

Como fã de futebol, lamento profundamente que o teletransporte da clássica série Jornada na Estrelas não passe de ficção científica. Porque muitas vezes me pego desejando um teletransporte rápido para algum estádio do mundo, para ver alguma partidaça como o Sevilla 2×1 Real Madrid da semana passada. O time de Jorge Sampaoli – que virou, mais do que ídolo, objeto de culto na parte vermelha de Sevilha, o ‘sampaolismo’- quebrou uma invencibilidade de 40 jogos do atual campeão da Europa e do mundo.
O Sevilla de Sampaoli fez a segunda melhor campanha do primeiro turno de La Liga 2016-17. Está nas oitavas da Champions (recebe o Leicester em 22 de fevereiro). Tem cinco títulos recentes de Liga Europa. Um clube que sabe comprar e vender bem seus atletas.
Mas uma coisa que tenho certeza é que, junto com um grande técnico, um elenco muito bom e um ótimo planejamento, joga junto uma afición (torcida) das mais fanáticas da Espanha e o estádio, Ramón Sánchez-Pizjuán, RSP, um caldeirão, tanto que é conhecido também como a “Bombonera de Nervión”, nome do bairro em que está situado. Um estádio que ferve, onde é muito difícil jogar até para dois dos três times mais ricos do mundo. O Sevilla vende caro pontos perdidos para Barça e Real Madrid, isso quando perde esses pontos, em sua casa. Que tem também uma belíssima fachada, um mosaico com um gigantesco distintivo do Sevilla e flâmulas de clubes visitantes do mundo todo, inclusive do Brasil. Obra de Santiago del Campo, para o Mundial de 82.


E a afición sevillista canta forte o hino do centenário do clube, composto por Javier Labandón, El Arrebato, em 2005. Virou grito de guerra no RSP.
Y es por eso que hoy vengo a verte,
sevillista seré hasta la muerte,
la Giralda presume orgullosa
de ver al Sevilla en el Sánchez Pizjuán
A Giralda, campanário da catedral que é um dos cartões portais de Sevilha, se orgulha de ver o Sevilla no RSP! E como brasileiro, lamento que Paulo Henrique Ganso não tenha ainda maravilhado a Giralda e o RSP. Será que vai emplacar?
O blog Fut Pop Clube fez duas visitas ao caldeirão que é o RSP, por coincidência ambas em partidas de Liga Europa. Em 2011, o dono da casa foi eliminado pelo Hannover 96. Em 2016, depois de quase um dia todo de viagem de ônibus a partir de Lisboa, vi o time de Unai Emeri bater o Shakhtar Donnetsk por 3×1 na segunda partida da semfinal e avançar rumo ao quinto título da Sevilla League, ooops, digo, Europa League.
Noite de casa cheia, chuva, tensão no ar e, por fim, festa sevillista.
- Dos minutitos, senõres – gritava perto de mim um torcedor ansioso para o fim da partida e classificação pra final contra o Liverpool.
Hoje o RSP tem capacidade para 42.714 sevillistas. Na temporada passada, o clube tinha cerca de 35 mil sócios abonados (ou seja, com carnê para a temporada toda).
Construído en 1958, no Mundial de 1982, recebeu a estreia do Brasil contra a URSS e a semifinal França e Alemanha, a final da Copa (hoje Liga )dos Campões de 1986 entre Steaua de Bucarest e Barça.
Depois da última passada do blog, o visual do estádio recebeu mais alguns toques. Mãos de tinta vermelha e painéis com rostos de jogadores dois dois lados do grande mosaico da fachada – que pode ser vista também do alto de um shopping center colado ao estádio, Nervión Plaza.

O portão 16 faz uma homenagem ao eterno camisa 16, Antonio Puerta, ídolo sevillista que morreu em 2007.
O estádio demonstra ter um charme todo especial criando um ambiente acolhedor nos jogos.
… e ameaçador pros times visitantes…