Toda segunda-feira tem jazz no bar São Cristóvão, na Vila Madalena. Ontem, o pessoal do Septeto S.A. fez um show “camisa jazz”, para combinar com milhares de fotos, flâmulas, cachecóis, pins, placas com nomes de jogadores, que enfeitam as paredes do bar.
Parte dessa memorabilia futboleira está no livro “No Campo da Memória, Jogando Música Fora”, lançado em 2010 pra comemorar uma década do bar, mas que só agora caiu nas minhas mãos. O livro tem algumas crônicas de Leonardo Prado e muitas fotos, de Stefan Schmeling. Editora Olhares.
O jazz rola toda segunda, a partir de 21h30.
Zetti, Vitor, Adílson, Ronaldão e Ronaldo Luiz; Pintado, Toninho Cerezo (Dinho) e Raí; Cafu, Palhinha e Müller. Torcedor são-paulino, dá saudade de ler a escalação desse time, não dá? Em 13 de dezembro de 1992, o tricolor de Telê Santana, campeão da Libertadores, encarou o Dream Team do Barcelona, campeão europeu.
O Barça era treinado pelo seu polêmico ex-craque, Johan Cruyff. No estádio Nacional de Tóquio, de tantas recordações boas também para flamenguistas e gremistas, o campeão da Europa chegou como favorito. Tinha nomes como o goleiro Zubizarreta, de seleção espanhola, Koeman, Guardiola (o hoje técnico campeão de tudo), a joia dinamarquesa Michael Laudrup e o artilheiro búlgaro Stoichkov.
Que abriu o placar, aos 12 do primeiro tempo.
O camisa 10 do São Paulo, o capitão Raí, aproveitou cruzamento de Müller e fez o gol de empate, até hoje não se sabe bem como nem com que parte do corpo. Vai ser virado pra Lua lá assim em Ribeirão Preto, Morumbi, Paris ou Tóquio, Raí!
A 11 minutos do fim do tempo regulamentar, “olha a falta, o São Paulo vem com jogada ensaiada, olha a chance do tricolor, Raí na batida de falta, capricha garotinho, capricha, rolou pra Cafu, pra Raí pro gol, eee queeee goooolllll”. Raí fez de folha seca o gol do título. E a narração do pai da matéria, Osmar Santos, abre o hino do São Paulo num CD lançado por “Placar”.
Cruyff disse: “se é para ser atropelado, melhor que seja por uma Ferrari”.
Às duas da manhã no horário brasileiro, o São Paulo era campeão mundial pela primeira vez.
Os trinta anos do Mundial Interclubes brilhantemente conquistado pelo Flamengo em 1981 começam a ser lembrados a partir de agora. Dudu Monsanto está lançando o livro “1981 – O Ano Rubro-Negro” (Panda Books). O escrete montado por Coutinho e depois treinado por Carpegiani é considerado um dos melhores das história do futebol brasileiro. Leitura que pode ser interessante até para torcedores de outros times.
Gostaria de lembrar de um documentário e de um livraço sobre o ponta franzino do Fluminense – daí o apelido “Fio de Esperança” – que virou técnico campeão pelo Flu, Galo, Grêmio, São Paulo campeão de tudo entre 1991 e 94. Onde não levantou título, deu show de bola – Palmeiras 1979, Seleção Brasileira da Copa de 1982 e, em menor grau, do Mundial de 1986. Já saiu em vídeo pela Imovision o documentário Telê Santana – Meio Século de Futebol-Arte, dirigido pelas jornalistas Ana Carla Portella e Danielle Rosa. Tive o prazer de ver uma exibição em cinema do doc, na mostra CineFoot, no ano passado. Depoimentos de montão: Cafu, de quem Telê pegou muito no pé para aprender a cruzar a bola, Roberto Dinamite, Juvenal Juvêncio, Leonardo, Wanderley Luxemburgo, Marcelinho Carioca, Muller, o pupilo Muricy Ramalho, Palhinha, Raí, Renato Gaúcho, Serginho Chulapa, Sócrates, Zetti, Zico e muitos outros. Confira o site e o Facebook do filme.
Imagine Santos de Neymar, Ganso e companhia x Barcelona de Messi, Xavi, Iniesta e co. na final do Mundial de Clubes, que em 2011 volta ao Japão. Seria show, seria 10… Fãs do futebol ofensivo do Barça e do futebol “discotèque, livre, leve e solto” (copyright Osmar Santos) dos Meninos da Vila 3G devem estar esfregando as mãos de contentamento, esperando uma eventual decisão como essa – e os torcedores do Peixe começando economizar para atravessar o mundo e torcer pelo tri também do Mundial, in loco. Pois bem: que golaço aço aço marcou o Santos ao fazer o possível e o impossível para segurar Neymar e Paulo Henrique Ganso na Vila famosa. Deu no que deu: Taça Libertadores nas mãos do capitão Edu Dracena – e no Memorial das Conquistas do Santos. Tomara que consigam manter o 10 e 11 alvinegros pelo menos até enfrentar o 6, o 8 e 10 blaugranas…
Feito do clube a ser ainda mais louvado se a gente notar que o Santos não tem a maior torcida do Brasil, não tem os maiores patrocínios, não tem as maiores verbas de TV. Por outro lado, os 77 km de distância do eterno rame-rame de briguinhas do Trio de Ferro da capital talvez ajudem o Santos Futebol Clube a fazer o que faz melhor: revelar e aproveitar jogadores da base e jogar bola. Jogar muita bola. O título deste post é uma referência a um livro -mais de gestão e negócios do que sobre bola-, mas muito interessante para saber como um dos adversários do Santos no Mundial de Clubes 2011 saiu da 13ª posição entre os times mais ricos da Europa para disputar o topo desse ranking com o arquirrival madrilenho. Sim, porque em Ligas Espanholas e Champions League, o Barcelona tem nadado de braçada nos últimos anos. Editado aqui pela Larousse, A Bola Não Entra por Acaso (La Pilota No Entra per Atzar, no título original, em catalão) foi escrito pelo empresário e consultor Ferran Soriano, vice-presidente econômico do Barça, nos cinco primeiros anos da retomada. Ajudou-me a entender como o Más que un Club que eu vi festejar como título um quarto lugar na liga espanhola 2000/2001, com um show de Rivaldo nos 3×2 sobre o Valencia (porque representava classificação para a Champions) se tornou esse bicho-papão de títulos na Espanha e Europa. Continuar lendo ““A Bola Não Entra por Acaso””→
Um perfil de Ronaldo Fenômeno é um dos “extras” da nova edição de Gigantes do Futebol Brasileiro (editora Civilização Brasileira). Editado pela primeira vez em 1965 com perfis de 13 craques (Friedenreich, Fausto, Domingos da Guia, Leônidas, Tim, Romeu, Zizinho, Heleno de Freitas, Danilo, Nilton Santos, Gérson, Garrincha e Pelé), o livro ganhou agora textos sobre duas ausências da “convocação” de 65: Didi e Ademir Marques de Menezes, mais o citado R9, Romário, Zico, Falcão, Tostão e Rivellino. A essa lista de craques, adiciono os nomes dos dois autores dos ótimos textos: João Máximo e Marcos de Castro. Vale a leitura. Mesmo.
O Esporte Clube Cruzeiro de Porto Alegre entrou em campo para a semifinal da Taça Piratini (1º turno do campeonato gaúcho) contra o Grêmio, no último domingo, com uma tarja preta. Luto pela morte do escritor Moacyr Scliar, um torcedor do Cruzeiro de POA desde criancinha. Herança do pai, José Scliar. Em 2010, Moacyr Scliar escreveu coluna no jornal Zero Hora, festejando a volta do Leão à elite do futebol gaúcho. Na crônica (leia aqui), Moacyr Scliar cita seu livro A Colina dos Suspiros (editora Moderna), ficção inspirada na história do Cruzeiro e seu campo, que ficava na Colina Melancólica, assim chamada por ser uma região de cemitérios porto-alegrenses. Continuar lendo “Moacyr Scliar, o Cruzeiro de POA e “A Colina dos Suspiros””→