Tomara que sempre que surgirem boas ideias urbanas no Rio ou em São Paulo, o bairrismo não impeça a outra metrópole de adotar algo parecido. Depois da Virada Cultural paulistana, que já teve 5 edições e se espalhou pelo interior paulista, o Rio estreia neste fim de semana o Viradão Carioca. Só que com 48 horas de cultura, duplicando as 24 horas de maratona na Paulicéia. No FLYER ao lado, duas dicas: o sambista Marcos Sacramento canta neste sábado, 6 de junho, a partir de 7 da noite, bem na frente do estádio do Bangu. Leia outros textos do Fut Pop Clube sobre o Marcos Sacramento.
E o Jards Macalé se apresenta às 9 da noite, numa lona cultural da Ilha do Governador. Quer saber mais sobre a relação do flamenguista Jards Macalé com o futebol? Entre no blog O Gol de Letra, de Jana e Nanda.
Skank 7x5 comissão do Palmeiras. Foto: assessoria de imprensa do Palmeiras
Toda a segunda-feira é a mesma coisa. “Cadê o pênalti/que o juiz não deu?” é o que mais se ouve em debates esportivos e conversas de bar. Principalmente depois de clássicos como o Palmeiras e São Paulo da 3ª rodada. Cadê o Pênalty – assim, com y- foi composta e gravada em 1978 por Jorge Benjor, então Jorge Ben, no disco A Banda do Zé Pretinho (Som Livre). E regravada na estreia do Skank, em 1993. Que acaba de ser relançado em vinil, na série Meu Primeiro Disco. Mais detalhes você encontra no último capítulo do livro do Beto Xavier, “Futebol no País da Música”. Pois bem. O Skank esteve em São Paulo para shows no fim de semana. E aproveitou para bater uma bolinha com a comissão técnica do Palmeiras, reforçada por funcionários, diretores, gerente do departamento de futebol e pelo jornalista Mauro Beting, que fez as vezes de goleiro. O vocalista Samuel Rosa ficou “todo todo” com o convite para jogar bola num dos campos da Academia de Futebol do Palmeiras. “Todos sabem que sou cruzeirense, mas a verdade é que o Palmeiras também foi Palestra Itália, por isso a simpatia. É muito legal participar desse momento“, disse o músico. E o time do Skank ainda venceu por 7 a 5!
Mais uma pra coleção do Samuel! Foto: assessoria de imprensa do Palmeiras
29 de maio de 1919. Decisão do Campeonato Sul-Americano. Estádio das Laranjeiras abarrotado por 28 mil pessoas. O Brasil ganha do Uruguai por 1×0 e fatura seu primeiro grande título. Gol de Friedenreich, o Tigre, então artilheiro do Clube Atlético Paulistano.
Novo livro do Roberto Sander
Pixinguinha e Benedito Lacerda compõe o sensacional chorinho “1×0”, instrumental. Nem o amigo Beto Xavier, autor do livro “Futebol no País da Música” , nem o pessoal do programa “Bate-Bola”, da ESPN, que o adotou como tema musical de encerramento, devem saber ao certo quantas são as dezenas de versões do clássico de Pixinguinha e Benedito Lacerda já gravadas. Uma delas, de Nelson Angelo, nos anos 90, acrescentou uma linda letra à “1×0”. Casamento perfeito.
Pixinguinha e “1×0” são temas de um post do excelente blog O Gol de Letra (“o jogo faz parte do nosso show” ), da dupla Janaína Lazzaretti e Fernanda de Andrade. Eu recomendo a navegação. E o título conquistado nas Laranjeiras acaba de ganhar um livro de Roberto Sander – Sul-Americano de 1919 – Quando o Brasil descobriu o Futebol (Maquinária Editora). Ainda não me deparei com o livro, mas do Roberto Sander, autor de Anos 40-Viagem à Década sem Copa e de Os Dez Mais do Flamengo só dá para esperar pesquisa e texto de primeira!
Capa da nova edição de “Diamante Negro – Biografia de Leônidas da Silva”, agora pela editora Cia dos Livros
E por falar em Carmen Miranda e Marcos Sacramento, que gravaram música sobre Leônidas (“Deixa Falar”, de Nelson Petersen), esta semana ouvi na sala dos Gols, no Museu do Futebol, a narração do primeiro gol de bicicleta do Diamante Negro no futebol paulista. Foi no terceiro jogo de Leônidas pelo São Paulo, em 14 de junho de 1942. Vitória por 2×1 do Palestra Itália, que ainda durante aquele campeonato mudaria de nome para Palmeiras (e seria campeão). Aos 44 do primeiro tempo, Leônidas fez o gol tricolor no Pacaembu, Para explosão de alegria do locutor Geraldo José de Almeida, da rádio Record: “o bonde… o bonde de 200 contos fez um gol de bicicleta“. O sensacional livro do André Ribeiro, O Diamante Eterno [Diamante Negro, Biografia de Leônidas da Silva, no relançamento pela Cia dos Livros], registra que alguns dias antes da estreia de Leônidas, o jornal “A Hora” manchetou: “São Paulo compra Bonde de 200 contos”. O livro do André Ribeiro explica que os redatores do tablóide “A Hora” usaram a palavra “bonde”, que na época significava mau negócio, para rotular o artilheiro da Copa de 38. Leônidas chegou ao São Paulo com 29 anos, por 200 contos, depois de problemas na relação com o Flamengo. O tal “bonde de 200 contos” seria campeão paulista cinco vezes nos anos 40. Marcou 140 gols em 211 jogos pelo São Paulo. Para um “bonde”, tá bom, não?
Não será mera coincidência qualquer semelhança com a história recente de outro grande atacante carioca, que também teve passagem pelo São Cristóvão, caso de amor tumultuado com o Flamengo, também jogou no exterior, foi artilheiro de Copa do Mundo e chegou meio desacreditado ao futebol paulista. E já foi campeão estadual. O nome dele são vocês que vão dizer: Ronaldo, o Fenômeno.
A seção FLYER informa: nesta sexta, 22 de maio, o cantor carioca Marcos Sacramento faz show em homenagem ao centenário da pequena notável. Sete da noite, na Sala Funarte Sidney Miller, centro do Rio. Entrada popular: 5 reais, o ingresso mais caro.
Em 30 de junho, Marcos Sacramento (leia mais) canta Carmen no Centro Cultural Banco do Brasil paulistano.
Gentilmente, o sambista respondeu por e-mail algumas curiosidades sobre o gosto dele. Veja no texto abaixo. Sempre que possível, abri links para sites oficiais ou para páginas sobre os artistas citados nos excelentes sites Clique Music e Discos do Brasil – excelentes fontes para pesquisar a música brasileira.
UM COMPOSITOR DE CABECEIRA: Luiz Flávio Alcofra (parceiro de Sacramento, ouça composições)
OUTRAS INFLUÊNCIAS OU REFERÊNCIAS: Elis Regina e Orlando Silva DISCO DE CABECEIRA: Como estou mergulhado no Projeto “Alô, alô, 100 anos de Carmen Miranda, todos os seus discos! HIT DA SEMANA: “Na cabeça”, do meu novo CD (ouça aqui) CONJUNTO DO CORAÇÃO: Bando da Lua (Nota do blog: conjunto que acompanhou Carmen Miranda) “MELHOR BANDA DE TODOS OS TEMPOS DA ÚLTIMA SEMANA“: Bando da Lua TIME DE CORAÇÃO: Botafogo
A seção FLYER informa: é nesta quinta, 14 de maio, em Nova Lima, MG, a gravação do DVD do show Onde Brilhem os Olhos Seus, de Fernanda Takai. Mais infos na página da cantora. O CD que revê com jeito de Fernanda Takai o repertório de Nara Leão passou de 50 mil cópias vendidas – já é Disco de Ouro. O DVD e CD do show saem no segundo semestre.
Uma dica da seção FLYER para quem está no Rio. O Grupo Semente toca todas as quintas no Centro Cultural Carioca (rua do Teatro, 37, na praça Tiradentes). E nesta quinta, 7 de maio, às 21h, o convidado é o Marcos Sacramento. Clique aqui para a página do Grupo Semente. E aqui para ouvir Marcos Sacramento.
24 horas de atrações! Em vários palcos ao mesmo tempo. De graça! A Virada Cultural de São Paulo é um lance tão interessante que deveria rolar mais de uma vez por ano e se espalhar para outros estados. Entre as atrações, Jon Lord, ex-tecladista do Deep Purple, recria Concerto for Group and Orchestra. Aliás, vários discos devem ser tocados na íntegra, como os de Raul Seixas. O grupo Choro das 3 toca duas vezes na maratona: sábado, 19h10, no palco da rua Conselheiro Crispiniano, perto do teatro Municipal, no centro de Sampa. E no domingo, 16h30, no CEU Vila Atlântica, zona norte de SP. Programação completa em www.viradacultura.org.
Gostou do disco da Fernanda Takai (vocalista do Patu Fu) pesquisando o repertório de Nara Leão? Então, você vai adorar saber que vem aí um DVD ao vivo do show Onde Brilhem os Olhos Seus. A gravação está marcada para 14 de maio, no teatro Municipal de Nova Lima, pertinho de Belo Horizonte. Os ingressos custam 50 reais (meia, 25). Clique em LEIA MAIS para ver o FLYER, mais informações e links. Continuar lendo “Onde brilhem os olhos seus”→