Shine a Light

stones Já reparou como são boas as trilhas de filmes de Martin Scorsese? Pega Cassino. Tem Muddy Waters, Otis Redding, Little Richard, Ray Charles, Cream, Jeff Beck, Devo, BB King e … várias dos Stones. A de Inflitrados também é muito boa. O diretor nova-iorquino já dirigiu filmes sobre Bob Dylan (No Direction Home), The Band (O Último Concerto de Rock/The Last Waltz), produziu série sobre blues … e em 2008 lançou o seu filme concerto sobre os Rolling Stones, Shine a Light.. Sim, porque há vários filmes com os Stones. Let Spend the Night Together, Gimme Shelter, One Plus One/Sympathy for the Devil etc. Nos anos 90, eu me lembro de ter visto Rolling Stones Live at the Max, feito para IMAX, em Nova York, numa sala dessas que só agora há pouco chegaram ao Brasil. Pois acabo de descobrir que nos EUA Shine a Light passou em cinemas IMAX, que raiva! Seria uma boa passar Stones em IMAX em São Paulo (alô Ademar…)
Bom, depois desse nariz de cera, expressão jornalística para começo de textos que fazem firula demais em vez de ir direto ao gol, vamos a Shine a Light, filmado em 2006 num aconhechante teatro de N.York, o Beacon. Seus primeiros 10 minutos servem como uma espécie de making-of: mostram os bastidores dos últimos acertos pra filmagem dos shows e chegada de Bill Clinton com 30 convidados. Depois, aumenta, que isso aí é roquenrol. Pra começar Jumping Jack Flash, que tantos roqueiros tocaram, mas é da dupla Jagger/Richards. Continuar lendo “Shine a Light”

Metal na tela: “Flight 666”

666poster520No começo dos anos 90, um certo fanzine chamado Headline publicou que só faltava um filme do Iron Maiden feito para o cinema. Pronto, não falta mais. Rolou nesta tarde, no cine Odeon, na tradicional Cinelândia, centro do Rio, a pre-estreia mundial do “rockumentário” Flight 666, que acompanha a turnê do agora sexteto inglês da Índia ao Canadá, a bordo do avião Ed Force One, muitas vezes pilotado pelo vocalista Bruce Dickinson. No filme, as perfomances da banda são apresentadas praticamente na ordem dos shows de 2008, começando por Aces High. Só que entre uma música e outra, há depoimentos da banda e equipe, sobe-sons quase reality show que mostram como cada músico é, ou aparenta ser, e fãs. Fãs que falam indiano, japonês, inglês com sotaque australiano, fãs que viraram músicos (Lars Ulrich/Metallica, Tom Morello, do Rage Against the Machine/Audioslave), espanhol com vários acentos  e português do Brasil. Aliás, os documentaristas Sam Dunn e Scot McFayden (que já tinham filmado Metal:a Headbanger´s Journey e Global Metal) acharam um fã de São Paulo com 162 ou 172 tatuagens relacionadas à Eddie pelo corpo, que inventou uma religião inspirada pelo Maiden(sério, com missa, batina e tudo!). É esse festival de idiomas e sotaques que, aliados à perfeita captação das músicas (em HD), com som potente (5.1), inspirado trabalho de câmera e edição ágil que fazem de Flight 666 um programão. Um filme feito por fãs, como os diretores fizeram questão de dizer, na entrevista dada no palco, junto com Nicko McBrain, após a projeção. Que os fãs de todo o mundo vão gostar. É bom abrir o olho: agora passa nos cinemas na madrugada de 20 para 21 de abril e também nos dias 24 e 25/04. Recomendo a todos fuçar o site da Moviemobz. e Ingresso.com. Pra não ficar sem poltrona no cinema. Depois, só no DVD.  Para ler meu texto sobre o show do Maiden no Rio clique aqui. Para detalhes e curiosidades sobre o filme, clique ao lado. Continuar lendo “Metal na tela: “Flight 666””

Seis vezes São Paulo

SoberanoPor falar em documentários sobre futebol, saiu no Daniel Perrone e outros blogs tricolores o lançamento da pedra fundamental do filme Soberano – Seis Vezes São Paulo – que vai tratar dos títulos brasileiros de 77, 86, 91, 2006, 07 e 08 pela ótica do torcedor. Na equipe, estão videomaker Carlos Nader, como diretor, Maurício Arruda como roteirista e o ex-titã Nando Reis como diretor musical (será que o nando publicará aquela canção sobre o São Paulo que tocou uma vez no Esporte Espetacular? Tomara!). Atenção, grande nação são-paulina: acorde porque a produção pede para você colaborar com vídeos e depoimentos.

PS atualizando em 23/08/2010.  Soberano estreia nos cinemas em 17 de setembro de 2010. Você pode ver o trailer no SPFCPedia.

Paixão por um time levada à telas. Esse é um mercado que só tende a crescer. Já tem filmes sobre o Flamengo (vários, existe até produtora especializada), Inter, Grêmio, Náutico etc. Bom porque não vai faltar assunto aqui pro blog.

Fenômenos de mídia

Semana Iron Maiden no blog, semana Ronaldo na mídia esportiva brasileira e, por que não dizer, mundial. Um dos “pratos” prediletos aqui do FutPopClube são as películas sobre futebol. Já abordei algumas, que você pode ler/reler nesta tag. Esta semana eu revi um documentário sobre o começo da carreira de Ronaldo, feito em vídeo. Ronaldo: Manual de Vôo (mantive o acento já que se trata do título da obra feita antes da reforma ortográfica). É uma produção hispano-brasileira de 1997, exibida muito tempo atrás pela ESPN Brasil, e que no passado assisti no Canal Brasil, graças a uma dica da coluna do crítico de cinema Amir Labaki, no jornal Valor. Continuar lendo “Fenômenos de mídia”

A bela da escola

Léa Seydoux, "A Bela Junie"
Léa Seydoux, "A Bela Junie"
No meio de tanto futebol e rock´n´ roll, uma dica de filme francês. A Bela Junie/La Belle Persone fala de uma francesinha que acaba de perder a mãe e muda para o colégio do primo e de cara arrebata corações e mentes de um colega (um rapaz que é a cara e o jeito do Dawson, do seriado Dawnson´s Creek) e do jovem professor de italiano (Louis Garrel, que fez Os Sonhadores com Bertolucci). Cinema francês é bastante falado, mas olha, eles sabem fazer filmes sobre “discutir a relação”. E neste aqui chama a atenção a beleza ártica de Léa Seydoux, como Junie. Lembra fisicamente a Mel Lisboa em Presença de Anita, mas no caso aqui do filme de Christophe Honoré a adolescente é tímida. bela062

“Control”. Vida, obra e morte de Ian Curtis.

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Classificação: 14 anos

“Control”, filme biográfico sobre o vocalista Ian Curtis, tem por trás das câmeras duas pessoas muito relacionadas à curta vida do vocalista do Joy Division. O diretor holandês Anton Corbijn, aqui em seu primeiro longa, que foi fotógrafo da banda (também do jornal New Musical Express e do U2), diretor de clips (Depeche, Nirvana) e ajudou a produzir a imagem do JD. O roteiro, premiado com na Inglaterra, é atribuído a Matt Greenhalgh e à esposa de Ian, Deborah Curtis, que escreveu a biografia “Touching from a Distance”.”Control” acompanha a formação do Joy Division, com foco na vida de Ian, interpretado por Sam Riley- o casamento com Deborah, a doença (epilepsia), a paixão pela jornalista belga Annik Honoré (vivida pela bonita atriz romena Alejandra Maria Lara, que fez a jovem secretária de Hitler em “A Queda”, está em “O Leitor” exatamente como vítima do nazismo, e aqui surge com cabelos compridos) e aborda de leve o suicídio do vocalista, aos 23 anos.

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Joy Division

No ano passado, dois filmes sobre a banda Joy Division e seu cantor Ian Curtins passaram quase que simultaneamente em salas paulistanas. Eu consegui ver no cinema  “Joy Division”, que é um documentário de visual sombrio, mas muito interessante. Com bastante informação, embora curtos demais os sobe-sons musicais. No próximo texto, “Control”, uma cinebiografia sobre Ian Curtis, que acaba de sair em DVD.

“1958 – O Ano em que o Mundo Descobriu o Brasil”

Já saiu em DVD o filme sobre a 1ª Copa do Mundo que a Seleção conquistou
Já saiu em DVD o filme sobre a 1ª Copa do Mundo que a Seleção conquistou

“Você sabia?”… O lateral-direito Djalma Santos, bicampeão do mundo pela Seleção – que chegou bem aos 80 anos, no último sábado – só jogou uma partida na Copa de 1958 (o são-paulino De Sordi sentiu uma contusão antes da final, contra os suecos, donos da casa). Djalma, então atleta da Portuguesa (jogaria ainda no Palmeiras e Atlético Paranaense), teria que marcar o ótimo ponta sueco Skoglund. Entrou e deu conta do recado tão bem que acabou escolhido para a seleção da Copa. Essa é uma das histórias contadas no documentário “1958 – O Ano em que o Mundo Descobriu o Brasil”, de José Carlos Asbeg, que estreou nos cinemas no ano passado (cinquentenário da conquista) e já saiu em DVD. O filme usa usa cenas oficiais da Copa, cedidas pela Fifa, e ouve depoimentos dos campeões mundiais Djalma, Nílton Santos, Dino Sani, Moacir, Zito, Mazzola, Zagallo e Pepe, mais o preparador Paulo Amaral. Didi, em material de arquivo. Estão no filme  suecos, vice-campeões, como os que marcaram na final, Simonsson e Liedholm (o dele foi um golaço). Franceses, como Just Fontaine, artilheiro recordista, e russos. Jornalistas como Luiz Mendes, Paulo Planet Buarque (que fala a frase que dá título ao filme) e João Máximo. Peraí, não ouviu Pelé? Essa foi uma crítica feita ao filme de Asbeg. Mas quer saber? Pelé já teve um filme inteiro pra ele. E é bom ouvir um pouco mais os outros monstros da bola. Todos salientam a importância para a conquista da Taça do Mundo não só de Pelé, mas de campeões que não estão mais entre nós: Garrincha, Vavá e o vice da CBD, Paulo Machado de Carvalho, que chefiou a delegação. A produção é cuidadosa, no acabamento de artes, nos cenários de entrevistas, na qualidade das imagens, no uso de históricas gravações de rádio em cima das cenas dos jogos –  vozes de locutores esportivos clássicos como Pedro Luiz, Edson Leite e Jorge Cury (a seca narração do gol de Gigghia que deu a Copa de 50 ao Uruguai, em pleno Maracanazzo). O que ficou um pouco confuso foi amarrar o filme todo em torno da decisão – os 5×2 contra a Suécia. E no meio desse momento glorioso ir contando a história: as tristes lembranças de 1950, a folha seca de Didi que classificou o Brasil pra Copa 58 e a campanha vitoriosa na Suécia. CLIQUE AQUI Continuar lendo ““1958 – O Ano em que o Mundo Descobriu o Brasil””

Titãs – A Vida Até Parece uma Festa

ATUALIZADO EM MAIO DE 2011
titas_cartaz1 “Só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder…”

Quantas vezes você ouve alguém cantarolando uma letra -como essa de “Go Back”- na poltrona do lado, na sala escura do cinema? Provavelmente só em filmes sobre música ou com trilha sonora de sucessos populares. “Titãs – A Vida Até Parece uma Festa” -dirigido pelo titã Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves- compila gravações caseiras, feitas com a câmera pessoal do vocalista, clips e arquivo de programas de TV. Sem narração em “off”, a história do octecto (hoje quinteto) é contada pelos depoimentos dos próprios músicos. Eu achei que funciona. E sobra bastante tempo para música. Mesmo quem não é assim o fã número 1 de Titãs pode se emocionar com o tratamento dado à perda de Marcelo Fromer, num lamentável acidente.  Pode dar risada com os primeiros registros de shows da superbanda, no teatro Lira Paulistana ou num bar mitzvah no clube Hebraica – ou antes ainda dos Titãs do Iê Iê Iê, da apresentação do Trio Mamão e as Mamonetes, Tony Bellotto à frente, cabeludo, num programa da extinta TV Tupi chamado Olimpop. Gozado, playback por playback, as colagens de apresentações dos Titãs dublando Sonífera Ilha, por exemplo, em programas como Hebe, Raul Gil, Bolinha, Barros de Alencar, Perdidos na Noite etc, dizem muito mais sobre um período do que os video-clips, mais recentes e muito mais caros.
EXIBIÇÃO NO FESTIVAL IN-EDIT BRASIL: Continuar lendo “Titãs – A Vida Até Parece uma Festa”

Bola na Tela: “Boleiros”.

Num hipotético Oscar nacional sobre filmes de futebol, com certeza Boleiros -Era Uma Vez o Futebol estaria no pódio. Não tem como não se lembrar do juiz encarnado por Otávio Augusto quando um árbitro da vida real mandar voltar pênalti até o cobrador acertar… Lima Duarte faz  técnico linha dura na concentração… parece uma mistura de Telê com Felipão… Giorgetti costura com maestria episódios sobre ex-craque na pior, menino dividido entre futebol e crime, macumba como salvação de joelho de jogador… Talvez uma crítica que se possa fazer a “Boleiros” é ser muito paulista. Mas quem gosta de futebol bem abordado, bem filmado, deve se identificar. E elenco é maravilhoso: além de Otávio Agusto e Lima Duarte, Rogério Cardoso, Cássio Gabus Mendes, Adriano Stuart, Flávio Migliaccio, Marisa Orth, Denise Fraga. Há uma continuação: Boleiros 2 – Vencedores e Vencidos, em cartaz no Canal Brasil neste mês de julho/2011.