Neroazzurri

HO14_FB_Flash_Flood_InterMilan_Crest_originalDica do ótimo site espanhol Kaiser Football: a Internazionale de Milão publicou um vídeo de 95 segundos para comemorar os seus 107 anos, completados em 9 de março de 2015. Estão aí a primeira Copa (hoje Liga) dos Campeões, conquistada em 63-64 pela Inter de Giacinto Facchetti, de Mazzola, do brasileiro Jair e do técnico Helenio Herrera contra o poderoso Real Madrid, que já tinha cinco títulos europeus (3-1, em Viena) e o bi, na temporada seguinte (1-0 sobre o Benfica, gol de Jair, em San Siro!) e o Mourinho festejando os 2-0 contra o Bayern, no Bernabéu, na final da Champions 2009-10 – temporada em que a Inter do “Special Mou” fez barba, cabelo e bigode. Ganhou a tríplice coroa: Série A, Coppa Itália e LIga dos Campeões com o ótimo holandês Sneijder, muitos brasileiros (Julio Cesar, Maicon, Lucio) e argentinos (o capitão Zanetti, Samuel, Cambiasso, o decisivo Milito, também ídolo do Racing) – já com Rafa Benítez, faturou o Mundial de Clubes contra o Mazembe. E mais: alguns dos 18 scudettos, o atual técnico Roberto Mancini (de volta ao clube) e o novo manda-chuva, o empresário indonésio Erick Thohir, que pode tirar a Inter do Stadio Giuseppe Meazza e levar os nerazzurri para uma casa própria.


Por sinal, o capitão que levantou a Champions de 2009-10 ganhou um filme, exibido em cinemas italianos em fevereiro: Zanetti Story – Capitano da Buenos Aires. Dica do Futebol Marketing. Abaixo, poster e trailer desse doc sobre o capitano Javier Zanetti.10955757_933900503287349_1226832304549372501_n
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Desventuras na Copa de 1998, na França.

10 de junho de 2013

Stade de France, local da abertura e da final, no xoxo Holanda x Bélgica
Stade de France, local da abertura e da final, no xoxo Holanda x Bélgica

Em 10 de junho de 1998, o Brasil (então o último campeão) e a Escócia abriram a Copa do Mundo, a segunda disputada na França. A seleção Canarinho de Zagallo venceu por 2×1. E quem acha que bagunça é só no Brasil saiba que no chamado Velho Mundo também há muita sacanagem. Milhares de torcedores compraram pacotes turísticos para o Mundial de 98 e já na França descobriram que tinham caído numa roubada. Estava num grupo de brasileiros em Paris e comecei a ouvir um zum zum zum de que não receberíamos as entradas para o jogo de abertura. E não recebemos mesmo. Fomos para a porta do Stade de France no dia da partida. Um outro teve coragem de comprar ingresso de cambista, por pequenas fortunas.  Acabamos vendo Brasil x Escócia num telão, numa área de “fan fest” montada pelos organizadores da Copa, ao lado do estádio, no meio de um multidão de escoceses. Tudo bem, clima de confraternização, até que uma brasileira provocou um escocês (pelo que me lembro, com um cuspe…). Achei melhor pegar o metrô e ver o segundo tempo no hotel.

Memorabilia: Itália 2x2 Chile
Memorabilia: Itália 2×2 Chile

No dia seguinte, peguei um TGV até Bordeaux e consegui ver Itália x Chile no Stade Lescure. Uma joinha de estádio, tribunas bem perto do campo. Lembrou-me um pouco do velho Parque Antarctica. O Lescure foi usado na Copa de 38 também. Mas claro que passou por uma cuidadosa reforma para o Mundial de 98, sem detonar o projeto original – o primeiro estádio do mundo a ter uma marquise sem vigas. Fiquei emocionado por ver pela primeira vez in loco uma partida de Copa do Mundo. Jogo bom, heio de alternativas. Vieri abriu o placar. Marcelo Salas empatou e virou. No fim, pênalti para a Itália. Desta vez, Baggio não errou. 2×2. Confesso que a quantidade de torcedores chilenos me surpreendeu. No mínimo, fizeram tanto barulho que pareciam em maior número do que os italianos, vizinhos da França. Chi Chi Chi, Le Le Le”. Foi a minha ‘estreia’ em Copas do Mundo. Inesquecível. Não ficaria para a segunda fase. Tinha que conhecer o Stade de France. Resolvi ver Holanda x Bélgica. Jogo chaaaatooooo! 0x0.

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Memorabilia: Holanda 0x0 Bélgica

Depois de muitas reclamações e cobertura da mídia, a muito custo a empresa de turismo picareta conseguiu ingressos para a segunda e terceira partidas do Brasil. Toca a excursão (de ônibus) para Nantes.

No estádio La Beaujoire, o Brasil venceu o Marrocos por 3×0. Aos 9 minutos, o primeiro gol de Ronaldo Fenômeno na história das Copas (ele fez 15 ao todo). Rivaldo – o melhor do Brasil em 98- ampliou. E no segundo tempo, Bebeto fechou a goleada.

Bebeto fez o terceiro gol do Brasil contra Marrocos.
Bebeto fez o terceiro gol do Brasil contra Marrocos.

Assistimos à partida atrás de um dos gols. Brasileiros e marroquinhos misturados, sem problema nenhum.

Memorabilia: Brasil 3x0 Marrocos
Memorabilia: Brasil 3×0 Marrocos

O rolê do futuro autor do blog Fut Pop Clube pela Copa do Mundo da França terminou em outro estádio histórico. O Vélodrome, em Marselha. Também usado no Mundial de 1938 e reformado para 1998 (para a Euro 2016, recebeu uma cobertura espetacular). Até casamento teve, antes de Brasil x Noruega!

@FutPopClube
@FutPopClube

Dá para imaginar algo assim hoje em dia? Difícil.

@FutPopClube
@FutPopClube
Memorabilia: Brasil 1 x 2 Noruega
Memorabilia: Brasil 1 x 2 Noruega

Bebeto abriu o placar. Tore Andre Flo empatou e numa lambança de Júnior Baiano – um pênalti ‘mirim’ -, a Noruega virou, com Rekdal.F Digitalizar 06-2K13 -00001

Mais uma do Vélodrome
Mais uma do Vélodrome

Minhas férias continuaram na Espanha (desci de Fokker 50 em Barcelona – paixão à primeira vista!). E o Brasil seguiu viagem até a final fatídica, até hoje motivo de muita polêmica e teses conspiratórias. A seleção arrasou o Chile, no Parc des Princes: 4×1. Nas quartas, de volta à Nantes, partidaça contra a Dinamarca. 3×2. Rivaldo Maravilha! Semifinal e m o c i o n a n t e contra a Holanda, em Marselha. Ronaldo marcou, Kluivert empatou no finalzinho. Prorrogação. A decisão saiu nos pênaltis. Taffarel! O Brasil de Zagallo, que começou a Copa sem encantar, chegou à final no Stade de France com todos os méritos. Mas aí Ronaldo sofreu aquele apagão… e o Brasil tomou um vareio da França de Zidane. Pô, tomamos gol até do Petit…

Repescagem


A expressão que é mais usada para definir sistemas de disputas de torneios esportivos também define uma segunda chance para o torcedor, ou melhor, para o espectador ver alguns filmes da Mostra de Cinema de São Paulo – até quarta-feira, 7/11/2012. Bons programas para quem passa o feriadão na metrópole – mais vazia.

O “Mundial” de 1942 tem até cartaz oficial, no filme italiano

E é bom saber que o filme mencionado aqui no Fut Pop Clube, A Copa Esquecida (Il Mundial Dimenticato), ganhou um dos prêmios de público do festival. A película de Lorenzo Garzella e Filippo Macelloni buscou inspiração no conto “El Hijo de Butch Cassidy”, do escritor e jornalista argentino Osvaldo Soriano (*1943/+1997), torcedor do Ciclón, o San Lorenzo. Trata-se de um “mockumentário”, um falso documentário sobre a suposta Copa do Mundo disputada na Patagônia, em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial. E o resultado é muitas vezes hilário… como as cenas que mostram as criativas câmeras usadas para “documentar” o “Mundial”… os gols impossíveis… o jeito com que os “juízes” expulsam jogadores de campo… e a figura roliça de certos “jogadores”. Aspas são uma boa mesmo para definir “Uma Copa Esquecida” (como fez o “Estadão”): um “documentário” entre aspas – talvez um pouco como o “Zelig” de Woody Allen, mas pra mim os italianos chegaram a resultado mais legal.  E não é indicado apenas pra quem gosta de futebol e de filmes de futebol, não. Basta entender o humor das cenas. Tinha gente se esbaldando de dar gargalhada na sessão que eu vi.

O que também foi muito engraçado na sessão foram as cenas que discutem o uso de imagens na decisão de lances duvidosos para a arbitragem. Na semana em que o Brasil discutiu a anulação do gol de mão de Barcos, no jogo entre Internacional x Palmeiras, foi no mínimo curioso ver um “jogo” do “Mundial” de 42 parado por uma hora, para que um filme seja revelado e o juiz tome a sua decisão sobre um lance, com direito a depoimento canastrão de Gary Lineker. Coincidência? No futebol italiano, no mundo todo, as decisões da arbitragem geram cada vez mais controvérsia.

Em tempo: “A Copa Esquecida” passa de novo nesta quarta-feira, 7 de novembro, às 17h40, no CineSesc.

Veja o trailer do premiado “documentário” italiano.

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1998: minha “estreia” em Copas

Fui à Copa do Mundo de 1998, na França, como turista.Aliás, um dos milhares de brasileiros que compraram pacotes para ver jogos do Mundial e, chegando a Paris, descobriram que iam ficar a ver navios na partida inaugural, Brasil x Escócia. Estava formado o movimento dos sem-ingresso. Alguns poucos pagaram centenas de dólares a cambistas para ver a estreia da Seleção, no imponente Stade de France. Não me arrisquei. Acabei vendo o primeiro tempo num telão, numa área externa do Stade de France, ao lado de poucos brasileiros – e milhares de escoceses. Mico total. Pressentindo que aquele relativo clima de confraternização poderia mudar radicalmente em caso de alguma eventual provocação, preferi assistir ao fim do jogo no hotel (depois de muita briga, as empresas picaretas acabaram entregando ingressos para Brasil x Marrocos e Brasil x Noruega, mas o estrago já estava feito). Fiquei com tanta raiva de viajar para França e acabar vendo o jogo pela TV que no dia seguinte peguei um TGV e me mandei para Bordeaux.
Consegui comprar um ingresso na porta do simpático estádio Parc Lescure, que lembra vagamente o Palestra Itália, em São Paulo, gramado perto da torcida.
Num 11 de junho como hoje, Itália (vice-campeã em 94) e Chile jogaram pelo grupo B. De uniforme branco, a Squadra Azzurra saiu na frente. Contra-ataque veloz italiano: passe de Baggio para Vieri. Gol. 1×0. A seleção treinada por Cesare Maldini recuou demais. Parecia meio óbvio o que ia acontecer. Não deu outra. O Chile, que tinha os ídolos Ivan Zamorano e Marcelo Salas no ataque, chegou ao empate no finzinho da 1ª etapa. E virou na segunda. Dois gols de Salas. A Azzurra ganhou um pênalti nos últimos minutos. Quem se preparou para bater. Roberto Baggio. Justamente o responsável pelo último lance da copa anterior: aquele pênalti isolado sobre o travessão de Taffarel (“é tetra, é tetra!”). Desta vez, Baggio acertou a rede. 2×2. Repare na tristeza do narrador da TV chilena neste vídeo com os melhores momentos (link aqui).
O que achei muito curioso: apesar de a Itália ser vizinha da França, a torcida chilena me pareceu mais numerosa e muito mais barulhenta naquela tarde de Copa em Bordeau. “Chi-chi-chi, Le-le-le”.
Jogaço, cheio de estrelas do futebol nos anos 90. Devo dizer que foi difícil segurar a emoção de estar ali, por tudo o que tinha rolado de sacanagem com turistas brasileiros, sim, mas principalmente por ver pela primeira vez uma partida de Copa do Mundo, in loco, 20 anos depois de começar a acompanhar seriamente um Mundial pela TV (o de 1978). O Chile (que tinha atletas que passaram por clubes brasileiros, como o goleiro Tápia e o meia Sierra) ficou em segundo lugar no grupo. Que azar. Pegou o Brasil de cara, nas oitavas. Show de Ronaldo Fenômeno, Rivaldo Maravilha e cia no Parque dos Príncipes, estádio do PSG, em Paris. 4×1. A Itália foi mais adiante, só caiu nas cobranças de pênaltis ante a futura campeã, a França, nas quartas de final.