Blues e jazz

coco montoyaPara quem não está nem aí pro jogo da Seleção contra o Paraguai hoje, gosta de blues e tem 75 reais no bolso, uma bela dica é o show do guitarrista Coco Montoya no Bourbon Street, em São Paulo, às 22h30. O bluesman tocou com Albert Collins e foi um dos Bluesbreakers de John Mayall, grande revelador de guitarristas. john hammondMelhor ainda na quarta que vem: o show é do quarteto de John Hammond – os dois guitarristas tocam ainda no festival de blues e jazz de Rio das Ostras, neste feriadão. Há alguns anos, assisti a um showzaço do John Hammond no próprio Bourbon Street. Na base da guitarra acústica e harmônica (gaita). Na época, a MTV fez um especial com ele, quase um ABC para quem gosta de blues acústico. Mas nem só de blues desplugado vive o “Robert Johnson branco”. Tenho um disco chamado Trouble no More, em que ele também arrebenta no blues elétrico e eletrizante.  Coco Montoya(veja) toca esta sexta e sábado no Rio das Ostras Jazz e Blues. John Hammond (veja) manda seu blues no sábado e domingo no festival fluminense, que ainda tem o pianista Ari Borger, muito jazz e música instrumental.

Um blues para Koko Taylor (1928-2009)

A rainha do blues, em foto de Marc Norberg
A rainha do blues, em foto de Marc Norberg

Aos 80 anos, morreu a blueswoman americana Koko Taylor, que veio ao Brasil algumas vezes. Entre as dezenas de bons discos gravados pela cantora, queria destacar o primeiro, Koko Taylor, de 1969, produzido por um astro blues, Willie Dixon. Em especial, a eletrizante gravação de Wang Dang Doodle, composta pelo próprio Dixon. Se não me engano, quem arrebenta na guitarra nesta versão é Buddy Guy. Vale procurar na internet: Koko Taylor, Wang Dand Doodle. Recomendo.

“Atualizando o ‘prelim'”(*) musical

Impressionante como uma ou duas semanas sem passar por uma dessas maravilhosas e tentadoras megalojas de música, filmes e livros deixa consumidor mais  fissurado meio que desatualizado. Hoje descobri nas prateleiras dois DVDs. Um do Eric Clapton com o Steve Winwood ao vivo no Madison Square Garden. E um DVD triplo (!!!)do saudoso guitarrista irlandês Rory Gallager! Detalhes nos textos abaixo.

* jargão jornalístico

Clapton (IS GOD!) & Steve Winwood

Também tem em CD

Primeira supresa da tarde musical: Eric Clapton e Steve Winwood, em recém-lançado DVD duplo, também em CD. Os dois músicos tocaram juntos no supergrupo Blind Faith, há… 40 anos! Aqui, atalho para o vídeo de After Midnight no MSG, NY. No tubo, tem muita coisa de outro show do ex-Cream e do ex-Traffic, no Crossroads Festival. Como diria um GRANDE repórter amigo meu: OS CARAS TOCAM PRA CARAMBA!

Rory Gallagher, um herói da guitarra

Se você gosta de guitarristas que misturam rock e blues e não ouviu ainda o irlandês Rory Gallagher, não sabe o que está perdendo. RoryGallagher_DIGI.ai Hoje me deparei pela primeira vez com um DVD triplo do guitarrista, Shadow Play, com 5 shows num programa de rock da TV alemã, entre 76 e 90 – Gallagher morreu em 1995.  Quer conhecer mais? Pode fazer uma busca naquela famoso tubo cibernético. Uma das minhas favoritas é a balada boogie Tattoo´d Lady, que aparece em 3 datas diferentes do Rockpalast, programão alemão! DVD custa caro, ainda mais triplo, mas a minha esperança é que depois de um tempo o preço caia, como costuma acontecer. E aí é uma grande chance para curtir uma guitara que merecia ser mais conhecida no Brasil. Para quem já é fã, vale ter em casa. Como novamente diria um GRANDE repórter amigo meu, O CARA TOCA PRA CARAMBA! O site  www.rorygallagher.com também tem vídeos.

Buddy Guy, safra 2005

Uma guitarra envenenada com um senhor efeito wah-wah capa-de-cd-audio-00013abre Now You´re Gone (de Curtis Mayfield) e o CD Bring´em In, que Buddy Guy lançou em 2005 (inclusive no Brasil). É um disco mais cadenciado do geralmente incendiário bluesman radicado em Chicago, repleto de baladas bluesy, covers de R&B e soul, mais astros especialmente convidados. Da estatura de Keith Richards, que participa na maneira The Price You Gotta Pay (original do Keb´Mo´), Santana (que produz e toca sua guitarra latina em I Put a Spell On You) e Tracy Chapman na balada Ain´t No Sunshine. buddybringGuy ainda faz dueto com John Mayer em outra balada: I´ve Got Dreams to Remember, de Otis Redding. Tem cover de Bob Dylan (Lay Lady Lay – com canja de dois soulmen: Anthony Hamilton, cantor, e Roberth Randolph, que toca pedal steel guitar, uma guitarra com cordas de aço e pedais). Dores de cotovelo e paixões são tema de Somebody´s Sleeping in My BedWhat Kind of Woman is This – única de autoria de Buddy. Encerramento nota 10 com Do Your Thing, de Isaac Hayes. Discão. Só tem um incoveniente: esses convidados todos não acompanham Buddy nas excursões … Já pensou se todo mundo viesse ao Brasil?

Ataque de guitarra

Buddy Guy: CD Slippin´In
Buddy Guy: CD Slippin´In (1994)

No terceiro disco de Buddy Guy para a Silvertone, o negócio é blues, mesmo. Diferentemente dos dois anteriores, já comentados aqui no blog, não rolam clássicos do soul e R&B e foram convidados menos astros pra festa. Slippin´ In é um CD altamente recomendado para quem gosta do blues com pegada rock do inesquecível Stevie Ray Vaughan. Por sinal, a cozinha rítmica que acompanhava o grande SRV empresta seus serviços para Buddy em metade do disco. Tommy Shannon, baixo, e Chris Layton, bateria, formavam o Double Trouble. A banda que acompanha Buddy na outra metade do disco não fica atrás. O que acha de um batera creditado como Ray “Killer” Allison? Lembro-me de ter visto shows de Buddy no Brasil com Ray Killer na batera. E ele realmente arrebentava. Arrebentava porque segundo sua página no MySpace, Ray Killer virou frontman. Trocou baquetas pela frente do palco: guitarra e voz. A produção de Slippin´In ficou a cargo de Eddir Kramer, engenheiro de som de Hendrix. Como esse é um discão, resolvi comentar faixa a faixa. Continuar lendo “Ataque de guitarra”

Buddy Guy, “Feels Like Rain”

19857923Se Dam Right, I´ve Got the Blues tinha canja de Jeff Beck, o segundo  Buddy Guy para a Silvertone, Feels Like Rain (1993; dá para ouvir na Rádio UOL) também investe em duetos, covers e soul music, além de blues. A saborosa versão de Some Kind of Wonderful, com a voz de um roqueiro: Paul Rodgers, ex-Free. O disco abre elétrico blues, com She´s a Superstar  e  I Go Crazy, do Moody Blues. Mais um belo dueto: com Bonnie Raitt na balada Feels Like Rain (J. Hyatt). Nela, Buddy arrebenta como vocalista, assim como em Trouble Man, de Marvin Gaye. Quer mais blues? She´s Nineteen Years Old é Muddy Waters clássico; Change in the Weather, de John Fogerty, em duo com o country Travis Tritt. O mago branco do blues, John Mayall, pinta em I Could Cry, do gaitista Junior Wells, velho bud de Guy. Ou mais soul? Mary Ann, de Ray Charles.

Buddy Guy: “Damn Right, I´ve Got the Blues”

Discão: "Damn Right, I´ve Got the Blues"
Discão: “Damn Right, I´ve Got the Blues”

Quem diria, Buddy Guy passou quase toda a década de 80 sem gravar um disco de estúdio no seu próprio país, os EUA, terra do blues. Damn Right, I´ve Got the Blues (de 1991) foi o primeiro de uma série pela gravadora Silvertone – e o primeiro a faturar Grammy. Aqui, rodou bastante o clip da cover de Mustang Sally, sucesso na voz de Wilson Pickett, que Buddy regravou ao lado de outro herói da guitarra, Jeff Beck. É um show.
O CD tem canjas de outros guitarristas: Mark Knopfler e Eric Clapton, que idolatra Buddy. Outras covers presentes: Five Long Years, de John Lee Hooker, Let Me Love You Baby, de Willie Dixon. Composições do próprio Buddy abrem (a eletrizante faixa-título) e fecham o disco (Rememberin´Stevie, blues dedicado ao saudoso Stevie Ray Vaughan).

O Pelé do blues de Chicago

Buddy Guy, em foto de capa do CD anterior, Bring ´Em In (2005)
Buddy Guy, em foto de capa do CD anterior, Bring ´Em In (2005)

Ele detona na canja no filme Shine a Light, tocando com os Stones uma música de Muddy Waters, seu ídolo. O bluesman Buddy Guy (da Lousiana, mas radicado em Chicago desde 1957) está voltando ao Brasil. Toca dias 26 e 27 em São Paulo e dia 28 no Rio.  Uma pena que seja tudo tão caro, porque esse Pelé do blues rasgado sempre faz shows de placa.

Tem letras que falam de mulheres que o deixaram, que alguém mais está dormindo na sua cama, mas você não acredita que esse setentão sorridente, que aparenta alto astral nos shows, dono de bar chique em Chicago, tenha algum problema com isso, acredita? É só temática blues.

A guitarra, ele costuma tocar alto – diz a lenda que Jimi Hendrix matava concertos para ver Buddy tocar. Mas também pode ser suave (Eric Clapton o adora). E ainda canta muito, muito bem.

O disco da foto à esquerda é de 2005. buddy1Mas Buddy já lançou outro álbum, Skin Deep (ouça canções no MySpace). A faixa-título é uma balada linda. Em dueto com a blueswoman Susan Tedeschi,  Too Many Tears é cheia de soul. Best Damn Fool é um típico bluesão com a guitarra alta de Buddy (que solo!). Clapton participa de Everytime I Sing the Blues (mais de 7 minutos de espetáculo!). Skin Deep está sendo considerado um dos grandes discos de Buddy, e olha que ele fez vários: Damn Right! I´ve Got the Blues… Feels Like Rain (um dos meus prediletos), Sweet Tea, Blues Singer

(este autógrafo aí à direita foi um mano meu que trouxe de visita ao Legend´s, bar de Buddy em Chicago)