“Futebol no País da Música”

“Salve a Seleção!”. Músicas sobre o escrete verde-amarelo (do Sul-Americano de 1919 às últimas Copas) ganharam um dos 21 capítulos do livro Futebol no País da Música (Panda Books), que o jornalista Beto Xavier lançou na Fnac da Avenida Paulista. Quantas músicas sobre futebol você conhece? “Pra Frente Brasil”, “A Taça do Mundo é Nossa”, aquela do Skank (“É uma Partida de Futebol”), o tema do Canal 100, algumas do Jorge Benjor… Mas tem muito mais… O Beto aborda cerca de 500 canções, numa pesquisa que levou 15 anos. Vale a pena pegar este livro e depois sair buscando na internet…
10 PERGUNTAS PARA BETO XAVIER
Publicado em abril de 2009

Beto Xavier

Jornalista, radialista, gremista, apaixonado por música, por futebol – e colecionador de canções sobre o “esporte bretão”. Beto Xavier acaba de lançar seu primeiro livro, Futebol no País da Música (pela Panda Books). Resultado de garimpo esportivo-musical durante 15 anos! Gentilmente, ele respondeu por e-mail a 10 perguntas do Fut Pop Clube.

1) FUT POP CLUBE – Beto, no seu livro, você fala em casamento entre futebol e música brasileira. Quando eles começaram a namorar e quando casaram pra valer?

BETO XAVIER –  Futebol e música começaram a namorar muito cedo. Como falo no meu livro, o pai do futebol brasileiro, CHARLES MILLER, era casado com uma grande pianista, igualmente pioneira na sua arte.Mas há vários casamentos, não só um. Mas acho que a primeira grande festa de casamento foi quando o BRASIL ganhou o primeiro título mundial. Aí a festa entre música e futebol foi de arrombar. Quem não se lembra de “A taça do mundo é nossa”? (ouça aqui a versão de Ivo Meirelles e Funk´n Lata)

2) FUT POP CLUBE  – Na sua opinião, que gol  merece uma música?

BETO XAVIER– Difícil, hein? Mas acho que o primeiro gol do Pelé contra a Itália na final da COPA DE 70 merecia uma música.  Aquela cabeçada foi magistral. Aquele do Marcelinho Carioca contra o Santos também foi divino. Pessoalmente, o segundo gol do RENATO PORTALUPPI contra o HAMBURGO, na final do Mundial Interclubes de 83 também merecia. Um rock!

3) FUT POP CLUBE – Você viu o golaço do Grafite, na goleada do Wolfsburg contra o Bayern de Munique? Se ele tivesse marcado um gol assim com a camisa do Flamengo, alguém já estaria pensando numa música?

BETO XAVIER – Talvez. Depende muito da inspiração, nem tanto da importância.  O gol que deu origem ao clássico “Fio Maravilha!” [ou “Filho Maravilha”,disco “Ben”;ouça um trechinho no site de Jorge Benjor;] saiu num simples amistoso. Quer dizer, é muito relativo. ben

4) FUT POP CLUBE – Além de Jorge Benjor, que músico brasileiro pode lançar ao menos uma coletânea só de boas músicas sobre futebol?

BETO XAVIER – Sem nenhuma dúvida, MORAES MOREIRA. Lembrando que o CARLINHOS VERGUEIRO lançou 1999 um disco só com temas futebolísticos chamado “CONTRA-ATAQUE”.

Carlinhos Vergueiro
Carlinhos Vergueiro

5) FUT POP CLUBE – Em 1982, o Júnior, então lateral da Seleção, vendeu 700 mil cópias do compacto “Povo Feliz (Voa Canarinho”) / “Pagode da Seleção”. Algum outro jogador-cantor se deu tão bem assim,?
BETO XAVIER – Também não há dúvida. JÚNIOR foi o que melhor soube aproveitar, digamos, o talento musical. Lançou um compacto que vendeu 700 mil cópias e dois LPs com sambas, alguns muito bons.

O PELÉ também gravou bastante, mas não vendeu tanto quanto o LÉO.

6) FUT POP CLUBE Na sua opinião, que outro jogador mostrou muito talento como compositor, cantor ou músico e merecia mais sucesso comercial?

BETO XAVIER: Acho que o ESCURINHO,  atacante colorado dos anos 70,  merecia ser mais conhecido pelo lado musical. Canta, compõe e toca. Alguns sambas dele são muito bons..

7) FUT POP CLUBE – E na música popular brasileira, quais são os melhores boleiros? Quem bate a melhor bola?

BETO XAVIER – Tem vários, mas destaco alguns: CHICO BUARQUE, MORAES MOREIRA,  FAGNER, CARLINHOS VERGUEIRO, DJAVAN, GUINGA, PEPEU GOMES.

FUT POP CLUBE – No livro, você compara os Novos Baianos com o carrossel holandês, a Laranja Mecânica da Copa de 74. Por quê?

BETO XAVIER – O conceito é parecido. OS NOVOS BAIANOS eram uma verdadeira comunidade. Todos moravam juntos, todos tocavam, cantavam e compunham. A HOLANDA era mais ou menos isso. Me lembro que os jogadores holandeses foram os primeiros a levarem as mulheres para uma competição tão importante como uma  Copa do Mundo. Além disso, tanto os NB como o “Carrossel Holandês” deram ares de renovação em suas áreas. Há uma foto emblemática num daqueles fascículos da coleção “HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA”. Todos os NOVOS BAIANOS  reunidos numa varanda vendo um jogo pela TV. A partida é HOLANDA 2×0 URUGUAI  pela COPA de 74.

9) FUT POP CLUBE – Sabe de algum outro país de fanáticos pela bola com uma tradição semelhante de músicas sobre futebol?

BETO XAVIER – Não com a música popular. Mas os ingleses sempre  foram muito musicais em relação ao futebol.

10) Pelé x Maradona… quem recebeu mais homenagens musicais? Só o Manu Chao fez duas sobre Diego:”Santa Maradona” no tempo da banda Mano Nega e “La Vida Tombola” no último disco, “Radiolina”…

BETO XAVIER – Por incrível que pareça o MARADONA é mais cantado na ARGENTINA do que o PELÉ no BRASIL, que também é muito citado em músicas aqui em nosso país.

MAIS:

“Sou Ronaldo” – Nos bastidores com Ronaldo Fenômeno e Marcelo D2, vídeo do programa do Faustão: http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM992212-7822-NOS+BASTIDORES+COM+RONALDO+FENOMENO+E+MARCELO+D,00.html

No final de 2008, fiz uma entrevista com Carlinhos Vergueiro sobre música e futebol, na versão anterior do meu blog:

http://arquibancadaazul.blogspot.com/2008/12/e-entrevista-carlinhos-vergueiro.html

No site oficial do Júnior, ex-lateral e hoje comentarista, há um texto sobre sua ligação com a música:

http://www.sitedojunior.com.br/site/bio_samba.php

Site sobre Maradona10 relaciona algumas canções sobre Diego, El Diez: http://www.maradona10.com/musica/

La Vida Tombola: https://futpopclube.wordpress.com/2009/02/11/a-vida-e-uma-gangorra/

Santa Maradona: https://futpopclube.wordpress.com/2009/02/11/santa-maradona/

vote na sua favorita: http://colunademusica.wordpress.com/2010/06/14/90-minutos-de-emocao-e-alegria/

Buddy Guy: “Damn Right, I´ve Got the Blues”

Discão: "Damn Right, I´ve Got the Blues"
Discão: “Damn Right, I´ve Got the Blues”

Quem diria, Buddy Guy passou quase toda a década de 80 sem gravar um disco de estúdio no seu próprio país, os EUA, terra do blues. Damn Right, I´ve Got the Blues (de 1991) foi o primeiro de uma série pela gravadora Silvertone – e o primeiro a faturar Grammy. Aqui, rodou bastante o clip da cover de Mustang Sally, sucesso na voz de Wilson Pickett, que Buddy regravou ao lado de outro herói da guitarra, Jeff Beck. É um show.
O CD tem canjas de outros guitarristas: Mark Knopfler e Eric Clapton, que idolatra Buddy. Outras covers presentes: Five Long Years, de John Lee Hooker, Let Me Love You Baby, de Willie Dixon. Composições do próprio Buddy abrem (a eletrizante faixa-título) e fecham o disco (Rememberin´Stevie, blues dedicado ao saudoso Stevie Ray Vaughan).

Iron Maiden, Apoteose, 14/03/2009

maidenapoteosePara quem estava em 11 de janeiro de 1985 no Rock in Rio I, é impossível se esquecer do concerto do Iron Maiden, para trocentas mil pessoas. O impacto do primeiro gigante do metal mundial a pisar no Brasil – e logo quem? Iron Maiden!- bem na turnê de um disco clássico, o Powerslave. E é esse álbum que inspira boa parte da turnê Somewhere Back in Time. Do cenário ao repertório (4 das 16 músicas são da safra 1984).

Mas pode colocar uma tag de showzão no concerto do Iron Maiden, na noite de sábado, na praça da Apoteose. Saíram as escolas de samba, entrou o Iron Maiden, um exército de três guitarras (Dave, Adrian, Janick), mais o baixo que Steve Harris toca como se fosse guitarra, a superbateria de Nicko e um vocalista que já foi comparado à sirene de ataque aéreo. Saíram os carros alegóricos, entrou Eddie, em duas versões, uma gigantesca, uma Eddie de Itu, enquanto rola  Iron Maiden, e a outra, operada por controle remoto, durante The Evil That Men Do. Dessa vez, Eddie trouxe um grande cenário, com direito a muitos fogos no palco e panos de fundo que se revezam conforme a música. Os caras prometeram trazer uma produção maior e cumpriram.

O som foi muito bom, alto, cristalino, praticamente sem embolar. Dava para ouvir bem os instrumentos, reparar em detalhes como um novo dedilhado aqui, outro acolá. Um teclado aqui, ao fundo de Powerslave, com  seu imortal riff de guitarra, outro ali, em Fear of the Dark, um dos grandes momentos da noite, com o público em coro. Aliás, com o passar do tempo, o grupo perdeu (só um pouquinho) do peso e da velocidade, mas isso permite que o espectador escute melhor o trabalho dos músicos. É impressionante como o Bruce Dickinson continua cantando muito bem, isso apesar do duplo emprego agora, como piloto de aviões.

Show do Iron Maiden: sempre um grande espetáculo. Como o pessoal que foi comigo comentou na saída. Impressionante como o Iron faz uma turnê dessa, centrada em 8 discos, e ainda deixa um bocado de música boa desses mesmos discos de fora. Em 2011 tem mais, promete Bruce (e ano que vem, novo álbum de inéditas). Vá e veja.

Leia sobre o filme do Iron, Flight 666. Se você quer saber qual foi o setlist, clique aqui ao lado. Continuar lendo “Iron Maiden, Apoteose, 14/03/2009”

Iron Maiden 3.0: The Number of the Beast, 29/03/1982

Foto: Robert Ellis (C) Iron Maiden Holdings 1996/38596 Fonte: EMI

numberofthebeast

A sirene de ataque aéreo – apelido do vocalista  Bruce Dickinson -começou a funcionar pra valer no terceiro disco do Iron Maiden, estreia do cantor na banda inglesa. The Number of the Beast (ouça trechos aqui) foi o primeiro álbum  nº1 do Iron (nas paradas inglesas). Primeiro Top 40 nos EUA. É aquele disco que  mesmo revistas e livros não especializados em rock pauleira elegem para falar do Maiden. Não é à toa que Number mereceu um programa da série Classic Albums, já lançado em DVD no Brasil. Aqui não tem Prodigal Son nem instrumentais. É pau puro, desde a faixa 1, Invaders, até a última, Hallowed Be Thy Name, um clássico de Steve Harris, cheio de mudanças de ritmo e clima, sobre um homem no corredor da morte.  Agora, além do apelo da capa (Derek Riggs), teve dois singles fortíssimos. Continuar lendo “Iron Maiden 3.0: The Number of the Beast, 29/03/1982”

Iron Maiden 2.0

killers O segundo álbum do Iron Maiden marcou a estreia de Adrian Smith (ex- Urchin), um “velho” de Dave Murray. Um guitarrista mais melódico, como mostram suas canções (ex: Wasted Years) e carreira fora da donzela.  Killers (02/02/1981) abriu a parceria do quinteto com o produtor Martin Birch, de clássicos como Machine Head, do Purple, referência para os Irons. A maioria das canções (ouça trechos no site da banda) foi composta por Steve Harris bem antes de Adrian entrar. Innocent Exile, por exemplo, existia ante de Harris fundar o Maiden. Clássicos do metal como Wrathchild e Killers já levantavam shows como Live at the Rainbow. Killers não chegou tão alto na parada como o LP anterior (12º, contra 4º de Iron Maiden). Uma pena. É um discão. Se você acha que o Iron não toca nada, tente ouvir Prodigal Son. A formação com Paul Di´Anno lançou ainda dois singles e um excelente mini-LP ao vivo. Continuar lendo “Iron Maiden 2.0”

Claudinha e Tile, dos “Copas”

Claudinha, batera dos Copas. FOTO: Renata ChebelCLAUDINHA

batera do Copacabana Club

(publicado no meu blog anterior, em dezembro/08)

Um baterista: podem ser 3? Gary Powell (ex-Libertines, atual Dirty Pretty Things), Steve Shelley (Sonic Youth) e Matt Helders (Arctic Monkeys).
Outras influências referências, influências: The Rapture, Interpol, Radiohead.
Disco de cabeceira: Spoon – “Ga Ga Ga Ga Ga”.
Hit da semana: Elle Milano – “Wonderfully Wonderfull”.
Banda de coração: Jesus and Mary Chain.
“Melhor banda de todos os tempos da última semana“: Foals.
Time do coração: Coritiba.

* fichinha enviada por e-mail pela Claudinha, dos “Copas”, em dezembro de 2008.

TILE

baixista do Copacabana Club

(ficha originalmente publicada no meu blog anterior, em dezembro/08)

Um baixista: Mani (Stone Roses/Primal Scream).
Outras influências referências, influências: família e amigos.
Disco de cabeceira: “Comes a Time”, do Neil Young.
Hit da semana: “Ballad of Big Nothing”, Elliot Smith.
Banda de coração: The Rolling Stones.
“Melhor banda de todos os tempos da última semana”: Primal Scream.
Time do coração: Meu único e eterno time do coração é o Coritiba Football Club, o Coxa!!!

* fichinha enviada por e-mail  pelo Tile, dos “Copas”, em dezembro de 2008.

Alec, guitarrista do Copacabana Club

Alec, 1 das guitarras dos CopasALEC VENTURA

Copacabana Club
Guitarristas: J.Mascis (Dinosaur Jr) e Don Fleming (Gumball)
Outras influências/referências: Stevie Wonder,Stereolab, Shuggie Otis, !!! (CHKCHKCHK), Todd Rundgren, Syd Barrett, Bart Davenport, Sondre Lerche, Marcos Valle, Mutantes, Maria Bethânia, Tods, Boss in Drama, Phoenix, The Who, Trevor Jackson, Michael Jackson, Jackson and his Computer Band, James Murphy and DFA Records, MSTRKRFT, Justive, MBV, Jesus and Mary Chain, Primal Scream, Black Sanchez, Who Made Who.
Disco de cabeceira: “Inspiration Information”, Shuggie Otis.
Hit da semana: “Finishing School” – Bart Davenoport e “Counter Sparks” – Sondre Lerche
Banda do coração: Stereolab, seeeeemmmmmpre!
Melhor banda de todos os tempos da última semana: Jamie Lidell e Bart Davenport
Time do coração: Botafogo de Mané Garrincha. É isso aí, falei!!

Fichinha respondida por Alec Ventura, um dos guitarristas do Copacabana Club, em dezembro de 2008.

Cacá, a vocalista do Copacabana Club

CACÁ V.

Copacabana Club
(publicado originalmente no meu blog anterior, em dezembro de 2008)
Uma voz: Mirah
Outras referências, influências: The Cure, The Postal Service, Flaming Lips, Air, Beck… são tantos… é ruim escolher!
Hit da semana: The Asteroids Galaxy Tour, “The Sun Ain´t Shining No More”
Banda de coraçãoFrench Kicks
“Melhor banda de todos os tempos da última semana“: Lykke Li
Time de coração: “o time de gatos que eu tenho aqui em casa! São três! Amo muito!”
Fichinha gentilmente “preenchida” por Cacá, vocalista dos “Copas”, em dezembro de 2008.

Copacabana Club

O "Copa": a batera Claudinha, o guitarrista Luli (mãos no chapéu), a vocalista Cacá, o guitarrista Alec e o baixista Tile. FOTO: Ito Cornelsen
O "Copa": a batera Claudinha, o guitarrista Luli (mãos no chapéu), a vocalista Cacá, o guitarrista Alec e o baixista Tile. FOTO: Ito Cornelsen

Pelo nome não parece, mas a banda da foto ao lado é de Curitiba. O Copacabana Club toca um rock com um pé lá… lá na pista de  dança. Com duas guitarras que mandam ver. Letras sexy, em inglês, cantadas pela Camila, a Cacá V. Agora, o quinteto se prepara para lançar um single da música Just Do It (ver texto abaixo).

Em dezembro, um colega me chamou atenção para uma página sobre o novo rock curitibano na Ilustrada. Entrei em contato com a banda e fiz uma fichinha com as preferências musicais de 4 dos 5 integrantes, na versão anterior do blog. Pode ler no links abaixo, levando em consideração que eram os favoritos dos “Copas” em dezembro, ok?

Alec Ventura, guitarra e voz;

Cacá V, a vocalista;

Claudinha Bukowski, a baterista.

Tile, o baixista.

(o guitarrista Rafael Martins entrou no lugar do Luli Frank)