! O Futebol Pelo Mundo, que fica no Museu do Futebol, em São Paulo, até 11 de abril. Numa vitrine, dá para ver as gorduchinhas usadas nas Copas do Mundo desde 1970. No fim do ano passado, saiu um livro com as fotos de Caio Vilela pelos quatro cantos do mundo. Pra quem estiver em São Paulo no feriadão, pode ser uma bom programa conhecer ou rever essa e outras atrações do Museu. Às quintas-feiras, a visita é de graça. Continuar lendo “Ora, bolas! O futebol pelo mundo”

Para Mané

Neste 20 de janeiro, Fut Pop Clube lembra livro, filmes e algumas músicas sobre o anjo de pernas tortas. O livro, escolha óbvia, é um clássico das biografias sobre ídolos populares. Estrela Solitária – Um Brasileiro Chamado Garrincha, de Ruy Castro, pela Companhia das Letras. Que inspirou um filme romanceado, Garrincha, Estrela Solitária, de Milton Alencar, com o ator André Gonçalves no papel de Mané; a bela Thaís Araújo interpreta Elza Soares . Pena que não bateu um bolão nem de crítica nem de bilheteria. Há ainda o documentário Garrincha, Alegria do Povo, do diretor cinema-novista Joaquim Pedro de Andrade, lançado em 1963, pouco depois do bi mundial da Seleção e do bi carioca do Botafogo (leia mais aqui).

Tem frevo para Garrincha
Tem frevo para Garrincha

Gostaria de lembrar de um sensacional frevo de Antonio Nóbrega que descobri por acaso. Garrincha não é a faixa 7, mas a 12 do primeiro volume do CD “Nove de Frevereiro“. Fala com encanto de “um bobo da corte, um herói brasileiro”… que “deixou pátria órfã, sem circo a nação”. Também presente no DVD do show de Nóbrega – capinha reproduzida ao lado.
O livro que o jornalista Beto Xavier lançou pela Panda cita um mambo que entrou na trilha sonora do filme Garrincha, Alegria do Povo. E muitas outras canções sobre o herói da estrela solitária (para Beto, Garrincha só perde de Pelé em nº de músicas). Mané mereceu um capítulo inteiro do livro Futebol no País da Música – páginas divididas com Elza Soares, que casou com o camisa 7  e gravou sambas do craque das pernas tortas.

Em abril de 2009, Fut Pop Clube publicou uma série de posts, graças ao Beto Xavier, “Futebol em 11 Ritmos“. Pedi ao Beto para indicar uma balada nota 10. A resposta dele está abaixo: Continuar lendo “Para Mané”

A semifinal de Manchester

Derby dramático na partida de ida por uma das semifinais da Copa da Liga Inglesa, a Carling Cup, 50 anos de tradição na terra da rainha. O Manchester City (flâmula ao lado esquerdo, tem a lista de todas as conquistas do clube, sensacional!) recebeu no seu estádio o arquirrival, o poderoso Manchester United (flâmula à esquerda). Os vermelhos saíram na frente: passe de Evra para Valência, cruzamento para Rooney, mas foi o eterno camisa 11 Giggs, livre livre, , quem abriu o placar. Passe de  Carlitos Tévez na esquerda para o rápido Bellamy, derrubado pelo brasileiro Rafael. Os red devils reclamaram, mas o juiz do pênalti. Que Tévez bateu. Indefensável para Van der Sar. Virou 1×1. No segundo tempo, Zabaleta deu um grande passe de cabeça para JKompany na direita, que cruzou e … quem mais se não Carlitos Tévez? Com uma cabeçada do argentino, o Manchester City virou o derby no seu estádio (City of Manchester) e segurou a vitória apesar da pressão total do United. Semana que vem, o jogo de volta, no estádio do Man Utd. Amanhã, a segunda partida da outra semifinal: Aston Villa x Blackburn Robers, em Birmingham. O time da cidade do Black Sabbath venceu a primeira: um a zero. A final da Carling Cup (a cinquentenária Copa da Liga Inglesa é patrocinada por essa cerveja) será no novo estádio de Wembley, em 28 de fevereiro.

Na Inglaterra, além do nome do patrocinador, a Copa da Liga é conhecida também como Football League Cup (veja o site aqui).  Não confundir com a mais-que-centenária Copa da Inglaterra, lá chamada FA Cup (aqui o link, no site da Football Association).

Começou o futebol

Não, este post não é para falar da rodada. Das vitórias de Grêmio, Internacional, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco, das goleadas do Palmeiras e do Santos (quanta novidade os grandes vencerem nos estaduais!), do vira que o São Paulo dançou diante da Portuguesa no Morumbi, do empate do Corinthians contra o Monte Azul. Blogar menos sobre resultados de partidas é uma das minhas promessas para 2010.

Este texto tem a ver com o começo do futebol no Brasil, que está diretamente ligado aos campeonatos estaduais, a partir de 1902!

Na verdade, gostaria de reproduzir uma indicação do seu Domingos D´Angelo, do grupo MemoFut, que discute literatura e memória do futebol. O artigo “O high society, o football e a galera agradecida”, do historiador e professor Sílvio Pêra, publicado na edição 75 da revista História Viva, de janeiro 2010, que está nas bancas. Oito páginas muito interessantes que mostram como o esporte importado da Inglaterra, no começo limitado à elite, se popularizou com a fundação de clubes ligados a fábricas e comunidades de imigrantes. Se você se interessa pela origem de grandes times brasileiros ou de simpáticos e tradicionais clubes como Juventus e Bangu, vale a pena comprar ou pelo menos ir até a banca e dar uma lida. O melhor é que o professor Sílvio Pêra prepara um livro sobre a história do futebol no país. Vem coisa boa por aí.

Paralamas, Rock in Rio, 16/01/1985

Herbert Vianna Jr ainda usava óculos quando os Paralamas dos Sucesso arrebentaram no palco do primeiro Rock in Rio, há 25 anos. Formação básica: guitarra, baixo, bateria. Não precisava mais.  Em novembro de 2007, saiu um DVD com a segunda apresentação do trio no Rock in Rio de 1985. O festival que reuniu milhares de jovens coincidiu com um momento importante da política brasileira. Na véspera desse segundo show dos Paralamas na Cidade do Rock houve a eleição (indireta) de Tancredo Neves, um nome de consenso (era a palavra usada) para a Presidência da República, após 21 anos de regime  militar (como a gente sabe, Tancredo ganhou a eleição, mas pouco antes de tomar posse foi hospitalizado e, depois de longa agonia, morreu em abril de 1985 – o vice de sua chapa, José Sarney, governou até o fim do mandato). Mas em janeiro, Tancredo era sinônimo de esperança para os brasileiros, meio desiludidos pela derrota das Diretas-Já para presidente (só viriam em 1989). E os Paralamas aproveitaram para tocar o mega sucesso do Ultraje a Rigor, Inútil(“a gente não sabemos escolher presidente…“).  Continuar lendo “Paralamas, Rock in Rio, 16/01/1985”

“O Dia em que o Brasil Esteve Aqui”

Pouco depois do Brasil assumir o comando da força de paz no Haiti, em 2004, o governo começou a agitar com a CBF um amistoso no país caribenho, então devastado apenas pela miséria, por golpes de estado, pelas consequências de cerca de 30 anos de ditadura dos Duvalier – “Baby Doc, Papa Doc”, como diz a letra de “Nome aos Bois“, paulada dos Titãs em certos tiranossauros.

O amistoso acabou rolando em agosto de 2004. A Seleção Brasileira levou suas feras ao Haiti. A goleada (6×0, fácil) foi o de menos. O que ficou na retina de quem acompanhou a cobertura do Jogo da Paz foi o desfile dos craques brasileiros (com os dois Ronaldos e tudo!) pelas ruas de Porto Príncipe, num blindado das Nações Unidas, para delírio do povo – sofrido é pouco. A passagem da Seleção em 2004 pela capital do Haiti – agora destruída pelo terremoto – virou documentário, O Dia em que o Brasil Esteve Aqui, de Caíto Ortiz e João Dornelas (dá para ver um trailer neste link).

Foi o segundo amistoso entre Brasil e Haiti, segundo o site da CBF.

25 anos do Rock in Rio I

O livro "Metendo o Pé na Lama - Os Bastidores do Rock in Rio de 1985", de Cid Castro, será relançado dia 27

Em 11 de janeiro de 1985, mais ou menos a essa hora, começava o Rock in Rio. Primeiras atrações: Ney Matogrosso, o tremendão Erasmo Carlos e Baby Consuelo+Pepeu Gomes (algo deslocados na programação da tarde/noite/madruga). O Brasil entrou de vez no circuito internacional do show bizz quando soou o hard rock do Whitesnake, com talvez sua melhor formação. O vozeirão de David Coverdale, a guitarra envenenada, cheia de efeitos, do John Sykes (ex-Thin Lizzy), o baixo do Neil Murray e a batida pesadaça do Cozy Powell. Showzão! Com destaque para Gulty of Love, Love Ain´t No Stranger e Slow and Easy, que tocaram até furar nas rádios brasileiras.O Whitesnake ainda participaria de mais uma noite do festival, mas a atração seguinte, não. Iron Maiden! Veio, arrebentou e voou de volta para os EUA (leia também o texto anterior). Depois, Queen, pela segunda vez no Brasil (existia um vídeo VHS Live in Rio, correto?). 300 mil espectadores, fãs de Iron, de Freddie Mercury, Brian May e cia, ou apenas gente jovem em busca de diversão. Era o primeiro de dez dias seguidos de festival!

Marcador do livro de Cid Castro

Que não era só de rock, apesar do nome. Tudo bem. Os roqueiros brasileiros tiveram a primeira oportunidade para ver AC/DC (ouvido a alguns quilômetros da Cidade do Rock!), Scorpions (no auge, um show eletrizante), Ozzy Osbourne (com o excelente guitarrista Jake E.Lee brilhando no emprego que foi do Randy Rhoads) ou o Yes (veteranos do progressivo). Havia espaço para música mais pop (Rod Stewart, James Taylor), MPB (Moraes, Alceu) e para bandas então emergentes do Rock Brasil, como Barão Vermelho (com Cazuza) e Paralamas do Sucesso (voltaremos ao assunto esta semana).
Em 2008, a Scortecci publicou o livro Metendo o Pé na Lama – Os Bastidores do Rock in Rio de 1985, do diretor de arte Cid Castro, que trabalhava na Artplan e criou a marca do festival (e os óculos, como o do marcador de livros ao lado). Num tom bem pessoal, linguagem franca e direta, Cid faz praticamente um diário da saga que foi a realização do Rock in Rio I.  O livro será relançado em 27 de janeiro, na livraria Travessa do Leblon, pela editora Tinta Negra.

Eu fui. Ao Rock in Rio I, II (em 1991, no Maracanã) e III (2001, de volta a Jacarepaguá). E você? A qual edição? Conte suas lembranças no espaço de comentários.

Iron Maiden, Rock in Rio, 11/1/1985

No meio da insana World Slavery Tour, a excursão promocional do discão Powerslave, o Iron Maiden fez um bate e volta rapidez para o primeiro Rock in Rio. Saiu dos EUA no inverno, tocou em pleno verão na Cidade Maravilhosa em 11 de janeiro de 1985 e voltou para os EUA em seguida. Entre o Whitesnake e o Queen, headliner da primeira noite do festival, a Donzela de Ferro fez um espetáculo para ficar na memória dos fãs sul-americanos presentes. Cerca de 50 minutos do showzão histórico fazem parte  do DVD Live After Death, que o grupo lançou oficialmente com vários bônus, para combater a pirataria. 300 mil pessoas viram o grupo no auge, após uma pá de grandes discos. No documentário History of Iron Maiden – Part 2, um desses bônus, Steve Harris confirma que foi o maior público que já viu a banda. No DVD, estão presentes Aces High, 2 Minutes to Midnight, The Trooper, Revelations (com a cena em que Bruce Dickinson aparece com o rosto sangrando, após se chocar com a guitarra de Dave Murray, lembra o empresário do então quinteto, no documentário), o imortal riff de Powerslave, que acaba servindo de mote para um solo de guitarra de Murray), Iron Maiden (e a aparição da mascote Eddie, em versão mumificada – a banda havia dado um fim ao “monstro” na turnê anterior… tem essa lógica, hahaha!), Run to the Hills (Bruce grita em português: “quero-todo-mundo-louco-esta-noite”) e Running Free.

Continuar lendo “Iron Maiden, Rock in Rio, 11/1/1985”

O terror no continente da Copa

Os Bafana Bafana não se classificaram, mas com certeza a África do Sul está com dois olhos na 27ª Copa Africana de Nações, que começa hoje em Angola. Um, claro, para avaliar possíveis adversários, se é que a seleção treinada por Parreira passará da primeira fase. Costa do Marfim, Gana, Argélia, Camarões e Nigéria também estarão na Copa do Mundo.

O outro é para a questão da (in)segurança. Como sabemos, o ônibus da delegação de Togo foi metralhado por um grupo separatista da província angolana de Cabinda (Forças de Libertação do Estado de Cabinda-Posição Militar). O ataque provocou a morte de três pessoas. Togo tem todo direito de abandonar a competição – e espero que nenhuma entidade puna o futebol do país por isso. Mas o show, digo, a bola não vai parar. Aí é o dilema. Suspender as disputas seria dar o braço a torcer e fortalecer os terroristas.Manter os jogos da Copa Africana em Cabinda pode parecer um desrepeito às vítimas de Togo e representar uma ameaça aos elencos da Costa do Marfim, Gana e Burkina Faso, que devem jogar na província. Que a África do Sul e o Brasil abram os olhos para esse tipo de ameça nos próximos Mundiais. A segurança de jogadores, torcedores e jornalistas não pode ser negligenciada.