Fachada do Gran Parque Central em novembro de 2015
A cancha do Club Nacional de Football, que se intitula o decano do futebol uruguaio, é de 25 de maio de 1900. O Gran Parque Central foi um dos estádios da Copa do Mundo de 1930 e o Nacional também gosta de badalar o pioneirismo, como “el primer estadio Mundialista”. Em 13 de julho de 1930, EUA e Bélgica jogaram no Parque Central, simultaneamente a um jogo entre França e México em Pocitos (num estádio que não existe mais).O Brasil jogou aqui sua primeira partida na história das Copas. Tá certo que não demos muita sorte. Perdemos pra Iugoslávia. por 2 a 1 (e contra a Bolívia, no Centenario, só cumprimos tabela).
Em 1944, o alçapão dos albos passou a ser todo de concreto. Teve outra reinauguração em 2005 – ganhou 25 camarotes, como o que leva o nome de Artime (também jogou no Palmeiras). Em setembro de 2014, o Nacional anunciou uma nova reforma do estádio tricolor, “padrão Fifa”, de olho na Libertadores e numa possível Copa de 2030 na Argentina e Uruguai.
Hoje o Parque Central parece ser uma rua Javari duas vezes maior. Comporta uns 26.500 tricolores. Depois da reforma anunciada ano passado, a capacidade passaria a ser de 40 mil hinchas. Continuar lendo “Gran Parque Central, o alçapão do Nacional.”→
Em janeiro fez 31 anos que o Uruguai organizou a Copa de Ouro, mais conhecida como Mundialito. A Copa de Oro reuniu em 1981, no estádio Centenário de Montevidéu, as seleções até então campeãs mundiais de futebol. A Celeste, dona da casa, a Alemanha, a Argentina, o Brasil, a Itália e no lugar da Inglaterra, a Holanda. O Mundialito foi organizado pelo governo militar uruguaio para promover o regime, num período de plebiscito. Está num dos quatro episódios da excelente série de Lúcio de Castro, “Memórias do Chumbo – O Futebol nos Tempos do Condor”, que a ESPN Brasil estreou no final de 2012. E foi selecionado para a mostra competitiva do festival CINEfoot, no Rio e São Paulo.
E o episódio sobre o Uruguai é um dos melhores da série. Falando em bom português, o escritor uruguaio Eduardo Galeano – que é apaixonado por futebol – diz que, ao organizar o Mundialito com fins políticos, o governo uruguaio viu o tiro sair pela culatra. Durante a final (Uruguai 2×1, sobre o Brasil de Telê), no Centenário, o povo vaiou bandas militares e gritou o refrão:
“Se va a acabar, se va a acabar, la dictadura militar”
O episódio que mostra o uso do futebol pelo poder político-militar no Uruguai ainda tem depoimentos como os de
Lilian Ceriberti, sequestrada pela Operação Condor, orquestração repressiva coordenada pelas ditaduras de países como Argentina, Brasil, Chile e Uruguai. Entre os torturadores de Lilian, estava (pasmem!) um ex-jogador de futebol brasileiro (Didi Pedalada);
Gerardo Caetano, historiador, ex-jogador do Defensor Sporting, que conta como os jogos do Defensor viraram uma espécie de catalisadores dos protestos políticos, incluindo até volta olímpica pela esquerda. Parênteses: no mínimo curioso e digno de aplauso que um país tenha entre seus intelectuais um ex-jogador como Gerardo Caetano e um fã, como Eduardo Galeano!
O episódio sobre o Brasil fala, por exemplo, da derrocada de João Saldanha do comando da seleção brasileira. O da Argentina, dos gritos dos torturados na ESMA enquanto a torcida vibrava com as vitórias da seleção alviceleste no Monumental de Nuñez, na Copa de 78. E o do Chile, do centro de prisão e tortura que virou o estádio Nacional e da coragem do jogador Carlos Caszely, que se recusou a apertar a mão do ditador Pinochet. E muito mais, como a omissão de cartolas dos mais poderosos do mundo do futebol.
Flâmulas, mascotinhos, cachecóis, figurinhas, fotos e botões por quase todas as peças do cenário, inclusive geladeira! Assim é o estúdio do divertido Loucos por Futebol, que a ESPN Brasil passa sábado sim, sábado não. Marcelo Duarte, Paulo Vinícius Coelho e Celso Unzelte – os três “loucos”, ou seria melhor dizer três enciclopédias?– recebem a cada edição uma personalidade diferente, um quarto louco por futebol. No programa desta semana, José Roberto Torero, escritor, jornalista, roteirista de Pelé Eterno e do curta Uma História de Futebol, titular do Blog do Torero e torcedor do Santos. E o programa foi cinematográfico. Fala da ligação entre o documentário sobre Wilson Simonal e futebol. Mostra cenas do 1983, o Ano Azul (clique para ver o trailer no site do Grêmio), sobre a conquista do Mundial de Clubes de 83, contra o Hamburgo, com depoimentos de Renato Gaúcho, Hugo De León, Mário Sérgio, Espinoza, etc. Até a pé os gremistas irão para ver este filme, que estreou esta semana em cinemas de Porto Alegre. Continuar lendo “Loucos pelo programa “Loucos por Futebol””→