“O Pai do Gol” no CINEfoot

Abril de 2013

http://www.flickr.com/photos/cinefoot
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www.OleProducoes.com.br
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O filme de Luiz Ferraz sobre o locutor José Silvério, “O Pai do Gol”, que foi exibido no É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, também vai passar no CINEfoot em Sampa e no Rio. O curta acompanha Silvério na transmissão de um São Paulo x Flamengo no Morumbi. Sem mostrar cenas do jogo – a câmera na cabine se volta para o locutor- você fica imaginando os lances (tentando se lembrar, se viu a partida), exatamente como no rádio. E conhece um pouco mais sobre o método de trabalho do locutor que narra …

EspAAAlma, Felipe

Pra fOOOra

… e completa

que golAÇO!

Tem 17 minutos e foi captado em HD.
Confira as sessões do CINEfoot no Rio e em São Paulo.

Os Rebeldes do Futebol (Les Rebelles du Foot) abriram o CINEfoot 2013.

Publicado em 31 de dezembro de 2012
No período de festas, os canais de esporte aproveitaram o recesso do futebol no Brasil para estrear ou reprisar documentários quase sempre muito interessantes. Já falei aqui das séries “Memórias do Chumbo”, do Lúcio de Castro, sobre a ação das ditaduras sul-americanas na Operação Condor, e “Hei de Torcer”, sobre pequenos e simpáticos clubes cariocas. Um dos destaques dessa rodada de docs na programação de fim de ano foi também “Os Rebeldes do Futebol“, produção francesa de Gilles Perez e Gilles Rof muito bem ancorada pelo (ex?)-bad boy Eric Cantona. Ele costura as histórias de cinco rebeldes escolhidos pelo doc: Didier Drogba, colaborando para a paz na sua Costa do Marfim; o argelino Rachid Mekhloufi, que trocou o sucesso no Saint-Étienne pela causa (e time!) da Frente de Libertação Nacional no seu país, quando dominado pela França; o chileno Carlos Caszely, ex-atacante do Colo Colo, Levante, Espanyol e seleção chilena, que teve a coragem de se recusar a apertar a mão de Pinochet, quando o ditador estava no poder; o bósnio Pedrag Pasic, que encarou as consequências da guerra em Sarajevo, e encerrando o programa, o doutor Sócrates e a democracia corintiana. Emocionante!

http://lesrebellesdufoot.com/

“Rebeldes do Futebol” é bem produzido, bem filmado, tem bom arquivo. Um dos pontos altos é um vídeo da campanha do “Não” contra Pinochet. Uma senhora relata que foi vítima de tortura da ditadura chilena. A câmera abre e mostra o filho dela, Carlos Caszely. Ela foi torturada pelos milicos em retaliação contra a atitude do filho! Caszely é também personagem do episódio Chile da série “Memórias do Chumbo”. Aliás, o filme “No”, que retrata o plebiscito chileno, está em cartaz. Recomendo.

Nos créditos, os entrevistados de “Rebeldes” como Raí e Wladimir vão levantando a gola das camisas – à la Eric Cantona. Maneiro! Se passar de novo no Sportv, não perca.

Atualizando: depois do festival de Cartagena, a carreira internacional dos Rebeldes continuou no BCN Sports Film – Barcelona International Ficts Festival, entre 18 e 20 de abril, e no CINEfoot. Abre o festival no Rio, quinta, 23 de maio, 20h30, Espaço Itaú de Cinema – Praia de Botafogo. E em São Paulo, 6 de junho, 20h, Museu do Futebol.

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“Memórias do Chumbo – O Futebol nos Tempos do Condor”

Memórias do Chumbo – O Futebol nos Tempos do Condor. IMAGEM : Flickr.com/photos/Cinefoot
 Flickr.com/photos/Cinefoot

Em janeiro fez 31 anos que o Uruguai organizou a Copa de Ouro, mais conhecida como Mundialito. A Copa de Oro reuniu em 1981, no estádio Centenário de Montevidéu, as seleções até então campeãs mundiais de futebol. A Celeste, dona da casa, a Alemanha, a Argentina, o Brasil, a Itália e no lugar da Inglaterra, a Holanda. O Mundialito foi organizado pelo governo militar uruguaio para promover o regime, num período de plebiscito. Está num dos quatro episódios da excelente série de Lúcio de Castro, “Memórias do Chumbo – O Futebol nos Tempos do Condor”, que a ESPN Brasil estreou no final de 2012. E foi selecionado para a mostra competitiva do festival CINEfoot, no Rio e São Paulo.

E o episódio sobre o Uruguai é um dos melhores da série. Falando em bom português, o escritor uruguaio Eduardo Galeano – que é apaixonado por futebol – diz que, ao organizar o Mundialito com fins políticos, o governo uruguaio viu o tiro sair pela culatra. Durante a final (Uruguai 2×1, sobre o Brasil de Telê), no Centenário, o povo vaiou bandas militares e gritou o refrão:

“Se va a acabar, se va a acabar, la dictadura militar”

O episódio que mostra o uso do futebol pelo poder político-militar no Uruguai ainda tem depoimentos como os de

  • Lilian Ceriberti, sequestrada pela Operação Condor, orquestração repressiva coordenada pelas ditaduras de países como Argentina, Brasil, Chile e Uruguai. Entre os torturadores de Lilian, estava (pasmem!) um ex-jogador de futebol brasileiro (Didi Pedalada);

edefensor

  • Gerardo Caetano, historiador, ex-jogador do Defensor Sporting, que conta como os jogos do Defensor viraram uma espécie de catalisadores dos protestos políticos, incluindo até volta olímpica pela esquerda. Parênteses: no mínimo curioso e digno de aplauso que um país tenha entre seus intelectuais um ex-jogador como Gerardo Caetano e um fã, como Eduardo Galeano!

O episódio sobre o Brasil fala, por exemplo, da derrocada de João Saldanha do comando da seleção brasileira. O da Argentina, dos gritos dos torturados na ESMA enquanto a torcida vibrava com as vitórias da seleção alviceleste no Monumental de Nuñez, na Copa de 78. E o do Chile, do centro de prisão e tortura que virou o estádio Nacional e da coragem do jogador Carlos Caszely, que se recusou a apertar a mão do ditador Pinochet. E muito mais, como a omissão de cartolas dos mais poderosos do mundo do futebol.

Vale a pena ficar de olho em novas reprises. São 4 episódios. Veja o trailer aqui. O blog do Lúcio de Castro tem extenso material sobre a série.  Confira aqui as sessões de “Memórias do Chumbo” na edição carioca do CINefoot e na versão paulista do festival. Continuar lendo ““Memórias do Chumbo – O Futebol nos Tempos do Condor””

A Copa Perdida | Il Mundial Dimenticato

O “Mundial” de 1942 tem até cartaz oficial, no filme italiano

Novas chances para ver A Copa Perdida (ou A Copa Esquecida, Il Mundial Dimenticato), que ganhou um dos prêmios de público da Mostra de SP, passou na Semana Pirelli de Cinema Italiano, e foi convocado para a mostra competitiva / longa-metragem do CINEfoot no Rio de Janeiro. A edição carioca do festival de cinema de futebol será entre 23 e 28 de maio.
A película de Lorenzo Garzella e Filippo Macelloni buscou inspiração no conto “El Hijo de Butch Cassidy”, do escritor e jornalista argentino Osvaldo Soriano (*1943/+1997), torcedor do Ciclón, o San Lorenzo. Trata-se de um “mockumentário”, um falso documentário sobre a suposta Copa do Mundo disputada na Patagônia, em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial. E o resultado é muitas vezes hilário… como as cenas que mostram as criativas câmeras usadas para “documentar” o “Mundial”… os gols impossíveis… o jeito com que os “juízes” expulsam jogadores de campo… e a figura roliça de certos “jogadores”. Aspas são uma boa mesmo para definir “Uma Copa Esquecida” (como fez o “Estadão”): um “documentário” entre aspas.  E não é indicado apenas pra quem gosta de futebol e de filmes de futebol, não. Basta entender o humor das cenas. Tinha gente se esbaldando de dar gargalhada na sessão que eu vi.
Sessão no CINEfoot: segunda 27 de junho, a partir das 21h15, no Espaço Itaú de Cinema – Praia de Botafogo.
Veja o trailer do premiado “documentário” italiano.

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“Montevidéu – O Gosto do Sonho” no CINEfoot

http://www.flickr.com/photos/cinefoot
MONTEVIDEO, BOG TE VIDEO: http://www.flickr.com/photos/cinefoot

30 de julho de 1930: o Uruguai bate a rival Argentina por 4 a 2 e vence o primeiro Mundial, no estádio Centenário.
Tive a oportunidade de ver o filme sérvio Montevideo, God Bless You (ou Taste of a Dream). Ficção que conta a história da preparação da Iugoslávia, uma das quatro seleções europeias a cruzar o Atlântico para disputar a Copa no Uruguai (eram duas semanas de viagem para vir, outras duas pra voltar…).

O filme de Dragan Bjelogrlic escolhe os atacantes Tirnanic e Marjanovic como principais personagens e tem muitas cenas de treinos e amistosos lá na Iugoslávia. Gostou do brasileiro O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias? Recomendo que fique de olho quando Montevideo passar num cinema perto de você – na 35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, foi exibido como “Montevideo – O Sonho da Copa“. E agora está de volta, no festival CINEfoot, no Rio (domingo, 26 de maio, 21h15, Espaço Itaú de Cinema – Praia de Botafogo). Tem o tema da amizade, romance, um pouco de política… e bola na rede!

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A amarelinha. E os “Gaúchos Canarinhos”.

O clássico visual amarelo, com detalhes em verde, calção azul e meia branca, foi criado pelo desenhista gaúcho Aldyr Schlee, que venceu um concurso do jornal Correio da Manhã. Tema do documentário Gaúchos Canarinhos, da produtora Estação Elétrica. Dá para ver o trailer no YouTube ou no site da produtora, que também fez um filme sobre o Renner, campeão gaúcho de 1954 (Papão de 54).

“O Milagre de Berna”

O MILAGRE DE BERNA (Das Wunder von Bern), de Sönke Wortmann
O MILAGRE DE BERNA (Das Wunder von Bern), de Sönke Wortmann

Este filme passou rapidinho pelos cinemas brasileiros no final de 2004, começo de 2005, mas vale a pena procurar o DVD. É uma ficção que tem como pano de fundo a campanha campeã da seleção da Alemanha (Ocidental), na Copa da Suíça, em 1954.  E por que o feito é considerado o Milagre de Berna? É que na época o gigante do futebol era a Hungria, de Puskas e companhia. Na primeira fase, a Alemanha tomou de 8×3 do time de Puskas. Verdade que poupou titulares, sim. Na final, a favoritaça Hungria e a Alemanha voltaram a se enfrentar. O time vermelho chegou a abrir 2×0 no placar, mas tomou a virada (tá certo que o juiz anulou um gol húngaro). Final, 3×2, Alemanha campeã do mundo pela primeira vez. E esta simpatícissima produção alemã ajuda  a entender porque jogadores como Fritz Walter e Rahn são lembrados até hoje nesta grande potência do futebol. O roteiro é OK e chamam muita atenção as elogiadas cenas que recriam -em cores- lances decisivos da Copa do Mundo de 54, com ótima caracterização da época. Até o ator Henrik Benboom, que faz o papel de Puskas, usa aquele topete repartido ao meio do maior craque húngaro de todos os tempos… Golão, golão, golão.