“Na Grande Área”, Armando Nogueira.

Publicado em 29 de março de 2010

“Na Grande Área”, de 1966, foi reeditado em 2008 pelo Lance!

Dez é a camisa dele. “Camisa 10 do jornalismo brasileiro”, batiza o GloboEsporte.Com. Mesas-redondas, telejornais, crônicas sobre futebol… sempre que a gente curte esses produtos jornalísticos hoje no Brasil, deve lembrar que há um toque de Armando Nogueira. E foi numa segunda-feira – consagrada às principais mesas-redondas dos canais de esporte da TV por assinatura – que Armando Nogueira nos deixou. Decolou – já disseram – porque amava voar. Pensei em dar a este texto um título como “um minuto de silêncio”. Mas pensando bem, para homenagear alguém que adorava tanto a vida e bola, talvez seja mais coerente solicitar mais 90 minutos de emoção.
O livro que ilustra o post, Na Grande Área, reeditado pelo grupo Lance! em 2008, compila crônicas publicadas em jornais entre 1964 e 1966, ano da 1ª edição, de Bloch Editores. Tempos em que meninos jogavam bola na rua em Ipanema (“A Rua do Caloca”). Fala de boleiros anônimos e de vitórias (Copa de 58, “Retrato da Vitória”). Dá para montar quase que uma seleção de feras citadas nas crônicas.

  • No gol, um escritor. Albert Camus (“O Goleiro Camus”).
  • Djalma e Nílton Santos.
  • Zito (“Par Constante”).
  • Didi (“O Homem que Passa “).
  • Zizinho (“Sempre imaginei Zizinho jogando futebol de sapato preto, traje rigo, tal a leveza se sua passada com a bola e sem a bola. Pois um dia Mestre Ziza mandou que o sapateiro Aristides, do Bangu, arrancasse todas as travas de suas chuteiras”, escreveu em “Futebol Traje a Rigor”, uma das crônicas do livro).
  • Garrincha (“Uma Força da Natureza”).
  • Vavá (“cabra-macho está ali naquele pernambucano”, escreve, em “A Bravura de Vavá”).
  • Pelé (“Onipresença”, entre outros).

Se a doença impediu Armando de ver a nova safra de Meninos da Vila (3 ou4G?) acariciando a bola (como gostaria de dizer), certamente ele pode se encantar com as jogadas de Marta.  “Graças a Deus, vivemos em um país onde até as mulheres têm o gosto da bola” (já dizia em “A Explicação”,  Na Grande Área).
Recentemente, publiquei aqui no Fut Pop Clube textos sobre dois documentários que retratam craques da bola. Artilheiro do Meu Coração é sobre Ademir Menezes. Quem escreveu a crônica que batizou o filme dos três jovens pernambucanos? Armando Nogueira. Um Craque Chamado Divino convidou o próprio Armando Nogueira para explicar o clássico sobre Ademir da Guia, o eterno camisa 10 do Palmeiras. “Nome, sobrenome e futebol de craque”. O nome era o mesmo de Ademir, sim, o mesmo Ademir Menezes, artilheiro do coração dos torcedores de Sport, Vasco, Flu e Seleção nos anos 40 e 50. O sobrenome, o Ademir de Bangu e Palestra Itália herdou do pai, Domingos da Guia, o Divino Mestre. Mas não era só. O futebol de Ademir da Guia também era de craque, atestou Armando Nogueira. “Ele tinha um ar, assim, de primeiro violino” – palavras do mestre. Continuar lendo ““Na Grande Área”, Armando Nogueira.”

Tabelinha MemoFut-Museu do Futebol

Tive a oportunidade de acompanhar a segunda palestra da série Brasil nas Copas, sobre os Mundiais de 50, 54, Complexo de Vira-Lata e, especialmente, o Maracanazzo. Um dos palestrantes, o jornalista Roberto Muylaert, foi um dos 200 mil torcedores que superlotaram o Maracanã naquele 16 de julho de 1950. O outro, o jornalista Geneton Moraes Neto, coletou depoimentos dos titulares da Seleção que disputou o IV Campeonato Mundial de Futebol.

Dossiê 50-Os Onze Jogadores Revelam os Segredos da Maior Tragédia do Futebol Brasileiro é o livro de Geneton (esgotado no site da editora Objetiva; com sorte e ajuda de são google pode ser encontrado em sebos virtuais). Geneton relatou histórias engraçadas, curiosas e tristes, a partir dos depoimentos dos 11 que perderam a partida para o Uruguai. Como Friaça, que fez o gol brasileiro na 1ª final de uma copa disputada no Maraca e, depois da virada da Celeste Olímpica, foi parar não sabe como em Porciúncula.

O último livro de Roberto Muylaert sobre o tema chama-se Barbosa, Um Gol Faz Cinquenta Anos (RMC Editora, 2000). Foi o jornalista quem ouviu do goleiro Barbosa que ganhou as traves usadas no Maracanã na final de 50 e usou para fazer um churrasco. Muylaert também escreveu, com Armando Nogueira e Jô Soares, A Copa que Ninguéu Viu e a Que Não Queremos Lembrar (Companhia das Letras). Muylaert pediu para rodar um áudio raro: o som do Maracanão lotado cantando o hino nacional, antes da fatídica partida (da rádio Nacional). Foram lembrados o livro de Paulo Perdigão (Anatomia de uma Derrota) e o filme em curta-metragem Barbosa – em que um torcedor tão obcecado com a derrota volta no tempo a 16 de julho de 1950, com câmera VHS e tudo, invade o gramado do Maracanã, para tentar impedir o gol de Gigghia, que deu a vitória e Taça do Mundo ao Uruguai, do capitão Obdulio Varela. Acaba desviando a atenção de Barbosa e… Continuar lendo “Tabelinha MemoFut-Museu do Futebol”

Livro: “Os 11 Maiores Camisas 10 do Futebol Brasileiro”

Nesta terça-feira, 13 de abril, às 18h30 na livraria Cultura do Conjunto Nacional, o jornalista Marcelo Barreto lança o livro “Os 11 Maiores Camisas 10 do Futebol Brasileiro” (de uma série da editora Contexto, que começou com “Os 11 Maiores Técnicos…”, do Noriega). Marcelo Barreto está preparado para a polêmica, para motivar muita conversa de bar. Ele explicou à CBN que antes de mais nada a lista não trata de quem usou a camisa 10, mas jogou como “10”, na posição consagrada por Pelé, Zico, Riva, Ademir da Guia etc. O autor do livro já explica aos vascaínos que apesar de Roberto Dinamite ter jogado com a 10, era um típico “9”, preservando o grande ídolo de São Januário para um futuro livro sobre “os 11 maiores centroavantes”.

E quem foram os onze “camisas 10” eleitos pelo livro? Continuar lendo “Livro: “Os 11 Maiores Camisas 10 do Futebol Brasileiro””

Museu do Futebol II. Anjos barrocos.

museu4Gilmar (ou Taffarel), Djalma Santos (80 anos), Carlos Alberto Torres, Nilton Santos, Roberto Carlos; Falcão, Didi e Zizinho; Garrincha, Pelé e Ronaldo. Ou que tal um meio com Gérson (Zico), Sócrates e Rivellino (Zagallo)? E um ataque com Romário, Tostão e Rivaldo? Esse timaço virtual que  joga na sala Anjos Barrocos, do Museu do Futebol, ainda conta com Ronaldinho Gaúcho, Bebeto, Jairzinho, Julinho Botelho e Vavá.

Outra sala que emociona no percurso do torcedor é a dos gols. Depoimentos de craques da mídia sobre seus lances favoritos. E narrações de clássicos do rádio esportivo brasileiro.  Osmar Santos, o Pai da Matéria, esmerilha num gol de Jorge Mendonça, o “Jojô Beleza”. Mesmo que você não seja palmeirense, não tem como não se arrepiar. Grande Osmar. Grande Jorge Mendonça!

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