Meu tio campeão

Anos 70. Foram presentes dele os meus primeiros times de futebol de botão. Um botão de plástico, achatado, com um bonequinho de papelão vestindo o uniforme do time, plantado no centro do brinquedo. Que pena não ter guardado pra história! Não consigo lembrar a marca. Alguém faz ideia aí?

Foi o mesmo tio quem me levou pela primeira vez a um estádio, e de cara para ver um clássico. Eram outros tempos. Os torcedores ficavam misturados. Meu time perdeu. Irado, um torcedor jogou o gorro lá embaixo, olhou pra mim e me recomendou mudar de time. Ainda bem que não segui o conselho…

Um dia dá caça, no outro, caçador – gostava de dizer meu tio.

Talvez eu não estivesse aqui blogando quase todo dia sobre futebol se não fossem esses gestos do tio. Eternamente, vou lembrar disso.

Meu tio era uma pessoa com quem dava pra conversar sobre futebol.

Meu tio era uma pessoa com quem dava pra conversar. Ponto. Sobre tudo. Futebol, cinema, política, vida profissional… Um homem inteligentíssimo.

Era uma pessoa que não parava de trabalhar, emprestando seu conhecimento a empresas dos quatro cantos do mundo. Este ano, em questão de pouco tempo, um mês e alguns dias mais, um câncer devastador levou este tiozão embora.

Meu tio querido partiu sem ver seu time ser campeão mais uma vez. Logo ele que acompanhou todos os longos anos de jejum, sem títulos.

Lá do céu, meu tio deve ter saboreado essa conquista, depois desse tempo de tanto sofrimento. Continuar lendo “Meu tio campeão”

Recampeão 2013

https://www.facebook.com/corinthians
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Ainda o atual campeão da Libertadores, campeão do mundo, campeão paulista, o Corinthians agora também é o dono da Recopa Sul-Americana. Justíssima conquista, com duas vitórias no clássico Majestoso: 2×1 no Morumbi. 2×0 no Pacaembu. Que estrela, a do Tite. O cara é bom, sem dúvida. Quanto ao São Paulo, precisa começar tudo de novo, do zero. A questão é que quem tem o poder para detonar esse processo de mudança, no momento, não tem legitimidade nenhuma. Passou da hora de Juvenal Juvêncio pedir o boné. Já tem até faixa das torcidas adversárias fazendo juras de amor ao presidente são-paulino.

Algumas coincidências entre os campeões da Libertadores e da Champions League em 2012

A de 2012 é do Corinthians

No ano 102 de sua história, o Sport Club Corinthians Paulista entrou para o clube dos campeões da Libertadores (agora são 23 integrantes). Campeão invicto, com todos os méritos, logo contra o bicho-papão Boca, que jogou pouco e bateu muito (especialmente Santiago Silva e Ervitti) na segunda partida da final, no Pacaembu. Curioso é que o Corinthians já teve times muito mais galáticos do que este, mas só conseguiu o título tão cobiçado com um time de operários, de guerreiros. Um Timão de muita obediência tática e marcação. Um Timão com espírito de Libertadores. Parabéns, Tite -que também entrou de vez no rol dos grandes técnicos brasileiros. Parabéns à diretoria, que de boba não tem nada. Em cinco anos, saiu de um pesadelo para toda a glória da Libertadores. E colhe agora os frutos da manutenção do treinador. Parabéns ao bando de loucos. Em resumo: título esperado, brigado, merecido.

Nesta reta final, 1×1 arrancado em plena Bombonera e 2×0 no Pacaembu, notei algumas coincidências entre o Corinthians, agora campeão da Libertadores, e o Chelsea, vencedor da Champions League – clubes que podem se encontrar em dezembro -se não houver nenhuma zebra na semifinal- no Mundial de Clubes, que será disputado no Japão entre 8 e 18 de dezembro.

  •  Corinthians e Chelsea são dois times de tradição, torcida, muita grana, donos de títulos nacionais, mas até 2012 não tinham o maior título de seus continentes: Libertadores e Liga/Copa dos Campeões.
  •  Nas semifinais, ambos derrotaram os atuais campeões de seus continentes, algo favoritos: o Corinthians eliminou o Santos de Neymar e o Chelsea eliminou o Barcelona de Messi e cia ilimitada.
  • Nas finais, Corinthians e Chelsea derrotaram grandes colecionadores das copas: o Boca Juniors, seis Libertadores, e o Bayern de Munique, quatro Ligas/Copas dos Campeões.
  • Ambos tinham poucos jogadores “feitos em casa”, nenhum entre os titulares que entraram jogando as finais. O que em nada diminui a conquista.Pelo contrário, dadas as adversidades, o tamanhos dos rivais que foram caindo nas fases de mata-mata (o Corinthians derrubou Vasco, Santos, Boca; o Chelsea derrotou Napoli, Barça, Bayern).

Bom, em nome da emoção, tomara que tenhamos Corinthians x Chelsea na final da Copa do Mundo de Clubes.  Imagine só a invasão corintiana no Japão…