O dia em que uma “Ferrari” vermelha, branca e preta atropelou o Dream Team

Zetti, Vitor, Adílson, Ronaldão e Ronaldo Luiz; Pintado, Toninho Cerezo (Dinho) e Raí; Cafu, Palhinha e Müller. Torcedor são-paulino, dá saudade de ler a escalação desse time, não dá? Em 13 de dezembro de 1992, o tricolor de Telê Santana, campeão da Libertadores, encarou o Dream Team do Barcelona, campeão europeu.
O Barça era treinado pelo seu polêmico ex-craque, Johan Cruyff. No estádio Nacional de Tóquio, de tantas recordações boas também para flamenguistas e gremistas, o campeão da Europa chegou como favorito. Tinha nomes como o goleiro Zubizarreta, de seleção espanhola, Koeman, Guardiola (o hoje técnico campeão de tudo), a joia dinamarquesa Michael Laudrup e o artilheiro búlgaro Stoichkov.
Que abriu o placar, aos 12 do primeiro tempo.
O camisa 10 do São Paulo, o capitão Raí, aproveitou cruzamento de Müller e fez o gol de empate, até hoje não se sabe bem como nem com que parte do corpo. Vai ser virado pra Lua lá assim em Ribeirão Preto, Morumbi, Paris ou Tóquio, Raí!
A 11 minutos do fim do tempo regulamentar, “olha a falta, o São Paulo vem com jogada ensaiada, olha a chance do tricolor, Raí na batida de falta, capricha garotinho, capricha, rolou pra Cafu, pra Raí pro gol, eee queeee goooolllll”. Raí fez de folha seca o gol do título. E a narração do pai da matéria, Osmar Santos, abre o hino do São Paulo num CD lançado por “Placar”.
Cruyff disse: “se é para ser atropelado, melhor que seja por uma Ferrari”.
Às duas da manhã no horário brasileiro, o São Paulo era campeão mundial pela primeira vez.

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Capa do livro “Fio de Esperança – Biografia de Telê Santana” http://www.ciadoslivros.com.br

Esta taça é tua, Raí. Tua e de Zetti, Vitor, Adílson, Ronaldão, santo Ronaldo Luiz, Pintado, Toninho Cerezo, Dinho, Cafu, Palhinha, Müller, e acima de tudo, de Telê Santana.
Por isso, nada melhor para ilustrar este post do que esta foto do saudoso mestre, com este sorriso campeão, na volta ao Brasil com a taça do mundo, que está na capa do emocionante livro de André Ribeiro, “Fio de Esperança – Biografia de Telê Santana” (agora pela editora Cia dos Livros), altamente recomendado para quem gosta pelo futebol-arte.

São Paulo 2 x 1 Barcelona

Data: 13/12/92

Local: Estádio Nacional de Tóquio

Árbitro: Juan Carlos Lostau (ARG)

Público: 60 mil pagantes

  • São Paulo: Zetti, Vitor, Adilson, Ronaldão e Ronaldo Luis; Toninho Cerezo (Dinho), Pintado e Raí; Cafu, Palhinha e Muller.

Técnico: Telê Santana

  • Barcelona: Zubizarreta, Ferrer, Koeman, Guardiola e Euzébio; Bakero (Goicoechéa), Amor, Witschge e Beguiristiain (Nadal); Stoichkov e Laudrup.

Técnico: Johann Cruyff

Gols: Stoichkov aos 11 do primeiro tempo e Raí aos 27 do primeiro e aos 34 minutos do segundo tempo.

3 comentários sobre “O dia em que uma “Ferrari” vermelha, branca e preta atropelou o Dream Team

  1. Um belíssimo jogo, Stoitchkov era um dos melhores jogadores do mundo na época, senão o melhor. Tanto que em 94, na Copa, deu um show.
    O São Paulo pegava o Dream Team, literalmente falando. O melhor time, com os melhores jogadores pra cada posição. Um zagueiro digno de ser camisa 10, Koeman; Um técnico que já foi um dos melhores do mundo, Cruyff; Uma zaga e um goleiro dificeis de serem batidos. Bem, eram os melhores mesmo.
    Mas o São Paulo não se importou muito com isso. Apresentou seu futebol, e por isso ganhou o jogo. Não ficou olhando o melhor time jogar. Telê e o time foi muito inteligente, virando o jogo a todo momento para achar a melhor oportunidade de gol. E ah, que belo time tinha o São Paulo: O inteligente Muller, o arisco Palhinha, o rápido Cafú, o maestro Raí, o polivalente Vítor, o santo Ronaldo Luiz, o experiente Toninho Cerezo, o GOLEIRO Zetti… entre outros.
    Um time que unia juventude e experiência, unia qualidade à inteligência. Bem, o SPFC era o melhor time do Brasil, sem dúvidas. Merecia ser campeão mundial, e foi.
    Obrigado, São Paulo Futebol Clube. 76 anos de glórias

  2. Engraçado, Lauro e Rodrigo. Talvez seja fácil falar agora, mas confesso que mesmo quando o São Paulo tomou o gol, acreditava na vitória do supertime de Telê.
    Hoje, isso já não aconteceria…
    Abraços e obrigado pela visita

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