L E Ô N I D A S. 100 anos do Diamante Negro.

A bicicleta de Leônidas, no Memorial do São Paulo FC.
A bicicleta de Leônidas, no Memorial do São Paulo FC.

Ao som de “Deixa Falar”, clássico na voz da pequena notável Carmem Miranda, a gente comemora hoje o centenário do nascimento de Leônidas da Silva, o artilheiro da Copa de 1938 (também jogou a de 34) que, se não inventou o gol de bicicleta, o popularizou no Brasil. Tricampeão carioca, pentacampeão paulista, o atacante hoje foi tema do “doodle”, aquele logotipo do Google que muda, em homenagem a uma data.

www.google.com.br
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O “crack” dos anos 30 e 40 renderia muitas manchetes de jornal se jogasse hoje. Imagine só como seus gols (média acima de um por partida no Flamengo), suas confusões fora dos campos, seus romances seriam compartilhados e curtidos (ou nção) pelas rede sociais, na era da internet. Você acha que o Neymar faz muita propaganda? Leônidas foi nome de cigarro e virou nome de chocolate, criado pela Lacta logo depois do Mundial de 1938, fabricado até hoje.

http://www.lacta.com.br/
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Nesta semana do centenário, Leônidas foi homenageado pelo Flamengo, clube que tirou da’ fila’, em 1939. O rubro-negro usou uma camisa com a hashtag #Leônidas100, na partida contra o Vitória.

https://www.facebook.com/FlamengoOficial
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Ao São Paulo, Leônidas chegou como astro, recebido por milhares na estação de trem, mas também visto com desconfiança, como o “o bonde de 200 contos de réis” por alguns. Saiu como cinco vezes campeão paulista na década de 40. Na quinta-feira, o tricolor jogou contra o Criciúma com uma linda camisa retrô, de tom gelo, em homenagem ao ídolo eterno.

FOTO divulgação Penalty | Vipcomm
FOTO divulgação Penalty | Vipcomm

Para saber mais sobre a vida da primeira grande celebridade do futebol brasileiro, não deixe de ler  “Diamante Negro – Biografia de Leônidas da Silva“, trabalho de fôlego do jornalista André Ribeiro.

Obrigado, Leônidas, por continuar dando a alegria e orgulho a nós, torcedores, 9 anos depois de sua morte.

A Majestosa estreia de um Diamante

Bem lembrado pelo excelente blog “Literatura na Arquibancada”, do jornalista André Ribeiro, autor da biografia de Leônidas da Silva. Em 24 de maio de 1942, o homem de borracha, artilheiro da Copa de 1938, estreou no São Paulo num clássico Majestoso. A expectativa pela estreia de Leônidas ajudou a lotar o Pacaembu. Mais de 70 mil espectadores. Recorde de público do estádio. Leônidas não marcou no debut, não tardaria a mostrar que não era um bonde, mas não faltou emoção. São Paulo 3×3 Corinthians.

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Pacaembu, 70 anos de classe

Capa do livro do professor João Fernando Ferreira

Celebramos os 70 anos do Pacaembu, onde o Santos venceu o Santo André no primeiro jogão da final do Paulista 2010 (3×2, decisão muito mais disputada do que se esperava) e no próximo domingo deve sacramentar o título. O estádio municipal Paulo Machado de Carvalho foi inaugurado em 27 de abril de 1940, com a presença de Getúlio Vargas (ditador, no período do Estado Novo, 37-45), Adhemar de Barros (interventor federal em SP) e Prestes Maia (prefeito), mas a bola só rolou no dia seguinte. Rodada dupla. O Palmeiras ainda se chamava Palestra Itália. Na primeira partida, goleou o Coritiba, então campeão paranaense, por 6×2. Mas coube ao ponta Zequinha, do Coxa, a honra de marcar o 1º gol do estádio. A partida de fundo reuniu os campeões paulistas e mineiros: Corinthians 4×2 Atlético. São informações que estão no livro “A Construção do Pacaembu”, de João Fernando Ferreira (mestre em História que pesquisa futebol), lançado na Coleção São Paulo no Bolso da editora Paz e Terra. O pocket-book do professor contextualiza o nascimento do Pacaembu na história do futebol na cidade de São Paulo, com jesuítas, Charles Miller, clubes de elite x clubes populares, amadorismo x profissionalismo, uso do esporte por políticos. Para chegar à rodada dupla que inaugurou o estádio municipal. João Fernando Ferreira também dedica algumas páginas à estreia no São Paulo de Leônidas da Silva, o diamante negro, homem de borracha da Copa de 38. Foi num Majestoso contra o Corinthians, em 1942, que terminou em 3×3 e tem até hoje o recorde de público do Pacaembu: 72.018 pagantes. E olha que no lugar do horroroso tobogã de hoje, havia uma lindíssima concha acústica. No texto Pacaembu, 70 anos de emoção,  o blog Memória EC, de Marcelo Monteiro, lista os 6 jogos da Copa de 50 que o Pacaembu recebeu. E reproduz excelente reportagem do Esporte Espetacular sobre o jogaço entre Santos e Palmeiras, no Rio-São Paulo de 1958, e com suas três reviravoltas no placar, fez com que cinco torcedores sofressem infartos. Palmeiras saiu na frente, Santos virou, chegou a vencer por 5×2, Palmeiras virou para 6×5, mas o Peixe virou de novo. Santos 7×6 Palmeiras.

Para Leônidas, o homem de borracha

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O homem de borracha no Memorial do SPFC"

24 de janeiro. 6 anos sem Leônidas da Silva. O primeiro brasileiro a terminar uma Copa do Mundo como artilheiro: a de 1938, na França, com 7 gols, segundo site da Fifa. Virou homem de borracha, para os franceses, encantados. Seu apelido brasileiro, diamante negro, virou nome de chocolate, inspirou o título da ótima biografia escrita por André Ribeiro. O “Pelé” antes da era Pelé, jogou (e aprontou!) no Sírio e Líbanes, São Cristóvão, Bonsucesso, Penãrol, Vasco, Botafogo, Flamengo (campeão nos 3 grandes grandes cariocas onde jogou),  São Paulo (cinco títulos paulistas na década de 40!) e Seleção Brasileira. Também é personagem de um belo samba eternizado por Carmen Miranda, regravado por Marcos Sacramento, Deixa Falar, e do CD Coração de 5 Pontas, recém-lançado por Hélio Ziskind.

Leia mais sobre grande craque aqui.

Livro: “Os Dez Mais do São Paulo”

Publicado em 3/12/2009 e atualizado em 12/12/2012
O Blog do Juca Kfouri noticia a noite de autógrafos do livro do jornalista Arnaldo Ribeiro, da revista Placar. Os Dez Mais do São Paulo será lançado na quarta-feira que vem, 9 de dezembro, a partir das 7 da noite, na Saraiva do MorumbiShopping – pra quem tiver pressa, alguns sites especializados  terão o livro disponível na segunda-feira. É o 7º volume da Coleção Ídolos Imortais, da Maquinária Editora – depois de Corinthians, Palmeiras, Flamengo, Fluminense, Internacional e Botafogo. Funciona assim. Um júri de convidados vota nos seus favoritos e os 10 escolhidos entram no livro escrito por um jornalista que não necessariamente participou da votação. No caso do São Paulo, como Fut Pop Clube noticiou em agosto, os eleitos foram: o goleiro-artilheiro Rogério Ceni, os zagueiros e volantes Roberto Dias e Darío Pereyra, o meio campo Bauer (da histórica linha média Rui, Bauer e Noronha, nos anos 40), os meias Pedro Rocha e Raí, mais os atacantes Leônidas, Canhoteiro, Serginho Chulapa e Careca. Um timaço. E conhecendo a coleção Ídolos Imortais e o texto de Arnaldo Ribeiro, podemos esperar mais um golaço da Maquinária Editora. O curioso é que 8 desses ídolos tricolores já foram personagens principais de outros livros. Confira aqui. Continuar lendo “Livro: “Os Dez Mais do São Paulo””

De letra: livros e mais livros sobre futebol.

Publicado em setembro de 2009
www.companhiadasletras.com.brfiodeesperanca-bigDiamante-Eterno-big (1)

Quarenta e cinco livros sobre futebol já foram lançados em 2009. As contas são do administrador de empresas Domingos D´Angelo, guardadas as proporções uma espécie de José Mindlin dos livros futebolístícos. Criador do MemoFut (Grupo de Literatura e Memória do Futebol), Seu Domingos possui hoje 1.632 obras sobre futebol em português.  Mais 11 estão a caminho. “O primeiro livro que chamou minha atenção foi Drama e Glória dos Bicampeões, do Armando Nogueira e Araújo Neto, de 1962. Na verdade quando eu comecei mesmo a montar esta biblioteca, não sei, deve ter sido há mais ou menos 30 ou 40 anos”, diz o criador do MemoFut.

Fut Pop Clube pediu para Domingos D´Angelo escolher 11 livros.  Missão quase impossível para o colecionador, que diz já ter tentado escolher 100 e desistido. Mesmo assim, ele topou indicar várias obras para os leitores do blog. Vou publicar em capítulos. Primeiro, três biografias que para seu Domingos ajudaram a diminuir o preconceito sobre o tema:

NOS PRÓXIMOS DIAS: outras biografias, histórias de clubes, almanaques e livros de crônicas indicados por Domingos D´Angelo, do grupo MemoFut.

Sobre “bonde de 200 contos”

Publicado em maio de 2009

Capa da nova edição de “Diamante Negro – Biografia de Leônidas da Silva”, agora pela editora Cia dos Livros

E por falar em Carmen Miranda e Marcos Sacramento, que gravaram música sobre Leônidas (“Deixa Falar”, de Nelson Petersen), esta semana ouvi na sala dos Gols,  no Museu do Futebol, a narração do primeiro gol de bicicleta do Diamante Negro no futebol paulista. Foi no terceiro jogo de Leônidas pelo São Paulo, em 14 de junho de 1942. Vitória por 2×1 do Palestra Itália, que ainda durante aquele campeonato mudaria de nome para Palmeiras (e seria campeão).  Aos 44 do primeiro tempo, Leônidas fez o gol tricolor no Pacaembu, Para explosão de alegria do locutor Geraldo José de Almeida, da rádio Record: “o bonde… o bonde de 200 contos fez um gol de bicicleta“.Diamante-Eterno-big (1) O sensacional livro do André Ribeiro, O Diamante Eterno [Diamante Negro, Biografia de Leônidas da Silva, no relançamento pela Cia dos Livros], registra  que alguns dias antes da estreia de Leônidas, o jornal “A Hora” manchetou: “São Paulo compra Bonde de 200 contos”. O livro do André Ribeiro explica que os redatores do tablóide “A Hora” usaram a palavra “bonde”, que na época significava mau negócio, para rotular o artilheiro da Copa de 38. Leônidas chegou ao São Paulo com 29 anos, por 200 contos, depois de problemas na relação com o Flamengo. O tal “bonde de 200 contos” seria campeão paulista cinco vezes nos anos 40. Marcou 140 gols em 211 jogos pelo São Paulo. Para um “bonde”, tá bom, não?

Não será mera coincidência qualquer semelhança com a história recente de outro grande atacante carioca, que também teve passagem pelo São Cristóvão, caso de amor tumultuado com o Flamengo,  também jogou no exterior, foi artilheiro de Copa do Mundo e chegou meio desacreditado ao futebol paulista.  E já foi campeão estadual. O nome dele são vocês que vão dizer: Ronaldo, o Fenômeno.

Leia também:

https://futpopclube.wordpress.com/tag/futebol-no-pais-da-musica/

https://futpopclube.wordpress.com/?s=carmen+miranda

https://futpopclube.wordpress.com/2009/05/17/museu-do-futebol-ii-anjos-barrocos/