Buddy Guy: “Damn Right, I´ve Got the Blues”

Discão: "Damn Right, I´ve Got the Blues"
Discão: “Damn Right, I´ve Got the Blues”

Quem diria, Buddy Guy passou quase toda a década de 80 sem gravar um disco de estúdio no seu próprio país, os EUA, terra do blues. Damn Right, I´ve Got the Blues (de 1991) foi o primeiro de uma série pela gravadora Silvertone – e o primeiro a faturar Grammy. Aqui, rodou bastante o clip da cover de Mustang Sally, sucesso na voz de Wilson Pickett, que Buddy regravou ao lado de outro herói da guitarra, Jeff Beck. É um show.
O CD tem canjas de outros guitarristas: Mark Knopfler e Eric Clapton, que idolatra Buddy. Outras covers presentes: Five Long Years, de John Lee Hooker, Let Me Love You Baby, de Willie Dixon. Composições do próprio Buddy abrem (a eletrizante faixa-título) e fecham o disco (Rememberin´Stevie, blues dedicado ao saudoso Stevie Ray Vaughan).

O Pelé do blues de Chicago

Buddy Guy, em foto de capa do CD anterior, Bring ´Em In (2005)
Buddy Guy, em foto de capa do CD anterior, Bring ´Em In (2005)

Ele detona na canja no filme Shine a Light, tocando com os Stones uma música de Muddy Waters, seu ídolo. O bluesman Buddy Guy (da Lousiana, mas radicado em Chicago desde 1957) está voltando ao Brasil. Toca dias 26 e 27 em São Paulo e dia 28 no Rio.  Uma pena que seja tudo tão caro, porque esse Pelé do blues rasgado sempre faz shows de placa.

Tem letras que falam de mulheres que o deixaram, que alguém mais está dormindo na sua cama, mas você não acredita que esse setentão sorridente, que aparenta alto astral nos shows, dono de bar chique em Chicago, tenha algum problema com isso, acredita? É só temática blues.

A guitarra, ele costuma tocar alto – diz a lenda que Jimi Hendrix matava concertos para ver Buddy tocar. Mas também pode ser suave (Eric Clapton o adora). E ainda canta muito, muito bem.

O disco da foto à esquerda é de 2005. buddy1Mas Buddy já lançou outro álbum, Skin Deep (ouça canções no MySpace). A faixa-título é uma balada linda. Em dueto com a blueswoman Susan Tedeschi,  Too Many Tears é cheia de soul. Best Damn Fool é um típico bluesão com a guitarra alta de Buddy (que solo!). Clapton participa de Everytime I Sing the Blues (mais de 7 minutos de espetáculo!). Skin Deep está sendo considerado um dos grandes discos de Buddy, e olha que ele fez vários: Damn Right! I´ve Got the Blues… Feels Like Rain (um dos meus prediletos), Sweet Tea, Blues Singer

(este autógrafo aí à direita foi um mano meu que trouxe de visita ao Legend´s, bar de Buddy em Chicago)

Shine a Light

stones Já reparou como são boas as trilhas de filmes de Martin Scorsese? Pega Cassino. Tem Muddy Waters, Otis Redding, Little Richard, Ray Charles, Cream, Jeff Beck, Devo, BB King e … várias dos Stones. A de Inflitrados também é muito boa. O diretor nova-iorquino já dirigiu filmes sobre Bob Dylan (No Direction Home), The Band (O Último Concerto de Rock/The Last Waltz), produziu série sobre blues … e em 2008 lançou o seu filme concerto sobre os Rolling Stones, Shine a Light.. Sim, porque há vários filmes com os Stones. Let Spend the Night Together, Gimme Shelter, One Plus One/Sympathy for the Devil etc. Nos anos 90, eu me lembro de ter visto Rolling Stones Live at the Max, feito para IMAX, em Nova York, numa sala dessas que só agora há pouco chegaram ao Brasil. Pois acabo de descobrir que nos EUA Shine a Light passou em cinemas IMAX, que raiva! Seria uma boa passar Stones em IMAX em São Paulo (alô Ademar…)
Bom, depois desse nariz de cera, expressão jornalística para começo de textos que fazem firula demais em vez de ir direto ao gol, vamos a Shine a Light, filmado em 2006 num aconhechante teatro de N.York, o Beacon. Seus primeiros 10 minutos servem como uma espécie de making-of: mostram os bastidores dos últimos acertos pra filmagem dos shows e chegada de Bill Clinton com 30 convidados. Depois, aumenta, que isso aí é roquenrol. Pra começar Jumping Jack Flash, que tantos roqueiros tocaram, mas é da dupla Jagger/Richards. Continuar lendo “Shine a Light”