40 anos de um clássico

abbey road
Este sábado ensolarado é um belo dia para ouvir “Here Comes the Sun”, “Come Together”, “Something”, “I Want You (She´s So Heavy)”, “Because”, “Carry that Weight” etc etc etc.  Abbey Road, este discaço, faz aniversário em 26 de setembro (dia do lançamento, em 1969). Mas hoje o mundo lembra dos 40 anos desta imagem clássica, tão repetida à la Brian de Palma – a foto de Iain Macmillan para a capa do disco comercialmente mais bem sucedido dos quatro rapazes de Liverpool. Em 69, o clima era muito tenso no quarteto. Os caras estavam prestes a se separar. Macca queria uma coisa, Lennon outra – reclamaria que não havia conexão entre as músicas. Mas que há um monte de gemas da dupla – e também de Ringo e de George – não há dúvida. A linda “Something” foi a primeira composição de Harrison a virar lado A de compacto dos Beatles. Chegou a ser cantada por Frank Sinatra, que a considerava “a melhor canção de amor escrita” (“The Complete Guide to the Music of The Beatles”, de John Robertson, Omnibus Press). Curioso é que o verso “Something in the way she moves” foi extraído de uma canção de James Taylor.

E pra quem gosta de Beatles, um lembrete: no mês que vem, exatamente em 9 de setembro, chegam às lojas discos avulsos e caixas – relançamento dos álbuns originais, em mono e estéreo – e o esperado jogo The Beatles Rock Band. Você pode ver e ouvir a animação de abertura do game neste link. Maneiríssimo trabalho da Harmonix e Passion Pictures.

“Get Thrashed”: DOC metaaal!!!

GET THRASHEDReign in Blood, do Slayer. Among the Living, Anthrax. Kill´em All , Metallica. Peace Sells… But Who´s Buying?, Megadeth. Bonded by Blood, Exodus. Chaos A.D., Sepultura. Se esses são os seus discos de cabeceira, vale procurar o doc americano Get Thrashed (link para o site oficial), que foi exibido em São Paulo no festival In-Edit. Documenta o metal muito pesado que surgiu na Bay Area, em Los Angeles, Nova York e outras áreas, no começo dos 80.  O filme deixa clara a importância das gravadoras independentes como Metal Blade e Megaforce, as brigas entre Metallica e Megadeth, Bay Area x Los Angeles… sobram farpas também pra geração do grunge. Aborda o festival Clash of the Titans… as rodas de dança… às vezes de pura violência entre tribos inimigas… as drogas… os excessos… gente que ficou pelo caminho, como o vocalista Paul Baloff, ex-Exodus, que morreu de derrame com pouco mais de 40.  O Sepultura aparece brevemente, quando o filme começa abordar cenas metálicas fora dos EUA. Mas Chaos A.D. fica bem “na fita”, é um dos discos citados como mais influentes, ao longo do filme – assim como os mencionados no começo deste texto.

Nota jazz

Jimmy Cobb, baterista que gravou com Miles Davis
Jimmy Cobb, baterista que gravou com Miles Davis

Daqui a um mês, o grupo do baterista Jimmy Cobb faz 2 shows em São Paulo, em homenagem aos 50 anos de um clássico do jazz: Kind of Blue, do grupo do trompetista Miles Davis. Aos 80 anos, Cobb é o único integrante vivo do sexteto que gravou esse discão.  A primeira faixa do LP (!), claro que muitas vezes lançado em CD, empresta o  nome ao grupo que vem tocar no Brasil: Jimmy Cobb´s So What Band. Saiba mais sobre os shows aqui.

miles

Buddy Guy, safra 2005

Uma guitarra envenenada com um senhor efeito wah-wah capa-de-cd-audio-00013abre Now You´re Gone (de Curtis Mayfield) e o CD Bring´em In, que Buddy Guy lançou em 2005 (inclusive no Brasil). É um disco mais cadenciado do geralmente incendiário bluesman radicado em Chicago, repleto de baladas bluesy, covers de R&B e soul, mais astros especialmente convidados. Da estatura de Keith Richards, que participa na maneira The Price You Gotta Pay (original do Keb´Mo´), Santana (que produz e toca sua guitarra latina em I Put a Spell On You) e Tracy Chapman na balada Ain´t No Sunshine. buddybringGuy ainda faz dueto com John Mayer em outra balada: I´ve Got Dreams to Remember, de Otis Redding. Tem cover de Bob Dylan (Lay Lady Lay – com canja de dois soulmen: Anthony Hamilton, cantor, e Roberth Randolph, que toca pedal steel guitar, uma guitarra com cordas de aço e pedais). Dores de cotovelo e paixões são tema de Somebody´s Sleeping in My BedWhat Kind of Woman is This – única de autoria de Buddy. Encerramento nota 10 com Do Your Thing, de Isaac Hayes. Discão. Só tem um incoveniente: esses convidados todos não acompanham Buddy nas excursões … Já pensou se todo mundo viesse ao Brasil?

Ataque de guitarra

Buddy Guy: CD Slippin´In
Buddy Guy: CD Slippin´In (1994)

No terceiro disco de Buddy Guy para a Silvertone, o negócio é blues, mesmo. Diferentemente dos dois anteriores, já comentados aqui no blog, não rolam clássicos do soul e R&B e foram convidados menos astros pra festa. Slippin´ In é um CD altamente recomendado para quem gosta do blues com pegada rock do inesquecível Stevie Ray Vaughan. Por sinal, a cozinha rítmica que acompanhava o grande SRV empresta seus serviços para Buddy em metade do disco. Tommy Shannon, baixo, e Chris Layton, bateria, formavam o Double Trouble. A banda que acompanha Buddy na outra metade do disco não fica atrás. O que acha de um batera creditado como Ray “Killer” Allison? Lembro-me de ter visto shows de Buddy no Brasil com Ray Killer na batera. E ele realmente arrebentava. Arrebentava porque segundo sua página no MySpace, Ray Killer virou frontman. Trocou baquetas pela frente do palco: guitarra e voz. A produção de Slippin´In ficou a cargo de Eddir Kramer, engenheiro de som de Hendrix. Como esse é um discão, resolvi comentar faixa a faixa. Continuar lendo “Ataque de guitarra”

Buddy Guy: “Damn Right, I´ve Got the Blues”

Discão: "Damn Right, I´ve Got the Blues"
Discão: “Damn Right, I´ve Got the Blues”

Quem diria, Buddy Guy passou quase toda a década de 80 sem gravar um disco de estúdio no seu próprio país, os EUA, terra do blues. Damn Right, I´ve Got the Blues (de 1991) foi o primeiro de uma série pela gravadora Silvertone – e o primeiro a faturar Grammy. Aqui, rodou bastante o clip da cover de Mustang Sally, sucesso na voz de Wilson Pickett, que Buddy regravou ao lado de outro herói da guitarra, Jeff Beck. É um show.
O CD tem canjas de outros guitarristas: Mark Knopfler e Eric Clapton, que idolatra Buddy. Outras covers presentes: Five Long Years, de John Lee Hooker, Let Me Love You Baby, de Willie Dixon. Composições do próprio Buddy abrem (a eletrizante faixa-título) e fecham o disco (Rememberin´Stevie, blues dedicado ao saudoso Stevie Ray Vaughan).

Steve Harris & West Ham United FC

pieceofmind1 O que o capitão do time do heavy metal tem em comum com o homem-gol do samba rock? A paixão pelo futebol. Como Jorge Benjor, que chegou a jogar nas divisões de base do Flamengo, o baixista Steve Harris, do Iron Maiden, atuou nos  juvenis do West Ham, clube da ZL de Londres que teve três jogadores na seleção inglesa campeã do mundo, em 66 (o capitão Bobby Moore, o meia Peters e o atacante Hurst). O W.Ham também revelou Lampard (hoje Chelsea) e teve Carlos Tévez por um semestre (antes de repassá-lo ao ManUtd), mas no Brasil é mais conhecido mesmo pela ligação com o ilustre torcedor. Steve Harris queria ser jogador profissional, mas trocou as chuteiras pelo baixo. E hoje, neste 12 de março em que completa 53 anos anos, começa por Manaus a parte brasileira da turnê Somewhere Back in Time. Pelo menos um som que pode aparecer no setlist vem do quarto álbum do Maiden, Piece of Mind, outro discão. Continuar lendo “Steve Harris & West Ham United FC”

Iron Maiden 3.0: The Number of the Beast, 29/03/1982

Foto: Robert Ellis (C) Iron Maiden Holdings 1996/38596 Fonte: EMI

numberofthebeast

A sirene de ataque aéreo – apelido do vocalista  Bruce Dickinson -começou a funcionar pra valer no terceiro disco do Iron Maiden, estreia do cantor na banda inglesa. The Number of the Beast (ouça trechos aqui) foi o primeiro álbum  nº1 do Iron (nas paradas inglesas). Primeiro Top 40 nos EUA. É aquele disco que  mesmo revistas e livros não especializados em rock pauleira elegem para falar do Maiden. Não é à toa que Number mereceu um programa da série Classic Albums, já lançado em DVD no Brasil. Aqui não tem Prodigal Son nem instrumentais. É pau puro, desde a faixa 1, Invaders, até a última, Hallowed Be Thy Name, um clássico de Steve Harris, cheio de mudanças de ritmo e clima, sobre um homem no corredor da morte.  Agora, além do apelo da capa (Derek Riggs), teve dois singles fortíssimos. Continuar lendo “Iron Maiden 3.0: The Number of the Beast, 29/03/1982”

O último show do Nirvana

Cris e Dave em show do Nirvana no Brasil. Arquivo do fanzine HEADLINE.
Krist e Dave em show do Nirvana no Brasil. Arquivo do fanzine HEADLINE.

Munique, 1º de março de 1994.  Quatro meses depois do excelente MTV Unplugged, o grupo mais influente dos anos 90 fez seu último show, num lugar chamado Terminal 1. Caramba, lá se vão 15 anos já.  O site Nirvana Live Guide fornece  o set list (que termina com Heart -Shaped Box) e  informa que Kurt Cobain perdia a voz(normalmente já rouca) durante o show, por causa da bronquite. Em abril de 94, o líder do Nirvana seria encontrado morto. No começo de 2009, cansei de falar aqui no blog de discos de estreia. E não via a hora de arrumar uma deixa para falar do segundo disco do trio de Aberdeen, Washington. O maior sucesso do Nirvana, um disco que superou qualquer expectativa da gravadora DGC (Geffen), que contratou o grupo do selo SubPop, de Seattle. Nevermind tem um clássico atrás do outro. Foram quatro singles, com clips muito interessantes: Smells Like Teen Spirit, Come As You Are, Lithium e In Bloom. Mas olha, num cenário mais alternativo, no mínimo a balada Polly, os hardcores Territorial Pissings e Stay Away e a delicada Something in the Way poderiam ser compactos de sucesso perfeitamente. Pra mim é um discão. Curioso é que o próprio Kurt Cobain não curtia muito a produção sonora de Nevermind. Chegou a comparar com a produção do Motley Crue. OK, pode ser um punk rock com banho de loja, mas é muito bom, com todas as suas distorções e berros combinados com melodias. A música pop perfeita para mim. Fórmula que o batera Dave Grohl – guardadas as proporções – levou para o Foo Fighters, onde é cantor e guitarrista. Continuar lendo “O último show do Nirvana”

Ultramen

"Olelê", do Ultramen
"Olelê", do Ultramen

Rap + trovadores gaúchos (ouça Peleja.) Reggae + metal (tente a pesada cover de Exodus, clássico de Marley). Junte influências de hardcore (Bem Mal, que me apresentou a uma banda que era muito, muito mais do que rock rápido), Jorge Benjor, Tim Maia (regravação de Johnny). Considero um discão o segundo CD do Ultramen, Olelê. Um dos melhores já gravados por um grupo independente brasileiro. Uma excelente pedida para abastecer o som do carro e cair na estrada, cantando junto refrões como o da ótima Preserve. “Pelo céu ou pelo mar, vou por aí, a procurar/pelo céu ou  pelo mar, vou por aí, a te encontrar”.