Dica de livro: “Tricolor Celeste”

Diego Lugano, capitão do Uruguai, é um dos quatro personagens de Tricolor Celeste, livro do jornalista Luís Augusto Símon, o Menon, sobre quatro jogadores da seleção uruguaia que fizeram história no São Paulo. Acabei de ler e posso recomendar suas 110 páginas não só aos são-paulinos, mas a todo mundo que goste de acompanhar o futebol sul-americano, uruguaio, e especialmente, aos fãs do lateral direito Pablo Forlán, do clássico meia Pedro Rocha, que marcava muitos gols, do quarto-zagueiro e volante Darío Pereyra e do zagueiro Diego Lugano.

Comecei a ler pelo capítulo que trata de Pedro Virgílio Rocha. “El Verdugo” (carrasco) – o segundo “verdugo” do futebol uruguaio, aprendi com o livro do Menon – foi o meu primeiro ídolo nos gramados. Na segunda metade dos anos 70, ele era sócio de uma loja chamada Pedro Rocha Sports, que funcionava na hoje badalada esquina da Joaquim Floriano com a João Cachoeira, em São Paulo. Eu ia lá para olhar os artigos esportivos, às vezes comprava um time de botão e, com sorte, saía com um autógrafo, se Rocha estivesse por lá (pelo menos uma vez o vi na loja).
Pedro Rocha – assim como Pablo Forlán – chegou ao tricolor já campeão de tudo pelo Peñarol – vários títulos uruguaios, vencedor da Libertadores (derrotou o River Plate ), Mundial de Clubes (duas vitórias sobre o Real Madrid). O Verdugo foi a quatro Copas do Mundo (62, 66, 70 e 74). Era considerado por Pelé “um dos cinco melhores jogadores do mundo”, mas levou um tempo para explodir no São Paulo. E um dos motivos pode ter sido a presença no time de outro monstro da bola: Gerson, canhotinha de ouro (o livro detalha). Mas quando explodiu, virou o cara, até a era Rubens Minelli.
Estão no Tricolor Celeste do Menon muitos outros detalhes, como jogos de estreia ou de despedidas dos quatro personsagens. Eu não sabia que o pai do Pedro Rocha era brasileiro. Não sabia que Forlán começou como volante – com a camisa 5 que eu já vi seu filho, o excelente atacante Diego Forlán, usar algumas vezes. Mas havia tantas feras no Peñarol que Pablo Forlán teve que jogar fora de posição – e como lateral-direito foi contratado pelo São Paulo, pouco mais de um ano antes de Pedro Rocha. A tempo de prometer ao então presidente do clube – Henri Aidar – o título paulista de 1970. O primeiro desde 1957. Está no livro do Menon o que Henri Aidar disse para Forlán quando o uruguaio se despediu do tricolor. Por muitos tido como jogador violento (são famosas as pancadas no ponta palmeirense Nei), Forlán sai do livro como um lateral que não marcava bem, mas também não perdia a viagem, apoiava bem, chutava forte – e tinha muita, muita raça. Pronto. Ídolo da torcida. Até o Juca Kfouri já escreveu loas sobre a determinação do ex-são-paulino, se não me engano ao lembrar da virada tricolor sobre o Botafogo (4×1), no triangular final que deu o Brasileirão 71 para o Atlético-MG.
Com Rocha e Forlán, o tricolor-celeste perdeu uma final de Libertadores para o Independiente, em 74 – “fomos roubados”, exclama Forlán no livro.
Tricolor Celeste também conta como o volante que jogava com a camisa 10 do Uruguai foi comprado pelo São Paulo como o “sucessor de Pedro Rocha” – foi com a 10 que ele começou a jogar, com a 10 ganhou o 1º título brasileiro do tricolor, o de 77 (o 1º algarismo do tal 6-3-3-). O rapaz tímido que sentia saudade até da carne uruguaia (conta Menon) se firmou aos poucos, primeiro como volante, e depois como quarto-zagueiro – fez dupla histórica com Oscar. Ganhou títulos paulistas (80, 81, 85, 87) e ainda mais um brasileiro, o de 86, naquela dramática final contra o Guarani (Rui Branquinho ainda não tinha inventado, mas o São Paulo já era 2-0-0).
Bom, a essa altura, depois do Brasileiro de 86, o menino que ia à hoje extinta Pedro Rocha Sports para ver o ídolo de perto tinha motivos para acreditar que para ser campeão, o São Paulo tinha que contar com uruguaios em campo. Na era Telê, não foi preciso. Os poucos gringos não deram certo (Forlán mesmo teve uma passagem curta como técnico, antes do Mestre). Mas em 2005, o São Paulo contou com um camisa 5 chamado Diego Lugano. Voltou a ser campeão – paulista, da Libertadores e Mundial. E olha que ele quase foi embora antes de se consagrar, porque sofria com a desconfiança (está no livro). Lugano foi de “jogador do presidente (Marcelo Portugal Gouveia)” a ídolo da torcida tricolor, até hoje.
Caso tenha dificuldade para encontrar o livro, procure no site da editora, a Publisher Brasil.

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