Replay (O Meu Time é a Alegria da Cidade)

Preparou… correu… e chutou…

“É gol, que felicidade! É gol, o meu time é alegria da cidade!”

Quem ouvia as transmissões esportivas da rádio Jovem Pan, de São Paulo, onde Osmar Santos trabalhou, nos anos 70, pode se lembrar dessa vinheta, que rolava depois dos gols (mesmo depois que o “pai da matéria” trocou os 620 kHz da Pan pelos 1100 da rádio Globo-Nacional). É o delicioso refrão do samba  “Replay (O Meu Time é a Alegria da Cidade)”, que Jon Lemos e Roberto Correa escreveram pensando no Paulo César Caju, então no Flamengo – craque e time citados na letra original, presente na gravação do Trio Esperança. “Replay (O Meu Time é a Alegria da Cidade)” está em coletâneas do conjunto brasileiro, como o CD “Grandes Sucessos” (EMI).


O curioso é descobrir, pelos leitores portugueses do Fut Pop Clube, que “Replay …” também era usada em transmissões esportivas da “terrinha”, depois dos “golos” relatados por Gomes Amaro (locutor luso que viveu no Brasil), de boas lembranças em especial para os torcedores do Dragão, o Futebol Clube do Porto.
Em 2003, esse golaço da seleção brasileira de música sobre futebol foi regravado pelo Trio Mocotó, no CD “Beleza Beleza Beleza” (gravadora YB). Na versão do Trio Mocotó, o samba-rock ganha uma narração de um gol fictício por Beto Hora, que cita de Ademir da Guia e Jairzinho a Ronaldo “Medida Certa” a Luís Fabiano.
Esse CD do Trio Mocotó tem ainda “Chiclete com Banana” (Almira Castilho e Gordurinha) que a Pan também usava como vinheta, trocando “é o samba-rock, meu irmão” por “a Pan é só do futebol”. E entre outras, “Eu Também Quero Mocotó”, de Jorge Ben Jor, ponta-de-lança do samba-rock que o Trio acompanhou em discos como Jorge Ben e Força Bruta.

Gorduchinha 2014: Oooosmar Santos!


“É fogo no boné do guarda/Ripa na chulipa/ Pimba na Gorduchinha/Tiruli, tirulilá/Eee queee goooool!”.

Que bonito é /as bandeiras tremulando /a torcida delirando/ vendo a rede balançar! A campanha para que a bola da Copa do Mundo de 2014 receba o carinhoso nome de Gorduchinha é “uma jogada do do do peru” do ataque formado por amigos e fãs do locutor Osmar Santos (veja as páginas da campanha Gorduchinha 2014 no Twitter e no Face). Aproveito o aniversário de Osmar Santos, o “pai da matéria”, 63 anos neste 28 de julho, para dar meu total apoio à essa campanha. Que tal eleições Diretas Já para escolher o nome da bola da Copa, hein? Alias, Diretas Já para presidente do São Paulo também!
Adoro rádio. Gosto muito de inúmeros locutores. Mas na minha opinião, Osmar Santos foi, é e sempre será o maior locutor esportivo de todos os tempos. O cara revolucionou o rádio esportivo brasileiro, nos anos 70, com transmissões cheias de humor, vinhetas e música. A escalação do trio de arbitragem, por exemplo, vinha depois de uma vinheta com um trecho de “Camisa Molhada”, clássico do tricolor Carlinhos Vergueiro e do corintiano Toquinho sobre o futebol de várzea. E os apelidos que Osmar dava? Edmundo, o “animal”. Serginho Chulapa, o “tamanduá-bandeira do futebol brasileiro”. Jorge Mendonça era o “Jojô Beleza” (há uma narração de gol do palmeirense numa das salas do Museu do Futebol’.
Sua narração “discoteque”, “livre, leve e solta” exerce influência até hoje – os que eu mais gosto de ouvir são locutores que seguem claramente a escola Osmar Santos. Vejo que o site Gorduchinha 2014 disponibiliza algumas narrações clássicas do pai da matéria para baixar no celular (confira aqui).
Na voz de Osmar, os 90 minutos eram como um gol. E o gol, então, era uma festa. Que me lembra a vinheta usada durante muitos anos pela rádio em que explodiu, a jovem rádio Jovem Pan de São Paulo.

“É gol, que felicidade! É gol, o meu time é alegria da cidade”” – “Replay”, sucesso do Trio Esperança, depois regravada pelo Trio Mocotó.


“Osmar Santos – O Milagre da Vida” é a biografia muito bem escrita por Paulo Matiussi, tema de post anterior.

By the way, o Troféu Osmar Santos (dado pelo jornal “Lance” ao melhor do 1º turno) desse ano parece que tem um favorito: o Atlético Mineiro. Bela campanha do Galo.

Um locutor que me lembrou a originalidade de Osmar Santos foi a de um xará meu português, o João Ricardo Pateiro. Dá uma olhada só no post anterior, “Golo do rádio esportivo português”.