O melhor futebol do mundo não é mais aqui

Nos anos 70/começo dos 80, locutor Fernando Solera costumava narrar gols na TV Bandeirantes com o bordão: “o melhor futebol do mundo é no 13. . . “. Treze é o canal da Band em São Paulo, na TV aberta. Mas o melhor futebol do mundo não está mais aqui.
O equilíbrio do Brasileirão nos entorpece (e aqui faço uma autocrítica), mas a verdade é que o nível não é o mesmo desses tempos que o narrador esportivo celebrava.
Crise técnica que não se estende à América do Sul. Os europeus venceram as duas últimas Copas do Mundo e os últimos cinco mundiais de clubes.
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Agueeenta coração!

… diria Fiori Gigliotti, saudoso locutor esportivo do rádio paulista.
Ninguém pode reclamar de falta de emoção no nono Brasileirão disputado por pontos corridos.
Não tem uma final.
Tem duas “finais”, simultâneas, isso só falando da última rodada (o que houve em Floripa e no Engenhão, se não foram “finais”?). E da briga pelo título.
Pois a 38ª rodada do Brasileirão 2011, tão lotada de clássicos que dois deles vão ser disputados fora de suas cidades originais, nos reserva:

  • um Derby paulista valendo título, de um lado, e salvar a temporada, do outro, no Pacaembu
  • um Clássico dos Milhões no Engenhão que vale título para o lado cruzmaltino e vaga na Libertadores para os rubro-negros
  • um AtleTiba de arrepiar na Arena da Baixada, onde está em disputa uma vaga na Libertadores e a fuga do rebaixamento
  • um GreNal no Beira-Rio que pode valer vaga na Libertadores para os colorados
  • um Avaí x Figueirense na Ressacada em que os visitantes tentam a Libertadores
  • um San-São esvaziado  em Mogi Mirim, em que o tricolor joga suas derradeiras chances de Libertadores
  • um Clássico Vovô em Volta Redonda, onde o Fogão também joga suas últimas fichas para tentar a principal Copa do continente, e o tricolor entrar direto na fase de grupos da cobiçada taça
  • e por último, mas não menos importante, um Cruzeiro x Atlético de arrepiar em Sete Lagoas, onde o Galo já salvo, pode rebaixar o arquirrival Continuar lendo “Agueeenta coração!”

30 anos da Libertadores rubro-negra

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Há 30 anos, o Flamengo batia o Cobreloa e conquistava a Libertadores. Nos 21 dias seguintes, mais duas grandes conquistas: o estadual do Rio e o Mundial de Clubes em Tóquio, com um chocolate sobre o Liverpool.
Já falamos aqui dos livros do Dudu Monsanto e da dupla André Rocha e Mauro Beting.
A ola de volumes sobre esse timaço não para por aí. Maurício Neves de Jesus está lançando “1981 – O Prineiro Ano do Resto de Nossas Vidas” pela editora Livros de Futebol.com. É em forma de diário. Com fichas dos jogos e transcrições das narrações de gols. Parece bem legal o formato. A conferir.

Leitura recomendada

Sabe quando você separa um artigo de jornal para ler depois, com calma? Volto ao caderno de esportes do “Estadão” de quarta-feira, 16 de novembro. Guardei a coluna do jornalista Antero Greco para ler mais tarde e valeu muito a pena. É uma educadíssima  resposta a uma crônica (brilhante, como sempre) do cineasta Ugo Giorgetti, diretor dos deliciosos filmes Boleiros, I e II, que fez uma proposta provocadora: por que não mudar de time, já que a gente muda tanto na vida? Ugo Giorgetti levantou a bola e Antero Greco cortou. Antero – que me parece ser um dos mais sensatos e educados cronistas esportivos, sem perder o bom humor, pelo que acompanho há anos na ESPN Brasil – responde que não, e argumenta porque não devemos mudar de time, independentemente se ele está bem ou não, se ganha sempre ou está há anos na fila (leia aqui a crônica de Antero e aqui a do “boleiro” Giorgetti).

Tem muito a ver com as cenas que a gente vê num fim de semana de futebol. Torcedores da Ponte e do Náutico vibrando e se emocionando – rodadas depois dos leões rubro-verdes da Lusa – não com um título, mas com a volta de seus times de coração à elite do futebol brasileiro (tema do post anterior). Tem a ver com o que vi agora há pouco: a torcida do Figueirense cantando e aplaudindo o time, depois de levar uma goleada do Fluminense. É o que motiva a jovem e grená torcida do Juventus da Mooca, há tempos longe da primeira divisão estadual, mas que mobiliza centenas para os jogos como esse que eu vi,na rua Javari, pela Copa Paulista (infelizmente, o Juve foi eliminado em fase posterior). Torcedor que é torcedor compreende tudo isso perfeitamente. Continuar lendo “Leitura recomendada”

Um jogo que começou no ritmo rock do AC/DC e terminou com o sambalanço de “Meu Esquema”

Rivaldo Maravilha depois de mandar mais um gol. Golaço! O quarto do tricolor paulista FOTO WAGNER CARMO Vipcomm

“Hell´s Bells”! Por influência do goleiro-artilheiro, capitão e futuro manda-chuva Rogério Ceni, que gosta de rock, o São Paulo tem entrado em campo ao som dessa pauleira do AC/DC (que tocou em novembro de 2009 no estádio do Morumbi – leia meu post anterior). O tricolor começou mesmo em ritmo de hard rock, com uma grande chance de gol, a 1 minuto e meio de partida. Mas dormiu no ponto e chegou a levar um sufoco do Ceará, agora treinado por Estevam Soares, que aprontou lá pelo lado direito da defesa paulista. No finzinho do primeiro tempo, os dois laterais são-paulinos – Juan e o paraguaio Piris – deram a vantagem e a tranquilidade do tricolor.

Dois vira, quatro acaba? Talvez não fosse tão simples assim, não fosse a entrada de Rivaldo, experiente camisa 10 do São Paulo, no lugar do jovem centroavante Henrique, antes do primeiro terço do segundo tempo. Casemiro fez o terceiro gol, num tirambaço de fora da área.

Outra pintura: jogada de Lucas, bastante atuante, cruzamento de Juan e chute de primeira de Rivaldo. Golaço! O pentacampeão mundial ainda deu mais show, com ótimos lançamentos, assistências – proporcionou com toque de classe uma clara chance de gol desperdiçada por Cícero.

Quando vejo Rivaldo brilhar, não tenho como não pensar na belíssima balada pentacampeã do grupo pernambucano Mundo Livre S/A, “Meu Esquema”.  Que cita Rivaldo no meio dos galanteios a uma princesa, galega guapíssima. “Ela é o que meu médico receitou/Rivaldo Maravilha mandando um gol”, na chapação do samba camisa 10 do Mundo Livre.

Mas como este é um blog mais de comportamento do que de resultados, não tenho como não mencionar a quantidade impressionante de mascotinhos que entram em campo acompanhando o goleiro-roqueiro Rogério Ceni. Nas arquibancadas, o pessoal sorri com a imagem da molecadinha em disparada para o túnel, antes de o jogo começar.

Agora, o marketing do São Paulo deveria pensar seriamente num plano para que o Morumbi não recebe menos de 22 mil pessoas (público de hoje) daqui até o fim da carreira de Rogério Ceni. Tem que ser trabalhado isso. O mito está na sua última centena de jogos, aproximadamente. Podem faltar umas 50 partidas apenas com o Rogério Ceni no gol tricolor. Já pensou nisso, torcedor são-paulino, ô “da poltrona”? Deixa o rock rolar! Continuar lendo “Um jogo que começou no ritmo rock do AC/DC e terminou com o sambalanço de “Meu Esquema””

80 anos do eterno mestre Telê

Gostaria de lembrar de um documentário e de um livraço sobre o ponta franzino do Fluminense – daí o apelido “Fio de Esperança” – que virou técnico campeão pelo Flu, Galo, Grêmio, São Paulo campeão de tudo entre 1991 e 94. Onde não levantou título, deu show de bola – Palmeiras 1979, Seleção Brasileira da Copa de 1982 e, em menor grau, do Mundial de 1986.
Já saiu em vídeo pela Imovision o documentário Telê Santana – Meio Século de Futebol-Arte, dirigido pelas jornalistas Ana Carla Portella e Danielle Rosa. Tive o prazer de ver uma exibição em cinema do doc, na mostra CineFoot, no ano passado. Depoimentos de montão: Cafu, de quem Telê pegou muito no pé para aprender a cruzar a bola, Roberto Dinamite, Juvenal Juvêncio, Leonardo, Wanderley Luxemburgo, Marcelinho Carioca, Muller, o pupilo Muricy Ramalho,  Palhinha, Raí, Renato Gaúcho, Serginho Chulapa, Sócrates, Zetti, Zico e muitos outros. Confira o site e o Facebook do filme.

A outra dica vai para uma reedição, uma oportuna reedição: Fio de Esperança-Biografia de Telê Santana é o emocionante livro do jornalista André Ribeiro, agora pela editora Cia dos Livros e com nova capa, que você pode ver ao lado. André Ribeiro é o autor de Diamante Negro – Biografia de Leônidas da Silva, também relançado pela Cia dos Livros.  Tem 512 páginas e vale cada 59 reais e 90 centavos.

Outros posts sobre o maior técnico de todos os tempos:
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Corneta

Jean passa por Vi ctor para fazer São Paulo 3x1 FOTO Wander Roberto VIPCOMM

Entreouvido na arquibancada do Morumbi, no começo da noite deste sábado, da quarta rodada do Brasileirão 2011:
Tira a mão das cadeiras, Dagoberto!
– Ô Rodrigo “Preso” (referência ao volante Rodrigo Souto)
– Vai, aleijado! (????). Manco!
– Carpegiani, tira o “filho do presidente”!

“Filho do presidente”, entre aspas, mesmo, foi uma referência do folclórico torcedor ao Marlos, autor do gol de desempate. Que como Dagoberto, Rodrigo Souto, “aleijado”, “manco”, mais os jovens Lucas, Casemiro e companhia ajudaram o São Paulo a vencer a quarta seguida, contra um Grêmio mais tímido do que o normal, e manter a ponta no Brasileirão 2011.

A bem da verdade, diga-se que os pouco menos de 15 mil pagantes no Morumbi aplaudiram Marlos quando o jogador foi substituído.

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É Guarani, oba! É Guarani, oba!

A flâmula da semana é a do Guarani Futebol Clube, de Campinas, que completou 100 anos no sábado, 2 de abril. Se caiu na Copa do Brasil, o Bugre está bem vivo na Série A2 do futebol paulista (a segundona estadual). Tem tudo para voltar ao lugar que merece: a primeira divisão. Como esquecer ou não procurar conhecer aquele timaço campeão brasileiro de 1978? Neneca, Mauro, Gomes, Édson e Miranda; Zé Carlos, Renato e Zenon; Capitão, Careca e Bozó. Técnico: Carlos Alberto Silva. Na semifinal, passou pelo Vascão. Nas partidas finais, duas vitórias sobre o Palmeiras.  Continuar lendo “É Guarani, oba! É Guarani, oba!”

Taça Brasil

Embrião do Campeonato Brasileiro ou precursora da Copa do Brasil? O certo é que a Taça Brasil dava vaga para a Libertadores (aliás, foi criada para isso: definir o time brasileiro classificado para a versão sul-americana da Copa dos Campeões da Europa, hoje Champions League). E a Taça Brasil premiou timaços, como Santos de Pelé, o  Bahia (primeiro campeão), a Academia do Palmeiras, o Botafogo e o Cruzeiro de Raul, Piazza, Dirceu Lopes e Tostão. Em formato mata-mata, reunia de forma regionalizada os campeões estaduais (de modo geral). Os vencedores da Taça do Brasil (PS: oficializados como campeões brasileiros pela CBF em novembro de 2010):

  • 1959 – Bahia campeão. Vice: Santos. Artilheiro: Léo (Bahia), 8 gols. O site do Bahia publicou um especial sobre os 50 anos da grande conquista.
  • 1960 – Palmeiras campeão. Vice: Fortaleza. Artilheiro: Bececê (Fortaleza), 7 gols. O alviverde – treinado por Oswaldo Brandão – tinha no gol Valdir Joaquim de Moraes e nomes como Djalma Santos, Valdemar Carabina, Zequinha, Humberto Tozzi, Chinesinho e o capitão Julinho Botelho.
  • O Memorial das Conquistas do Santos tem réplica do manto clássico do Peixe na Década de Ouro: os anos 60
  • 1961 – Santos campeão. Vice: Bahia. Artilheiro: Pelé, 7 gols.
  • 1962 – Santos bicampeão. Vice: Botafogo. Artilheiro: Coutinho (Santos), 7 gols. O site do Santos dá as escalações da 2ª partida decisiva, em que o Peixe fez 5×0 no Fogão. Santos: Gilmar, Lima, Mauro e Dalmo, Zito e Calvet, Dorval, Mengálvio, Coutinho (Tite), Pelé e Pepe.  Botafogo: Manga, Rildo (Joel), Zé Maria e Ivan (Jadir), Airton e Nilton Santos, Garrincha, Edson Quarentinha, Amarildo e Zagalo.