Trilha sonora do título carioca de 1980

Em dezembro, fez 35 anos que Fluminense conquistou o campeonato carioca de 1980. Na campanha de 80, a torcida tricolor estreou nas arquibancadas do velho Maraca um de seus cantos mais conhecidos: “A benção, João de Deus” – homenagem ao papa João Paulo II, que você sabe, ao lado de Ghiggia e Frank Sinatra, silenciou o Maracanã.

Eram tempos que os clássicos levavam facilmente pelo menos 100 mil pessoas ao estádio. O gol do título – uma cobrança de falta de Edinho contra o vascaíno Mazaropi – abre um LP de vinil lançado pela CID em 80: “É Campeão – Os gols que deram o título ao tricolor” – achado num sebo de Copacabana, 35 anos depois do lançamento. O disco tem oito gols da campanha do Flu, narrados pelo garotinho José Carlos Araújo (então na rádio Nacional), e muitos sambas e marchinhas, em pout-pourris com o conjunto Explosão do Samba. Logo depois do golão de Edinho, vem o hino mais popular do Fluminense, obra de Lamartine Babo. E uma versão de “O Campeão (Meu Time)”, clássico samba de arquibancada de Neguinho da Beija-Flor, que é… rubro-negro. Entre um gol de Cláudio Adão e outro do meio-campo Gilberto, camisa 8 (ambos contratados pelo Flu naquele ano), tem marchinhas clássicas, como “Piada de Salão” e “Chiquita Bacana” e composições de João Roberto Kelly, um tricolor de coração.

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O San Lorenzo já construiu dois estádios. E se prepara para erguer o terceiro, no seu Boedo querido.

Volvemos a Boedo.

O San Lorenzo conseguiu. O time do papa convenceu o Carrefour a vender ao clube a maior parte do terreno do hipermercado da avenida de La Plata, no bairro de Boedo, onde ficava seu primeiro estádio, o Gasómetro. Segundo este belo artigo de Carlos Agudo na Kaiser Football, o Viejo Gasómetro tinha capacidade para 76 mil pessoas, era o maior estádio argentino e apelidado de “Wembley portenho”.

Pois bem, depois de um período glorioso (era o time de “Los Matadores”), o San Lorenzo entrou em decadência, contraiu dívidas e foi obrigado pela ditadura militar a entregar o estádio, em 1979. Que absurdo! Um estádio – que não era usado só para a diversão dos torcedores azulgranas, mas funcionava como um centro cultural do bairro e tinha até escola! – ter que ser demolido para dar lugar a um hipermercado. Os torcedores mais fanáticos do San Lorenzo devem ter adorado comprar no Carrefour nesses últimos 30 anos…

Começou a peregrinação do time que era considerado santo muito antes de seu torcedor Jorge Bergoglio virar Papa Francisco. Veio o rebaixamento, a luta pra voltar à elite argentina.

O clube fundado por padre Lorenzo em 1908 rodou por outros estádios – incluindo o belo Palácio Ducó, do rival Huracán – até construir o Nuevo Gasómetro, em Bajo Flores, a 4 quilômetros de sua sede. A inauguração foi no final de 1993. Não tinha a ver com as raízes do San Lorenzo, mas foi no Nuevo Gasómetro que o Ciclón ganhou seus títulos internacionais: Copa Mercosul 2001, a Copa Sul-Americana 2002 e – aleluia, irmãos!-,  a Libertadores 2014, com Edgardo Bauza (novo técnico do São Paulo) no comando.

É linda a história da luta dos san lorenzistas para a conseguir a volta dos cuervos a Boedo. Mais de 100 mil festejaram em praça pública a lei de restituição histórica. Milhares deram sua contribuição comprando metros quadrados no futuro estádio – a terceira cancha que o San Lorenzo vai erguer. O estádio Papa Francisco, no mesmo terreno do velho Gasómetro. O projeto abaixo, que foi apresentado em 2013, nos 105 anos do Ciclón, tem jeito de ecoestádio.

facebook.com/SanLorenzo/
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Ecoestádio, ok, mas ainda assim um alçapão para 40 mil hinchas apaixonados. Veja o vídeo do projeto dentro do post. Continuar lendo “O San Lorenzo já construiu dois estádios. E se prepara para erguer o terceiro, no seu Boedo querido.”