Galeria de ídolos aurinegros, na frente do estádio Campeón del Siglo.

Galeria de ídolos aurinegros, na frente do estádio Campeón del Siglo.

O respeito à memória de um clube é algo a ser admirado. Outro exemplo que vem do exterior.

Do lado de fora da cancha do Peñarol, inaugurada em 2016, há um espaço com totens informativos sobre ídolos aurinegros. Alguns heróis da conquista da Copa do Mundo de 1950: o goleiro Máspoli, o capitão Obdulio Varela, Schiaffino, que marcou o gol de empate contra o Brasil, e Ghigghia – como alguns outros, existem pegadas do atacante, que definiu o Mundial de 1950, no Maracanã.

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De outubro a dezembro, Mostra CINEfoot no CanalBrasil.

De outubro a dezembro, Mostra CINEfoot no CanalBrasil.

Pela galeria de cartazes acima, já dá para ter uma bela noção da abrangência da Mostra Cinefoot, um festival de filmes brasileiros (e uma coprodução com o Uruguai) sobre futebol, que o Canal Brasil exibe às sextas-feiras, de 7 de outubro a 30 de dezembro, sempre às 22h – reprises às terças, 13h30. A curadoria é do festival Cinefoot e a apresentação, do Raí. Está muito boa a seleção: do clássico “Garrincha, Alegria do Povo”, de Joaquim Pedro de Andrade, aos documentários mais recentes sobre torcedores e conquistas do Galo… do Paysandu… do Bahia… e os premiados “Geraldinos” e “O Futebol”. O Maracanã está presente nos docs “Fla x Flu – 40 Minutos Antes do Nada”, “Mario Filho – O Criador das Multidões” e um sobre o Maracanazo, “Maracaná – La Película”. Já “Campo de Jogo” (de Eryk Rocha, filho de Glauber Rocha) é sobre o oposto do novo Maraca: o futebol amador, dos campinhos de terra, das favelas. Tem ficção e da boa também: o primeiro dos “Boleiros” de Ugo Giorgetti e uma chance para ver o interessante “Meninos de Kichute”, que infelizmente passou meio batido por aí. Outro filme raro é o doc “Passe de Livre”, de Oswaldo Caldeira. O Canal Brasil está é o 150 da Net, 650 da Net HD, 55 da SKY, 67 da Claro, 66 da Oi e Via Cabo, canal 103 da GVT , 806 da Vivo TV DTH e canal 656 da Vivo IPTV.

  • Paysandú – 100 Anos de Payxão (2015) (92’) . A mostra Cinefoot no Canal Brasil começa muito bem, na sexta 7 de outubro, com “Paysandu, 100 Anos de Payxão. O filme de Gustavo Godinho e Marco André encerrou a seleção paulista do CINEfoot 2015, fora de concurso. Foi uma festa incrível da torcida bicolor no saguão do Espaço Itaú de Cinema. Durante a sessão, os gols de ídolos como Vélber, Robgol e Iarley foram comemorados quase que como se a galera estivesse na Curuzú ou no Mangueirão. Os clássicos, as decisões, as partidas mais emocionantes, a conquista da Copa dos Campeões contra o Cruzeiro, em 2002 e a bela campanha na Libertadores 2003 são alguns dos destaques do doc que prova a força do futebol no Brasil fora do Sudeste, Sul e Nordeste.
  • Bahêa Minha Vida – O Filme (2011) (100’).  Direção: Márcio Cavalcanti. É uma ópera-pop sobre a paixão do torcedor de futebol, de modo geral, e em especial, do torcedor do Bahia… Bahêa! É um filme muito musical, e vindo de Salvador não poderia ser diferente. Despertam atenção e emoção os cinematográficos clips – vários – presentes no documentário, do hino oficial do Bahia, da música “O Campeão dos Campeões”, da adaptação do sucesso dos Mamonas Assassinas que outras torcidas cantam, com outras letras, dos gritos de guerra da massa tricolor. Armandinho (de A Cor da Som, do trio elétrico) arrebenta, tocando o hino do Tricolor de Aço na guitarra baiana. É também um filme de imagens impressionantes: arquivo da primeira Taça Brasil (Bahia campeão em cima do Santos), em 1959, o reencontro dos heróis, Fonte Nova com 110 mil pessoas na reta final do Brasileirão de 1988, um Ba-Vi com 97 mil pagantes, a invasão e a tragédia no dia do acesso à Série B, a implosão do estádio para a reforma, os torcedores de mãos dadas rezando Pai-Nosso, depois que um jogador contou a imagem de um sonho. Um filme de torcedores, sobre torcedores, para torcedores. Documentário nacional mais visto em 2011. Prêmio: Taça Cinefoot de melhor longa no júri popular, em 2012. Passa em 14 de outubro de 2016, no Canal Brasil, às 22h.
  • Boleiros – Era Uma vez o Futebol (1998) (98′). Direção: Ugo Giorgetti. Não tem como não se lembrar do juiz encarnado por Otávio Augusto quando um árbitro da vida real mandar voltar pênalti até o cobrador acertar… Lima Duarte faz  técnico linha dura na concentração… parece uma mistura de Telê com Felipão… Giorgetti costura com maestria episódios sobre ex-craque na pior, menino dividido entre futebol e crime, macumba como salvação de joelho de jogador… E o elenco é maravilhoso: além de Otávio Agusto e Lima Duarte, Rogério Cardoso, Cássio Gabus Mendes, Adriano Stuart, Flávio Migliaccio, Marisa Orth, Denise Fraga! Prêmios: melhor direção no Festival Internacional de Amiens (França) e troféu APCA de melhor roteiro. Sexta, 21 de outubro, às 22h. Também pode ser comprado ou alugado no You Tube.
  • Campo de Jogo (2014) (70’). Direção: Eryk Rocha. Poucas vezes a gorduchinha foi tão bem tratada pelas câmeras do cinema como a final de campeonato anual de favelas, entre o Esporte Clube Juventude e o Geração Futebol Clube, neste “Campo de Jogo”.  O tratamento a times amadores como Juventude e Geração, seus jogadores, seus técnicos e seus torcedores é semelhante ao que as lentes do Canal 100 davam ao futebol campeão do mundo. “Campo de Jogo” tem 71 minutos sem narração, sem voz em off, sem entrevistas. Só um balé de imagens (preste atenção na cena do juiz cercado), outro show de captação de som ambiente  e ótima trilha sonora. Passa em 28 de outubro, às 10 da noite, na mostra do Cinefoot no Canal Brasil.

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O filme sobre Nilton Santos, “Ídolo”, em cartaz no Now, iTunes e Google Play.

Por falar em Alzheimer, o da poltrona já pode ver em casa o sensível documentário de Ricardo Calvet que acompanhou Nilton Santos já no fim da vida. “Ídolo” pode ser alugado no Google Play, iTunes e Now – dica do Antônio Leal, do festival CINEfoot.

O filme "Ídolo" já pode ser visto na sua casa.
O filme “Ídolo” já pode ser visto na sua casa.

Com precioso arquivo, incluindo narrações de rádio, “Ídolo” conta a carreira do craque conhecido como Enciclopédia do Futebol tanto no Botafogo como na Seleção (da reserva na Copa de 50 ao bicampeonato mundial em 58 e 62, passando pela Batalha de Berna, contra a Hungria, em 1954. A equipe de Calvet acompanhou Nilton Santos na clínica onde estava internado, o documentário tem ainda depoimentos de Zico, Junior, Evaristo de Macedo, Zagallo, Amarildo, Carlos Alberto Torres, PVC, Luiz Mendes, Just Fontaine, Dino Sani, Mengálvio, Coutinho, Pepe, Gerson e da jornalista Sandra Moreyra, que era botafoguense como o pai, Sandro, amigo de Nilton Santos e de Garrincha. Continuar lendo “O filme sobre Nilton Santos, “Ídolo”, em cartaz no Now, iTunes e Google Play.”

Geneton, um craque da arte de entrevistar.

O Brasil já não é um país muito preocupado com memória e esta semana perdeu um obstinado pelos grandes fatos da história. Morreu o jornalista e escritor pernambucano Geneton Moraes Neto. Partiu cedo demais. Deixou mulher, três filhos, quatro netos … e onze livros. Entre eles, Dossiê 50. O subtítulo explica: “um repórter em busca dos onze jogadores que entraram em campo para serem campeões do mundo em 1950, mas se tornaram personagens do maior drama da história do futebol brasileiro”.

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Foi frango de Barbosa? O lateral Bigode deveria ter cometido falta em Ghiggia? Nilton Santos deveria ter jogado? Houve falha de cobertura de Juvenal? Obdulio Varela deu um tapa em Bigode? A troca de concentração atrapalhou o sossego do elenco? E o clima de ‘já-ganhou’? Geneton deu voz aos 11 titulares da seleção de 1950 – Barbosa, Augusto, Juvenal, Bigode, Bauer, Danilo, Zizinho, Friaça, Jair Rosa Pinto, Ademir Menezes e Chico – e também ao treinador Flávio Costa. Para a caprichada reedição de 2013, lançada pela Maquinária Editora, entrevistou também o uruguaio Alcides Ghiggia, autor do gol do título. O livro virou filme, exibido na GloboNews e no festival CINEfoot.
E como se não bastasse todo o esforço de reportagem de ouvir todos os personagens, o texto ainda é espetacular.

Geneton batalhou pela “anistia” aos onze condenados do Maracanazo (especialmente Barbosa e Juvenal). Isso, antes do 7×1 no Mineirão, que libertou de vez a seleção de 50 (e deveria ter reabilitado também a camisa branca – como a da réplica da foto acima- amaldiçoada depois da conquista uruguaia no Rio).
Geneton morreu dois dias depois de outra grande decisão no Maracanã, guardadas as proporções entre uma final de Copa do Mundo e uma final olímpica. Continuar lendo “Geneton, um craque da arte de entrevistar.”

Estádio Independência

Estádio Independência

Era assim (foto do site WorldStadiums.com)…

http://www.WorldStadiums.com

Ficou assim (foto do site do América)…

http://www.americamineiro.com.br
Atlético x São Paulo no Independência. Brasileirão de 2014.
Atlético x São Paulo no Independência. Brasileirão de 2014.

Estádio não ganha jogo, mas pode ajudar. A reforma de 201o-2012 transformou o estádio Independência num alçapão. Hoje, a capacidade é para 23 mil pessoas. Poderia receber mais alguns milhares de torcedores se a tivesse arquibancadas atrás de um dos gols.

Arena com um gol sem torcida atrás: um visual sui generis, no Horto.
Arena com um gol sem torcida atrás: um visual sui generis, no Horto.

O Independência, que já foi do Sete de Setembro (hoje licenciado), pertence ao América Futebol Clube

Coelho x Lusa, série B 2014.
Coelho x Lusa, série B 2014.

… mas quem tem levado mais gente ao Independência é o Atlético desde a reinauguração, em 2012. Em 2015, a média até 13 de junho é de 17.772 atleticanos por jogo (66 por cento de ocupação das cadeiras). No Horto, o Galo fez grande parte das inacreditáveis campanhas da Libertadores 2013 e da Recopa 2014.

Galo x Tricolor no Horto, BR-2015.
Galo x Tricolor no Horto, BR-2015.

O Independência foi construído pelo poder público para a Copa do Mundo de 1950, quando recebeu 3 partidas, inclusive a zebraça Estados Unidos 1×0 Inglaterra, tema do filme Duelo de Campeões (The Game of their Lives) – leia no post anterior que as cenas de jogo do drama boleiro foram filmadas  não em BH, mas no Rio, no estádio das Laranjeiras.DSC05986

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#MaracanáLaPelícula. O filme sobre o Maracanazo, no Canal Brasil.

Sexra, 25 de novembro, 22h, Canal Brasil. Replay terça, 13h30.
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Um filme sobre a Copa de 1950 estreou no escurinho do estádio – o mítico estádio da copa de 1930, vencida pela mesma seleção. A primeira sessão de Maracaná – La Película” (de Sebastián Bednarik e Andrés Varela) levou 10 mil torcedores, digo, espectadores ao Centenário, em Montevidéu. É uma coprodução celeste-canarinho (envolveu produtoras uruguaias e brasileiras) que procura mostrar o lado tanto do campeão, como do vice, no que para nós brasileiros foi uma tragédia, a derrota de virada no jogo decisivo do quadrangular final da Copa de 50, no Maracanã lotado.  O #Maracanazo teve todo um clima de “já ganhou” e a pressão política para que o Brasil conquistasse a Copa, num ano de eleição, incluiu o discurso do prefeito do Rio, Mendes de Morais.

Brasileiros, cumpri minha palavra construindo este estádio. Cumpram agora seu dever, ganhando a Copa do Mundo.

Maracanazo… Por si, um assunto caro aos brasileiros… Não somos um povo melancólico… mas como adoramos debater nossas grandes derrotas nos gramados! 1950… 1982… 1998…
Ainda mais num ano de outra Copa do Mundo no Brasil – e de eleições também – conhecer melhor a exploração política do esporte nunca é demais.
Antonio Leal, do CINEfoot, esteve na sessão realizada no estádio Centenário. O documentário “Maracaná – La Película” (título original) é uma das atrações do festival de cinema de futebol. Em São Paulo, quinta-feira, 29 de maio, às 20h, no Museu do Futebol (estádio do Pacaembu). Grátis. Mas é bom chegar pelo menos 1 hora antes pra pegar o convite.
Mas as imagens raras, históricas, e a montagem do trailer, que você pode ver abaixo, já deixam ansioso qualquer espectador interessado em bons filmes de futebol e documentários, de modo geral, como eu e você que me lê.
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