Moraes Moreira: Jogando por Música

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Capa do LP “Pintando o Oito”, que inclui “Saudades do Galinho”

Muito bom o show Jogando por Música, que o Moraes Moreira leva no Sesc Vila Mariana até este domingo de oitavas de final da Copa, às 18h. É olha que é só ele,  voz e violão.  Moraes não nega que é Flamengo, como mostra a capa ao lado, do LP “Pintando o Oito”, que alguém poderia relançar em CD e por que não, em vinil. Toca “Samba Rubro Negro” (Wilson Batista e Jorge de Castro), “Saudades do Galinho”, composta quando Zico foi vendido para a Udinese, “Despedida do Galinho”, feita quando o camisa 10 da Gávea pendurou as chuteiras (“Vitorioso Flamengo” ficou no banco de reservas).
Mas o show -parte de uma programação sobre futebol do Sesc Vila Mariana- teve novidades. No palco, Moraes disse que nos últimos tempos começou a torcer para um segundo time. O Santos. E mostrou uma inédita: “Outros Pelés”, sobre os novos Meninos da Vila. No meio da nova cação,  incluiu um trecho de “1×1”, clássico do repertório de Jackson do Pandeiro. Show.
No set-list do espetáculo Jogando por Música desta sexta-feira, outras canções que cantam futebol, de alguma maneira: “Só Se Não For Brasileiro Nessa Hora” (dos tempos de Novos Baianos), “Sangue, Suingue e Cintura”, dedicada à Seleção de Telê na Copa de 1982, “Espírito Esportivo”, “O que é o que é”, “Nega Manhosa” (de Herivelto Martins), “Meninas do Brasil” (parceria com Fausto Nilo) e “Onde que Fica a África”, feita para Copa do Mundo 2010. O público acompanhou a nova melodia. E olha que “Brasil Campeão” (parceria com Pepeu, feita para a Copa de 1990) não foi relacionada.

Há uma canção sobre Elza Soares, a mulher da vida de Garrincha, com letra muito boa.
O público canta junto clássicos do repértorio dos Novos Baianos e da carreira-solo de Moraes: “Lá Vai o Brasil Descendo a Ladeira”, “Brasil Pandeiro”, “Preta Pretinha”, “Besta é Tu”. Em homenagem às festas de São João, “Festa do Interior”. Seguidinha por “Pombo Correio” e a doce “Sintonia. Demais. Gostaria de ver o set-list? Aproximado, ok?
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Ellis Park, 24 de junho de 2010

Che cosa!
Depois dos empates contra Paraguai e Nova Zelândia, achei que a Itália se classificaria novamente com um terceiro empate na fase de grupos. Pelo jeito, toda a Squadra Azzurra também confiou nessa tese. Acordou quando perdia por 2×0 da Eslováquia, considera estreante em Copas pela Fifa (para a entidade, a República Checa é a herdeira do passado futebolístico da Checoslováquia). O segundo tempo foi muito maluco. SE tivesse mais cinco minutos… quem sabe, SE a Itália não chegaria ao terceiro empate. Mas não tem SE. A repercussão na Itália foi impactante. O site do Tuttosport abriu tipos garrafais para dizer: “Lippi, a culpa é sua”. A Gazzetta Dello Sport cravou: “Pra casa com Vergonha”. Merecídissima classifcação da Eslováquia, atrás do Paraguai. A Albirroja só empatou com os All Whites, da Nova Zelândia, que hoje foi de All Blacks, mesmo.
No grupo E, formado por Holanda, Camarões, Dinamarca e Japão, quem apostava que o Japão pudesse ser o dono da segunda vaga, hein? Que eficiência na bola parada! O que foi o terceiro gol? Golão! Como joga esse Honda! Era pra ter sido mais do que 3×1…
Olha, não sei se viverei para ver Estados Unidos e Japão campeões do mundo, mas acho que um dia essas seleções emergentes vão chegar lá, sim.

35 anos de “África Brasil” – discão de Jorge Ben Jor

Aproveito o dia 23 para lembrar de um discão de Jorge Ben Jor (dos tempos em que era Ben): “África Brasil”, de 1976. Samba-rock camisa 10. Foi relançado no finalzinho de 2009 na tentadora caixinha de CDs “Salve Jorge“.  Para quem procura músicas sobre futebol, é “a” dica. Tem apenas as clássicas “Camisa 10 da Gávea”, que Jorge, um ex-ponta direita da base do Flamengo, feita para Zico, claro; e”Ponta de Lança Africano (Umbarauma)”, já regravada pelo Soulfy de Max Cavalera no ritmo acelerado do thrash metal. Há pouco, saiu uma nova versão, em que Ben Jor divide vocais com Mano Brown (muito boa! veja o clip aqui, com direito ao inesquecível Ee quee goool do eterno pai da matéria, Osmar Santos, o melhor locutor esportivo de todos os tempos).
“África Brasil” ainda tem “Taj Mahal”, Xica da… Xica da… “Xica da Silva”, “Cavaleiro do Cavalo Imaculado” etc. Continuar lendo “35 anos de “África Brasil” – discão de Jorge Ben Jor”

Cinema e Futebol


A estreia na TV por assinatura do emocionante curta-metragem Juventus Rumo a Tóquio” abre as cortinas de mais uma semana da Mostra Cinema e Futebol, do Canal Brasil – um vasto panorama de filmes sobre futebol no país. O curta se passa numa manhã decisiva de domingo na Javari. Passa nesta segunda, 21 de junho, às 18h30, com reprise na terça, 22/6, às 12h30.

Na sequência, dois curtas sobre a torcida do América-RJ: “Unido Vencerás” e “Unido Vencerás II – Uma História Diferente”.

E às 19h09 desta segunda, o Canal Brasil exibe “Heróis de uma Nação”, sobre o Flamengo campeão de tudo (estadual, brasileiro, sul-americano e mundial) entre 1978 e 1981. Esse doc tem duração de 50 minutos e conta com depoimento de protagonistas desses anos rubro-negros, como Paulo César Carpegianni (primeiro, jogador; depois técnico campeão do mundo de clubes). Replay: terça, às 13h08, no mesmo bat canal.

Nesta terça, 22 de junho, a partir das 18h30, o Canal Brasil tem mais uma rodada dupla: “Sobrenatural de Almeida”, curta de Paulo Sérgio Almeida. Em seguida, às 18h42, o documentário “Papão de 54”, sobre o time do Renner, que superou tricolores e colorados no campeonato gaúcho daquele ano. Já ouviu falar de Valdir Joaquim de Moraes, senhor goleiro e depois preparador de arqueiros como Zetti? Ênio Andrade? Ênio seria depois um dos “11 Maiores Técnicos do Futebol Brasileiro“, como conta o livro do Noriega. Ambos jogaram no Grêmio Esportivo Renner, Papão de 54, que deixou muitos órfaos da arquibancada (título de reportagens sobre times extintos, no Globo Esporte). Reprise na quarta, 23/6, a partir de 12h30. Veja que outros filmes já passaram na Mostra.

“Todos os Corações do Mundo”

Cartaz original do filme da Copa de 94

Romário, Bebeto, Baggio, Stoichkov, Brolin, Bergkamp, Hagi, Taffarel, Preudhomme (considerado o melhor goleiro da Copa), o fanfarrão Ravelli, um jovem Larsson, cabeludo, Maradona (até ser suspenso por causa de exame antidoping). Craques de montão, uniformes “classe” (Brasil vestiu Umbro), estádios grandes e lotados (maior média de público das Copas até hoje!), jogos emocionantes. O filme oficial da Copa 94, “Todos os Corações do Mundo / Two Billion Hearts“, é tão bom assim ou o Mundial disputado nos Estados Unidos foi muito, muito melhor do que o de 90, na Itália? Provavelmente as duas opções. “Todos os Corações do Mundo”, dirigido pelo cineasta Murilo Salles, com muitos outros brasileiros na equipe, é o melhor dos filmes oficiais das Copas. Está no DVD da Coleção Copa do Mundo Fifa, que a Abril distribuiu em bancas, com a capinha tradicional da série (veja trailer aqui).
Em vez de contar a Copa jogo a jogo, o roteiro de “Todos os Corações do Mundo” opta por destacar Seleções e seus craques: Argentina de Maradona, a Romênia de Hagi, a Bélgica de Preudhomme, a Bulgária de Stoichkov, a Itália de Baggio, o Brasil de Romário. Ângulos diferentes, replays, trilha sonora que aumenta a dramaticidade do mata-mata, a festa do torcedor ajudam a fazer do filme da Copa de 94 um grande documentário sobre futebol.
Tem brasileiro que nem gosta de contar esse título, o do “É tetra! É Tetra”. O que chega a ser absurdo. Ok, o estilo da Seleção, num 4-4-2 caretinha, não encantou – e perde em popularidade para o “dream team” de 1982, que não voltou com a taça, infelizmente. Mas para o baixinho dar show, havia um esquema azeitado. Está na hora de valorizar essa conquista como ela merece. De modo geral, o Mundial 94 foi muito melhor do que o da Itália 90. E o resultado final foi bem melhor, não?
A CAMPANHA DO TETRA Continuar lendo ““Todos os Corações do Mundo””

“Fique de Olho no Apito”

Lembrei-me do som e letra de “Camisa Molhada” (a melô do “Fique de Olho no Apito”, clássico da MPB sobre futebol de Carlinhos Vergueiro e Toquinho, que era usada nas transmissões esportivas  da rádio Globo-SP) depois desse Brasil 3×1 Costa do Marfim. Juiz (fraco, fraco) deixando o pau cantar no gramado do Soccer City, não tirando de campo os marfinenses que deram entrada violentíssimas, e amarelando Kaká, que caiu na provocação dos “elefantes”. Isso, pra ficar no campo disciplinar. O 2º gol do Luís Fabiano (golão, embora com ajuda da “mano de Dios”) soma-se aos outros lances polêmicos do Mundial 2010. Fique de olho no apito, pra variar.

A repercussão da vitória brasileira lá fora:

Olé, da Argentina: “Uma mão de Deus”, citando Luís Fabiano.

Marca, da Espanha, manchetou: “Brasil convence e já está nas oitavas. Dobradinha de Luís Fabiano e expulsão rigorosa de Kaká”.

Four Four Two, da Inglaterra: “Kaká expulso, mas o Brasil marcha”.

BBC.com: “Brasil avança à fase de mata-mata da Copa do Mundo com uma performance eficiente em vez de efervescente diante de uma limitada Costa do Marfim

Tuttosport, da Itália: “Brasil vence e voa às oitavas“.

Gazzetta Dello Sport: “Brasil é quase Fabuloso, Drogba se rende. Kaká leva cartão vermelho”.

***** A clássica “Camisa Molhada (Fique de Olho no Apito)” está no CD “Contra-Ataque – Samba e Futebol”, de Carlinhos Vergueiro, ao lado de outras músicas sobre futebol.

LINKS:
Site de Carlinhos Vergueiro.
Página do músico no MySpace.
Qual é sua música favorita sobre futebol? Opine aqui.

Time dos sonhos


Uma dica de leitura copeira para os intervalos entre um jogo e outro. “Time dos Sonhos – Paixão, Poesia e Futebol” reúne divertidas crônicas do colorado Luis Fernando Veríssimo, publicadas em jornais entre 1997 e 2009. As crônicas não se resumem tematicamente a esse período, que passa por três Copas do Mundo. Verissimo volta no tempo e lembra da conquista do bi pela Seleção de 1962 (que completou 48 anos na quinta-feira, 17 de junho). Para o escritor, a música que o marcou na época foi “Et Maintenant”, de Gilbert Bécaud.

Livro: “Os 55 Maiores Jogos das Copas do Mundo”


Um pouco antes do Mundial 2010, a editora Panda Books lançou o livro “Os 55 Maiores Jogos das Copas do Mundo”, do jornalista Paulo Vinicius Coelho, o PVC (aqui, entrevista com PVC na época do lançamento do livro “Bola Fora”). É uma edição atualizada de “Os 50 Maiores Jogos das Copas do Mundo”. Cinco partidas do Mundial 2006, disputado na Alemanha, foram acrescentadas.  Itália 2 X 0 Alemanha, a final Itália 1 X 1 França,  Argentina 6 X 0 Sérvia, Portugal 1 X 0 Holanda, França 1 X 0 Brasil. O N1  da lista do enciclopédico PVC continua a ser Itália 4×3 Alemanha, semifinal do Mundial de 70 no México. No Top 5 das duas edições, mais 2 clássicos de 1970: a final, Brasil 4×1 Itália, e Brasil 1×0 Inglaterra. Mais a semifinal de 1958: Brasil 5×2 França. E a final de 1966: Inglaterra 4×2 Alemanha, de polêmica arbitragem. No capítulo de cada jogo, PVC fornece suas tradicionais pranchetas, “campinhos” com desenhos táticos dos times, e muita informação de bastidores. Ouviu fontes do mundo todo.

Agora, do jeito que está o nível técnico do Mundial 2010, vai ser duro acrescentar algum jogo dessa Copa numa futura reedição do livro do PVC, hein? Pelo menos por enquanto… Que “pelada” acabamos de assistir, esse 0x0 de ralas emoções entre Inglaterra e Argélia.
Só a Argentina venceu e convenceu. Não foi só o Messi quem jogou bola. Maxi, Tévez, Higuaín, Di Maria. Será que vai acabar em tango? Na Copa, ainda é muito cedo para dizer. O certo é que neste fim de semana tem tango da OrquestraTípica Fernández Fierro, de Buenos Aires, no Auditório Ibirapuera… Hoje e amanhã, às 21h. Ingressos: 30 e 15 reais (a meia). Saiba mais aqui.

17/06/1992: o São Paulo conquista sua 1ª Libertadores

O São Paulo disputou 5 Libertadores antes da Taça de 1992. Bateu na trave em 74, como bateria em 94 e 2006. Curiosamente, a campanha do bicampeonato 92/93 começou com uma derrota. Campeão Brasileiro, o Tricolor de Telê Santana foi a Santa Catarina e tomou um 3×0 do campeão da Copa do Brasil, o Criciúma  de Jairo Lenzi e de um treinador chamado… Luiz Felipe Scolari! Lembro-me que quem passou essa partida para SP foi a TV Jovem Pan, que ficava no canal 16 UHF, e tinha como narrador o Milton Leite (hoje no Sportv). Da Bolívia, o São Paulo voltou com um 3×0 sobre o San José de Oruro e um empate com o Bolívar. No Morumbi, devolveu a goleada ao time de Felipão com juros e correção: 4×0. Empatou com o San José e dobrou o Bolívar. Nas oitavas, contra o Nacional, no Uruguai, o São Paulo venceu o jogo, mas perdeu Zetti, expulso. No Morumbi, os zagueiros Antonio Carlos e Ronaldão fizeram 2 gols e o goleiro reserva Alexandre não tomou nenhum (Alexandre morreria em acidente de carro). Nas quartas, de novo o Criciúma pela frente. 1×0 no Morumbi e 1×1 no Heriberto Hulse levaram o Tricolor para a semifinal contra o Barcelona do Equador. 3×0 no Morumbi e 2×0 em Guaiaquil. Aos trancos e barrancos, o São Paulo chegou à final contra o Newell´s Old Boys, da Argentina. Em Rosario, 0x1. Segunda e última partida no Morumbi, há exatos 18 anos, num 17 de junho: tentei ir ao estádio com um amigo, mas sem ingresso, desistimos no caminho totalmente congestionado e acabamos vendo pela TV. Foi o jogo do (imagine Galvão Bueno gritando) “Zetti! Zetti! Zetti” . Muito sofrimento até um pênalti meio mandrake (como foi mandrake o pênalti para o Newell´s, em Rosário), convertido por Raí. Na decisão por pênaltis, baixou o São Waldir Peres pegador de pênaltis em Zetti. Telê acabava de vez com a pecha de pé-frio. São Paulo, enfim, campeão da Libertadores da América! O gramado do Morumbi foi tomado pela festa. Taça levantada pelo capitão Raí, num timaço que ainda tinha Cafu, Palhinha, Muller, Macedo…são paulo ediouro.com.br A noite de 17 de junho de 1992, da segunda e decisiva partida contra Newell´s, é um dos capítulos do livro de Conrado Giacomini para a coleção Camisa 13, da Ediouro: “São Paulo Dentre os Grandes, És o Primeiro”. Todos capítulos do livro destacam um ídolo tricolor. Nesse, Giacomoni escolheu Zetti. Merecido.