Zaire 1974: “O Poder do Soul”.

facebook soul powerKinshasa, capital do Zaire (hoje Congo), setembro de 1974. Os produtores Hugh Masekela e Stewart Levine inventam um festival de música para aproveitar o auê da luta de boxe pelo título mundial entre os peso-pesados Muhammad Ali e George Foreman. Zaire 74 reuniu feras como James Brown, godfather of soul, BB King, o rei do blues, Miriam Makeba, Celia Cruz, Bill Withers (que vozeirão!), The Crusaders, o conjunto vocal The Spinners e outros. 35 anos depois, sai o filme O Poder do Soul (Soul Power), em cartaz na Mostra de Cinema de São Paulo. Um documentário tradicional de concerto, mas se você está atrás de um bom balanço, de música de alta voltagem, como eu, pode ir brincando. Continuar lendo “Zaire 1974: “O Poder do Soul”.”

“Gimme Shelter”

Stones GIMME SHELTER WarnerEm 2009 lembramos do 40º aniversário do festival de Woodstock , “três dias de música, paz e amor”. E de outro festival americano que terminou com violência e é considerado “o fim do sonho” hippie. Altamont. A Warner (re)colocou nas lojas em DVD o filme Gimme Shelter (classificação: 16 anos), que registra a turnê americana dos Rolling Stones em 1969, até o concerto gratuito de 6/12, que reuniu 300 mil pessoas no autódromo de Altamont, com segurança a cargo dos Hells Angels californianos – ou seja, um barril de pólvora. Clique para ler mais, ver a lista de músicas de Gimme Shelter e a filmografia dos Stones. Continuar lendo ““Gimme Shelter””

Living Colour em São Paulo

Guitar hero: Vernon Reid. FOTO Stephan Solon / Via Funchal
Guitar hero: Vernon Reid. FOTO Stephan Solon / Via Funchal

O Living Colour tocou por mais de duas horas e meia em sua quinta passagem por São Paulo (corrigido pelo leitor Boris), na noite de quinta-feira, 15/10/09. Infelizmente, a pista da casa Via Funchal não ficou lotada. Bom para quem foi e curtiu o show sossegadão, com todo espaço para bater pé, cabeça, pescoço, dançar, pular e até fazer pogo. O quarteto chegou arrasando quarteirões pouco depois das 22h, com pauladas conhecidas dos fãs: “Middle Man”, “Time´s Up” e “Go Away”, com direito a citação de “Give It Away”, dos Chili Peppers (o Living Colour sempre gostou de covers em shows) e ainda “Sacred Ground” (outra pauleira, de um disco menos conhecido, o “Collideoscope”). Em seguida, uma pá de músicas do disco novo: “Burned Bridges”, rockão. “The Chair”, hipnótica combinação de paulada sem dó e efeitos eletrônicos. “Young Man”, boa candidata a single, em sua junção de rock e balanço. E outra nova de clima mais ou menos soturno: “Method” (será que é porque o novo disco saiu pela Megaforce, gravadora de metal?). Esse pacote de novidades quebrou um pouco o clima do show. Mas a banda recuperou o controle do público com uma espetacular versão de “Open Lord (To a Landlord)”, seguida do balanço de “Bi” (aquela que diz: “Everybody wants you when you´re bi” – de bissexual). Os solos do baixista Doug Wimbish e do baterra Will Calhoun merecem texto à parte.

Corey Glover, por Stephan Solon / Via Funchal
Corey Glover, em foto de Stephan Solon / Via Funchal

O Living Colour todo voltou ao palco pegando mais leve, com nova cover: “Papa Was a Rolling Stone”, balanço  Motown gravado e regravado por muita gente boa. Emendada com a pulsante “Glamour Boys”, um dos maiores sucessos do quarteto de NY.

Em seguida, o guitarrista Vernon Reid deu vazão ao seu lado virtuoso, em “Behind the Sun”, É a melhor canção do novo disco, “The Chair in the Doorway”. O guitar hero esbanja a técnica das duas mãos no braço da guitarra, algo que o Eddie Van Halen usava um bocado. Legal demais. Candidata óbvia a hit, tem vídeo no My Space da banda. Cool!

“Behind the Sun” lidera mais um bloco de novidades, seguida pela balada “Bless Those”, o peso de “Hard Times” e “Out of My Mind”.

Os caras pareciam estar se divertindo bastante no maneiríssimo trabalho. Continuar lendo “Living Colour em São Paulo”

“Maradona” e craques da música no Festival do Rio

maradona por kusturicaDepois d Festival do Rio, a Mostra de São Paulo traz o filme de Emir Kusturica sobre don Diego. O Maradona de Kusturica tem participação de Messi e Manu Chao, que cedeu sua canção La Vida Tombola para o filme.

Uma excelente notícia: a distribuidora Europa Filmes vai lançar o Maradona de Kusturica nos demais cinemas em 20 de novembro.

Para quem gosta de documentários musicais, a Mostra segue o Festival do Rio e também tem atrações como A Todo Volume/It Might Get Loud(leia mais), doc que reúne Jimmy Page do Led, The Edge do U2 e Jack White dos White Stripes e The Dead Weather. Ou O Poder do Soul/Soul Power, com James Brown, Miriam Makeba e BB King.

P.S: E o sempre esperado novo de Almodóvar, Abraços Partidos, com La Penélope Cruz.

Continuar lendo ““Maradona” e craques da música no Festival do Rio”

Tabelinha Clapton-Jeff Beck!

www.ericclapton.com

Eric Clapton e Jeff Beck juntos. No futebol, seria algo como a dupla Pelé e Coutinho? Não, acho que tá mais para Leônidas + Pelé, ou Zico + Kaká. Craques que se respeitam, mas não jogaram juntos, por questão de geração. Os dois guitar heroes passaram pelo The Yardbirds, mas não ao mesmo tempo. Quando Clapton saiu da banda britânica (bluesman fanático, odiou a cover pop For Your Love), Beck entrou. Jeff e Jimmy Page ainda chegaram a tocar juntos nos Yardbirds, na clássica cena do filme Blow Up / Depois Daquele Beijo (leia +). O site Eric Clapton.com me informa que eles já fizeram jams em festivais e shows beneficentes. Mas só no ano passado dividiram um concerto todo numa grande arena, no Japão. E agora Clapton e Beck querem repetir a dose. Vai ser na Arena 02, em Londres, 13/02/2010! Tem noção do que será esse show? Veja aqui. Fenomenal o jeito como Beck dedilha a guitarra. Vamos rezar aos deuses do rock para esse showzão aportar aqui… ao menos em DVD.

SRV

srvFui apresentado ao som do guitarrista texano que deu sangue novo e pegada roqueira ao blues por um saudoso amigo de faculdade, músico fissurado por rock e (futebol) do bom. Ele me emprestou uma fitinha K7  (ahn? era final dos anos 80!) e não me disse qual era o som. Gostei. “Tem influência de Hendrix, mas não só”. Era Stevie Ray Vaughan, com o seu Double Trouble. Comecei a procurar discos, o Live Alive foi um dos primeiros CDs que comprei na vida… Poucos anos depois, já estagiário, recebi via agência internacional a notícia do precoce desaparecimento do bluesman- SRV morreu num acidente de helicóptero junto com o piloto e 3 pessoas da equipe de Eric Clapton, em 27 de agosto de 1990. Apenas 7 anos depois do espetacular disco de estreia: Texas Flood. Que mostrou a levada típica de Stevie, o shuffle, em blues-rocks como Love Struck Baby, ótimas covers como Mary Had a Little Lamb, de Buddy Guy, baladas blues, lancinantes blues, emocionantes blues. A repercussão da estreia foi tão boa que Vaughan abriu mão de seguir tocando com David Bowie, com quem gravou guitarras do disco Let´s Dance. Compre, grave, baixe, jogue Rock Band, dê um google, não importa o jeito, mas ouça Stevie Ray Vaughan. Seus ouvidos merecem. Continuar lendo “SRV”

É show!

(SEGUNDO SEMESTRE DE 2009)

Começa a esquentar o calendário de shows em São Paulo. Uma penca no Via Funchal: Children of Bodon, dia 12 de setembro. No site da banda finlandesa, versão death metal de Aces High, clássico do Iron Maiden!

Quatro dias depois, a casa da Vila Olímpia receve Lily Allen.

Em 15 de outubro, a volta do Living Colour! No fim de outubro, metal muito pesado: Kreator e Exodus. Na mesma noite! E  em 14 de novembro, Twisted Sister, no/na Via Funchal.
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Faith No More, que explodiu com seu funk metal no começo dos anos 90, confirmou participação no 1º dia festival Maquinária, 7  de novembro, na Chácara do Jóquei, em São Paulo. Senhor showzão o FNM fez no Rock in Rio 1991, no Maracanã. Mike Patton e cia fizeram tanto sucesso com Epic e outras melôs do discão The Real Thing que pouco depois o Faith No More voltou ao Brasil para uma turnê mais ampla.  Com FNM no Maquinária Festival, vão tocar Jane´s Addiction e Deftones. No segundo dia do Maquinária, 8 de novembro, Evanescence.

No mesmo fim de semana, rola outro festival, o Planeta Terra, no … Playcenter! Primal Scream confirmado.

Ainda em novembro, a banda americana The Killers volta ao Brasil. Shows em São Paulo e Rio confirmados, segundo o site da banda.

Um blues para Rory Gallagher

Num 14 de junho, o mundo do blues rock perdeu o espetacular guitarrista irlandês Rory Gallagher. Ele morreu com apenas 47 anos, devido a complicações após um transplante de fígado, em 1995. gallagherDeixou uma pá de bons discos, como Photo-Finish, de 1978, gravado no estúdio alemão do produtor Dieter Dirks, que trabalhou com o Scorpions. Ouvi neste domingo. Gravado por um power-trio. É um blues eletrizante, com muita slide guitar, harmônica de vez em quando, batida sincopada, recomendado para quem gosta de Stevie Ray Vaughan, por exemplo. Certamente, os dois saudosos guitarristas tiveram muitos ídolos em comum – a bio do irlandês no site All Music diz que ele era um grande colecionador de discos e cita Leadbelly, Albert King, Freddie King, Buddy Guy, Muddy Waters e John Lee Hooker como influências – quase todos com clássicos regravados por SRV! Procure Shadow Play ou a balada bluesy Fuel to the Fire na internet. São dois dos destaques do disco. Para sorte de quem vive no século XXI, Rory Gallagher também fez grande shows, registrados em discos ao vivo ou DVDs (leia meu texto anterior). Dica de blog em inglês:   Shadow Plays. Tem notícias de vários shows e festivais em tributo ao guitar hero irlandês.

Entrevista com Mauro Beting (final)

Seguimos com o papo via e-mail com o jornalista Mauro Beting. Abaixo, a linha atacante de raça, digo, as três últimas perguntas. Ele fala do pai, Joelmir Beting, de música -brinca de DJ!-e futebol, claro.

9 – Fut Pop Clube – Seu pai trabalhou no jornalismo esportivo antes de mudar para as páginas de economia. O estilo do Joelmir influenciou seu texto?beting

Mauro Beting – Muito. Por DNA, não por cópia. Mas, claro, sem a mesma qualidade. O que é bom é que sempre soube que eu não estava à altura dele. Nunca pretendi chegar perto. Mas, de fato, tem alguma coisa. No início de carreira, até fiz alguns textos que ele assinou. Uma baita honra. E sei que, desde o início, até sempre, as pessoas vão comparar, vão achar que ele me botou nos lugares em que trabalhei… sou tão burro que só fui trabalhar com ele depois de 17 anos de ofício. Ele é o pior nepotista que existe, embora nós façamos há 5 anos o programa mais nepotista da história da TV brasileira: “Beting & Beting” [canal Band Sports].

10 – Fut Pop ClubeVocê escrevia sobre música pop no começo dos anos 90, no jornal FT, do grupo Folha, que depois virou Agora. Que som você gosta de ouvir hoje? Que show te tiraria de casa?

Mauro Beting – Gosto desde música napolitana até rock bem alternativo. radioheadNão pude ir ao Radiohead, mas é um show que me tiraria de casa. Como Oasis[NdaR: site reformulado!]. Como REM. Como Pink Floyd. U2. Travis. Stevie Ray Vaughan (in memorian). Beatles. Kinks. João Gilberto. Tom Jobim. 10.000 Maniacs. Cowboy Junkies. Ih… tanta gente e tanto gênero. Menos breganejo e pagode, tudo eu escuto. Discothèque, blues, chorinho, hinos de clubes e de países. Nos últimos tempos, tenho até brincado de DJ, numa festa do Simoninha de MPB, e de rock lá na Funhouse, em São Paulo. É o meu maior prazer depois do futebol. por mim, tocaria todas as noites, vendo jogos antigos no telão.

11 – Fut Pop Clube -Pra terminar, uma pegadinha. Qual é o maior Palmeiras da história? O da Arrancada Heróica de 1942? O campeão da Copa Rio, em 1951? A primeira Academia que disputava com o Santos de Pelé? A segunda Academia, bicampeã brasileira? O time que saiu da fila em 93/93 e também foi bi brasileiro? O do ataque de 100 gols? Ou o campeão da América? Difícil, hein?

Mauro Beting – o que mais marcou é o de 12 de junho de 1993. Por culpa de tudo que não fizeram desde 18 de agosto de 1976, excetuando 9 de dezembro de 1979 [Nota do blog: ficou curioso? veja que jogo foi esse no Futpédia]. O futebol mais lindo que vi de verde, e dos mais lindos que vi na vida, é o do primeiro semestre de 1996. O que mais prendeu a respiração foi o de 16 de junho de 1999. Mas aquele que vi em 20 de fevereiro de 1974 ser bi brasileiro é uma rima que foi uma seleção do Brasil em 1974. Enfim, todos esses, e muito mais. Pelo futebol, o de 1996, mas durou pouco. Pela bola, fico com a segunda academia. Técnica, tática e física. E tinha Ademir. Tinha Luisão Pereira. Tinha Leivinha. Tinha Leão. Tinha Dudu. Tinha César Maluco. E tinha um moleque de seis anos que curtia o primeiro e último amor além da família. E, entre nós, tem família melhor que a do nosso time?

Fut Pop Clube -Valeu, Mauro Beting. Muito obrigado!