“Eu sou você … amanhã?”

Grécia 2004. Portugal 2004. Brasil 2014 (mais Rio 2016!). “Eu sou você… amanhã”?

Sempre que leio as notícias sobre crise econômica na Grécia e em Portugal, não tenho como não me preocupar com o futuro do Brasil… A Grécia gastou os tubos com os Jogos Olímpicos de Atenas 2004. No mesmo ano, Portugal recebeu a Euro 2004. Muitos estádios e outros equipamentos erguidos para essas duas competições andam vazios… ou foram até abandonados. São elefantes brancos. Saca só os custos dos seis estádios usados na Copa das Confederações (para não falar dos outros seis da Copa do Mundo, três deles correndo o risco de serem os novos “Vaziozões”).

Arena Pernambuco, 16/06/2013: https://futpopclube.com/2013/06/17/da-lama-aos-caos/
Arena Pernambuco, 16/06/2013: https://futpopclube.com/2013/06/17/da-lama-aos-caos/
  • Estádio Nacional Mané Garrincha: R$ 1,2 bilhão (US$ 533 milhões)
  • Maracanã: R$ 1,049 bilhão (US$ 466 milhões)
  • Fonte Nova: R$ 699 milhões (US$ 310 milhões)
  • Mineirão: R$ 695 milhões (US$ 309 milhões)
  • Arena Pernambuco: R$ 532 milhões (US$ 236 milhões)
  • Castelão: R$ 518 milhões (US$ 230 milhões)

São estádios, ou melhor, “arenas” com padrão Fifa? São, sim senhor.  Mas a questão é que nada em volta atende o elevado padrão Fifa. O transporte até os estádios está longe de ser padrão Fifa. Não temos trens interestaduais e escolas sequer no padrão Conmebol. A segurança pública, então, passa longe do padrão Fifa. Se algum torcedor estrangeiro passar mal, poderá ver que há hospitais públicos e particulares sem padrão Fifa também. Aliás, muitas coisas na Europa, onde moram os senhores Blatter e Valcke, também não têm padrão Fifa. Na verdade, acho que eles moram em Marte. Não sabiam que no Brasil quase nada tem padrão Fifa? Que isso leva muito tempo para construir?

É muito maneiro assistir a um jogo perto do campo, sem pista de atletismo. Sem dúvida. Não que não possa ser uma experiência legal também se tiver uma pista na frente. Não vai impedir um time de jogar bem, se tiver talento. Não vai impedir que uma torcida faça uma festa linda – como a do São Paulo já fez tantas vezes no Morumbi, como os times romanos fazem no Olímpico da cidade eterna. Aliás, na Europa há excelentes estádios com pistas de atletismo.  A final da Copa de 74 foi num deles, hoje esquecido pelo futebol. Vai me dizer que Alemanha de Beckenbauer x Holanda de Cruyff não fizeram uma grande decisão?
Os três times mais rentáveis do mundo em 2012 (Real Madrid.Barcelona e Manchester United) não têm exatamente estádios novos. Vai me dizer que não poderia ter jogo de Copa do Mundo no Maracanã já bem reformado para o Pan 2007? No Mineirão ou no Castelão de antes das últimas reformas ou no Pacaembu? Com um mínimo de boa vontade, vai me dizer que não poderia ter abertura do Mundial no Morumbi? Não faz tanto tempo assim -Zidane, Ronaldo, Rivaldo jogavam (muita) bola-  fui à Copa de 1998 na França (aliás, bem bagunçada no quesito ingressos; e houve muita briga de torcida) e, com exceção do Stade de France, não havia assim nenhuma arena galática. O Velódrome de Marselha, só agora está ganhando cobertura. O estádio Lescure, em Bordeaux, parecia um pouco com um Parque Antarctica – o de antes da reforma. Aliás, o futuro Allianz Parque (construído pela W Torre) não foi sequer considerado para o Mundial. Nada contra o Beira-Rio, vai ficar bonito, mesmo sem ter público assim tão pertinho do campo como no new Maraca, mas por que o estádio colorado foi convocado para a Copa e a Arena do Grêmio não?

Quem vai jogar no Mané Garrincha? Os grandes times do Rio de Janeiro? Pode ser, porque no Maracanã, não há acerto entre os futuros concessionários e o Flamengo, time de maior torcida. Mineirão: o Cruzeiro não tem lotado o estádio apesar de seu forte programa de sócio; o Galo prefere jogar no Independência, mais barato … e um alçapão fatal para o time visitante. O Castelão não lotou na rodada dupla de reinauguração, com partidas dos dois maiores times do Ceará. E a Arena Pernambuco? É bonita, tem uma acústica interessante, mas fica muito longe do centro do Recife (veja post anterior). Sport e Santa não abriram mão de seus estádios. Sobrou para a torcida do Náutico.

Governar não é construir estádios.

E como dizia pelo menos um cartaz no Castelão em Brasil x México, também “queremos hospitais padrão Fifa”.

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“Taitíbis”

Camiseta Taitíbis, da IbisMania. Reprodução: twitter @ibismania
Camiseta Taitíbis, da IbisMania. Reprodução: twitter @ibismania

O humorado pessoal da Ibismania bolou uma camiseta que relaciona a simpática seleção do Taiti com o Íbis, clube pernambucano de Paulista (região metropolitana do Recife). Muito ao contrário do Politheama de Chico Buarque, o Íbis Sport Club cultiva a fama de ser o “pior time do mundo” (tem até camisa oficial em loja para turistas no aeroporto do Recife).

Brincadeiras à parte… O Íbis, digo, o Taiti levou 16 gols nas duas primeiras rodadas da Copa das Confederações – quase um gol a cada onze minutos… mas é muito bacana a presença dos campeões da Oceania na Confed 2013.  Um espírito olímpico, tipo “o importante é competir”. Quase o tal do “ódio ao futebol moderno”. Continuar lendo ““Taitíbis””

Japão 2014, no traço de Lais Sobral.

Arte: LAIS SOBRAL : http://www.flickr.com/photos/lais-sobral/
Arte: LAIS SOBRAL : http://www.flickr.com/photos/lais-sobral/

Quando pedi à artista plástica Lais Sobral uma arte sobre o Japão, queria homenagear a classificação dos samurais azuis para a Copa do Mundo 2014. O “J-team” já foi eliminado da Copa das Confederações… mas caiu de pé, pô! Que jogo foi aquele conta a Itália, que emoção, quantas mudanças de rumo!  Agora, é o tal negócio… a torcida pró-Japão gritar ‘olé’ para Itália quando os samurais tinham 2×0 no placar… a Azzurra é uma squadra que não dá para cutucar com vara curta, não se pode bobear (como Alemanha, Uruguai, Corinthians, Boca…).

Mas este post aqui é sobre o Japão… eu já tinha gostado da festa das torcida do país do sol nascente na classificação para 2014… e gostei desse time que veio ao Brasil. O talento do Kagawa, a concentração do Honda… Os japoneses deram azar de cair no mesmo grupo dos dois maiores campeões das Copas… e perder as duas primeiras partidas. Mas o futebol tem presente e futuro do outro lado do mundo. E claro, Zico e todos os brasileiros que trabalharam lá têm muito a ver com isso. Continuar lendo “Japão 2014, no traço de Lais Sobral.”

Leão de Cannes para o Leão da Ilha

“Pelo Sport tudo. Até depois de morrer.” A campanha para aumentar a captação de doadores de órgãos, bem bolada pelo marketing do Leão da Ilha, o Sport Club do Recife, da agência Ogilvy e da produtora Homem de Lata já faturou um Grand Prix,  dois Leões de Ouro e um de Prata no Festival Internacional de Criatividade Cannes … Lions! Confira o vídeo.

Outra ação do bem lançada por um clube brasileiro faturou leões no festival de publicidade de Cannes. Por coincidência, outro Leão. O Leão da Barra, o Vitória. A campanha “Meu Sangue É Rubro-Negro”, que chegou a tirar o vermelho da camisa do clube para ir devolvendo aos poucos, à medida que surgiam novos doadores de sangue. Confira no post anterior.  Continuar lendo “Leão de Cannes para o Leão da Ilha”

“Gazpacho mecânico”, o carrossel espanhol.

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No comentário de amigos “futboleros” (pra usar um termo espanhol) como Beto Xavier ou no texto de cronistas como o Zanin, do Estadão, surgem comparações entre o tiki-taka da Espanha e o futebol total da Holanda, a Laranja Mecânica de 1974. Aliás, Cruyff também brihou no Barça e continua sendo uma espécie de guru, de mentor, do ofensivo estilo do campeão espanhol. Mas esta geração da Roja ganhou o que a Laranja de Cruyff não conquistou. Um Mundial, duas Euros…
Grave, baixe, aperte o botão curtir para as partidas da Espanha, enquanto é tempo.
Ah! La Rojita, a seleção sub-21 da Espanha, acaba de conquistar sua segunda Eurocopa seguida, com vários jogadores já titulares em seus clubes.
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O sangue rubro-negro do Vitória voltou

Um Leão de Ouro e outro de prata para este anúncio do Leão da Barra, o Vitória, no Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions.

Fut Pop Clube

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A bandeira do Vitória ficou alguns dias estendida na varanda do apartamento paulistano de um torcedor do Leão da Barra, para comemorar a volta à Série A do Brasileirão  – até que alguém reclamou… Sempre tem…

Vai dar trabalho para todo mundo que for jogar lá em Salvador (acredito que o clube continuará mandando seus jogos no Barradão; sei que o rival tricolor acertou com os administradores da Fonte Nova para mandar jogos no estádio reerguido).

Li no Futebol Marketingque a campanha Meu Sangue é Rubro-Negro ganhou o prêmio Marketing Best. Bom gancho para o Fut Pop Clube aqui mencionar essa campanha sensacional do Vitória e da Penalty, o que eu não fiz na época.

Bela ideia! Gostei demais da camisa, que chegou a ficar sem o vermelho, com listras horizontais só pretas e brancas e aos poucos foi ganhando “sangue”, para ressaltar a importância da doação…

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Da lama aos caos.

Grande Recife, 16 de junho de 2013
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Rolê do Fut Pop Clube pela Arena Pernambuco, um dos estádios da Copa de 2014, em noite de Espanha 2×1 Uruguai, pelo grupo B da Copa das Confederações 2013. Mas também poderia chamar de perrengue. Perrengue para chegar ao estádio, mesmo saindo com quatro horas de antecedência de Boa Viagem, o bairro onde estão os hotéis no Recife. E aí é que mora o primeiro problema: a Arena Pernambuco foi construída em outro município, São Lourenço da Mata. Pra chegar lá, de transporte público, tem que fazer algumas baldeações e enfrentar superlotações em trens, plataformas e ônibus, que fazem o “shuttle” entre o estádio (oops, arena) e a estação de Metrô mais próxima (Cosme e Damião). No shopping Recife, saída 3, perto do Parque das Esculturas, com o ingresso na mão, tive direito a pegar de graça um ônibus até o Metrô. Até aí tudo bem, era um ônibus atrás do outro e o trajeto até a estação Joana Bezerra foi curto. Na estação Joana Bezerra, tomei o Metrô até a estação Recife, de onde partem os trens para a região da Arena Pernambuco.
Tem que pegar o trem sentido Camaragibe e descer na estação Cosme e Damião. Em cada estação, o trem vai lotando… na tarde deste domingo, com chuva, pelo menos um trem circulou com velocidade bem lenta. Olha a lotação na foto abaixo.

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16 de junho de 2013: vagão do Metrô do Recife superlotado, no caminho da Arena Pernambuco

Quando finalmente cheguei à estação Cosme e Damião, olha como estava lotada a plataforma.

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Torcedores dos países visitantes também passaram por isso. O que é eles vão dizer?
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Da lama ao caos

Da estação Cosme e Damião, é necessário pegar um ônibus para o novo estádio, também de graça nos dias de Copa das Confederações. Poderia haver mais organização de filas… e um pouco mais de educação das pessoas que pegam a condução. Como por exemplo, respeitar quem está na frente.
O ônibus para a cerca de um quilômetro da Arena Pernambuco. Caminhada sujeita a chuva (como a que caiu domingo), não tem onde se proteger. Na frente do estádio, há um posto de detector de metais – um espaço apertado. Os funcionários não fazem a mínima questão de ajudar o torcedor a deixar objetos na bandeja, como aquela dos aeroportos. Em volta desse posto, estava tudo alagado. Resultado: tênis encharcado.
A Arena em si é bacana, sem dúvida. Padrão Fifa, padrão dos estádios mais modernos da Europa. Mas será que era necessária, numa capital com tantos problemas sociais como Recife, que já tinha três estádios? No domingo de Espanha x Uruguai, faltaram funcionários com capacidade de informar corretamente os locais dos ingressos – pelo contrário, um até passou informação errada. E aí fica aquele constrangimento. “Este lugar é o meu”. “Não, é o meu”.

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Arena Pernambuco, 16 de junho de 2013: uma hora e 15 minutos antes da partida.

E se quase duas horas da partida já havia filas nas lanchonetes, imagine no intervalo…

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Para evitar uma grande muvuca na saída, em busca de transporte, o jeito foi deixar a Arena Pernambuco minutos antes do fim da partida – ouvi do lado de fora o grito de gol do Uruguai. Mesmo assim, havia já uma grande fila para pegar o ônibus de volta para a estação Cosme e Damião do Metrô. Lá cheguei às 21h28. E daí em diante o trem seguiu normalmente até o centro do Recife. Mas ouvi relatos de quem levou três horas para chegar em casa.
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Claro, há uma vontade das autoridades de acertar, é oferecido transporte à Arena. Veja o site http://www.pernambuconacopa.com.br/pt/index.php. Pra mim, o erro foi construir um quarto estádio tão longe. Eu me pergunto se em dia de jogo do Náutico num meio de semana, às 22h, haverá esse esquema de transporte. E como será a chegada de torcidas num clássico, Náutico x Santa, Náutico x Sport? O próximo jogo na Arena Pernambuco é Itália x Japão nesta quarta-feira, 19 de junho, também às 19h. Uma das seis partidas da Copa do Mundo será também às 19h. Sofrimento certo para o torcedor voltar ( e pasmen, haverá 2 jogos às 13h!).

De resto, palmas para o torcedor pernambucano, maioria absoluta nesse grande jogo que foi Espanha 2 x1 Uruguai. Aplaudiu, vaiou… Começou torcendo pelo Uruguai, vibrou com as boas jogadas da Espanha, vaiou os jogadores que apareciam no telão com faltas feias… Fez a ola… Vaiou quando a Espanha administrou demais o jogo,  ovacionou o uruguaio Diego Forlán quando ele entrou, no meio do segundo tempo… e quando o jogo ficou chato, começou com gritos de guerra dos times da terra. Sport, Tricolor e Timbu.DSC02415
Link: hotsite do governo de Pernambuco – saiba como chegar à Arena Pernambuco

Espanha 2×1 Uruguai

Espanha 2×1 Uruguai

DSC02402wpid-2013-06-16-09.44.05.jpgHoje eu tive o prazer de ver pela primeira vez in loco a atual melhor seleção do mundo. A Espanha, que continua a mesma. Bola de um lado, bola do outro – parece uma rodinha de bobo –  e quando o adversário menos espera, aparece um espanhol livre atrás da zaga.
O público brasileiro não demonstrou muita paciência com esse talde tiki-taka. Vaiou a posse de bola espanhola. Mas a certa altura entrou na obda egritou “olé”. Com menos de 30 minutos de jogo. Foi um vareio na peimeira etapa e a perfeição dessa linha de passe impressiona. Tudo sob o comando do maestro Iniesta – um dos maiores jogadores da história.

La Roja festeja o 1º gol, de Pedro.
La Roja festeja o 1º gol, de Pedro.

No segundo tempo, a Espanha administrou.
Não demoraram as vaias. E os torcedores preferiram gritar os nomes de seus times. Santa Cruz, Sport, Náutico. Impressionante como a torcida ovacionou a entrada do uruguaio Forlán, a tantos quilômetros de onde ele nasceu e de onde joga…

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O uruguaio Suárez descontou.
Se os espanhóis soubessem o perrengue que cada torcedor passou pra chegar e sair da Arena, para achar seu lugar, tentar comprar comida. . . Mas isso é tema pro próximo post, amanhã.
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