“Samba Futebol Clube”: em cartaz em São Paulo até 1º de dezembro.

“Samba Futebol Clube”: em cartaz em São Paulo até 1º de dezembro.
FOTO: Leo Aversa / divulgação
FOTO: Leo Aversa / divulgação
Alan Rocha, um dos destaques do musical FOTO: Leo Aversa / divulgação

Premiado no Rio (onde estreou para a Copa de 2014), o musical “Samba Futebol Clube’ estreou em S. Paulo bem num fim de semana de dérbi. Palmeiras x Corinthians! A sessão que o blog teve oportunidade de ver começou logo depois do 1×1 construído no finalzinho do clássico, no Pacaembu. Não muito longe do estádio, o Teatro Unimed (alameda Santos) recebe o espetáculo até primeiro de dezembro.

Sim, houve adaptações para público / torcida paulista. Começa com “Um a Zero” (choro de Pixinguinha e Benedito Lacerda com letra de Nelson Angelo), passa por “Um a Um”, forró consagrado por Jackson do Pandeiro e vai até “Jogadeira”, manifesto do futebol feminino. A seleção musical foi muito bem convocada. Claro que algum torcedor pode lembrar de um ou outro craque da MPB não chamado. Mas o roteiro tem o filé da música popular boleira: “E o Juiz Apitou” (Wilson Batista Antonio Almeida), “Na Cadência do Samba” (Luís Bandeira), “Fio Maravilha” e “Ponta de Lança Africano (Umbarauma), golaços do mestre Jorge Ben Jor, o hit “Povo Feliz (Voa Canarinho) (Memeco/ Nonô)”, clássicos dos Novos Baianos, a linda “Aqui é o País do Futebol” (Milton Nascimento/Fernando Brant) e “É uma Partida de Futebol” (Samuel Rosa/Nando Reis) entraram na lista de 42 canções. Bem como as belas marchas de Lamartine Babo para os grandes do Rio.

Tem “Pra Frente Brasil”, bem icônica (pra usar uma palavra da moda) da Copa de 1970, mas a coreogeafia dá o recado claro do musical sobre aqueles anos de chumbo. Tem letras politizadas de Gonzaguinha. Tributos ao Rei Pelé e à Rainha Marta

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Novos Baianos e o futebol

Fala tamborim! Novos Baianos FC é o nome do disco de 1973 do grupo de Baby, Moraes, Pepeu, Luiz Galvão, Paulinho Boca de Cantor, Dadi, Jorginho Gomes e companhia ilustre. Novos Baianos FC é o nome do documentário que Solano Ribeiro fez para a TV alemã e “caiu na rede”. A paixão dos Novos Baianos pelo futebol fica clara no novo documentário  Filhos de João, Admirável Mundo Baiano, de Henrique Dantas (que passou no festival In-Edit Brasil e estreia nos cinemas em 22 de julho). Reis da bola na MPB em meados dos anos 70, os Novos Baianos não perdiam uma chance de jogar futebol. Mesmo que fosse dentro de um apartamento… Está no filme Filhos de João, Admirável Mundo Baiano. O João do título é João Gilberto, amigo e influência do grupo – já descrito como mistura de João Gilberto com Jimi Hendrix, pandeiro e cavaquinho com guitarra elétrica. Continuar lendo “Novos Baianos e o futebol”

Banda Folha Seca Futebol e Música

Folha Seca no Centro Cultural Rio Verde

Estive na inauguração do projeto Mais que Bola do Centro Cultural Rio Verde (na Vila Madalena) e conferi o show da banda Folha Seca Futebol e Música. No repertório, vários gols da MPB boleira:

  • Na Cadência do Samba (Que Bonito É) – Luis Bandeira
  • A Taça do Mundo É Nossa – Maugeri, Müller, Sobrinho e Dagô
  • Pra Frente Brasil – Miguel Gustavo
  • 70 Neles- Antonio Edgard Gianullo e Vicente de Paula Sálvia
  • Um pout-pourri de Jorge Ben (Jor):  Ponta de Lança Africano (Umbabarauma)/Filho Maravilha/ Camisa 10 da Gávea / Roberto, Corta Essa/ Goleiro (Eu vou lhe avisar)/ Cadê o Pênalti? (ouça aqui)
  • Meio de Campo – Gilberto Gil
  • Camisa 10 – Luiz Vagner e Hélio Matheus
  • Aqui é País do Futebol – Milton Nascimento
  • 1×1 – Edgar Ferreira (ouça aqui a versão do Folha Seca)
  • Ziriguidum – Jair de Castro e Luiz Bittencourt

O grupo Folha Seca volta a se apresentar nesta quarta-feira, 25 de maio, no projeto Mais que Bola, que deve ser quinzenal. Confira o restante do repertório da banda. Continuar lendo “Banda Folha Seca Futebol e Música”

Projeto Mais que Bola na Vila Madalena

Publicado em 23 de março de 2011

1ª formação da Folha Seca Futebol e Música FOTO: Sofia Mattos/divulgação

Um show do grupo Folha Seca Futebol e Música abre esta noite o projeto Mais que Bola, do Centro Cultural Rio Verde (Vila Madalena, SP). Música, debates, projeções, performances e até futebol no telão! Quarta-feira sim, quarta não. Hoje é de graça, a partir de 18h. Na próxima, a entrada custa 15 reais.

O show começa um pouco depois. No repertório da banda Folha Seca, fundada em 2009,  clássicos da MPB boleira, de Um a Zero (Pixinguinha/Benedito Lacerda) a Skank, passando por Jorge Ben Jor, Novos Baianos, Milton Nascimento, Chico Buarque… Continuar lendo “Projeto Mais que Bola na Vila Madalena”

Moraes Moreira: Jogando por Música

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Capa do LP “Pintando o Oito”, que inclui “Saudades do Galinho”

Muito bom o show Jogando por Música, que o Moraes Moreira leva no Sesc Vila Mariana até este domingo de oitavas de final da Copa, às 18h. É olha que é só ele,  voz e violão.  Moraes não nega que é Flamengo, como mostra a capa ao lado, do LP “Pintando o Oito”, que alguém poderia relançar em CD e por que não, em vinil. Toca “Samba Rubro Negro” (Wilson Batista e Jorge de Castro), “Saudades do Galinho”, composta quando Zico foi vendido para a Udinese, “Despedida do Galinho”, feita quando o camisa 10 da Gávea pendurou as chuteiras (“Vitorioso Flamengo” ficou no banco de reservas).
Mas o show -parte de uma programação sobre futebol do Sesc Vila Mariana- teve novidades. No palco, Moraes disse que nos últimos tempos começou a torcer para um segundo time. O Santos. E mostrou uma inédita: “Outros Pelés”, sobre os novos Meninos da Vila. No meio da nova cação,  incluiu um trecho de “1×1”, clássico do repertório de Jackson do Pandeiro. Show.
No set-list do espetáculo Jogando por Música desta sexta-feira, outras canções que cantam futebol, de alguma maneira: “Só Se Não For Brasileiro Nessa Hora” (dos tempos de Novos Baianos), “Sangue, Suingue e Cintura”, dedicada à Seleção de Telê na Copa de 1982, “Espírito Esportivo”, “O que é o que é”, “Nega Manhosa” (de Herivelto Martins), “Meninas do Brasil” (parceria com Fausto Nilo) e “Onde que Fica a África”, feita para Copa do Mundo 2010. O público acompanhou a nova melodia. E olha que “Brasil Campeão” (parceria com Pepeu, feita para a Copa de 1990) não foi relacionada.

Há uma canção sobre Elza Soares, a mulher da vida de Garrincha, com letra muito boa.
O público canta junto clássicos do repértorio dos Novos Baianos e da carreira-solo de Moraes: “Lá Vai o Brasil Descendo a Ladeira”, “Brasil Pandeiro”, “Preta Pretinha”, “Besta é Tu”. Em homenagem às festas de São João, “Festa do Interior”. Seguidinha por “Pombo Correio” e a doce “Sintonia. Demais. Gostaria de ver o set-list? Aproximado, ok?
Continuar lendo “Moraes Moreira: Jogando por Música”

“Juve” na Mostra Cinema e Futebol

Na segunda-feira 21/6, às 18h30, e terça 22/6, às 12h30, o Canal Brasil exibe o emocionante curta-metragem “Juventus Rumo a Tóquio” -um domingo de decisão na rua Javari, casa do simpático Clube Atlético Juventus, o Moleque Travesso. Esse é pra gravar, porque para mim futebol não se resume a Soccer City, arenas maravilhosas e caríssimas, craques midiáticos, bilhões de reais em ação! Por mais que eu goste de Camp Nous e Santiagos Bernabéus, também gosto de estádios pequenos e cheios de história. Leia o que escrevi logo depois de ver a “premiere” do filme sobre o Juventus, no Festival de Curtas de SP: “O dia em que um cinema virou rua Javari”.

Em julho, a sessão “É Tudo Verdade” do mesmo Canal Brasil exibirá “1958 – O Ano em que o Mundo Descobriu o Brasil”, ótimo documentário de José Carlos Asbeg.
Texto integral do post, sobre os filmes que já passaram na Mostra Cinema e Futebol, do Canal Brasil. É BOLA NA TELA! Continuar lendo ““Juve” na Mostra Cinema e Futebol”

10 perguntas para Beto Xavier

Beto Xavier
Beto Xavier

Jornalista, radialista, gremista, apaixonado por música, por futebol – e colecionador de canções sobre o “esporte bretão”. Beto Xavier acaba de lançar seu primeiro livro, Futebol no País da Música (pela Panda Books). Resultado de garimpo esportivo-musical durante 15 anos! Gentilmente, ele respondeu por e-mail a 10 perguntas do Fut Pop Clube.

1) FUT POP CLUBE – Beto, no seu livro, você fala em casamento entre futebol e música brasileira. Quando eles começaram a namorar e quando casaram pra valer?

BETO XAVIER –  Futebol e música começaram a namorar muito cedo. Como falo no meu livro, o pai do futebol brasileiro, CHARLES MILLER, era casado com uma grande pianista, igualmente pioneira na sua arte.Mas há vários casamentos, não só um. Mas acho que a primeira grande festa de casamento foi quando o BRASIL ganhou o primeiro título mundial. Aí a festa entre música e futebol foi de arrombar. Quem não se lembra de “A taça do mundo é nossa”? (ouça aqui a versão de Ivo Meirelles e Funk´n Lata)

2) FUT POP CLUBE  – Na sua opinião, que gol  merece uma música?

BETO XAVIER– Difícil, hein? Mas acho que o primeiro gol do Pelé contra a Itália na final da COPA DE 70 merecia uma música.  Aquela cabeçada foi magistral. Aquele do Marcelinho Carioca contra o Santos também foi divino. Pessoalmente, o segundo gol do RENATO PORTALUPPI contra o HAMBURGO, na final do Mundial Interclubes de 83 também merecia. Um rock!

3) FUT POP CLUBE – Você viu o golaço do Grafite, na goleada do Wolfsburg contra o Bayern de Munique? Se ele tivesse marcado um gol assim com a camisa do Flamengo, alguém já estaria pensando numa música?

BETO XAVIER – Talvez. Depende muito da inspiração, nem tanto da importância.  O gol que deu origem ao clássico “Fio Maravilha!” [ou “Filho Maravilha”,disco “Ben”;ouça um trechinho no site de Jorge Benjor;] saiu num simples amistoso. Quer dizer, é muito relativo. ben

4) FUT POP CLUBE – Além de Jorge Benjor, que músico brasileiro pode lançar ao menos uma coletânea só de boas músicas sobre futebol?

BETO XAVIER – Sem nenhuma dúvida, MORAES MOREIRA. Lembrando que o CARLINHOS VERGUEIRO lançou 1999 um disco só com temas futebolísticos chamado “CONTRA-ATAQUE”.

Carlinhos Vergueiro
Carlinhos Vergueiro

5) FUT POP CLUBE – Em 1982, o Júnior, então lateral da Seleção, vendeu 700 mil cópias do compacto “Povo Feliz (Voa Canarinho”) / “Pagode da Seleção”. Algum outro jogador-cantor se deu tão bem assim,?

BETO XAVIER – Também não há dúvida. JÚNIOR foi o que melhor soube aproveitar, digamos, o talento musical. Lançou um compacto que vendeu 700 mil cópias e dois LPs com sambas, alguns muito bons.

O PELÉ também gravou bastante, mas não vendeu tanto quanto o LÉO.

6) FUT POP CLUBE Na sua opinião, que outro jogador mostrou muito talento como compositor, cantor ou músico e merecia mais sucesso comercial?

BETO XAVIER: Acho que o ESCURINHO,  atacante colorado dos anos 70,  merecia ser mais conhecido pelo lado musical. Canta, compõe e toca. Alguns sambas dele são muito bons..

7) FUT POP CLUBE – E na música popular brasileira, quais são os melhores boleiros? Quem bate a melhor bola?

BETO XAVIER – Tem vários, mas destaco alguns: CHICO BUARQUE, MORAES MOREIRA,  FAGNER, CARLINHOS VERGUEIRO, DJAVAN, GUINGA, PEPEU GOMES.

FUT POP CLUBE – No livro, você compara os Novos Baianos com o carrossel holandês, a Laranja Mecânica da Copa de 74. Por quê?

BETO XAVIER – O conceito é parecido. OS NOVOS BAIANOS eram uma verdadeira comunidade. Todos moravam juntos, todos tocavam, cantavam e compunham. A HOLANDA era mais ou menos isso. Me lembro que os jogadores holandeses foram os primeiros a levarem as mulheres para uma competição tão importante como uma  Copa do Mundo. Além disso, tanto os NB como o “Carrossel Holandês” deram ares de renovação em suas áreas. Há uma foto emblemática num daqueles fascículos da coleção “HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA”. Todos os NOVOS BAIANOS  reunidos numa varanda vendo um jogo pela TV. A partida é HOLANDA 2×0 URUGUAI  pela COPA de 74.

9) FUT POP CLUBE – Sabe de algum outro país de fanáticos pela bola com uma tradição semelhante de músicas sobre futebol?

BETO XAVIER – Não com a música popular. Mas os ingleses sempre  foram muito musicais em relação ao futebol.

10) Pelé x Maradona… quem recebeu mais homenagens musicais? Só o Manu Chao fez duas sobre Diego:”Santa Maradona” no tempo da banda Mano Nega e “La Vida Tombola” no último disco, “Radiolina”…

BETO XAVIER – Por incrível que pareça o MARADONA é mais cantado na ARGENTINA do que o PELÉ no BRASIL, que também é muito citado em músicas aqui em nosso país. Continuar lendo “10 perguntas para Beto Xavier”